<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424</id><updated>2011-08-04T14:20:36.570-03:00</updated><title type='text'>Chaos</title><subtitle type='html'>Literatura Caótica</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>266</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-316560705530708544</id><published>2008-04-01T09:17:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:22:57.458-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;1º de abril&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-316560705530708544?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/316560705530708544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=316560705530708544&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/316560705530708544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/316560705530708544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2008/04/1-de-abril.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-7417390091303643961</id><published>2007-05-02T08:59:00.001-03:00</published><updated>2007-05-02T09:02:17.290-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Pão duro&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Eu não negocio preço.&lt;br /&gt;- Mas não são vocês que dizem sempre "&lt;i&gt;faço porque gosto&lt;/i&gt;"?&lt;br /&gt;- Faço porque gosto. Do dinheiro&lt;br /&gt;- Mas está muito caro!&lt;br /&gt;- Ah....Então pode sentar com aquela baranga ali do lado. Ela cobra bem menos.&lt;br /&gt;- Ah, é? Qual? Aquela ali? Você sabe quanto?&lt;br /&gt;- Sai daqui, cara! Estou trabalhando e você me atrapalha.&lt;br /&gt;- Queisso, benzinho? Quero você! Só precisamos acertar esse preço.&lt;br /&gt;- O preço está certo. O que não está certo é você ser tão pão-duro.&lt;br /&gt;- Pão-duro?!?! Eu até já bebi um chope nesse lugar caríssimo! &amp;nbsp;&lt;br /&gt;- É. Bebeu um chope em duas horas e ainda nem terminou.&lt;br /&gt;- Eu bebo devagar e gosto de chope quente.&lt;br /&gt;- Eu devia saber que você era canguinha quando pediu sem colarinho.&lt;br /&gt;- Colarinho eu mesmo faço! É só colocar o guardanapo, puxar e pronto. Pra que vou desperdiçar um chope caro desses?&lt;br /&gt;- Desperdiçar um dedo de chope, você quer dizer.&lt;br /&gt;- Esse não é nosso assunto. E aí? Vai me dar o desconto?&lt;br /&gt;- Não dou descontos, dou outras coisas. Cenzinho, mais o motel, e não tem conversa.&lt;br /&gt;- Você fala cenzinho, no diminutivo, como se notas de 100 nascessem em árvores. 50 e fazemos no carro.&lt;br /&gt;- Você só pode estar de sacanagem! &lt;br /&gt;- Ainda não, mas quero muito!&lt;br /&gt;- Então encare os dragões da Vila Mimosa! É lá que os pobres vão atrás de diversão.&lt;br /&gt;- Não sou pobre. Sou econômico. &lt;br /&gt;- Sai, cara! Desse jeito não tem conversa. Se você acha que eu não valho 100 Reais, tem quem ache. E com você aqui, não vou conseguir nada.&lt;br /&gt;- Ah, vai! Vou te tratar bem! O que custa? ! &lt;br /&gt;- Custa cem, já te disse. E prefiro que trate bem minha conta bancária.&lt;br /&gt;- Quanto romantismo!&lt;br /&gt;- Se quer namorar, vai pra casa. Sua mulher deve estar te esperando.&lt;br /&gt;- Aquele tribufu não estou comendo nem que me paguem. Bom, depende da grana...&lt;br /&gt;- Porra...como você é mão de vaca!&lt;br /&gt;- Não fala isso, vai! Gostei de você. 70 e eu reclino o banco de trás do carro?&lt;br /&gt;- Sai fora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;- Ainda por aqui?&lt;br /&gt;- Por pouco tempo. Estou indo. Esse lugar é caro demais.&lt;br /&gt;- Não teve muito sucesso com as garotas?&lt;br /&gt;- Não tive muito sucesso com o preço que elas cobram. E você? &lt;br /&gt;- Nada, nenhum cliente hoje.&lt;br /&gt;- Se cobrasse menos, quem sabe?&lt;br /&gt;- Olha, falando desse jeito, parece que você acha que não valho o preço que cobro.&lt;br /&gt;- Você até vale. Eu é que não tenho a grana.&lt;br /&gt;- Não sei porque, mas gostei de você. Mesmo sendo mão fechada.&lt;br /&gt;- Não sou mão fechada. Sou pobre.&lt;br /&gt;- Não era econômico?&lt;br /&gt;- Dá no mesmo.&lt;br /&gt;- Vai. Eu aceito seus 70, mas não faço no carro e quero uma carona pra casa depois.&lt;br /&gt;- Nada disso. Agora só pago 50.&lt;br /&gt;- O que?!?!?!&lt;br /&gt;- E vai ser no banco da frente! Sem motel e sem reclinar o banco de trás.&lt;br /&gt;- Porra! Você vai gastar dinheiro se reclinar o banco de trás?&lt;br /&gt;- Não, mas dá o maior trabalho fazer isso. E quero economizar energia pra amanhã.&lt;br /&gt;- Quer saber? Vai a merda! Vou esperar meu ônibus aqui.&lt;br /&gt;- Se você prefere. O bom é que não gasto gasolina com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;- Ta bom. Eu aceito. Essa merda de ônibus não vai passar a essa hora.&lt;br /&gt;- Com carona cai pra 35.&lt;br /&gt;- PQP...você é o cara mais muquirana que eu conheço.&lt;br /&gt;- Quer ou não quer?&lt;br /&gt;- Tá bom, tá bom. &lt;br /&gt;- Menina esperta! Vai, entra no carro. Mas só uma coisa.&lt;br /&gt;- Que foi agora?&lt;br /&gt;- Tem uma grana pra comprar camisinha? Eu estou sem nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-7417390091303643961?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/7417390091303643961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=7417390091303643961&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/7417390091303643961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/7417390091303643961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/05/po-duro-eu-no-negocio-preo.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-8303648733788507945</id><published>2007-04-27T17:05:00.000-03:00</published><updated>2007-04-28T13:23:30.495-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;O despertador&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A manhã o acordou com seu grito luminoso, ensurdecendo seus olhos.Virou-se com dificuldade, pegou o maço amassado de cigarros na cabeceira, retirou um cigarro tão amassado quanto e o acendeu com seu sólido Zippo prateado. Pegar o isqueiro fez com que ele tivesse seu primeiro contato com a realidade. A luz do dia, a fumaça nos pulmões e a ligeira dor de cabeça não o tinham tirado do aparente estado letárgico de quem ainda não acordou totalmente. Esfregou os olhos, pôs-se sentado na cama. O chão, tocado pelos seus pés, foi seu segundo contato com a dureza da realidade. O próximo passo seria levantar. Valeria a pena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio digital anunciava seu atraso. Sentia falta do seu antigo despertador da infância, artefato analógico, pesado, mas extremamente confiável. Olhar os traços que formavam os números no relógio não lhe lembravam a realidade. Aqueles números não existiam, eram uma seqüência de algarismos binários que dispostos na ordem certa, informavam que já eram 10: 23.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Aonde foram parar os ponteiros nesse mundo? - ele se perguntava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante mais de 15 anos, seu antigo despertador redondo e convencional nunca falhara. Sempre acordava ao som do seus sinos. Era sempre o mesmo som irritante e por isso, eficiente. Não havia a opção de acordar com música, com sirenes, com galos cantando ("galos cantando na Zona Sul?" Ele pensou quando leu essa opção entre os alarmes do artefato). As vezes atrasava, mas nunca mais de uma hora. E nunca deixou de tocar, como esse maldito relógio digital à sua frente. Era sólido e confiável. Já esse despertador digital à sua frente era muito leve, um primor do design contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas essa merda não desperta - reclamou consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu seu laptop no chão, outra maravilha da tecnologia. De certa forma, seu atraso hoje era culpa desse computador portátil. Se não estivesse trabalhando com ele até tarde aquele dia, se não tivesse resolvido entrar numa sala de bate papo para espairecer um pouco, se não tivesse conhecido ela...Ela. Ela tinha escolhido o novo despertador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"-&lt;i&gt;Essa sua velharia está caindo aos pedaços. E é muito feio!"&lt;/i&gt; - ela dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se conheceram num chat, trocaram e-mails - essa impalpabilidade que substituiu as cartas, que funcionaram muito bem durante séculos - resolveram se conhecer e pimba! Gostaram um do outro. Começaram a sair, começaram a namorar, resolveram morar juntos e nessa, seu velho, feio, caindo aos pedaços mas confiável despertador analógico, de corda e com ponteiros, foi jogado fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E ela dizia que eu ia agradecer por isso algum dia! - ele pensou, revoltado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não parou no despertador. Mudou muita coisa na vida dele. Hábitos, gostos, viagens, apetites. Tudo. Ele mudou muito, mas ela, aparentemente, não havia mudado nada. Continuou entrando nas salas de bate-papo (talvez usando seu próprio laptop), continuou conhecendo pessoas, trocando e-mails. Um dia ela conheceu algum sujeito mais "&lt;em&gt;antenado&lt;/em&gt;", segundo as próprias palavras dela. E agora, estava ele no quarto, sozinho e cercado por equipamentos eletrônicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bronca do chefe seria inevitável. Era o terceiro ou quarto atraso grande no mês. E tudo porque ele não conseguiu aprender direito como programar o maldito despertador digital, uma obra de arte do design moderno. Em 15 anos com seu antigo e analógico despertador de corda, ele nunca havia deixado de despertar. E, por mais que fosse irritante o som da sua campainha em seus ouvidos, ele nunca pensou em realizar o lugar comum de quebrar o relógio por ter sido acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ir tomar um banho, ele pegou o rádio-relógio digital e o atirou longe, espatifando com ele na parede. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-8303648733788507945?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/8303648733788507945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=8303648733788507945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/8303648733788507945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/8303648733788507945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/04/o-despertador-manh-o-acordou-com-seu.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-2900368970212028106</id><published>2007-04-18T12:37:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T12:38:59.311-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;strong&gt;Reservado&lt;/strong&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;Solange achava incrível como um banheiro de faculdade, lugar de gente estudada e com educação, podia ser tão imundo. Nunca tivera tanto trabalho quanto agora, desde que arranjou esse bico de faxineira. O pior é que, além de pesado, era obrigação chata, uma eterna rotina de esperar as turmas saírem, pegar o material de limpeza e limpar a porcaria “desses meninos mimados”, como costumava dizer. Se soubessem o quanto Solange odiava seu serviço, veriam como fizeram certo em deixa-la com sua faxina apenas depois do fim das aulas. Se visse algum aluno fazendo das suas porcarias enquanto trabalhava, poderia cometer um desatino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha resolvido começar pela pior parte. Estava em um reservado feminino, limpando a privada e pensando que se tivesse uma filha que deixasse seu banheiro naquele estado, ela ia apanhar muito. Seguia na esfrega e nos devaneios quando ouve a porta se abrir. Se preparava para sair do reservado e dar uma bronca merecida na engraçadinha que pretendia sujar o banheiro fora do horário quando reparou que não era uma menina. Pelo menos, não uma menina sozinha, mas um casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encostou a porta do reservado, deixando uma pequena brecha para espiar. Queria ver se conhecia o casal. Não conseguiu ver os rostos direito. O casal estava agarrado num desespero tal que parecia que não haveria amanhã para ambos. Solange ficou olhando, não sem certa malícia, os dois jovens que se atracavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos estão usando o banheiro pra uma coisa boa e não pra emporcalhar tudo - pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois namorados, não tomando conhecimento da vouyer inesperada, tomavam mais e mais liberdade um com o outro. Solange, que no começo via a cena com algum prazer, começou a se sentir constrangida com os avanços do casal. Por respeito e vergonha - menos o primeiro que o segundo - , Solange fechou a porta do reservado e continuou sua limpeza, fazendo o mínimo de barulho possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solange tentava seguir com seu trabalho mas os ruídos do casal tiravam sua concentração. Era uma mulher um tanto e quanto recatada, não estava acostumada a fazer o que os dois jovens estavam fazendo assim, em um lugar público. Achava até uma sem-vergonhice. Talvez devesse sair e acabar com a festa. Até porque, ela não ia ficar ali escondida esperando os dois exibidos terminarem para continuar sua limpeza. Decidida a interromper os arroubos amorosos do casal, Solange abre novamente a porta do reservado, devagar, para não flagrar nenhuma cena chocante demais. Não adiantou, mas o choque foi inesperado. Ao ver pela fresta na porta os dois agarrados, Solange percebe, horrorizada que o que era para ser uma transa se transformou em outra coisa: um assassinato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar de beijos, Solange viu o rapaz agarrando a moça por trás e a enforcando com uma espécie de fio. Os braços da garota, ainda se debatendo, lutando pela vida, deixaram Solange congelada. Ela não conseguia esboçar uma reação, além se forçar a não gritar. Apesar de terrificante, não conseguia deixar de ver a cena. Olhou, petrificada, até ver a moça parar de lutar e ser deixada, sem vida, no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o desfecho macabro, Solange não se conteve e deu um suspiro. Assustada com a possibilidade de ter sido ouvida, tapou a boca com a mão e fechou a porta do reservado, devagar. As lágrimas corriam pelo seu rosto e ela procurou se controlar o máximo que pudesse. Depois de alguns segundos, ouviu com terror os passos do assassino, vindo em direção ao reservado. Solange tremia. Intimamente, rezava, sem saber se desejava que tudo aquilo não passasse de uma alucinação ou se pedia para que o homem fosse embora sem vê-la. Mas o desespero tomou conta de Solange de vez quando percebeu a porta do reservado sendo aberta, vagarosamente. Encolheu-se na parede, numa mudez cadavérica. Para sua sorte, estava atrás da porta e o homem saiu, sem notar sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solange mordia seus lábios até quase sangrar. Chorava em silêncio, mas copiosamente. Esperou um tempo, desejando com todas as suas forças que o criminoso fosse logo embora. Queria abandonar logo aquele lugar, não queria estar no mesmo ambiente onde algo tão cruel tinha ocorrido. Controlou seu choro, viu que não estava mais tremendo e, criando uma coragem que não sabia que tinha, abriu a porta, vagarosamente. Olhou pela fresta da porta e não viu o homem, apenas as pernas estiradas da menina morta. Um leve tremor tomou conta do seu corpo ao vê-la. Colocou a cabeça fora do reservado, olhou para os dois lados e viu que estava sozinha. Apenas a presença inexorável da morta a acompanhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andou com passos vacilantes em direção do corpo. Sentiu uma enorme pena da moça, que tinha morrido sabe-se lá por que razão. Não conseguia ver o rosto da morta, e isso a deixou ainda mais penalizada: além de assassinada, morrera com a face virada para o chão imundo do banheiro. Ainda estava imersa nesses pensamentos quando ouviu um barulho atrás de si. Solange virou-se e viu um homem entrar no banheiro. Não precisaria ter reconhecido as roupas do assassino. Ele vinha na sua direção segurando a mesma corda que tinha usado no pescoço da garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solange não conseguiu sequer gritar. Sua voz tinha sumido, sentiu suas pernas bambas, seria incapaz de qualquer reação. O homem a mirava impiedosamente, sem piscar. Levantou as duas mãos esticando a corda que segurava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade de viver reacendeu-se em Solange. Ela começou a vasculhar com o olhar algo que pudesse usar como arma. Olhou as paredes do banheiro, o chão, a pia, os outros dois reservados. O homem se aproximava com passos lentos mas seguros e ela não encontrou nada que a ajudasse. Só viu sujeira. As paredes pichadas, o espelho encardido, a pia com manchas de ferrugem, o chão, com respingos e restos de papel. O homem estava cada vez mais perto e Solange viu, diante da morte iminente, que sua vida seria um constante limpar de coisas que ela não sujara, uma servidão à faxina injusta, e pior, para pessoas que não sabiam sequer da sua existência (?). Seus ombros penderam diante dessa realidade inescapável. Desistiu de procurar com o que se defender com olhos cansados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem estava diante de Solange que, parada, não parecia pretender nada. O assassino leva a corda em direção ao pescoço dela e o último ato de Solange foi dar as costas ao homem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-2900368970212028106?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/2900368970212028106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=2900368970212028106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/2900368970212028106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/2900368970212028106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/04/reservado-solange-achava-incrvel-como.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-4982026695202197821</id><published>2007-03-21T17:56:00.000-03:00</published><updated>2007-03-21T17:57:50.019-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h3&gt;O reencontro&lt;/h3&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A emoção seria grande. Rever a mulher da sua vida, dois anos depois da separação por motivos profissionais. Depois da relação, que parecia ser perfeita, ser abalada por causa de uma promoção - "&lt;em&gt;maldita promoção&lt;/em&gt;", dizia ele - que a levou para outro continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, orgulhoso, não quis falar com ela por mais de um ano. Até que na semana anterior, ela escreveu, dizendo que estava voltando. E que queria ele de volta. Não havia orgulho que resistisse a isso. Planejaram tudo por e-mail, durante a semana: ele iria pegá-la no aeroporto, ela iria direto para casa dele e tentariam falar o mínimo possível sobre o que fizeram ou deixaram de fazer nesse hiato de dois anos. Ele concordou, mas voltou a fumar só de imaginar o que ela poderia ter aprontado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha parado com o cigarro algumas semanas antes da volta dela. Depois da crise de orgulho, veio o sentimento de perda e com isso, a depressão e todos seus efeitos: bebedeiras, perdas de emprego e cigarros, muitos cigarros. Achou um sinal da providência ter resolvido acordar para a vida novamente justo quando ela estava para voltar. E teria continuado sem fumar, a saúde já rateava, se ela não viesse com essa história de "&lt;i&gt;falar o mínimo sobre o que fizeram&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não teria muito pra contar mesmo. Mas ela, linda e tão tipicamente brasileira, no meio de um bando de europeus tarados? Devia ter um monte de histórias - escabrosas - pra contar. Ele tentava parar de imaginar isso, a amava ainda e não tinha sentido ter uma crise de ciúmes pelo que ela fez ou deixou de fazer quando não estavam juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas cadê que ele conseguia evitar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro sintoma foi voltar a fumar. Isso, na véspera da chegada dela. Não dormiu. Fumou um, dois, três maços. Foi sonado para o aeroporto. E meio bêbado ("&lt;i&gt;já que voltei a fumar&lt;/i&gt;", pensou, "&lt;i&gt;não tem mal beber um pouco&lt;/i&gt;").