- Eu não negocio preço. - Mas não são vocês que dizem sempre "faço porque gosto"? - Faço porque gosto. Do dinheiro - Mas está muito caro! - Ah....Então pode sentar com aquela baranga ali do lado. Ela cobra bem menos. - Ah, é? Qual? Aquela ali? Você sabe quanto? - Sai daqui, cara! Estou trabalhando e você me atrapalha. - Queisso, benzinho? Quero você! Só precisamos acertar esse preço. - O preço está certo. O que não está certo é você ser tão pão-duro. - Pão-duro?!?! Eu até já bebi um chope nesse lugar caríssimo! - É. Bebeu um chope em duas horas e ainda nem terminou. - Eu bebo devagar e gosto de chope quente. - Eu devia saber que você era canguinha quando pediu sem colarinho. - Colarinho eu mesmo faço! É só colocar o guardanapo, puxar e pronto. Pra que vou desperdiçar um chope caro desses? - Desperdiçar um dedo de chope, você quer dizer. - Esse não é nosso assunto. E aí? Vai me dar o desconto? - Não dou descontos, dou outras coisas. Cenzinho, mais o motel, e não tem conversa. - Você fala cenzinho, no diminutivo, como se notas de 100 nascessem em árvores. 50 e fazemos no carro. - Você só pode estar de sacanagem! - Ainda não, mas quero muito! - Então encare os dragões da Vila Mimosa! É lá que os pobres vão atrás de diversão. - Não sou pobre. Sou econômico. - Sai, cara! Desse jeito não tem conversa. Se você acha que eu não valho 100 Reais, tem quem ache. E com você aqui, não vou conseguir nada. - Ah, vai! Vou te tratar bem! O que custa? ! - Custa cem, já te disse. E prefiro que trate bem minha conta bancária. - Quanto romantismo! - Se quer namorar, vai pra casa. Sua mulher deve estar te esperando. - Aquele tribufu não estou comendo nem que me paguem. Bom, depende da grana... - Porra...como você é mão de vaca! - Não fala isso, vai! Gostei de você. 70 e eu reclino o banco de trás do carro? - Sai fora!
- Ainda por aqui? - Por pouco tempo. Estou indo. Esse lugar é caro demais. - Não teve muito sucesso com as garotas? - Não tive muito sucesso com o preço que elas cobram. E você? - Nada, nenhum cliente hoje. - Se cobrasse menos, quem sabe? - Olha, falando desse jeito, parece que você acha que não valho o preço que cobro. - Você até vale. Eu é que não tenho a grana. - Não sei porque, mas gostei de você. Mesmo sendo mão fechada. - Não sou mão fechada. Sou pobre. - Não era econômico? - Dá no mesmo. - Vai. Eu aceito seus 70, mas não faço no carro e quero uma carona pra casa depois. - Nada disso. Agora só pago 50. - O que?!?!?! - E vai ser no banco da frente! Sem motel e sem reclinar o banco de trás. - Porra! Você vai gastar dinheiro se reclinar o banco de trás? - Não, mas dá o maior trabalho fazer isso. E quero economizar energia pra amanhã. - Quer saber? Vai a merda! Vou esperar meu ônibus aqui. - Se você prefere. O bom é que não gasto gasolina com você.
- Ta bom. Eu aceito. Essa merda de ônibus não vai passar a essa hora. - Com carona cai pra 35. - PQP...você é o cara mais muquirana que eu conheço. - Quer ou não quer? - Tá bom, tá bom. - Menina esperta! Vai, entra no carro. Mas só uma coisa. - Que foi agora? - Tem uma grana pra comprar camisinha? Eu estou sem nenhuma.