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No aeroporto soube que o vôo ia atrasar uma hora. Era tudo o que ele não precisava. Por mais que tentasse não pensar no assunto, as cenas não saiam da cabeça dele: ela, mãos branquelas no seu corpo moreno, sotaques estranhos juntos com seus gemidos carioquíssimos. Ódio, nervosismo, vontade de vingar 500 anos de colonização com as próprias mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Não&lt;/i&gt;, pensou, &lt;i&gt;estou ficando maluco!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ao banheiro. Lavou o rosto, molhou os cabelos. Se sentia melhor. Pediu um café caro na lanchonete metida a besta e acendeu um cigarro. Se concentrou nos bons momentos com ela. Nos momentos em que ela era sua. E tudo ficou bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É anunciado o pouso do vôo que a traria. Ele se dirige ao portão indicado pela bela voz que anuncia os pousos e decolagens. A voz parece a dela. E quando a mulher repete o portão, dessa vez em inglês, ele imagina a mulher que ama falando outro idioma, com outro homem que não ele. Ele sente um aperto no peito, uma dor, a certeza de que não conseguirá viver com isso, por mais que a ame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aparece no portão. Linda, mais que nunca. Ele tem lágrimas nos olhos, ele tem lágrimas nos olhos. Correm um em direção ao outro. Ele sente a dor mais profunda que jamais sentiu no coração. Quando ela está ao alcance dele, ele dá um tapa no rosto dela. "&lt;i&gt;Puta&lt;/i&gt;!", grita, chamando a atenção de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor que ele sentiu ao ver a estupefação no rosto da mulher da sua vida foi a maior que ele jamais teve. E a definitiva: teve um ataque cardíaco fulminante. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-4982026695202197821?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/4982026695202197821/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=4982026695202197821&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/4982026695202197821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/4982026695202197821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/03/o-reencontro-emoo-seria-grande.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-3047113806169640622</id><published>2007-02-28T15:09:00.000-03:00</published><updated>2007-02-28T15:15:35.889-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Mr. Sandman&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Tentando tirar a poeira dos olhos&lt;/i&gt;", ele disse. Ela não entendeu e ele repetiu, dessa vez explicando que a expressão significava que estava tentando espantar o sono. Ela riu, porque não conhecia a expressão "&lt;i&gt;poeira nos olhos&lt;/i&gt;" e porque a entendeu na hora ("&lt;i&gt;a pálpebra fica mesmo arranhando os olhos quando queremos muito dormir&lt;/i&gt;", ela disse). Ele se lembrou da história do Mr. Sandman, que joga o pó do sono nas pessoas para que durmam, mas ficou com preguiça de contar a história para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela lhe ofereceu um café e ele não aceitou. Não queria tanto perder o sono assim, "&lt;i&gt;já está tarde&lt;/i&gt;, ele disse, "&lt;i&gt;daqui a pouco teremos que ir mesmo para cama&lt;/i&gt;". Ela perguntou "&lt;i&gt;teremos?&lt;/i&gt;" e ele respondeu que esperava que ela o acompanhasse "&lt;i&gt;nesse momento importante&lt;/i&gt;" - eram essas as palavras que ela lembrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Não tinha essa intenção, mas se você quer, eu vou com você&lt;/i&gt;, foi o que ela respondeu. "&lt;i&gt;Não precisa ir, se você só vai pra me agradar&lt;/i&gt;", ele disse. "&lt;i&gt;Não&lt;/i&gt;", disse ela por sua vez, "&lt;i&gt;será um prazer&lt;/i&gt;". Apesar das palavras agradáveis, ele viu que seu rosto dizia justamente o contrário. "&lt;i&gt;Você tem certeza?&lt;/i&gt;" ele disse. E ela respondeu que o problema é que não pretendia acordar cedo no dia seguinte. Lembrou a ele que quinta-feira era o único dia na semana em que podia esticar um pouco mais o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Tá bom. Não precisa ir, querida&lt;/i&gt;", ele disse. Então foi a vez dela notar que o que ele dizia não entrava em total desacordo com a expressão na sua face. Vendo isso ela - sem dizer nada - levantou-se da cadeira e foi ao quarto. Ele ficou sozinho na mesa de jantar, ainda tentando tirar a poeira dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela volta com o despertador na mão e pergunta que horas eles teriam que acordar. Ele respondeu que não precisava do rádio relógio, que quem tinha que acordar cedo era ele e que ele sabia quanto ela detestava o alarme do aparelho. "&lt;i&gt;Ué? Mas eu vou com você!&lt;/i&gt;", ela disse. E ele respondeu: "&lt;i&gt;não precisa. Amanhã você vai poder dormir mais e não quero atrapalhar seu sono&lt;/i&gt;". Algo no tom de voz dele fez com que ela se sentisse mal. Sabia o que aquele tom significava: ele estava contrariado. Foi o necessário para que ela também ficasse emburrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Prefiro quando você diz a verdade e não me vem com esse tonzinho de compreensão ensaiada&lt;/i&gt;", ela disse. Ele rebateu com "&lt;i&gt;não quero uma pessoa de má vontade comigo amanhã, só isso&lt;/i&gt;". Essa parte do diálogo foi o começo de uma discussão: para ele, era tudo insensibilidade, falta de companheirismo e egoísmo da parte dela ("&lt;i&gt;me abanar num momento tão crucial que estou vivendo!&lt;/i&gt;" foi o argumento dele). Já ela o acusou de ser cheio de vontades, fútil e também egoísta (ela disse a ele "&lt;i&gt;onde já se viu me fazer perder minha manhã de folga por causa de um campeonato de pelada onde você sequer sai do banco de reservas! Sua noção de '&lt;/i&gt;momento importante'&lt;i&gt; precisa ser revista urgentemente!&lt;/i&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram batendo boca por horas. Acusações pra cá, acusações pra lá, ficaram de mal, justo no dia da semifinal do campeonato. Ele queria que ela fosse, considerava-a seu talismã. E foi justamente quando ele falou isso para ela, que a briga acabou. "&lt;i&gt;Sou mesmo?!?!&lt;/i&gt;", ela perguntou, deslumbrada. Ele confirmou que sim, abrançando-a. "&lt;i&gt;Claro, minha coelhinha! Se um pé de coelho dá sorte, imagine eu tendo seus dois pés perto de mim!"&lt;/i&gt;, completou ele. Depois desse abraço (e das horas de discussão) foram juntos para cama. E não dormiram imediatamente, porque nenhum dos dois tinham um grão de poeira sequer nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado: ela esqueceu de ajustar o despertador e ele não acordou na hora que deveria. Ambos - e o time dele também - perderam o jogo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-3047113806169640622?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/3047113806169640622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=3047113806169640622&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/3047113806169640622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/3047113806169640622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/02/mr.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-5772250747873171382</id><published>2007-02-23T12:55:00.000-03:00</published><updated>2007-02-23T12:56:03.604-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;As carnes escuras do frango&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Abriu a velha marmita de sempre e a visão não lhe agradou nem um pouco. Purê, uma ou duas colheres de arroz e um frango em pedaços mal cortados que já vinha se arrastando por dias na sua geladeira.  Se fosse dado a muitas frescuras, teria perdido o apetite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não perdeu naquele momento, mas sua fome desaparecera momentos depois. Reparou com mais atenção sua refeição e, vendo-a com detalhes, achou-a ainda pior: como já deveria ser o terceiro almoço seguido com o mesmo frango assado comprado no final de semana, os nacos da ave que haviam sobrado eram pouco e escuros, exatamente das partes que ele menos gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garfo entrou sem resistência na carne marinada pelo tempo e pela geladeira. Não ousou cheirar o pedaço apanhado. Sabia de cor o odor daquela carne, desde o tempo em que sua mãe insistia em não desperdiçar comida e o obrigava a comer qualquer parte de frango que lhe fosse oferecida. A mordida veio hesitante, impregnada da certeza de que não ia gostar do que colocaria na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deu outra: era o mesmo gosto ruim de sempre, o gosto das partes escuras do frango. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Porra!&lt;/i&gt;" - pensou, jogando o garfo no tupperware cheio de comida. Isso não era vida! Ele tinha estudado, era razoavelmente culto e sabia que merecia, se não ainda uma vida melhor, ao menos uma refeição decente. Mais irritante que o apetite perdido, era se ver naquela situação. Resolveu jogar a marmita no lixo e gastar sua hora de almoço andando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhava de cabeça baixa, ainda irritado. Resolveu fumar pra tirar o gosto do frango da boca. "&lt;i&gt;Gosto ruim, por gosto ruim, prefiro o da nicotina&lt;/i&gt;" - pensou. Quando estava no meio do cigarro, viu-se em frente aquele restaurante caro que sempre quis ir mas que, tinha certeza, não teria grana para pagar sequer o couvert. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Foda-se!&lt;/i&gt;" - pensou antes de abrir a porta do estabelecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o ambiente precisamente climatizado, ou as luzes suaves, tão diferentes das que iluminavam o refeitório onde almoçava, ou as pessoas elegantemente vestidas, com dentes perfeitos e peles brilhosas e nem mesmo a cara de desconfiança do sujeito da recepção o impediriam de ter uma refeição decente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Mesa para um, por favor&lt;/i&gt;" - falou, tentando mostrar uma classe que não tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recepcionista fez aquela cara de quem ia dizer "&lt;i&gt;tem reserva?&lt;/i&gt;", mas se conteve. Certamente, não em respeito a um cliente (mesmo que mal vestido) e sim porque não teria como explicar a necessidade do procedimento com metade das mesas vazias e às duas da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Por aqui, sim&lt;/i&gt;" - disse meio a contragosto o recepcionista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Não se pode dar uniforme pra pobre que acontece isso! A primeira coisa que faz quando veste a roupa é começar a desconfiar de outros pobres!&lt;/i&gt;" - pensava enquanto seguia o sujeito. Sentou-se em uma mesa de centro, olhou os talheres e os pratos, os copos e taças, o guardanapo de linho alvíssimo, o cardápio - forrado com um couro cheiroso e entregue após uma mesura estudada feita pelo maitre  - o menu em italiano, a carta de vinhos. Tudo era completamente fora da sua realidade, mas ele se sentia a vontade. Muito a vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha algum conhecimento de gastronomia, tinha lido alguns livros, visto programas. Ele sabia que não faria feio no restaurante. E não fez: pediu consomês, pastinhas, conservas, pães e uma sopa de entrada. Evidentemente, não esqueceu o aperitivo antes, para reabrir o apetite perdido pelo (não queria nem lembrar!) gosto do frango de três dias da sua marmita. Depois, com bastante desenvoltura, escolheu uma salada, um prato principal - não sem antes perguntar como era preparada a fina carne que havia pedido  uma sobremesa que pelo nome, sabia-se de complexa feitura. Chamou o maitre com um gesto estudado e pediu um conselho sobre que vinho acompanharia melhor seu pedido. Achou que esse ato de modéstia seria elegante e assim, também não corria o risco de pedir uma bebida que o fizesse ser motivo de chacota para os garçons da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comeu com uma sofreguidão calma, um deleite selvagem. Mais que a estupenda refeição, ele saboreava o momento. Estava perfeito, dono da situação, se portando como se aquele fosse seu restaurante favorito, onde almoçava 4 vezes por semana. Não fosse pelos seus trajes destoantes, qualquer um diria que ele estava entre seus pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não estava. E ele se lembrou disso quando, depois de um café maravilhoso, veio a conta. Os três dígitos, bastante altos, eram maiores do que o salário dele. Mantendo a classe que nem ele esperava ter, pediu que chamassem o gerente. Explicou a situação ao senhor de cara séria. Esse, após ficar a par dos fatos, mostrou que não apenas suas feições eram severas. Não havendo a possibilidade de pagamento, o cavalheiro seria conduzido ao distrito policial mais próximo, sem estardalhaço e com o máximo de discrição possíveis. Ele achou justa a proposta. Levantou-se e seguiu os seguranças (que também pareciam ter uma prazer especial em estar colocando um pobre, como eles, em seu devido lugar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A delegacia foi sua volta ao mundo real. Apesar de tudo, o gerente não prestou queixa. Pediu apenas, como forma de corretivo, que ele ficasse algumas horas no xadrez, para que pensasse na idiotice que fez. O delegado achou justa a proposta. Antes de ser conduzido à cela, ele ligou para o trabalho. Disse que teve problemas e que iria para casa. A desculpa? Passou mal com a marmita que levou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado no xadrez, tinha tão vívida em sua mente os momentos que passou no restaurante que nem teve medo das companhias sinistras que estavam com ele. Estava alheio aos gritos e reclamações dos presos, parecia que reclamavam de algum atraso. Depois de algum tempo, voltando à realidade, compreendeu o que havia na cela e agradeceu por já ter almoçado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As marmitas dos presos estavam duas horas atrasadas. E quando elas chegaram, pode ver os pedaços escuros de frango dentro das embalagens de alumínio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-5772250747873171382?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/5772250747873171382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=5772250747873171382&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/5772250747873171382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/5772250747873171382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/02/as-carnes-escuras-do-frango-abriu-velha.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-117018064952762861</id><published>2007-01-30T15:10:00.000-03:00</published><updated>2007-01-30T15:10:49.590-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Irm&amp;atilde;os&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A casa vivia em total sil&amp;ecirc;ncio. Era assim desde que Miguel trouxe Humberto, seu irm&amp;atilde;o, do hospital. Beto  como Miguel chamava seu irm&amp;atilde;o mais novo  havia tentado o suic&amp;iacute;dio. Mesmo n&amp;atilde;o tendo conseguido seu intento funesto, Beto conseguiu matar algo na sua rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o irm&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que se diz a um suicida?  pensou Miguel, ao encontr&amp;aacute;-lo no leito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a imagem do fracasso, seu irm&amp;atilde;o Beto. O fracasso na vida, ainda t&amp;atilde;o jovem, sempre lhe fora claro. N&amp;atilde;o sabia como ajudar o irm&amp;atilde;o, que tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o parecia muito interessado em ajuda. Todo esse abatimento, imagem que Beto h&amp;aacute;tempos carregava, agora era tanto que parecia criar uma aura em torno do seu corpo. Miguel chegou a titubear, com medo de alguma influ&amp;ecirc;ncia mal&amp;eacute;fica ao tocar no irm&amp;atilde;o. Depois de apagar tal sandice da mente, abra&amp;ccedil;ou o ca&amp;ccedil;ula e o conduziu at&amp;eacute; o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o precisa me apoiar, posso andar normalmente. Meu ferimento &amp;eacute; nos pulsos e n&amp;atilde;o nas pernas - Beto falou com um rancor dirigido n&amp;atilde;o se sabe para quem ou que. Miguel ficou quieto. Respeitou a dor do irm&amp;atilde;o e tamb&amp;eacute;m a sua. Ao entrarem no carro, Miguel apenas balbuciou: Estou feliz que voc&amp;ecirc; ainda esteja aqui. Beto respondeu virando o rosto para janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias seguintes foram parecidos. Beto pouco falava, Miguel era compreensivo. Ajudava o irm&amp;atilde;o mais novo em tudo o que podia. Fazia-lhe uma companhia silenciosa, como o pr&amp;oacute;prio Beto parecia querer. N&amp;atilde;o tinham mesmo muito o que falar. Beto, por falta de assunto. Miguel, por medo de falar algo que magoasse seu irm&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse medo tornou Miguel quase t&amp;atilde;o mudo quanto Beto. "&lt;i&gt;O que se diz a um suicida?&lt;/i&gt;", ele sempre pensava. Media as palavras em sua mente e, maioria das vezes, as achava impr&amp;oacute;prias. N&amp;atilde;o queria falar do receio de deixar seu irm&amp;atilde;o sozinho, nem da raiva que ficou por n&amp;atilde;o ter recebido um pedido de ajuda, nem da preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela parca melhoria de humor do Beto. Achava que todos esses assuntos poderiam melindr&amp;aacute;-lo, deix&amp;aacute;-lo desconfort&amp;aacute;vel, ou pior, poderiam faz&amp;ecirc;-lo lembrar-se da tentativa de suic&amp;iacute;dio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Miguel n&amp;atilde;o levou em considera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, j&amp;aacute; que s&amp;oacute; pensava nas suscetibilidades de Beto, era o quanto do desespero do irm&amp;atilde;o menor poderia impregnar-lhe a alma. A vis&amp;atilde;o continuada do sofrimento do Beto, seu esp&amp;iacute;rito alquebrado duplamente - pela vida que ele n&amp;atilde;o queria e pela morte que n&amp;atilde;o conseguiu obter - e o ambiente de funeral sem defunto que se transformou sua casa acabaram por transformar a ang&amp;uacute;stia de Beto em um mal transmiss&amp;iacute;vel, que como uma peste, apoderou-se de Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, nem a preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o irm&amp;atilde;o suicida passava pela cabe&amp;ccedil;a de Miguel. Estava entregue, prostrado, sem a&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Era um sentimento de derrota, diante da incapacidade de Beto ficar melhor, da sua pr&amp;oacute;pria incapacidade de ajud&amp;aacute;-lo e da incapacidade dessa vida ser minimamente justa com quem merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sil&amp;ecirc;ncio na casa, com dois habitantes que n&amp;atilde;o falavam, era total. Os dois irm&amp;atilde;os, com suas fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es vitais em perfeita ordem, n&amp;atilde;o eram mais vivos que dois aut&amp;ocirc;matos criados por algum desatinado cientista. N&amp;atilde;o saiam dos seus quartos e n&amp;atilde;o sentiam mais falta um do outro. Se a tentativa de se matar de Beto n&amp;atilde;o tinha dado cabo &amp;agrave; sua vida, dera &amp;agrave; fraternidade entre os dois irm&amp;atilde;os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E n&amp;atilde;o foi movido por qualquer esp&amp;eacute;cie de carinho ou saudade que Beto saiu do seu quarto, no meio da madrugada, para falar com Miguel. Beto apenas precisava de analg&amp;eacute;sicos para suas constantes dores de cabe&amp;ccedil;a, que muitas vezes, n&amp;atilde;o o deixavam dormir. Essa era uma dessas noites em que seu c&amp;eacute;rebro parecia a ponto de explodir dentro do seu cr&amp;acirc;nio. Beto estava sem comprimidos e foi pedir um ou dois ao irm&amp;atilde;o. Foi quando descobriu da pior maneira que Miguel n&amp;atilde;o poderia ajud&amp;aacute;-lo nisso: encontrou Miguel estirado no ch&amp;atilde;o do seu quarto, esparramado ao lado de um frasco de aspirinas vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a primeira vez em muitos meses em que se poderia ver Beto tomando uma atitude. Enquanto levava o irm&amp;atilde;o para o hospital voando pela estrada, chorava e pedia aos c&amp;eacute;us que n&amp;atilde;o lhe tirassem a &amp;uacute;nica pessoa que importava em todo o mundo. Deu entrada no hospital, cuidou de toda a burocracia, brigou com enfermeiras e m&amp;eacute;dicos por um atendimento melhor para seu irm&amp;atilde;o, gritou por not&amp;iacute;cias. A morte, na segunda vez que passou pelos irm&amp;atilde;os, dessa vez trouxe de volta a vida &amp;agrave;irmandade entre ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando teve alta no dia seguinte, Miguel viu Beto entrar no quarto, aos prantos. Foram ao encontro um do outro e se abra&amp;ccedil;aram, como n&amp;atilde;o faziam h&amp;aacute; muito. Diferentemente de Miguel, Beto sabia exatamente o que dizer naquele momento. Mas eles n&amp;atilde;o disseram sequer uma palavra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-117018064952762861?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/117018064952762861/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=117018064952762861&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/117018064952762861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/117018064952762861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/01/irm-casa-vivia-em-total-sil-era-assim.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-117009268686020402</id><published>2007-01-29T14:44:00.000-03:00</published><updated>2007-01-29T14:44:46.910-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Marisa se foi&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Dessa vez &amp;eacute; s&amp;eacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu n&amp;atilde;o acreditei, mais uma vez. Fiz pouco, calcei meu t&amp;ecirc;nis e sa&amp;iacute;. A turma estava toda l&amp;aacute;, j&amp;aacute; preocupada com meu atraso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada demais. Mais um ataque da Marisa, daqueles de vou embora. Estou acostumado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o me preocupei mais com o incidente. O jogo estava animado, a cerveja gelada, n&amp;atilde;o havia ningu&amp;eacute;m reclamando da fuma&amp;ccedil;a ou do som alto. Tudo estava normal, como eu sempre esperava &amp;agrave;s quartas. At&amp;eacute; o ataque pr&amp;eacute;-sa&amp;iacute;da da Marisa era esperado, uma rotina a qual n&amp;atilde;o me irritava mais e muito menos inquietava. Estava tudo como sempre. Exceto por uma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Marisa n&amp;atilde;o ligou - falei para mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como ningu&amp;eacute;m na mesa era surdo, todos deram seus palpites. "&lt;i&gt;Foi dormir&lt;/i&gt;", "&lt;i&gt;T&amp;aacute; na casa da m&amp;atilde;e&lt;/i&gt;", "&lt;i&gt;Ficou puta demais pra ligar&lt;/i&gt;" e outras elucubra&amp;ccedil;&amp;otilde;es in&amp;uacute;teis. Exerc&amp;iacute;cios de adivinha&amp;ccedil;&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o me ajudariam em nada. A discuss&amp;atilde;o antes do jogo era normal. O "&lt;i&gt;vou embora&lt;/i&gt;" era normal. A vinda pro jogo, mesmo depois da briga era normal. Marisa n&amp;atilde;o ligar n&amp;atilde;o era normal. E eu n&amp;atilde;o gostava de nada que estivesse fora da normalidade.A liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Marisa, invariavelmente revoltada, era o sinal de que eu poderia ficar mais quarenta minutos, uma hora, com a turma. Se j&amp;aacute; era onze da noite e Marisa ainda n&amp;atilde;o tinha ligado, algo estranho havia acontecido. Peguei o celular e liguei pra casa. Ningu&amp;eacute;m atendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; vendo? Casa da m&amp;atilde;e!&lt;br /&gt;- Nada. T&amp;aacute; puta demais pra atender a chamada&lt;br /&gt;- Duvido! Tomou um calmante e capotou no sono. Ou tirou o som do telefone pra n&amp;atilde;o a acordarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opini&amp;atilde;o da turma n&amp;atilde;o s&amp;oacute; n&amp;atilde;o tinha valor como serviu pra me preocupar mais. Casa da m&amp;atilde;e? Mas ent&amp;atilde;o isso n&amp;atilde;o seria cumprir a promessa de ir embora? E n&amp;atilde;o atender a chamada? Se ela estivesse t&amp;atilde;o revoltada, a possibilidade dela cometer uma loucura era enorme. E uma das loucuras poss&amp;iacute;veis era ela derrubar um frasco inteiro de calmantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Galera, fui. N&amp;atilde;o d&amp;aacute; mais pra ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob os protestos da turma ("&lt;i&gt;Pau mandado!&lt;/i&gt;" , "&lt;i&gt;Antes das 11:30?!?!&lt;/i&gt;", "&lt;i&gt;Vai acabar com a partida, viado!!!&lt;/i&gt;") fui embora. Tentava ligar e Marisa n&amp;atilde;o atendia. Eu n&amp;atilde;o demoraria mais que vinte minutos para chegar em casa, mas o tempo parecia estar voando. E Marisa n&amp;atilde;o atendia. O que poderia ter acontecido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa, tudo escuro e silencioso. Procuro o interruptor, acendo a luz e, depois da vista se acostumar com a claridade, vejo a sala. Nada diferente. Tirando o fato de que Marisa n&amp;atilde;o estava vendo TV com a cara emburrada padr&amp;atilde;o de quarta-feira. Estava tudo muito estranho. E eu n&amp;atilde;o gosto de nada estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Marisa! - gritei, sem resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspecionei a casa. Instintivamente fui antes aos lugares onde achava que Marisa n&amp;atilde;o poderia cometer uma loucura. Ent&amp;atilde;o procurei primeiro na cozinha. Por mais que Marisa estivesse furiosa, ela n&amp;atilde;o cometeria uma loucura na cozinha. N&amp;atilde;o na cozinha que ela tinha tanto orgulho de ser "&lt;i&gt;mais limpa que a da fan&amp;aacute;tica-obsessiva da sua m&amp;atilde;e&lt;/i&gt;". Marisa n&amp;atilde;o estava l&amp;aacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o estava no banheiro, nem na &amp;aacute;rea de servi&amp;ccedil;o, nem na varanda, nem no escrit&amp;oacute;rio e nem no quarto. E no quarto, al&amp;eacute;m de n&amp;atilde;o estar a Marisa, n&amp;atilde;o estavam tamb&amp;eacute;m suas roupas. Mas havia um bilhete em cima da cama. A primeira linha dizia "&lt;i&gt;Eu avisei que dessa vez era s&amp;eacute;rio&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bilhete, Marisa falava  e como falava  o de sempre: acusa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de desprezo pelos seus desejos, descaso com seu esfor&amp;ccedil;o como dona de casa, falta de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o conjugal, etc, etc, etc. "&lt;i&gt;As reclama&amp;ccedil;&amp;otilde;es est&amp;atilde;o normais, pelo menos&lt;/i&gt;" pensei. Dizia que ia pra casa da m&amp;atilde;e, que n&amp;atilde;o ligasse e que ela faria o mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ficha caiu alguns minutos depois. Marisa, a minha Marisa tinha ido embora. Lembrei de tudo o que passamos juntos, dos momentos felizes e dos nem tantos. De como ela tinha sido minha companheira por tantos anos. N&amp;atilde;o conseguia acreditar que tinha perdido a Marisa por causa de um jogo bobo, de uma tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o infantil que mantinha desde os tempos do secund&amp;aacute;rio. Antes mesmo de conhecer Marisa, as quartas j&amp;aacute; eram sagradas. Teria sido ela intransigente, em n&amp;atilde;o entender que esse tipo de atividade coletiva &amp;eacute; uma necessidade masculina ou teria sido eu o cabe&amp;ccedil;udo por n&amp;atilde;o largar a m&amp;atilde;o de ser crian&amp;ccedil;a e ver que um homem, casado, tem suas responsabilidade e que jogar cartas com seus amigos de inf&amp;acirc;ncia n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma delas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de pensar muito, olhei a hora. 11:35 da noite. Marisa saiu sozinha, sem carro, pra casa da m&amp;atilde;e. Estava tarde, mas n&amp;atilde;o ainda n&amp;atilde;o era tarde demais. Corri pro carro, dei a partida e s&amp;oacute; no meio do caminho resolvi ligar. Demorou a atender. Foram os tr&amp;ecirc;s toques mais demorados da hist&amp;oacute;ria da telefonia celular. No quarto, finalmente pude falar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Juvenal? O jogo t&amp;aacute; acabando ou ainda tem uma vaguinha a&amp;iacute; pra mim?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-117009268686020402?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/117009268686020402/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=117009268686020402&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/117009268686020402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/117009268686020402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/01/marisa-se-foi-dessa-vez-s-eu-n.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-116861681070910507</id><published>2007-01-12T12:39:00.000-03:00</published><updated>2007-01-15T11:58:10.400-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h3&gt;Para&amp;iacute;so&lt;/h3&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O sujeito morre e vai direto para o famoso ju&amp;iacute;zo final. Est&amp;aacute; em uma sala que, poderia se dizer, fazia parte do F&amp;oacute;rum Celestial. Um anjo o recepciona e lhe d&amp;aacute; dicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Anjo&lt;/b&gt; - ...E fique de p&amp;eacute; diante do Senhor!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carlos&lt;/b&gt; - Claro, claro, vou ficar. Eu n&amp;atilde;o imaginava que o c&amp;eacute;u fosse assim, t&amp;atilde;o informal. Parece mesmo um tribunal isso aqui.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Anjo&lt;/b&gt; - Mas aqui &amp;Eacute; um tribunal. Voc&amp;ecirc; ser&amp;aacute; julgado por seus pecados agora.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carlos&lt;/b&gt; - Ah, claro. &amp;Eacute; que eu estou t&amp;atilde;o tranq&amp;uuml;ilo da minha ida pro Para&amp;iacute;so que nem lembrei disso.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Anjo&lt;/b&gt; - Vamos ver se ser&amp;aacute; t&amp;atilde;o f&amp;aacute;cil assim.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carlos&lt;/b&gt; - Que isso? Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma esp&amp;eacute;cie de anjo? &amp;Eacute; normal um cara da sua posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o vir com esse papo pra me assustar?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Anjo&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o estou assustando. Apenas digo que as coisas nunca s&amp;atilde;o t&amp;atilde;o simples como as almas recentes acham que ser&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carlos&lt;/b&gt; - Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; me assustando sim! Deus n&amp;atilde;o &amp;eacute; infinito em sua miseric&amp;oacute;rdia? Por que eu, que tive uns pecadilhos bobos aqui e acol&amp;aacute; vou ter um julgamento "&lt;i&gt;n&amp;atilde;o t&amp;atilde;o simples&lt;/i&gt;"?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Anjo&lt;/b&gt; - Cale-se. Chegou o Senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Carlos&lt;/b&gt; - Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; muito autorit&amp;aacute;rio, sabia?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Deus&lt;/b&gt; - Sil&amp;ecirc;ncio! &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Anjo e Carlos&lt;/b&gt; - Sim Senhor! &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Deus&lt;/b&gt; - Vamos logo que eu tenho muito o que julgar hoje. Voc&amp;ecirc; faz id&amp;eacute;ia de quantos pecadores eu tenho que julgar por dia?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Mas o Senhor n&amp;atilde;o &amp;eacute; onipresente? N&amp;atilde;o d&amp;aacute; pra fazer tudo ao mesmo tempo?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Ihhhh...uma insol&amp;ecirc;ncia dessas e o sujeito ainda quer um julgamento simples e piedoso&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Voc&amp;ecirc; quieto tamb&amp;eacute;m, anjo.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Desculpe Senhor&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - E voc&amp;ecirc;, est&amp;aacute; rindo de uma ordem do teu Deus?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Rsrsrsrs...n&amp;atilde;o Senhor..Imagina!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - T&amp;aacute; ferrado.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Quem disse?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Calem-se ambos!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A e C&lt;/b&gt; -  Desculpe, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Ent&amp;atilde;o, Carlos Alberto Antunes da Costa. Subiu aos c&amp;eacute;us na idade de 45 anos e...&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Muito cedo na minha opini&amp;atilde;o, se me permite comentar, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Quem sabe se &amp;eacute; cedo ou n&amp;atilde;o sou eu.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Tem raz&amp;atilde;o. Desculpe. &lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Sem mais interrup&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Vi que voc&amp;ecirc; espera um julgamento r&amp;aacute;pido e um acesso direto ao reino dos C&amp;eacute;us. &amp;Eacute; isso?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - O Senhor ouviu minha conversa com o alado aqui? Ah...pra isso o Senhor &amp;eacute; onipresente, n&amp;eacute;?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Levo o insolente direto pras profundas, Senhor?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o se meta!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Os dois, calados. E espero que agora me obede&amp;ccedil;am. S&amp;oacute; falem se assim forem solicitados.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A e C&lt;/b&gt; - Sim, senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Mas ent&amp;atilde;o, Carlos. Voc&amp;ecirc; espera ir pro c&amp;eacute;u com essa sua ficha?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Claro! Sempre fui religioso, sempre ajudei os pobres - quando pude - e o Senhor sabe que eu sempre acreditei em Vossa Senhoria acima de qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Ah...&amp;Eacute; mesmo? Colocaria sua alma imortal como garantia disso?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Bom....eu acreditava muito na Sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 82 tamb&amp;eacute;m. Mas o Sr. sabe no que deu, n&amp;eacute;?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Claro que ele sabe, incr&amp;eacute;dulo! Quem voc&amp;ecirc; acha que fez o Cerezo entregar aquela bola?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C - FOI O SENHOR?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - A soberba de toda uma na&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ainda mais sendo um povo t&amp;atilde;o religioso, precisava ser coibida, meu filho. E anjo: dela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; um pecado muito grave, sabia?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Desculpe, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - E o seu apetite, Carlos?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Que tem ele, Senhor?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o acha que ele era um tanto quanto exacerbado?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Nota-se pela pan&amp;ccedil;a...&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Anjos n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m sexo. Preferia que esse n&amp;atilde;o tivesse l&amp;iacute;ngua!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - O que eu j&amp;aacute; falei para voc&amp;ecirc;s dois?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A e C&lt;/b&gt; - Desculpe, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - A quest&amp;atilde;o, Carlos, &amp;eacute; que sua fome h&amp;aacute; muito tempo deixou de ser apetite para ser gula.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Queisso, Sr.! Eu comia t&amp;atilde;o pouco!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Sei. Por isso aquelas feijoadas duplas toda sexta-feira, n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Mas Senhor! A feijoada de sexta &amp;eacute; sagrada!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o blasfeme!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Desculpe, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Eu at&amp;eacute; deixaria isso passar se fosse apenas a feijoada. E a sirizada? E os galetos? E os rod&amp;iacute;zios de massa? E os churrascos?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Saco vazio n&amp;atilde;o para em p&amp;eacute;, senhor!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - De vazio esse saco n&amp;atilde;o tem nada!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Anjo....&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Desculpe, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Voc&amp;ecirc; era uma draga de comida, Carlos.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - T&amp;aacute; bom, Senhor, admito que v&amp;aacute;rias vezes pequei pelo excesso nesse caso.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Pecar &amp;eacute; o termo mais apropriado. Mas a gula n&amp;atilde;o &amp;eacute; o &amp;uacute;nico dos seus pecados graves.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o, Senhor? E tem mais?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Tem, claro que tem. De pregui&amp;ccedil;a &amp;agrave; lux&amp;uacute;ria, voc&amp;ecirc; fez de tudo um pouco.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Assim o Senhor me ofende!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Carlos: o nome disso &amp;eacute; ju&amp;iacute;zo final porque voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; sendo julgado por tudo o que fez na vida. Acha mesmo que ofendo voc&amp;ecirc;? Sei de todas que voc&amp;ecirc; aprontou. Querendo esconder algo quem ofende aqui &amp;eacute; voc&amp;ecirc; a mim.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - T&amp;aacute;, Senhor...reconhe&amp;ccedil;o que tive meus pecadilhos. &lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Nem t&amp;atilde;o "&lt;i&gt;ilhos&lt;/i&gt;", Carlos. Teve aquela vez que voc&amp;ecirc; roubou dinheiro da sua av&amp;oacute; doente.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Aquilo n&amp;atilde;o foi um roubo, Senhor! Eu estava fazendo uma antecipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o compuls&amp;oacute;ria de heran&amp;ccedil;a. E al&amp;eacute;m do mais, a velhota n&amp;atilde;o podia nem mais andar naquela &amp;eacute;poca! Pra que ia precisar de grana?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Tsk, tsk, tsk...querendo justificar um pecado com esse linguajar politicamente correto? Roubo &amp;eacute; roubo!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - E o que voc&amp;ecirc; entende desse linguajar? Vai me dizer que o "&lt;i&gt;politicamente correto&lt;/i&gt;" tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; obra divina?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o, Carlos. Isso veio l&amp;aacute; das profundas.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o me surpreende.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - E sua pregui&amp;ccedil;a? Essa talvez seja uma caracter&amp;iacute;stica sua mais marcante que a gula.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Mas a&amp;iacute; o Senhor h&amp;aacute; de concordar que &amp;eacute; normal uma certa letargia depois de comer muito...&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Isso n&amp;atilde;o o exime do pecado. E eu nem quero falar da lux&amp;uacute;ria.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Lux&amp;uacute;ria?!?!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - &amp;Eacute;. Voc&amp;ecirc; quando n&amp;atilde;o pensava em comida, tinha sexo na cabe&amp;ccedil;a o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - E pensar &amp;eacute; pecado?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o se lembra do ato de contri&amp;ccedil;&amp;atilde;o na missa? "&lt;i&gt;Confesso a Deus Todo-Poderoso e a v&amp;oacute;s, irm&amp;atilde;os, que pequei muitas vezes...&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - &lt;i&gt;...por pensamentos e palavras, atos e omiss&amp;otilde;es&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; -  N&amp;atilde;o se mete, Anjo&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Agora ele acertou, Carlos. N&amp;atilde;o se lembra disso?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Lembro, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Mas n&amp;atilde;o foi apenas em pensamento que voc&amp;ecirc; pecou contra a carne, Carlos. Na sua obsess&amp;atilde;o sexual, voc&amp;ecirc; desejou v&amp;aacute;rias vezes a mulher do pr&amp;oacute;ximo. E n&amp;atilde;o apenas desejou, n&amp;atilde;o &amp;eacute; mesmo?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Ah...o Senhor est&amp;aacute; falando da Dina? A mulher do Ananias? Foi apenas uma vez. E ela dava mole pra todo mundo, n&amp;eacute;?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - E isso justifica sua falha de car&amp;aacute;ter.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o. Mas mais injustificado foi o meu mau gosto. Ela era feinha.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Pois ent&amp;atilde;o? Como uma pessoa com sua hist&amp;oacute;ria pode pleitear uma lugar no para&amp;iacute;so?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Mas Senhor...claro que tive meus deslizes. Sou humano, pass&amp;iacute;vel de falhas, como qualquer outro. O Senhor sabe que, apesar de tudo isso, sou uma boa pessoa. Pelo menos, em ess&amp;ecirc;ncia.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - Sei, claro que sei. Mas seus pecados devem ser expiados de alguma forma. Por isso, te condeno a vagar com essa sua lista de pecados, com letras garrafais, por onde quer que voc&amp;ecirc; v&amp;aacute;. E aviso logo: muitas pessoas da sua fam&amp;iacute;lia e amigos est&amp;atilde;o por aqui. Inclusive o Ananias. E a Dina.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Senhor! Mas isso &amp;eacute; muito constrangimento pruma alma s&amp;oacute;! Ser&amp;aacute; um inferno!&lt;br /&gt;&lt;b&gt;D&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o queira sequer imaginar o inferno, meu filho. Isso &amp;eacute; apenas o seu purgat&amp;oacute;rio. Anjo, leve essa alma para que pague por seus pecados.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Sim, Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus e toda a sala evaporam no ar. Sobram, em um espa&amp;ccedil;o vazio, branco e indefinido, Carlos e o Anjo, que mal consegue conter os risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Deu sorte, rapaz. Essa pena, apesar de engra&amp;ccedil;ada, &amp;eacute; leve.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Voc&amp;ecirc; fala isso porque n&amp;atilde;o conhece meu pai. Se ele estiver por aqui, vou ouvir at&amp;eacute; o final dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o se pode dizer que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o mereceu isso.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Ah, n&amp;atilde;o posso?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - N&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o se esque&amp;ccedil;a que Ele ouve tudo - diz, sussurrando&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Tem raz&amp;atilde;o. Eu mereci isso.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt; - Pois &amp;eacute;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;C&lt;/b&gt; - Mas me fala um neg&amp;oacute;cio, em particular...l&amp;aacute; na Alemanha. O mei&amp;atilde;o do Roberto Carlos tamb&amp;eacute;m foi obra dEle?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-116861681070910507?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/116861681070910507/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=116861681070910507&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/116861681070910507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/116861681070910507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/01/para-o-sujeito-morre-e-vai-direto-para.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-116809472475871929</id><published>2007-01-06T11:45:00.000-03:00</published><updated>2007-01-06T11:45:24.803-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h3&gt;Ferro de passar&lt;/h3&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Era uma dessas coisas que s&amp;oacute; passam pela cabe&amp;ccedil;a dos solteir&amp;otilde;es de certa idade. Cismou de achar que a sua empregada era boa de cama. N&amp;atilde;o que fosse do tipo solit&amp;aacute;rio - tinha suas "&lt;i&gt;amigas &amp;iacute;ntimas&lt;/i&gt;" aqui e acol&amp;aacute; - mas encasquetou com a id&amp;eacute;ia de transar com a Marilda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marilda nem tinha o tipo f&amp;iacute;sico que mais interessava ao S&amp;eacute;rgio. Era baixinha, um pouco acima do peso e, se n&amp;atilde;o era feia, o m&amp;aacute;ximo que poderiam lhe atribuir era uma beleza ex&amp;oacute;tica. Mas cad&amp;ecirc; que isso era empecilho para o S&amp;eacute;rgio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah...uma mulher que passa a roupa do jeito que ela passa tem m&amp;atilde;os de fada! - comentava com os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos achavam gra&amp;ccedil;a de mais essa mania do S&amp;eacute;rgio. Mas, dessa vez, mesmo que sem ter uma l&amp;oacute;gica irrefut&amp;aacute;vel e aparente, o argumento dele tinha algo de plaus&amp;iacute;vel. Ele nunca tinha visto uma mulher passar t&amp;atilde;o bem uma camisa. Depois de passar pelas m&amp;atilde;os da Marilda, suas camisas sociais, que sempre tinham sido um tormento para suas diaristas anteriores, pareciamque nunca tinha sido dobradas. Era como se o pano tivesse sido medido, cortado, costurado na hora e sem um amassozinho sequer. Era uma coisa de louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Basta eu ver meu arm&amp;aacute;rio cheio de cabides que eu fico louco de vontade! - dizia o S&amp;eacute;rgio, entre um chope e outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus amigos riam. Mas S&amp;eacute;rgio j&amp;aacute; havia decidido seduzir Marilda, custasse o que custasse. Ela vinha tr&amp;ecirc;s vezes na semana. E nos dias seguintes &amp;agrave; decis&amp;atilde;o do apaixonado, ele j&amp;aacute; agia diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa que eu te ajudo, Marilda.&lt;br /&gt;- Vou comprar cigarro. Quer algo da rua, Marilda? Um bombom?&lt;br /&gt;- Quer que eu v&amp;aacute; montando a t&amp;aacute;bua de passar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos seus 30 e muitos, Marilda era inocente. Achou engra&amp;ccedil;ado o novo tratamento, mas n&amp;atilde;o desconfiou de nada. Notava que o "&lt;i&gt;seu&lt;/i&gt;" S&amp;eacute;rgio agora estava sempre por perto, que n&amp;atilde;o saia mais quando ela come&amp;ccedil;ava a esfregar o ch&amp;atilde;o e que as vezes ele a olhava de um jeito engra&amp;ccedil;ado. Doidice de patr&amp;atilde;o, ela estava acostumada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At&amp;eacute; que um dia S&amp;eacute;rgio, algumas semanas depois, vendo que ela n&amp;atilde;o seria seduzida por mimos e aten&amp;ccedil;&amp;otilde;es sutis, partiu para um ataque mais direto: agarrou a Marilda por tr&amp;aacute;s, enquanto ela passava a camisa social que ele mais gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que isso, seu S&amp;eacute;rgio!?!?!? Me solta!&lt;br /&gt;- Ah, Marilda! Eu n&amp;atilde;o ag&amp;uuml;ento! Voc&amp;ecirc; passando minhas camisas fica demais!&lt;br /&gt;- "&lt;i&gt;Seu&lt;/i&gt;" S&amp;eacute;rgio, me solta! A camisa vai queimar aqui!&lt;br /&gt;- Deixa queimar! Eu j&amp;aacute; estou aqui pegando fogo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os detalhes das cenas seguintes s&amp;atilde;o irrelevantes para a hist&amp;oacute;ria. O que vale mesmo &amp;eacute; saber que S&amp;eacute;rgio chegou na mesa do bar, sentou entre os amigos de sempre e pediu um chope. Muito cabisbaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que foi, rapaz? Que cara &amp;eacute; essa? - perguntou um.&lt;br /&gt;- Ainda n&amp;atilde;o conseguiu levar sua empregada pra cama? - perguntou outro.&lt;br /&gt;- Pelo contr&amp;aacute;rio - respondeu S&amp;eacute;rgio - consegui sim.&lt;br /&gt;- E por que a cara de vel&amp;oacute;rio, ent&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- Tive que demitir a mo&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;- Por que?!?! - perguntaram os dois, em un&amp;iacute;ssono.&lt;br /&gt;- Sabem as m&amp;atilde;os de fada que a mo&amp;ccedil;a tinha com as minhas camisas?&lt;br /&gt;- Sabemos - disse o primeiro amigo, j&amp;aacute; ansioso pelo relato - e da&amp;iacute;?&lt;br /&gt;- Pois &amp;eacute;. Era s&amp;oacute; com as camisas mesmo. No meu pau ela pegava como quem pega num ferro de passar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da gargalhada dos dois amigos, um deles pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas isso &amp;eacute; motivo para demitir a coitada?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o. Nem foi por isso, n&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- O que foi ent&amp;atilde;o? &lt;br /&gt;- Ela queimou minha camisa preferida tamb&amp;eacute;m.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-116809472475871929?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/116809472475871929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=116809472475871929&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/116809472475871929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/116809472475871929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2007/01/ferro-de-passar-era-uma-dessas-coisas.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-113917163935662425</id><published>2006-02-05T17:33:00.000-03:00</published><updated>2006-02-05T17:33:59.410-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Sem no&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;Sem a menor no&amp;ccedil;&amp;atilde;o da realidade, resolveu desafiar o destino inevit&amp;aacute;vel. Tinha alguma id&amp;eacute;ia da roubada em que estava se metendo, claro. E n&amp;atilde;o eram apenas os alertas dos amigos sinceros e as c&amp;eacute;lebres e v&amp;aacute;rias hist&amp;oacute;rias com finais infelizes que conheciam que indicavam o resultado dessa "&lt;i&gt;coragem&lt;/i&gt;": mesmo ele, intimamente, sabia que n&amp;atilde;o ia se dar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou fazer merda - pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era teimoso. N&amp;atilde;o seria uma "&lt;i&gt;quase certezazinha de nada&lt;/i&gt; " de que se ferraria que o impediria de tentar. E seguiu firme para seu holocausto. Seus conhecidos de longa data nunca o viram t&amp;atilde;o empenhado em uma conseguir algo, no caso, se estrepar. "&lt;i&gt;Sem no&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; pouco!&lt;/i&gt;" diziam os mais chegados. Por esse tempo, a m&amp;aacute;xima "&lt;i&gt;se conselho fosse bom n&amp;atilde;o seria dado, e sim, vendido&lt;/i&gt;" era seu bord&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua prepara&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o foi muito apurada. Pra falar a verdade, ele n&amp;atilde;o fez nada, era como um carro desgovernado em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o a um muro. E os resultados, de certa  forma, seriam bem parecidos. Sentia-se irreparavelmente impelido e fazer o que faria. Como um meteoro atra&amp;iacute;do pela gravidade, mesmo que isso significasse sua desintegra&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava decidido. Era mais forte que ele. Pegou o telefone e ligou para ela. Estava mesmo apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-113917163935662425?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/113917163935662425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=113917163935662425&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/113917163935662425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/113917163935662425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2006/02/sem-no-sem-menor-no-da-realidade.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-113867249666883591</id><published>2006-01-30T22:54:00.000-03:00</published><updated>2006-01-30T22:54:56.713-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Amadurecimento&lt;/b&gt; (&lt;a href="http://gingerblog.blogspot.com/2006/01/ainda-bem-que-voc-cresceu-para-jamesa.html" target="_blank"&gt;O outro lado&lt;/a&gt;)&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;A &amp;uacute;ltima pessoa que eu esperava encontrar, ali, caminhando em minha dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o como se nada houvesse acontecido era ela. Ela mudou muito, n&amp;atilde;o fisicamente, mas de uma forma mais sutil, quase impercept&amp;iacute;vel para quem n&amp;atilde;o a conhecesse bem. Mas para mim, a quem ela n&amp;atilde;o poderia guardar segredos, um mapa completamente visitado, minha garotinha estava quase irreconhec&amp;iacute;vel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei-a pelos ombros, olhando bem para o rosto dela. Era ela, l&amp;oacute;gico, mas ainda estava em d&amp;uacute;vida. Ela sorriu para mim e a certeza veio. Ela era a mesma ainda. Nunca mudaria a ponto de perder aquela express&amp;atilde;o luminosa que sempre teve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela falou primeiro. N&amp;atilde;o devia estar t&amp;atilde;o at&amp;ocirc;nita com o encontro como eu. Claro que eu n&amp;atilde;o devo ter mudado tanto quanto ela. Bom...talvez eu tenha uma express&amp;atilde;o um pouco mais triste desde que ela se foi. Agora ela voltou. E eu n&amp;atilde;o consigo falar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um "oi" que n&amp;atilde;o pude definir se alegre ou conformado, consegui falar algo: "&lt;i&gt;Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o precisava ter feito tudo isso sozinha&lt;/i&gt;". Idiotice, pensei na hora. Eu sempre fui o maduro entre n&amp;oacute;s dois e a primeira frase que consigo falar depois de tanto tempo sem v&amp;ecirc;-la &amp;eacute; um lamento de garoto de 2&amp;deg; grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma resposta sucinta - "&lt;i&gt;eu quis assim&lt;/i&gt;", disse ela - mostrou que apesar de ter conservado o mesmo sorriso, ela era outra pessoa. Mais segura, certo ponto petulante. Uma mulher. A "&lt;i&gt;garotinha&lt;/i&gt;" tinha partido e essa, aparentemente, n&amp;atilde;o voltaria mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidei-a para beber algo. Um pouco por falta do que falar, muito pelo choque de a reencontrar daquela forma. V&amp;ecirc;-la impass&amp;iacute;vel diante de mim, que estava visivelmente abalado, me deu uma vontade absurda de tomar umas cervejas. Caminhamos juntos, falando inutilidades, trombando nossos ombros, na falta de coragem de darmos as m&amp;atilde;os. O bar de sempre, a mesa de sempre e as bebidas de sempre (gin t&amp;ocirc;nica pra ela; uma long neck pra mim). O clima entre n&amp;oacute;s, no entanto, n&amp;atilde;o poderia ser mais diverso daquele a que est&amp;aacute;vamos acostumados. O tempo e nossos atos, errados ou n&amp;atilde;o, mudaram tudo o que havia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquela express&amp;atilde;o de seguran&amp;ccedil;a, a atitude de quem domina uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que eu deveria estar no controle foi me irritando. Eu n&amp;atilde;o conhecia aquela na minha frente. Seu corpo era um simulacro: dentro, havia uma desconhecida. Por isso, quando aquela pessoa que eu ignorava completamente quem era tentou ser como minha garota, puxando minhas m&amp;atilde;os para suas coxas por baixo da mesa, eu recuei. Ela estranhou. Aquela que eu conhecia sabia o quanto eu adorava esse tipo de coisa. Vindo dessa desconhecida, esse gesto s&amp;oacute; me causou uma surpresa incomum. Asco, talvez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou sem gra&amp;ccedil;a por uma fra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de segundo, para logo depois estar completamente dona de si. Mas sua express&amp;atilde;o, seu rubor inesperado e contido, seu olhar ofendido pela minha recusa a denunciou. Ela era minha garotinha, a mesma de sempre. Apenas tinha virado uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fasc&amp;iacute;nio voltou nessa hora. Em quest&amp;atilde;o de segundos, minha sutil repulsa por uma estranha que tentava se passar pela pessoa que melhor conhecia na vida se tornou uma mistura de ternura, afeto e tes&amp;atilde;o absolutos. N&amp;atilde;o sei ao certo se eram as cervejas que havia tomado, mas tinha certeza que, naquele momento, eu a amava de novo. E sabia que essa mulher, ao mesmo tempo t&amp;atilde;o misteriosa e t&amp;atilde;o cara-metade para mim, estaria agora e sempre em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais cervejas, mais gin t&amp;ocirc;nicas e eu poderia jurar que ela nunca havia sumido, que tudo era como antes. Nada havia mudado e &amp;eacute;ramos um casal perfeito, feitos um para o outro. O tempo, que no come&amp;ccedil;o do nosso encontro parecia ser o mais cruel dos carrascos, tinha parado. E quando a vi se levantando para ir ao banheiro, meio tonta e vacilante, como antigamente, eu sabia o que tinha que fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que me parecia t&amp;atilde;o correto e natural resultou no maior erro de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o que j&amp;aacute; tive.  A tentativa de surpreend&amp;ecirc;-la com um beijo ao abrir a porta do banheiro s&amp;oacute; a fez rir. Um riso aberto, franco, sem uma ponta de arrependimento de rir e o que &amp;eacute; pior: de me humilhar. Me lembro dela ter me chamado de babaca. E nunca vi esse adjetivo ser usado com tanta propriedade. Depois do que aconteceu, eu me sentia a pr&amp;oacute;pria defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o do babaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos olhamos. Eu sem jeito, ela impass&amp;iacute;vel. Aquela menina que h&amp;aacute; alguns anos me abra&amp;ccedil;aria e faria ao menos uma piada pra quebrar o gelo e melhorar meu humor n&amp;atilde;o estava mais l&amp;aacute;. Uma mulher, sem d&amp;uacute;vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para nossa mesa, pedimos a conta e ficamos em sil&amp;ecirc;ncio. Demos "&lt;i&gt;at&amp;eacute; logo&lt;/i&gt;" um ao outro e seguimos em dire&amp;ccedil;&amp;otilde;es diferentes. As milhares de palavras que dever&amp;iacute;amos trocar, perderam seu significado. "&lt;i&gt;N&amp;atilde;o h&amp;aacute; amadurecimento sem perda&lt;/i&gt;" pensei. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-113867249666883591?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/113867249666883591/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=113867249666883591&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/113867249666883591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/113867249666883591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2006/01/amadurecimento-o-outro-lado-pessoa-que.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-113795805187835034</id><published>2006-01-22T16:27:00.000-03:00</published><updated>2006-01-25T17:38:38.340-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Bem-me-quer&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;para &lt;a href="http://antraz.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Paula&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma garota simples, que cresceu uma mulher simples, mas, no fundo, era ainda uma garota. Simples, como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o entedia porque as coisas n&amp;atilde;o davam certo. Com a fam&amp;iacute;lia, com os amigos, no trabalho, nos relacionamentos. Tudo ia bem, mas depois de algum tempo, as pessoas pareciam n&amp;atilde;o entender que ela n&amp;atilde;o queria nada muito complexo: s&amp;oacute; queria ser feliz. Mal sabia a mo&amp;ccedil;a que esse desejo n&amp;atilde;o tem nada de simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em p&amp;eacute; no &amp;ocirc;nibus, espremida entre desconhecidos, sendo apalpada eventualmente - j&amp;aacute; acostumada, n&amp;atilde;o ligava muito se n&amp;atilde;o houvesse excessos - e sem que o rapaz adolescente sentado no banco &amp;agrave; sua frente se oferecesse sequer para segurar sua bolsa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma cotovelada e outra em um abusado, ela pensava. N&amp;atilde;o exigia muito. N&amp;atilde;o criava problemas pra ningu&amp;eacute;m. S&amp;oacute; queria ter algu&amp;eacute;m que a respeitasse, que fosse medianamente educado e gentil (queria algu&amp;eacute;m que comprasse seus sorvetes e umas flores de vez em quando), que soubesse amar uma mulher decentemente - nem exigia fidelidade, desde que o cara fosse discreto. Mal sabia que querer algu&amp;eacute;m assim era exigir demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, o estalo: podia ser essa sua imaginada simplicidade, essa mod&amp;eacute;stia de sonhos e desejos, a raz&amp;atilde;o de todas as suas insatisfa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Por que n&amp;atilde;o exigir muito? Por que n&amp;atilde;o exigir muito de tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come&amp;ccedil;ou a mudar sua vida no &amp;ocirc;nibus mesmo, ao descer bem antes de onde deveria. Deu uma cotovelada mais forte naquele que seria o &amp;uacute;ltimo cara a tirar proveito dela e ficou em um ponto longe daquele trabalho que detestava. Estava agora perto de um parque que nunca tinha entrado, s&amp;oacute; via pelas janelas dos coletivos que a levavam para o trabalho. Hoje, para estrear sua nova vida, iria conhec&amp;ecirc;-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurou um banco e sentou-se. Depois de uma olhada mais cuidadosa, reparou que o parque n&amp;atilde;o era dos mais bem cuidados. Montes de lixo n&amp;atilde;o recolhido, mato crescendo entre os jardins. O pr&amp;oacute;prio banco em que ficou estava meio quebrado. N&amp;atilde;o se importou. "&lt;i&gt;N&amp;atilde;o tem problema, aqui est&amp;aacute; bom o bastante&lt;/i&gt;", pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve o segundo estalo do dia. Mas todos os seus problemas n&amp;atilde;o eram criados justamente por conta dessa sua atitude "&lt;i&gt;bom o bastante&lt;/i&gt;"? Olhou o lugar onde havia decidido, de certa forma, come&amp;ccedil;ar vida nova e viu que ele n&amp;atilde;o era nem de perto o local ideal. Sabia que precisava sair dali, mas parte dela achava que n&amp;atilde;o havia nada demais continuar no parque. Ela entendeu que essa decis&amp;atilde;o - sair ou ficar - era significativa para o resto dos seus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou uma margarida, no meio do jardim descuidado, entre tufos de grama alta e lixo amontoado. Come&amp;ccedil;ou o velho jogo que gostava tanto de fazer na inf&amp;acirc;ncia. "&lt;i&gt;Bem-me-quer, mal-me-quer&lt;/i&gt;". De certa forma, uma volta aos tempos em que n&amp;atilde;o tinha tomado as decis&amp;otilde;es, certas ou n&amp;atilde;o, que norteavam sua vida at&amp;eacute; hoje. Agora ela arrancava as p&amp;eacute;talas da flor n&amp;atilde;o por uma paix&amp;atilde;o infantil, mas pela pessoa que mais merecia ser amada por ela, desde o come&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das p&amp;eacute;talas, deu bem-me-quer. Ela se levantou e saiu do parque, sabendo exatamente o que tinha que fazer a partir daquele momento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-113795805187835034?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/113795805187835034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=113795805187835034&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/113795805187835034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/113795805187835034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2006/01/bem-me-quer-para-paula-era-uma-garota.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-113677252334010337</id><published>2006-01-08T23:08:00.000-03:00</published><updated>2006-01-08T23:08:43.440-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Imortalidade&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;- "&lt;i&gt;Se a imortalidade fosse algo ruim, os deuses n&amp;atilde;o seriam eternos&lt;/i&gt;"...&lt;br /&gt;- Ahn?&lt;br /&gt;- "&lt;i&gt;Se a imortalidade fosse algo ruim, os deuses n&amp;atilde;o seriam eternos&lt;/i&gt;"...&lt;br /&gt;- Eu tinha ouvido. Eu s&amp;oacute; n&amp;atilde;o entendi porque voc&amp;ecirc; falou isso.&lt;br /&gt;- Li isso em algum lugar.&lt;br /&gt;-E isso &amp;eacute; motivo para voc&amp;ecirc; falar isso do nada?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o &amp;eacute; do nada. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o concorda?&lt;br /&gt;- Nunca pensei a respeito. Voc&amp;ecirc; e essa mania de conversas metaf&amp;iacute;sicas in&amp;uacute;teis, sempre querendo discutir o sexo dos anjos.&lt;br /&gt;- Quem falou em "&lt;i&gt;anjos&lt;/i&gt;"? Eu falei em deuses! N&amp;atilde;o compare os deuses com....&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o se trata disso! Voc&amp;ecirc; deve estar querendo me irritar.&lt;br /&gt;- Que isso, querida?!? S&amp;oacute; estou querendo ter um papo interessante com voc&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;- S&amp;oacute; se "&lt;i&gt;interessante&lt;/i&gt;", agora, virou sin&amp;ocirc;nimo de "&lt;i&gt;chato&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;- Nossa...tem dias em que voc&amp;ecirc; fica intrat&amp;aacute;vel!&lt;br /&gt;- Intrat&amp;aacute;vel &amp;eacute; essa sua mania de pensar besteiras. Por que n&amp;atilde;o pensa em algo mais pr&amp;aacute;tico e &amp;uacute;til?&lt;br /&gt;- Pr&amp;aacute;tico e &amp;uacute;til?&lt;br /&gt;- &amp;Eacute;&lt;br /&gt;- Bom....&lt;br /&gt;- O que foi?&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; pode fazer uma coisa pr&amp;aacute;tica pra mim. E seria bem &amp;uacute;til.&lt;br /&gt;- O que &amp;eacute;?&lt;br /&gt;- Espreme essa espinha que me apareceu atr&amp;aacute;s da orelha?&lt;br /&gt;- Ah, porra! Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; falando s&amp;eacute;rio?&lt;br /&gt;- Estou. Por que? Isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; pr&amp;aacute;tico o bastante pra voc&amp;ecirc;?&lt;br /&gt;- Foi s&amp;oacute; nisso que voc&amp;ecirc; conseguiu pensar?&lt;br /&gt;- No momento, sim.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom. Vem c&amp;aacute;. Vira a cabe&amp;ccedil;a. Isso. S&amp;oacute; voc&amp;ecirc; mesmo pra ter uma espinha a&amp;iacute;.&lt;br /&gt;- Ai! Calma, mulher! Isso d&amp;oacute;i!&lt;br /&gt; - N&amp;atilde;o seja chor&amp;atilde;o! Pronto....&lt;br /&gt;- Parece que voc&amp;ecirc; gostou disso, n&amp;eacute;? &lt;br /&gt;- Pelo menos foi algo pr&amp;aacute;tico, nada "&lt;i&gt;filos&amp;oacute;fico&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;- Putz. T&amp;aacute; vendo como voc&amp;ecirc; &amp;eacute;?&lt;br /&gt;- O que foi agora?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o sei se voc&amp;ecirc; &amp;eacute; f&amp;uacute;til por achar mais interessante espremer uma espinha a ter uma discuss&amp;atilde;o filos&amp;oacute;fica ou se &amp;eacute; s&amp;aacute;dica por gostar mais de me ver sentir dor a conversar algo mais profundo comigo.&lt;br /&gt;- Putaqueopariu! T&amp;aacute; bom, mala! A imortalidade n&amp;atilde;o &amp;eacute; boa, seria uma puni&amp;ccedil;&amp;atilde;o para os mortais e os deuses s&amp;oacute; s&amp;atilde;o eternos porque a eles cabe a responsabilidade de tomar conta e as vezes interceder por suas crias, a humanidade. T&amp;aacute; bom? Satisfeito agora?&lt;br /&gt;- P&amp;ocirc;...t&amp;aacute; vendo? &amp;Eacute; um excelente ponto de vista! N&amp;atilde;o sei porque voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o exp&amp;otilde;e mais esses seus insights! Eles s&amp;atilde;o geniais. Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; tinha pensado no tema "&lt;i&gt;imortalidade&lt;/i&gt;" antes da frase que eu disse? Sua resposta parece ser fruto de algum tempo de pondera&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre o assunto.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o. Pensei em tudo isso agorinha mesmo.&lt;br /&gt;- S&amp;eacute;rio?&lt;br /&gt;- &amp;Eacute;. Foi s&amp;oacute; imaginar o que seria passar a eternidade tendo que ouvir suas abobrinhas. Nenhum deus seria t&amp;atilde;o cruel comigo.&lt;br /&gt;- Nossa! Tem dias em que voc&amp;ecirc;...&lt;br /&gt;- ...fica intrat&amp;aacute;vel. Eu sei, eu sei...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-113677252334010337?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/113677252334010337/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=113677252334010337&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/113677252334010337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/113677252334010337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2006/01/imortalidade-se-imortalidade-fosse-algo.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-112620748662525453</id><published>2005-09-08T16:24:00.000-03:00</published><updated>2005-09-15T12:37:31.563-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;O Bloqueio &lt;i&gt;(para Thereza)&lt;/i&gt;&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Tobias vivia sob a sombra do relativo sucesso do seu primeiro e &amp;uacute;nico livro lan&amp;ccedil;ado. As cr&amp;iacute;ticas foram muito boas, as vendas nem tanto, mas at&amp;eacute; hoje s&amp;atilde;o um refor&amp;ccedil;o necess&amp;aacute;rio aos vencimentos de professor universit&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boa recep&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sua estr&amp;eacute;ia como escritor ajudou tamb&amp;eacute;m sua carreira acad&amp;ecirc;mica. Depois de ver seu nome sendo bem falado nos c&amp;iacute;rculos intelectuais mais gabaritados, Tobias recebeu convites para entrevistas e palestras e surgiram algumas oportunidades de emprego em melhores faculdades. Ele aproveitou tudo como pode. N&amp;atilde;o se sentia melindrado com a s&amp;uacute;bita aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o que lhe era dada. Sabia que seu trabalho merecia todo esse reconhecimento e se agora colhia os louros era por merecimento. Durante algum tempo pode viver melhor, n&amp;atilde;o sem deixar de demonstrar orgulho e satisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Todos esperavam pelo pr&amp;oacute;ximo livro de Tobias, no qual - pelo menos assim acreditava a cr&amp;iacute;tica especializada - ele mostraria a maturidade art&amp;iacute;stica para entrar na galeria dos grandes escritores do seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o segundo livro n&amp;atilde;o vinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos 3 primeiros anos a fama de menino prod&amp;iacute;gio das letras nacionais (tinha 27 anos quando saiu seu livro) lhe garantiu uma estabilidade nos meios liter&amp;aacute;rios. "H&amp;aacute; de se ter paci&amp;ecirc;ncia com escritores" todos diziam. Durante esse tempo, foi festejado no novo emprego, ainda o convidavam para escrever artigos e volta e meia recebia afagos da inteligenzzia em geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 5 anos seu nome era menos lembrado nos suplementos culturais. Algumas vezes, uma entrevista, sempre perguntando porque do sumi&amp;ccedil;o do autor. J&amp;aacute; n&amp;atilde;o era "A" novidade na universidade em que trabalhava e a antiga admira&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos alunos se foi com eles, que j&amp;aacute; estavam se formando. Chegou a perder uma coluna que mantinha em um jornal. A &amp;uacute;nica pessoa que sempre o procurava era seu editor, sempre perguntando quando Tobias teria novidades para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em breve, em breve. Estou trabalhando nisso - era sua resposta padr&amp;atilde;o, h&amp;aacute; anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade que ningu&amp;eacute;m poderia imaginar era que Tobias n&amp;atilde;o conseguia mais escrever. Tinha perdido as contas de quantas p&amp;aacute;ginas j&amp;aacute; havia ido pro lixo por n&amp;atilde;o achar aceit&amp;aacute;vel o que estava nelas. Enganava a todos falando que estava terminando seu pr&amp;oacute;ximo livro e quando perguntavam algo sobre o que tratava desconversava. Tinha inventado v&amp;aacute;rios argumentos diferentes para pessoas diversas. Isso chegou a criar uma m&amp;iacute;stica em torno de t&amp;atilde;o esperado livro. Ningu&amp;eacute;m sabia ao certo quando ou do que trataria o pr&amp;oacute;ximo trabalho do Tobias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema &amp;eacute; que realmente ningu&amp;eacute;m sabia. Nem ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o viaja? Tira uma licen&amp;ccedil;a da universidade, vai pro exterior. Espairece as id&amp;eacute;ias. Isso pode revigorar suas id&amp;eacute;ias. Se voc&amp;ecirc; prometer me trazer umas 100 p&amp;aacute;ginas, consigo arrancar mais um adiantamento na editora. Vai ser dif&amp;iacute;cil, mas eu tento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M&amp;aacute;rio, seu editor, sempre tentava incentivar Tobias. N&amp;atilde;o apenas por motivos comerciais. Acreditava no seu talento e acabou se afei&amp;ccedil;oando aquele cara que h&amp;aacute; alguns anos n&amp;atilde;o passava de um rapazote cheio de confian&amp;ccedil;a e um manuscrito debaixo de bra&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o de sair do lugar, M&amp;aacute;rio. O problema &amp;eacute; comigo. Detesto usar esses chav&amp;otilde;es, mas estou com um bloqueio. N&amp;atilde;o sei o que fazer. Ultimamente nem dormir eu tenho conseguido.&lt;br /&gt;- Tobias. Eu te conhe&amp;ccedil;o, rapaz. Quando fez aquela viagem pra Europa voc&amp;ecirc; voltou cheio de id&amp;eacute;ias &amp;oacute;timas. Ali&amp;aacute;s, que fim levaram todos aqueles argumentos.&lt;br /&gt;- Lixo, todos. Eram uma porcaria.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o eram Tobias! Voc&amp;ecirc; precisa desenvolver as hist&amp;oacute;rias com mais paci&amp;ecirc;ncia. N&amp;atilde;o pode ir desperdi&amp;ccedil;ando boas id&amp;eacute;ias assim.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o eram boas.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o deu chance para elas virarem boas. Vai, eu te empresto a grana, se for o caso. Voc&amp;ecirc; me paga com calma. Se naquela viagem de dois dias voc&amp;ecirc; voltou mais criativo, imagine depois de algumas semanas.&lt;br /&gt;- Isso n&amp;atilde;o vai adiantar, M&amp;aacute;rcio. Eu me conhe&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;- Porque ao menos n&amp;atilde;o tenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tobias n&amp;atilde;o gostava muito desse tipo de intrus&amp;atilde;o na sua vida, esses conselhos impostos e n&amp;atilde;o pedidos, essa for&amp;ccedil;ada de barra. Mas n&amp;atilde;o era todo dia que tinha uma oferta dessas. Viajar para Europa, sem se preocupar muito com dinheiro? N&amp;atilde;o era de se recusar. E, no final das contas, podia realmente ajudar de alguma forma com seu livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou pensar - disse, sem querer dar o bra&amp;ccedil;o a torcer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi pro micro assim que M&amp;aacute;rio saiu. Tentou escrever um pouco, j&amp;aacute; com a cabe&amp;ccedil;a em outro continente. N&amp;atilde;o adiantou. N&amp;atilde;o se satisfez com nada que escreveu. Apagou o arquivo e resolveu deitar. Imaginou que descansado e com novas perspectivas pudesse render mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou no meio da madrugada, depois de um sono carregado de sonhos estranhos. N&amp;atilde;o se lembrava exatamente com o que havia sonhado. Levantou-se, foi at&amp;eacute; a cozinha, bebeu uma &amp;aacute;gua. Na volta para o quarto, viu seu computador desligado, no escuro do seu escrit&amp;oacute;rio. Resolveu tentar escrever um pouco. Ainda estava com sono, mas achou melhor dar um tempo antes de voltar &amp;agrave; cama. Queria desanuviar um pouco do sonho que teve. Escreveu por uns 40 minutos. Para sua surpresa, achou bom o que havia escrito. "Deve ser o sono", pensou.  Resolveu salvar o texto e ir dormir. Pela manh&amp;atilde;, de cabe&amp;ccedil;a fresca e descansada, olharia o que fez com mais cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resto da noite tamb&amp;eacute;m foi povoada de sonhos, dessa vez mais claros. N&amp;atilde;o conseguia se ver neles, o que achou bastante estranho. O normal era tomar parte das hist&amp;oacute;rias - hist&amp;oacute;rias? Por que chamar seus sonhos assim? - criadas pelo seu subconsciente, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; tomar parte, mas ser seu protagonista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez sonhava com um rapaz chamado Calvin, filho de americanos que moravam aqui na &amp;eacute;poca do governo militar. Via nitidamente sua saga, evoluindo de um mero garoto mimado, cria de um lar formado por um presidente da subsidi&amp;aacute;ria local de uma grande multinacional e  uma intelectual da direita ianque a um combatente nas linhas de frente da clandestinidade esquerdista.  A hist&amp;oacute;ria era boa e passava como um filme em sua mente. Mas tinha a clara sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que j&amp;aacute; a conhecia, at&amp;eacute; seus m&amp;iacute;nimos detalhes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou com Calvin e suas aventuras na cabe&amp;ccedil;a. Poderia at&amp;eacute; escrev&amp;ecirc;-la, mas n&amp;atilde;o achava justo. Sentiria-se plagiando a si mesmo. Quis deixar as inven&amp;ccedil;&amp;otilde;es do seu inconsciente para sua mente, sua real escritora. Foi at&amp;eacute; o micro. Lembrou-se que tinha que reler o que havia escrito na noite anterior. N&amp;atilde;o conseguia se lembrar do que se tratava, s&amp;oacute; tinha a impress&amp;atilde;o de que havia gostado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu o arquivo. Levou um susto. Tudo o que havia escrito era sobre Calvin. Contava como a fam&amp;iacute;lia do seu her&amp;oacute;i inconsciente havia chegado ao pa&amp;iacute;s e terminava exatamente onde come&amp;ccedil;ara o sonho que tinha tido quando voltou a dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o entendia o que havia acontecido. Nunca se utilizou do que criava dormindo antes. Sempre fora um escritor cerebral, com m&amp;eacute;todo. Precisava estar sempre l&amp;uacute;cido para escrever. Imaginava suas tramas inteiras, personagens, situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, desfechos, antes de sentar para escrever. No m&amp;aacute;ximo, fazia anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es, que utilizava quando estava diante do teclado. Por que dessa vez criava assim, sem querer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi seu racioc&amp;iacute;nio, a seguir? N&amp;atilde;o queria usar a hist&amp;oacute;ria do Calvin, n&amp;atilde;o achava sua, apesar de ser. Mas ter descoberto que havia come&amp;ccedil;ado a escrev&amp;ecirc;-la antes do seu &amp;uacute;ltimo sonho lhe fez cogitar que teve o sonho influenciado pelo que havia escrito e n&amp;atilde;o o contr&amp;aacute;rio. E, pensando bem, quem era ele para tentar explicar como funciona a inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Ainda mais quando ela chega com tanta for&amp;ccedil;a, t&amp;atilde;o bem estruturada e, melhor, com t&amp;atilde;o bom argumento. Gostava do Calvin e da sua vida. E ele n&amp;atilde;o podia desperdi&amp;ccedil;ar uma boa hist&amp;oacute;ria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sentou-se e colocou no micro todo o sonho que tinha tido. Ficou bom, bom como h&amp;aacute; muito n&amp;atilde;o conseguia escrever. Estava satisfeito. Em menos de uma hora de trabalho, j&amp;aacute; tinha escrito cerca de 30 p&amp;aacute;ginas. Com essa velocidade, teria um livro inteiro, o t&amp;atilde;o esperado segundo livro, em menos de um m&amp;ecirc;s, j&amp;aacute; contando a revis&amp;atilde;o. Ligou para M&amp;aacute;rio. Teve que deixar um recado em sua secret&amp;aacute;ria eletr&amp;ocirc;nica. Contava apenas que tinha boas not&amp;iacute;cias e pedia que ele retornasse assim que pudesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu para dar uma volta. Era uma bela manh&amp;atilde; de s&amp;aacute;bado. Deu uma caminhada no Centro da cidade, que al&amp;eacute;m de sempre inspir&amp;aacute;-lo, era tamb&amp;eacute;m o cen&amp;aacute;rio da hist&amp;oacute;ria. Passou pelos pr&amp;eacute;dios antigos, ruas seculares, feliz consigo mesmo. Curiosamente, apesar de estar imerso nos lugares por onde Calvin viveria suas aventuras, n&amp;atilde;o conseguia pensar na continua&amp;ccedil;&amp;atilde;o da hist&amp;oacute;ria. "Estou muito excitado com isso tudo, &amp;eacute; isso", pensou. Imaginou que estando diante do micro e do que j&amp;aacute; havia escrito, a hist&amp;oacute;ria seguiria seu fluxo normalmente e ele escreveria com a mesma fluidez. Caminhou mais um pouco, almo&amp;ccedil;ou um sandu&amp;iacute;che no seu boteco preferido, tomou alguns chopes para acompanhar. Achava que merecia. Chegou a se desligar da trama parada no meio do caminho. Sabia que, quando chegasse &amp;agrave; casa, tudo se resolveria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&amp;oacute; que n&amp;atilde;o se resolveu. Diante do arquivo aberto, com metade da folha no monitor em branco, n&amp;atilde;o saia nada. For&amp;ccedil;ava a colocar Calvin pelas ruas que tinha acabado de passar e nada o agradava. Tentou diversas op&amp;ccedil;&amp;otilde;es, nada o agradava. Se exasperou um pouco. Por mais que se concentrasse, o resto da hist&amp;oacute;ria n&amp;atilde;o vinha. N&amp;atilde;o sabia o que fazer. Estava apagando pela d&amp;eacute;cima vez um par&amp;aacute;grafo que detestou quando tocou o telefone. Atendeu com raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que aconteceu? Sua voz n&amp;atilde;o &amp;eacute; de "boas not&amp;iacute;cias" . Era o M&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; voc&amp;ecirc;...Eu tenho boas not&amp;iacute;cias. Mas agora estou meio irritado, s&amp;oacute; isso.&lt;br /&gt;- O que aconteceu, afinal? Se tem boas novas, por que a irrita&amp;ccedil;&amp;atilde;o? E quais s&amp;atilde;o as boas not&amp;iacute;cias?&lt;br /&gt;- Comecei a escrever um livro novo ontem. E est&amp;aacute; bom. Muito bom, na verdade.&lt;br /&gt;- Jura?!?!?! Mas isso &amp;eacute; maravilhoso, Tobias! Por que isso haveria de te irritar?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o foi isso que me irritou, obviamente. O que me irrtou foi eu ter escrito quase 30 p&amp;aacute;ginas em poucas horas...&lt;br /&gt;- O que voc&amp;ecirc; disse?&lt;br /&gt;- Que n&amp;atilde;o foi isso que me irritou.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o! 30 p&amp;aacute;ginas em poucas horas!?!?! Meu filho! Isso &amp;eacute; demais! Voc&amp;ecirc; voltou a velha forma! Tenho que ler isso agora. Estou... &lt;br /&gt;- Calma, M&amp;aacute;rio! Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; muito empolgado. Nem me deixa falar....&lt;br /&gt;- Claro, claro...desculpe. Mas voc&amp;ecirc; entende esse empolga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- Entendo. Mas o que me irrita &amp;eacute; que j&amp;aacute; estou h&amp;aacute; mais tempo diante do micro do que quando escrevi as 30 primeiras p&amp;aacute;ginas e at&amp;eacute; agora n&amp;atilde;o escrevi uma linha que prestasse. &lt;br /&gt;- Agora &amp;eacute; voc&amp;ecirc; quem precisa ficar calmo, Tobias. As coisas n&amp;atilde;o funcionam assim, voc&amp;ecirc; bem sabe. Deixe a hist&amp;oacute;ria maturar dentro de voc&amp;ecirc;. Voc&amp;ecirc; teve um arroubo criativo. N&amp;atilde;o esperava que manter o mesmo ritmo, n&amp;atilde;o &amp;eacute; mesmo?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o o mesmo ritmo. Mas esperava ter algum ritmo. Ainda mais depois que passei a tarde no Centro, no lugar onde se passa a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o do livro. &lt;br /&gt;- T&amp;aacute; explicado! Voc&amp;ecirc; almo&amp;ccedil;ou naquele bar, n&amp;atilde;o foi?&lt;br /&gt;- Foi, comi um sanduba e bebi uns chopinhos. Mas o que isso tem a ver?&lt;br /&gt;- Quantos voc&amp;ecirc; bebeu?&lt;br /&gt;- Uns 4 ou 5. Estava alegre e....&lt;br /&gt;- E voc&amp;ecirc; ainda que escrever com todo esse &amp;aacute;lcool na cabe&amp;ccedil;a, Tobias?&lt;br /&gt;- Eu j&amp;aacute; escrevi com muito mais &amp;aacute;lcool na cabe&amp;ccedil;a, M&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;- Eu sei, eu sei. Mas lembre-se: voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; mais o prod&amp;iacute;gio que era. Descanse um pouco, clareie suas id&amp;eacute;ias e volte ao trabalho. Mais tarde eu passo a&amp;iacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tobias n&amp;atilde;o concordava com a teoria et&amp;iacute;lica do seu bloqueio repentino, mas achou melhor mesmo dar uma descansada. Se empolgou na caminhada e estava mesmo cansado. E, isso n&amp;atilde;o podia negar, os chopes davam mesmo uma certa sonol&amp;ecirc;ncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou assustado, com a campainha tocando. Olhou o rel&amp;oacute;gio, eram onze da noite. S&amp;oacute; podia ser o M&amp;aacute;rio. Levantou-se e abriu a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, Tobias. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o me ligou e n&amp;atilde;o ag&amp;uuml;entei esperar. Tinha que ler os primeiros cap&amp;iacute;tulos logo.&lt;br /&gt;- Fazer o que, n&amp;atilde;o? Voc&amp;ecirc; nunca primou mesmo pela paci&amp;ecirc;ncia. Entra. Vai precisar esperar eu imprimir o arquivo.&lt;br /&gt;- Isso n&amp;atilde;o demora muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi at&amp;eacute; o computado, que havia deixado ligado com o arquivo aberto antes de deitar. Em alguns segundos o barulho da impressora puxando as folhas em branco come&amp;ccedil;ou. M&amp;aacute;rio estava mesmo ansioso, foi pegando logo a primeira p&amp;aacute;gina impressa e come&amp;ccedil;ou a ler o texto. Tobias achou engra&amp;ccedil;ado o desespero do amigo. Enquanto via a impressora funcionar, leu o &amp;uacute;ltimo par&amp;aacute;grafo que havia escrito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu de repente. O resto da hist&amp;oacute;ria veio inteiro na sua cabe&amp;ccedil;a, de uma vez s&amp;oacute;. Quase podia ver as palavras digitadas na folha do seu monitor. Come&amp;ccedil;ou a digitar apressado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tobias, at&amp;eacute; agora est&amp;aacute; muito bom....o que est&amp;aacute; fazendo?&lt;br /&gt;- O que parece que estou fazendo, M&amp;aacute;rio? - respondeu, sem parar de digitar ou mesmo olhar para o amigo.&lt;br /&gt;- Sei que est&amp;aacute; escrevendo. Mas voc&amp;ecirc; nunca escreveu na frente de ningu&amp;eacute;m, nem de mim. &lt;br /&gt;- Pois &amp;eacute;. Mas o resto veio agora. N&amp;atilde;o posso esperar voc&amp;ecirc; acabar de ler tudo, se mancar e ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M&amp;aacute;rio estava bestificado. Tobias nunca havia permitido que ningu&amp;eacute;m ficasse por perto quando escrevia. E nunca tinha visto tamb&amp;eacute;m algu&amp;eacute;m escrever t&amp;atilde;o r&amp;aacute;pido. Tobias parecia uma esten&amp;oacute;grafa de tribunal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc;....-come&amp;ccedil;ou M&amp;aacute;rio, com medo de atrapalhar - voc&amp;ecirc; quer que eu saia?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o precisa. Desde que voc&amp;ecirc; fique quieto - disse Tobias, r&amp;iacute;spido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M&amp;aacute;rio nem conseguia ler direito as folhas que tinha nas m&amp;atilde;os. Estava espantado com Tobias. Ele parecia um possesso. A impress&amp;atilde;o que tinha era de que o teclado n&amp;atilde;o resistiria mais vinte minutos de tecladas t&amp;atilde;o firmes e r&amp;aacute;pidas. Antes que conseguisse terminar de ler as 30 p&amp;aacute;ginas impressas, Tobias gritou um "acabei". Tinha escrito mais vinte e tantas folhas, num f&amp;ocirc;lego s&amp;oacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acabou o livro?&lt;br /&gt;- Claro que n&amp;atilde;o, M&amp;aacute;rio. N&amp;atilde;o tenho mais id&amp;eacute;ias, por hora. S&amp;oacute; isso.&lt;br /&gt;- Mas...Voc&amp;ecirc; viu como escreveu? Parecia possu&amp;iacute;do.&lt;br /&gt;- Quem garante que n&amp;atilde;o era exatamente isso? - disse Tobias, enigm&amp;aacute;tico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M&amp;aacute;rio terminou as folhas que tinha nas m&amp;atilde;os, depois terminou as que Tobias tinha acabado de criar. Estava pasmo. Al&amp;eacute;m de ser um excelente texto, numa primeira olhada n&amp;atilde;o precisava sequer de uma revis&amp;atilde;o. Parecia pronto para ir ao prelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o exagera, M&amp;aacute;rio. Ainda tenho que revisar isso. Com calma. - disse Tobias, depois de ficar em completo sil&amp;ecirc;ncio enquanto o amigo lia. Do canto escuro da sala em que estava, fumava um cigarro. Dele s&amp;oacute; se via a fuma&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram em sil&amp;ecirc;ncio por uns momentos. M&amp;aacute;rio sabia que algo estranho se passava com Tobias. Tobias tamb&amp;eacute;m sabia que n&amp;atilde;o estava agindo normalmente. Mas o que os dois sabiam &amp;eacute; que algo estranho n&amp;atilde;o &amp;eacute; necessariamente ruim. E se essa mudan&amp;ccedil;a repentina no comportamento ajudasse Tobias a escrever, n&amp;atilde;o haviam do que reclamar. Pelo contr&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que vou dormir, M&amp;aacute;rio. Quero escrever mais pela manh&amp;atilde;.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; certo. Est&amp;aacute; tarde mesmo. Se escrever algo cedo, me manda por e-mail.&lt;br /&gt;- Combinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tobias foi para cama, sem querer pensar muito no que se passava. N&amp;atilde;o estava com sono, mas deitou-se. No escuro, acendeu outro cigarro. N&amp;atilde;o tentava mais pensar em Calvin e no desenrolar dos seus feitos. S&amp;oacute; pensava no porque de precisar sonhar para escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou s&amp;oacute; no dia seguinte, com o sol esbofeteando-lhe o rosto. Correu para o livro. Tinha seu &amp;uacute;ltimo sonho ainda v&amp;iacute;vido na cabe&amp;ccedil;a e n&amp;atilde;o queria esquecer nenhum detalhe. Escreveu tomado pela febre que o acometia desde que come&amp;ccedil;ou a ser um relator de sonhos. Em 45 minutos tinha escrito mais 20 p&amp;aacute;ginas. Ent&amp;atilde;o a fonte secou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou as novas p&amp;aacute;ginas para o M&amp;aacute;rio e foi tomar um caf&amp;eacute; na padaria. Voltou para casa, conversou com M&amp;aacute;rio pelo telefone por uns minutos, leu os jornais de domingo, ligou a tv apenas para ver que n&amp;atilde;o havia nada que prestasse. Voltou para o micro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o vai adiantar nada, eu sei - pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era fato. Suas id&amp;eacute;ias s&amp;oacute; surgiam na inconsci&amp;ecirc;ncia do sono. Estava com quase uma centena de p&amp;aacute;ginas escritas, algumas, das melhores que jamais havia produzido. E n&amp;atilde;o sabia de onde vinha a id&amp;eacute;ia criadora. Era frustrante. Pior, exasperante: saber que talvez nunca considerasse seu de verdade o que pode ser o melhor trabalho j&amp;aacute; feito por ele era de matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, diabos! Os sonhos s&amp;atilde;o ou n&amp;atilde;o meus? Por que me envergonhar disso? - pensou depois de meia hora est&amp;aacute;tico de frente para as p&amp;aacute;ginas no monitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o tinha muito o que fazer. Domingos s&amp;atilde;o dias normalmente chatos e esse estava especialmente mon&amp;oacute;tono. Voltou para tv, ficou olhando os programas, sem realmente ver. Depois de algum tempo, acabou cochilando. Acordou de s&amp;uacute;bito, uns 15 minutos depois. E com novas id&amp;eacute;ias. Escreveu apenas seis p&amp;aacute;ginas. Teve a certeza de algo que j&amp;aacute; desconfiava: a dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o do seu sono determinava o andamento do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tobias ent&amp;atilde;o teve que se adaptar a esse novo m&amp;eacute;todo de escrita, que era seu, mas que n&amp;atilde;o fora criado por ele. Passava a maioria do tempo dormindo. N&amp;atilde;o sa&amp;iacute;a mais de casa. Quando tinha afazeres na rua, andava com um bloco e uma caneta, para a eventualidade de um cochilo no &amp;ocirc;nibus ou em alguma fila. Seus amigos ligavam e sempre quem atendia era sua secret&amp;aacute;ria eletr&amp;ocirc;nica. Falava apenas com M&amp;aacute;rio, mais para avisar que tinha mais material e que o enviaria em breve. O amigo estava adorando o livro, s&amp;oacute; n&amp;atilde;o compreendia a mudan&amp;ccedil;a de comportamento de Tobias. Durante um tempo, resolveu aceitar que talvez fossem excentricidades de artista. Chegou mesmo a pensar que seu novo modo de agir fosse necess&amp;aacute;rio para que Tobias voltasse a escrever. Quem garante que a f&amp;oacute;rmula antiga, que usou para escrever o primeiro livro, teria que funcionar no segundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&amp;oacute; que o tempo foi passando e o livro n&amp;atilde;o terminava. Tobias tinha planejado um volume com no m&amp;aacute;ximo 300 p&amp;aacute;ginas - o que ele sempre achou um exagero para contar uma hist&amp;oacute;ria - e ele j&amp;aacute; estava com quase 500. M&amp;aacute;rio dizia para deixar fluir a trama, para terminar quando ele pensasse em um &amp;oacute;timo final para o livro. Mas o final n&amp;atilde;o vinha.  Os sonhos sempre ditavam os rumos de Calvin, exatamente na seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia de um para o outro, mas aparentemente n&amp;atilde;o estavam sequer pr&amp;oacute;ximo de um encerramento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de estar gostando muito do resultado, Tobias come&amp;ccedil;ava a ficar tenso. Que esse segundo livro era muito melhor que o primeiro, ele n&amp;atilde;o tinha d&amp;uacute;vidas. Mas por n&amp;atilde;o ter planejado a estrutura da hist&amp;oacute;ria, ele n&amp;atilde;o tinha o controle sobre ela. N&amp;atilde;o sabia como, e pior, nem quando o livro terminaria. Isso come&amp;ccedil;ava a tir&amp;aacute;-lo do s&amp;eacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele queria dar um final logo para o livro, apesar de saber que ele estava t&amp;atilde;o bom que tinha que acabar por si mesmo. Tomou a decis&amp;atilde;o de n&amp;atilde;o sair mais de casa enquanto n&amp;atilde;o colocasse um ponto final ao livro. Comunicou sua decis&amp;atilde;o ao M&amp;aacute;rio, pediu que ele resolvesse o que aparecesse. O amigo entendeu e at&amp;eacute; apoiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se voc&amp;ecirc; precisa disso para acabar, &amp;oacute;timo. - respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou semanas sem ver ningu&amp;eacute;m al&amp;eacute;m do M&amp;aacute;rio. Dormia, acordava e escrevia febrilmente. Essa era sua rotina di&amp;aacute;ria, sem modifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es. N&amp;atilde;o via mais tv, n&amp;atilde;o lia mais jornais. Era apenas ele, seus sonhos e seu livro. E o fim n&amp;atilde;o chegava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ansiedade de por um fim definitivo &amp;agrave; hist&amp;oacute;ria causou a &amp;uacute;nica coisa que n&amp;atilde;o poderia acontecer: Tobias come&amp;ccedil;ou a ter ins&amp;ocirc;nia. Tentava dormir, girava na cama e despertava. N&amp;atilde;o chegava a escrever sequer duas, tr&amp;ecirc;s p&amp;aacute;ginas. Ligou para o editor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- M&amp;aacute;rio, vou parar de mandar as partes do manuscritos para voc&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;- Ahn? Mas....por que isso agora, Tobias?&lt;br /&gt;- Acho melhor, M&amp;aacute;rio. Isso me pressiona.&lt;br /&gt;- Tobias...que tal parar de viadagem? Qual &amp;eacute; o problema, afinal?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o consigo terminar o livro, n&amp;atilde;o parece &amp;oacute;bvio? E qualquer tipo de press&amp;atilde;o atrapalha.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o vejo como isso pode ser uma press&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;- Pra falar a verdade, nem eu. Mas eu prefiro te mandar tudo quando acabar. &lt;br /&gt;- "Acabar" seria bom mesmo. Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; est&amp;aacute; na p&amp;aacute;gina 700. Vamos ter que dividir seu livro em dois. Ou tr&amp;ecirc;s.&lt;br /&gt;- Nem pense nisso, M&amp;aacute;rio! O livro &amp;eacute; &amp;uacute;nico e....Deixa pra l&amp;aacute;! &amp;Eacute; por essas e outras que n&amp;atilde;o vou mais te mandar o que estou escrevendo.&lt;br /&gt;- Quem sou eu para atrapalhar o grande "artista" - disse M&amp;aacute;rio, irritado - se voc&amp;ecirc; acha que vai te ajudar a terminar logo esse diabo de livro, &amp;eacute; melhor pra todos. Voc&amp;ecirc; parece um lun&amp;aacute;tico desde que criou esse Calvin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tobias quase contou para o amigo o motivo do mist&amp;eacute;rio, mas achou que se M&amp;aacute;rio soubesse que ele estava plagiando o pr&amp;oacute;prio subconsciente - ou que pelo menos acreditava nisso piamente - a&amp;iacute; mesmo que seria chamado de louco. Desligou o telefone e tentou dormir. N&amp;atilde;o conseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu sair de casa pela primeira vez depois de dezenas de dias. Era como se tivesse tido um pequeno surto. Bebeu em todos os bares que encontrou abertos, fez amizades e desafetos entre a fauna bo&amp;ecirc;mia. Chegou &amp;agrave; casa tr&amp;ocirc;pego, dia j&amp;aacute; claro. Teve apenas um racioc&amp;iacute;nio ligeiramente s&amp;oacute;brio antes de desabar na cama.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- No estado em que estou, vou dormir tanto que conseguiria terminar uma nova vers&amp;atilde;o da b&amp;iacute;blia. - pensou antes de apagar por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante algumas horas, Tobias dormiu como uma pedra. O problema &amp;eacute; pedras n&amp;atilde;o sonham. E foi justamente isso que aconteceu. Tobias teve um sono pesado e despovoado de sonhos. A &amp;uacute;nica coisa que ele tinha conseguido com a bebedeira foi uma ressaca avassaladora. "Mesmo que eu tivesse sonhado, n&amp;atilde;o conseguiria escrever nada", pensou com sua cabe&amp;ccedil;a inchada e surpreendentemente ainda b&amp;ecirc;bada. Passou mal o resto do dia, prostrado na cama, sem id&amp;eacute;ias, sem sono, apenas mal estar. Agora ele sabia que &amp;aacute;lcool n&amp;atilde;o ajudava. Se sua ins&amp;ocirc;nia continuasse essa noite, teria que tomar alguma provid&amp;ecirc;ncia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas passaram, lentas. O sono de Tobias n&amp;atilde;o veio. Eram duas da manh&amp;atilde; quando ele resolveu tomar calmantes. Tomaria uma bela dose, se sentaria na frente do micro e dormiria ali mesmo. Queria acordar e j&amp;aacute; terminar com o trabalho. Antes que o trabalho terminasse com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou tr&amp;ecirc;s comprimidos, que resultaram em um amolecimento f&amp;iacute;sico e mental de Tobias. "N&amp;atilde;o &amp;eacute; o bastante", pensou. Pegou mais tr&amp;ecirc;s e engoliu com ajuda da cerveja que estava &amp;agrave; sua frente. Sentiu sua press&amp;atilde;o cair, estava at&amp;eacute; com frio. "Agora vem", estava ele, quase feliz. Antes de apagar pela segunda vez em menos de 24 horas, novamente Tobias teve um breve momento de lucidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez eu n&amp;atilde;o devesse tomar esse rem&amp;eacute;dio estando b&amp;ecirc;bado - foi a &amp;uacute;ltima coisa que conseguiu pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M&amp;aacute;rio s&amp;oacute; come&amp;ccedil;ou a ficar preocupado na segunda semana sem contato com Tobias. Eles tinham combinado de n&amp;atilde;o se falarem, nem por e-mail, at&amp;eacute; que o livro estivesse pronto. M&amp;aacute;rio se controlou para n&amp;atilde;o ligar e n&amp;atilde;o ligou. No meio da segunda semana sem que Tobias desse sinais de vida, pediu por e-mail que o amigo mandasse not&amp;iacute;cias. N&amp;atilde;o teve resposta. Ligou dois dias depois e ningu&amp;eacute;m atendeu. Resolveu ir at&amp;eacute; a casa do amigo. Bateu na porta e nada. N&amp;atilde;o ouvia nenhum som de dentro do apartamento. Esperou um tempo. O porteiro n&amp;atilde;o via seu amigo h&amp;aacute; muito tempo, pelo menos n&amp;atilde;o no seu turno. Foi at&amp;eacute; o boteco em que Tobias costumava almo&amp;ccedil;ar e n&amp;atilde;o o viam h&amp;aacute; dias. Perguntou ao jornaleiro, ao apontador de jogo de bicho. Ningu&amp;eacute;m sabia de Tobias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve um mal pressentimento. Correu at&amp;eacute; o apartamento, chamou o porteiro, arrombaram ambos a porta. N&amp;atilde;o houve rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao barulho provocado. M&amp;aacute;rio correu at&amp;eacute; o escrit&amp;oacute;rio de Tobias. Encontrou o amigo sentado na cadeira, bra&amp;ccedil;os pendidos, cabe&amp;ccedil;a solta, boca entreaberta. A saliva escorria viscosa pelo seu peito. M&amp;aacute;rio pegou o pulso do amigo. Sentiu a pulsa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, um sopro, mas estava l&amp;aacute;. Ligou para emerg&amp;ecirc;ncia, j&amp;aacute; olhando o frasco com comprimidos em cima da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tobias estava em coma profundo. No hospital, perguntaram ao M&amp;aacute;rio se ele imaginava porque Tobias havia tentado se matar. Respondeu que n&amp;atilde;o fazia a menor id&amp;eacute;ia. Que tirando a ang&amp;uacute;stia por n&amp;atilde;o conseguir terminar o livro que estava escrevendo, n&amp;atilde;o conseguia ver Tobias como um suicida. Muito menos quando, segundo o pr&amp;oacute;prio, o amigo estava prestes a acabar a hist&amp;oacute;ria de Calvin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ningu&amp;eacute;m poderia saber, mas para Tobias, a hist&amp;oacute;ria ainda n&amp;atilde;o acabou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-112620748662525453?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/112620748662525453/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=112620748662525453&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/112620748662525453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/112620748662525453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2005/09/o-bloqueio-para-thereza-tobias-vivia.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-111514357490066077</id><published>2005-05-03T15:06:00.000-03:00</published><updated>2005-08-20T00:30:56.840-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Fim de caso&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Voc&amp;ecirc; vai arranjar outra em pouco tempo. Algu&amp;eacute;m que realmente te mere&amp;ccedil;a.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; foda. N&amp;atilde;o basta estar sendo bicado, voc&amp;ecirc; ainda tem que aturar a comisera&amp;ccedil;&amp;atilde;o alheia. E esse papo de "&lt;i&gt;arranjar outra&lt;/i&gt;"? Parece que eu vou ao mercado pegar uma mulher que esteja dentro do prazo de validade e pronto, j&amp;aacute; tenho um relacionamento novo! As pessoas parecem n&amp;atilde;o crer que algu&amp;eacute;m possa passar o resto da vida sozinho. Isso acontece, e muito! E na maioria das vezes, nem &amp;eacute; por op&amp;ccedil;&amp;atilde;o: arranjar algu&amp;eacute;m que se de bem com a gente &amp;eacute; complicado. Isso sem falar no detest&amp;aacute;vel "&lt;i&gt;algu&amp;eacute;m que realmente te mere&amp;ccedil;a&lt;/i&gt;"....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;N&amp;atilde;o podemos considerar que demos errado. Foi &amp;oacute;timo enquanto durou. A culpa n&amp;atilde;o &amp;eacute; sua...eu que n&amp;atilde;o estou legal...&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o revisionismo p&amp;oacute;s-t&amp;eacute;rmino! &amp;Eacute;, voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; me dando o fora e "&lt;i&gt;n&amp;atilde;o demos errado&lt;/i&gt;"... O que seria necess&amp;aacute;rio para considerarmos que demos errado? Que voc&amp;ecirc; me desse um tiro na cabe&amp;ccedil;a? E l&amp;aacute; vem ela com outro chav&amp;atilde;o de fim de namoro: "&lt;i&gt;A culpa n&amp;atilde;o &amp;eacute; sua&lt;/i&gt;". CLARO que a culpa n&amp;atilde;o &amp;eacute; minha....quem est&amp;aacute; terminando &amp;eacute; voc&amp;ecirc;, pombas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Terminamos agora, mas n&amp;atilde;o quero perder sua amizade. Sempre vou gostar de voc&amp;ecirc;, quero sua amizade, sempre, sempre...&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caralhas...era o que eu menos queria ouvir. Amigos eu tenho muitos, n&amp;atilde;o preciso de outros. E voc&amp;ecirc; quer ser minha amiga, n&amp;eacute;? Ent&amp;atilde;o quero ver ag&amp;uuml;entar uma seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia de domingo comigo: pelada-cerveja-Maracan&amp;atilde;-cerveja. E com aqueles assuntos que voc&amp;ecirc; ADORA: mulher e futebol. Se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o puder me acompanhar nisso, n&amp;atilde;o vai poder ser minha amiga. Combinado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Estou muito triste com isso tudo (snif..)&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu namorava uma masoquista e n&amp;atilde;o sabia. Se est&amp;aacute; sofrendo, por que terminar? Gosta de se sentir mal? E ainda chora, a covarde...Se pensa que vai me sensibilizar com essas l&amp;aacute;grimas, t&amp;aacute; lascada. Voc&amp;ecirc; arranjou isso tudo, eu n&amp;atilde;o queria terminar, voc&amp;ecirc; sim. Ag&amp;uuml;ente a barra, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;- Fala alguma coisa! Esse seu sil&amp;ecirc;ncio t&amp;aacute; acabando comigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que eu posso dizer? Se voc&amp;ecirc; acha que isso &amp;eacute; o melhor pra n&amp;oacute;s dois, eu s&amp;oacute; posso aceitar. Sabe que eu sempre concordo com o que voc&amp;ecirc; diz...&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-111514357490066077?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/111514357490066077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=111514357490066077&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/111514357490066077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/111514357490066077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2005/05/fim-de-caso-voc-vai-arranjar-outra-em.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-111474453119045626</id><published>2005-04-29T00:15:00.000-03:00</published><updated>2005-04-29T00:15:31.190-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Rotina&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou ao ponto &amp;agrave;s 4 da madrugada e viu que perdeu ao mesmo tempo um t&amp;aacute;xi e o &amp;ocirc;nibus que serviria para ele - e que provavelmente demorariam muito para aparecerem novamente - foi que ele sentiu que havia exagerado. Estava b&amp;ecirc;bado e com a garganta inflamada depois de tanto &amp;aacute;lcool e nicotina. Mas isso n&amp;atilde;o o impediu de estar com uma lata de cerveja na m&amp;atilde;o direita e um cigarro na esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado, a cabe&amp;ccedil;a doendo e a l&amp;iacute;ngua sem tato, se perguntou onde diabos seus planos tinham mudado de rumo para estar nessa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Havia projetado outra vida para si mesmo, em nada parecida com a que tinha agora. Emprego, sua casa, at&amp;eacute; seus amigos, que teoricamente s&amp;oacute; o s&amp;atilde;o por sua pr&amp;oacute;pria escolha, n&amp;atilde;o eram o que gostaria que fossem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria saber o que o levava sempre para outros caminhos que n&amp;atilde;o os certos. Tinha um exemplo pr&amp;aacute;tico, literalmente, &amp;agrave; m&amp;atilde;o: mesmo com a garganta arruinada e meio zonzo de b&amp;ecirc;bado, fumava com a esquerda e bebia com a direita. Olhou com nojo para as m&amp;atilde;os, sem saber se o asco era para o que segurava ou se para elas. A segunda op&amp;ccedil;&amp;atilde;o era a mais coerente no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Ocirc;nibus que n&amp;atilde;o o serviam passavam, deixando seu rastro de vento e frio. Os raros t&amp;aacute;xis que passavam estavam todos ocupados, com pessoas mais sortudas que ele. Estava com raiva dessa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e com mais raiva ainda dele mesmo, por haver, novamente, ca&amp;iacute;do nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Burro! - sussurrou para si mesmo, enquanto pisava no cigarro, j&amp;aacute; praticamente no filtro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar de toda essa aparente revolta consigo mesmo, nada demonstrava que ele procuraria, com o afinco necess&amp;aacute;rio, mudar. Desde a sua posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o no ponto de &amp;ocirc;nibus - prostrado, encurvado e tossindo em um banco p&amp;uacute;blico - at&amp;eacute; o fato de se render &amp;agrave; cerveja e ao fumo mesmo quando menos deveria faz&amp;ecirc;-lo, demonstravam seu comodismo. Na verdade, o conformismo pode muito bem conviver com a revolta. Basta que se tenha intelig&amp;ecirc;ncia o bastante para saber o que est&amp;aacute; errado e que n&amp;atilde;o se tenha for&amp;ccedil;a de vontade para mudar o que est&amp;aacute; errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu &amp;ocirc;nibus chegou 40 minutos depois. Ele n&amp;atilde;o tinha certeza se era o primeiro deles, depois de tantas cochiladas que havia dado. Subiu irritado no coletivo, descontando esse sentimento na maneira como perguntou ao cobrador se essa demora era normal. Recebeu um "&amp;eacute; sim" dos mais desanimados que j&amp;aacute; ouviu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se em uma das v&amp;aacute;rias poltronas vazias do &amp;ocirc;nibus, abriu a janela e deixou que o vento frio batesse diretamente no seu rosto. N&amp;atilde;o sentia calor. Queria que o frio o mantivesse acordado. Passar do ponto onde deveria descer e ter que caminhar, &amp;eacute;brio e chateado como estava, era a &amp;uacute;ltima coisa que ele desejava que acontecesse. N&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o estivesse acostumado. J&amp;aacute; havia acontecido v&amp;aacute;rias outras vezes, em situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es parecidas com aquela. Mas seria um final de noite (dessa noite em especial) "&lt;i&gt;perfeito&lt;/i&gt;" demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o hoje. Nunca mais! - pensou, alguns momentos antes de cair no sono, apesar do vento no rosto, apesar da precau&amp;ccedil;&amp;atilde;o tomada, apesar da revolta que sentia e apesar do sincero sentimento de mudan&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou vinte minutos depois, tr&amp;ecirc;s paradas depois da sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-111474453119045626?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/111474453119045626/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=111474453119045626&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/111474453119045626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/111474453119045626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2005/04/rotina-quando-chegou-ao-ponto-4-da.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-111471688994338689</id><published>2005-04-28T16:34:00.000-03:00</published><updated>2005-04-28T16:41:52.163-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;A casa&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A casa estava abandonada h&amp;aacute; algum tempo. O cheiro de bolor era forte e tinha contaminado cada peda&amp;ccedil;o das paredes. Seria preciso uma limpeza grande para ela voltar aos velhos tempos. Lembrava-se desses tempos.  Momentos bons e ruins, como em todas as casas. Nada que justificasse o abandono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; preciso tirar os m&amp;oacute;veis, espantar a poeira, abrir as janelas, deixar o sol entrar. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; o sol, mas a chuva, o vento, o frio, o cheiro de mar, de sangue e das promessas n&amp;atilde;o cumpridas. Era tempo de voltar a habitar a casa. Mesmo que ela v&amp;aacute; ficar mais vazia do que antes, como seu pr&amp;oacute;prio dono, agora, est&amp;aacute; mais vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos a reforma. &amp;Eacute; hora de povar &amp;agrave; casa novamente, nem que seja com os fantasmas de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-111471688994338689?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/111471688994338689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=111471688994338689&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/111471688994338689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/111471688994338689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2005/04/casa-casa-estava-abandonada-h-algum.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-109642694591825886</id><published>2004-09-29T00:02:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T15:58:06.640-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;O Blecaute&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Foram precisos alguns segundos antes que todos notassem que n&amp;atilde;o foi o dj que parou com "&lt;i&gt;Come Together&lt;/i&gt;" do Primal Scream propositadamente no meio do refr&amp;atilde;o. Os freq&amp;uuml;entadores do clube ainda cantaram a m&amp;uacute;sica um tempo, at&amp;eacute; notarem que tinha havido uma falta de energia e n&amp;atilde;o apenas na pista, mas em toda casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda era uma das que cantaram o refr&amp;atilde;o, mesmo depois da m&amp;uacute;sica ter parado. Ela estava de olhos fechados, curtindo o efeito do &amp;aacute;cido que tinha tomado e foi das &amp;uacute;ltimas a reparar no blecaute. Ela s&amp;oacute; se deu conta do ocorrido quando as pessoas &amp;agrave; sua volta come&amp;ccedil;aram a gritar. N&amp;atilde;o eram gritos de medo. Sentia-se a excita&amp;ccedil;&amp;atilde;o em cada berro emitido. Fernanda n&amp;atilde;o precisaria nem ter sentido o clima do p&amp;uacute;blico. Ela j&amp;aacute; estava mesmo excitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o sabia ao certo onde estava Caio. No meio do ligeiro caos criado, ela n&amp;atilde;o tinha certeza se ele j&amp;aacute; tinha voltado do banheiro. Isso era uma das coisas que a irritavam nele, a falta total de timming. Ela tinha pedido que ele ficasse e dan&amp;ccedil;asse com ela a m&amp;uacute;sica. Ele disse que n&amp;atilde;o ag&amp;uuml;entaria esperar, que voltava r&amp;aacute;pido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas come&amp;ccedil;aram a se esbarrar na pista. Ela n&amp;atilde;o sabia se Caio estava ou n&amp;atilde;o por perto. Mas ela n&amp;atilde;o fazia, naquele momento, a menor quest&amp;atilde;o de averiguar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se uns quinze minutos antes que a energia retornasse. A gritaria generalizada havia parado bem antes disso. Tirando um ou outro ru&amp;iacute;do na pista, todos se silenciaram, por alguns momentos. O retorno das luzes foi meio constrangedor para todos. O que tinham feito e com quem era uma inc&amp;oacute;gnita para quase todos. Homens, mulheres, todos estavam confusos, mas n&amp;atilde;o necessariamente desgostosos. A volta da energia, t&amp;atilde;o repentinamente como havia acabado foi como um choque para Fernanda. Serviu para trazer sua lucidez de volta, apesar de ainda estar ligeiramente confusa.  Resolveu procurar por Caio e foi encontra-lo no bar do clube. Estava calmamente bebendo uma cerveja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra, Caio! Onde voc&amp;ecirc; estava?&lt;br /&gt;- Estava no banheiro, Nanda. Eu tinha te avisado!&lt;br /&gt;- E demorou esse tempo todo?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o estava achando o papel no meio daquela escurid&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; acha mesmo o momento apropriado para piadas?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o come&amp;ccedil;a, Nanda! O que foi agora?&lt;br /&gt;- Por que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o voltou pra pista? Por que n&amp;atilde;o me procurou, caralho?&lt;br /&gt;- Eu voltei pra pista. E tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o percebi nenhum esfor&amp;ccedil;o seu pra me encontrar.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o se fa&amp;ccedil;a de idiota, Caio. Voc&amp;ecirc; sabia onde eu estava, e n&amp;atilde;o o contr&amp;aacute;rio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da discuss&amp;atilde;o n&amp;atilde;o ser a &amp;uacute;nica no lugar e muito menos a &amp;uacute;nica por causa do apag&amp;atilde;o, parecia que era a que mais chamava aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Caio pagou a cerveja e puxou Fernanda pelo bra&amp;ccedil;o. "&lt;i&gt;N&amp;atilde;o vamos fazer uma cena aqui. Se voc&amp;ecirc; quer brigar, vamos brigar no carro&lt;/i&gt;", disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que Fernanda fez foi ligar o r&amp;aacute;dio, no &amp;uacute;ltimo volume. "&lt;i&gt;Pumping on Your Stereo&lt;/I&gt;" do Supergrass quase arrebentou os alto-falantes do carro. Caio abaixou o volume na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se voc&amp;ecirc; vai come&amp;ccedil;ar a discutir comigo, ser&amp;aacute; mais producente se eu continuar com minha audi&amp;ccedil;&amp;atilde;o perfeita, n&amp;atilde;o acha?&lt;br /&gt;- Para Caio... N&amp;atilde;o quero mais discutir com voc&amp;ecirc;. Desculpa minha explos&amp;atilde;o. Eu estava nervosa por causa da escurid&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o era motivo para ceninha que voc&amp;ecirc; criou, Nanda.&lt;br /&gt;- &amp;Eacute;, talvez....- a hesita&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Fernanda agu&amp;ccedil;ou a curiosidade do Caio. &lt;br /&gt;- Talvez? Se n&amp;atilde;o foi s&amp;oacute; o blecaute, o que  foi?&lt;br /&gt;- Porra Caio! Voc&amp;ecirc; sabia que eu tinha tomado uma bala. O diabo do lugar fica escuro um temp&amp;atilde;o e quando as luzes se acendem, n&amp;atilde;o &amp;eacute; voc&amp;ecirc; que est&amp;aacute; do meu lado. Fiquei assustada.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o entendi. Desde quando voc&amp;ecirc; tem medo de escuro? Ou foi a pessoa que voc&amp;ecirc; encontrou do seu lado que te deixou nervosa?&lt;br /&gt;- ....&lt;br /&gt;- Nanda...fala. Quem &amp;eacute; que estava ao seu lado? Ou melhor, o que a pessoa que estava ao seu lado fez com voc&amp;ecirc; na escurid&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- Caio...eu estava louca. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o estava do meu lado...&lt;br /&gt;- Caralho, Fernanda! Voc&amp;ecirc; se pegou com o cara???&lt;br /&gt;- Caio...tava escuro, eu estava distra&amp;iacute;da, pensei que era voc&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;- Pensou que era eu??? Porra, Fernanda!&lt;br /&gt;- Desculpa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio olhava para frente, o carro ainda parado. Via as pessoas saindo do clube, tentando imaginar quem era o cara que tinha agarrado sua namorada no escuro. Ele olhou para Fernanda, com a cabe&amp;ccedil;a encostada no banco do carro, olhando pra cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom, Nanda. Vamos enterrar esse assunto. Eu tive culpa tamb&amp;eacute;m. Sei como voc&amp;ecirc; fica as vezes. Devia ter te procurado melhor.&lt;br /&gt;- Me desculpa, Caio?&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom....s&amp;oacute; n&amp;atilde;o vamos mais falar nesse assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda abra&amp;ccedil;ou Caio e lhe deu um beijo, daqueles que eram a marca registrada do casal. Eles se conheciam muito bem. Caio percebeu o que ela estava pensando, sabia que ela estava muito excitada. Sabia, pela intensidade do beijo, pelo jeito como ela enfiara a l&amp;iacute;ngua em sua boca, em como ela o abra&amp;ccedil;ou e onde suas m&amp;atilde;os iam, nos lugares certos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espero que toda essa vontade n&amp;atilde;o seja por causa de um desconhecido...&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; disse pra n&amp;atilde;o falarmos mais nisso...mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; por causa do beijo de um estranho. Voc&amp;ecirc; tem camisinha?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o foi, &amp;eacute;? - falou Caio, entre um beijo e uma mordida - o que foi ent&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; muito bobo...mas eu te conto. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o percebeu como eu j&amp;aacute; n&amp;atilde;o queria briga assim que entramos no carro?&lt;br /&gt;- Notei sim...e da&amp;iacute;?&lt;br /&gt;- Foi como voc&amp;ecirc; me pegou pelo bra&amp;ccedil;o, pra gente sair do clube. Voc&amp;ecirc; sabe que eu fico maluca quando voc&amp;ecirc; se faz de bravinho.&lt;br /&gt;- Eu estava puto, n&amp;atilde;o bravinho.&lt;br /&gt;- Melhor ainda, amor. Tem camisinha ou n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- Tenho, claro...mas voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o acha melhor a gente...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o acho nada, Caio. Essa pel&amp;iacute;cula pro vidro foi muito cara para gente n&amp;atilde;o aproveita-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;A campainha toca na casa da Fernanda. Caio entra sem dar o beijo habitual na namorada. Ele parecia estar muito preocupado. N&amp;atilde;o se nota qual &amp;eacute; o estado de esp&amp;iacute;rito da Fernanda. Seu rosto n&amp;atilde;o demonstra nenhuma emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Caio n&amp;atilde;o demorou mais que cinco segundos para perceber isso, depois de v&amp;ecirc;-la. E isso s&amp;oacute; serviu para deix&amp;aacute;-lo ainda mais nervoso com toda a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi dessa vez Nanda? O que eu fiz? De onde voc&amp;ecirc; tirou essa id&amp;eacute;ia idiota de terminarmos?&lt;br /&gt;- Calma, Caio. Senta primeiro. N&amp;atilde;o vou conversar com voc&amp;ecirc; em p&amp;eacute; ou andando pela sala como um maluco.&lt;br /&gt;- Maluco?!? Ent&amp;atilde;o eu sou o maluco? Voc&amp;ecirc; aparece com essa novidade e eu sou o louco?&lt;br /&gt;- Senta que eu te explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A calma e a seguran&amp;ccedil;a da Fernanda realmente estavam tirando Caio do s&amp;eacute;rio. N&amp;atilde;o que ele n&amp;atilde;o estivesse acostumados com as sandices ocasionais da namorada, mas essa era a mais estapaf&amp;uacute;rdia de todas. E, pior, parecia ser a mais s&amp;eacute;ria.Caio sentia-se num dilema: queria que Fernanda acabasse logo com essa brincadeira - se &amp;eacute; que era mesmo uma brincadeira - mas estava curioso para ouvir a hist&amp;oacute;ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer beber alguma coisa? - Fernanda perguntou, com uma serenidade incompat&amp;iacute;vel com o momento.&lt;br /&gt;- Nanda, chega de palha&amp;ccedil;ada. Fala logo o que foi dessa vez.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom. Voc&amp;ecirc; lembra daquele dia em que faltou luz no clube? Foi ali...&lt;br /&gt;- Lembro, claro. Mas espero que isso n&amp;atilde;o tenha nada a ver com essa insanidade. Al&amp;eacute;m de fazer sei l&amp;aacute; quantos meses, se algu&amp;eacute;m tinha motivos para ficar irritado com aquele dia...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o tem nada a ver com quem tinha motivos. Voc&amp;ecirc; vai me deixar continuar, Caio?&lt;br /&gt;- Fala, Fernanda - respondeu, exaltado.&lt;br /&gt;- Naquele dia, eu estava muito doidona e acabei ficando com um carinha qualquer que me agarrou no escuro. &lt;br /&gt;- Eu sei, Fernanda. Mas eu pensei que essa hist&amp;oacute;ria j&amp;aacute; tinha...&lt;br /&gt;- Deixa eu falar, Caio. Naquele dia, eu n&amp;atilde;o contei tudo que aconteceu.&lt;br /&gt;- Ah...n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o. Eu n&amp;atilde;o "fiquei" apenas com o cara. Estava escuro, a luz demorou a voltar, o clima foi esquentando e...&lt;br /&gt;- Porra, Fernanda! N&amp;atilde;o vai me dizer que voc&amp;ecirc;...&lt;br /&gt;- Isso mesmo, Caio. Eu acabei transando com o cara.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o acredito no que estou ouvindo...&lt;br /&gt;- Mas foi...eu transei com o cara, ali, no pista de dan&amp;ccedil;a, encostada nas caixas de som.&lt;br /&gt;- Porra, Fernanda! - gritou Caio, se levantando - Como &amp;eacute; que voc&amp;ecirc; faz isso! &lt;br /&gt;- Eu fiz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio come&amp;ccedil;ou a andar em volta da sala. Sua cabe&amp;ccedil;a estourava. N&amp;atilde;o sabia o que fazer. Fernanda olhava para o ch&amp;atilde;o, em sil&amp;ecirc;ncio. Caio se senta novamente, ao lado da Fernanda e pega sua m&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, Nanda. Isso j&amp;aacute; faz um tempo. E mesmo que fizesse, eu n&amp;atilde;o terminaria com voc&amp;ecirc; por causa disso. Eu tamb&amp;eacute;m deixei de te contar uma coisa sobre aquela noite.&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; mesmo? - Fernanda disse, se virando para Caio, olhando-o nos olhos, com uma incr&amp;iacute;vel calma - e o que foi?&lt;br /&gt;- Eu demorei para te encontrar porque...eu tamb&amp;eacute;m fiquei com algu&amp;eacute;m naquela noite. E tamb&amp;eacute;m transei com ela no meio do blecaute, no banheiro do clube.&lt;br /&gt;- Mesmo? - Fernanda estava surpresa - e porque voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o me contou?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o quis te contar. Me desculpa. Aconteceu e eu me aproveitei quando voc&amp;ecirc; me contou antes. &lt;br /&gt;- Muito nobre da sua parte.&lt;br /&gt;- Pelo menos, eu n&amp;atilde;o fiz no meio da pista...&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; incr&amp;iacute;vel como voc&amp;ecirc; tem o dom de falar as maiores besteiras, nas piores horas - respondeu irritada.&lt;br /&gt;- Desculpa, Nanda. Mas veja os fatos. Quem est&amp;aacute; no erro sou eu. Eu que fui falso com voc&amp;ecirc;. Estamos quites no lance da transa. E n&amp;atilde;o temos mais motivos para terminar. N&amp;atilde;o por isso.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o por isso. Mas voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o me deixou terminar o que eu queria dizer. N&amp;atilde;o &amp;eacute; por uma transa casual que eu quero terminar com voc&amp;ecirc;. Eu j&amp;aacute; queria, antes de voc&amp;ecirc; me contar o que tinha feito.&lt;br /&gt;- O que voc&amp;ecirc; ainda tem pra me contar, Fernanda?&lt;br /&gt;- Eu fiquei gr&amp;aacute;vida nesse dia.&lt;br /&gt;- O que?!?! - Caio se levantou novamente.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; ouviu.&lt;br /&gt;- Gr&amp;aacute;vida?!?! Mas...quem te garante que n&amp;atilde;o &amp;eacute; meu? Transamos naquele dia tamb&amp;eacute;m! No carro, voc&amp;ecirc; se lembra.&lt;br /&gt;- Mas usamos camisinha, como sempre usamos. O &amp;uacute;nico cara com quem transei sem preservativo nos &amp;uacute;ltimos meses foi com o desconhecido.&lt;br /&gt;- Mas...mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio andava pela sala, nervoso, mas sem palavras. N&amp;atilde;o sabia o que dizer, nem como agir. Estava puto da vida, mas tinha a exata no&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que a gravidez foi um acidente. Pelo que ele sabia, poderia ter engravidado a mulher com quem tinha fodido na mesma noite. Sentia que o que estavam passando agora era uma prova para o casal. Ou um castigo divino pelas drogas que andavam consumindo. Os dois se mantiveram em sil&amp;ecirc;ncio por algum tempo, at&amp;eacute; que Caio resolveu falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nanda...eu sei que esse filho n&amp;atilde;o foi planejado. N&amp;atilde;o tenho motivos para terminar com voc&amp;ecirc;. N&amp;oacute;s resolveremos isso. Vamos numa cl&amp;iacute;nica, tiramos isso de voc&amp;ecirc;...&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; ainda n&amp;atilde;o entendeu nada, n&amp;atilde;o &amp;eacute; Caio. Eu n&amp;atilde;o vou fazer um aborto.&lt;br /&gt;- Mas...t&amp;aacute;, a gente conversa sobre isso mais tarde. Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; nervosa, eu entendo. O importante &amp;eacute; voc&amp;ecirc; saber que eu n&amp;atilde;o quero terminar por causa disso.&lt;br /&gt;- Mas voc&amp;ecirc; ou &amp;eacute; muito egoc&amp;ecirc;ntrico ou &amp;eacute; muito burro. Eu n&amp;atilde;o perguntei sua opini&amp;atilde;o sobre terminarmos ou n&amp;atilde;o. EU quero terminar com voc&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;- O que??? Do que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; falando?&lt;br /&gt;- Sei que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o tem motivos para terminar comigo. Eu &amp;eacute; que tenho meus motivos para terminar com voc&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora Fernanda tinha conseguido realmente surpreender Caio. Ele n&amp;atilde;o sabia o que pensar. S&amp;oacute; podia olhar para ela com uma cara estupefata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o terminei de contar tudo sobre aquela noite. Quando o cara me abra&amp;ccedil;ou, no meio do breu, eu ainda tinha d&amp;uacute;vidas se era ou n&amp;atilde;o voc&amp;ecirc;. Mas assim que ele me beijou, &amp;eacute; &amp;oacute;bvio que eu percebi que n&amp;atilde;o era meu namorado. &lt;br /&gt;- Mas e da&amp;iacute;! - explodiu Caio - Ainda n&amp;atilde;o vejo motivos para querer terminar com voc&amp;ecirc; e muito menos motivos para voc&amp;ecirc; querer o fim do namoro. Eu sabia que a mulher que eu beijei n&amp;atilde;o era voc&amp;ecirc; desde o come&amp;ccedil;o!&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o &amp;eacute; essa a quest&amp;atilde;o. A quest&amp;atilde;o &amp;eacute; que eu, mesmo sabendo que n&amp;atilde;o era voc&amp;ecirc;, eu continuei beijando o cara. Eu queria beij&amp;aacute;-lo, mesmo sabendo que estava te traindo. Eu quis dar para ele e dei.&lt;br /&gt;- Fernanda, meu amor - Caio se ajoelhou diante da Fernanda, tomando-lhe as m&amp;atilde;os - eu fiz a mesma coisa. Eu queria beijar aquela desconhecida, da mesma forma que voc&amp;ecirc;. N&amp;oacute;s dois erramos. Eu posso te perdoar, porque eu te amo. Eu perd&amp;ocirc;o at&amp;eacute; mesmo esse filho. Por que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o pode me perdoar?&lt;br /&gt;- Mas eu te perd&amp;ocirc;o, Caio. O problema &amp;eacute; que eu n&amp;atilde;o posso perdoar a mim.&lt;br /&gt;- Ahn?&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; isso. Eu poderia conviver facilmente com milhares de trai&amp;ccedil;&amp;otilde;es suas. Mas n&amp;atilde;o posso conviver com a minha trai&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Nenhuma sequer.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o pode estar falando s&amp;eacute;rio.&lt;br /&gt;- Estou sim, Caio. Eu tentei me enganar, desde aquela noite. Descobrir, hoje, que estou gr&amp;aacute;vida, me fez ver a realidade. Eu n&amp;atilde;o te amo mais. De outra forma, eu n&amp;atilde;o teria feito o que fiz.&lt;br /&gt;- Nanda, Nanda...voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; nervosa, soube que est&amp;aacute; esperando um filho n&amp;atilde;o planejado, de algu&amp;eacute;m que provavelmente nunca mais vai ver. Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; muito abalada para pensar direito. Amanh&amp;atilde;...&lt;br /&gt;- Amanh&amp;atilde;, Caio, n&amp;oacute;s n&amp;atilde;o teremos mais nada. E eu nunca pensei com tanta clareza em toda minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda segurava as m&amp;atilde;os da Fernanda quando viu, nos seus olhos, que a decis&amp;atilde;o dela estava tomada. Caio se levantou e saiu, sem olhar para tr&amp;aacute;s. Saiu compreendendo vagamente o que levou Fernanda a tomar essa decis&amp;atilde;o radical. E o que realmente o incomodava agora era n&amp;atilde;o saber se era essa vaga compreens&amp;atilde;o do ocorrido que o deixava mais arrasado ou a certeza de que ele nunca teria coragem para agir da mesma forma. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-109642694591825886?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/109642694591825886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=109642694591825886&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/109642694591825886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/109642694591825886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2004/09/o-blecaute-foram-precisos-alguns.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-108908385348067373</id><published>2004-07-06T00:17:00.000-03:00</published><updated>2004-07-06T02:13:55.386-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Tudo certo&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o saberia dizer, dentre todas as coisas inesperadas com que fora presenteado naquele dia, qual delas tinha sido pior. O despertador n&amp;atilde;o tocou, o chuveiro queimou, estava sem cigarros, a condu&amp;ccedil;&amp;atilde;o, um inferno. Isso tudo e ainda n&amp;atilde;o eram 10 da manh&amp;atilde;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou a bronca de praxe do chefe. "Atrasado de novo!" j&amp;aacute; era o seu bom dia fazia algumas semanas. Senta-se na mesa, pilhas de pap&amp;eacute;is, trabalho atrasado de dias, semanas, at&amp;eacute; meses. Olhares-reprimenda de todos os lados: companheiros(?) de trabalho, gerentes, sub-chefes e toda uma hierarquia do t&amp;eacute;dio, conspirando e tramando contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fodam-se todos!", era o que queria gritar. Resolveu tomar uma atitude. Foi at&amp;eacute; a copa beber um caf&amp;eacute;. Olhares-reprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o o acompanham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, queimou a m&amp;atilde;o na x&amp;iacute;cara muito quente e a l&amp;iacute;ngua no caf&amp;eacute; idem. Quando a temperatura da bebida ficou suport&amp;aacute;vel, notou que estava com pouco a&amp;ccedil;&amp;uacute;car. "Hoje est&amp;aacute; pior que o normal", pensou. E ainda faltava a pilha de pap&amp;eacute;is, o almo&amp;ccedil;o caro, a volta insuport&amp;aacute;vel para casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou o caf&amp;eacute; e foi lavar a x&amp;iacute;cara - estava cansado das broncas, exclusivas para ele, da servente do escrit&amp;oacute;rio - e num movimento descuidado, encostou a m&amp;atilde;o molhada no fio desencapado da cafeteira. Nunca ia imaginar que uma simples m&amp;atilde;o molhada e um peda&amp;ccedil;o microsc&amp;oacute;pico de fio sem capa pudesse causar tamanho tranco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou num lugar branco, rodeado por pessoas de branco. A claridade era tanta que teve dificuldades em abrir os olhos. Dera sorte: morreu e estava no c&amp;eacute;u. J&amp;aacute; estava imaginando que tudo mudaria quando sente uma m&amp;atilde;o pesada no ombro. Era o seu superior no escrit&amp;oacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que papel&amp;atilde;o, hein? Al&amp;eacute;m de matar todos de susto na reparti&amp;ccedil;&amp;atilde;o, voc&amp;ecirc; desmaia, quebra uma x&amp;iacute;cara, uma cafeteira e perde meio dia de trabalho. Saiba que tudo isso vai ser descontado no seu sal&amp;aacute;rio do m&amp;ecirc;s que vem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo que seu sonho de um para&amp;iacute;so n&amp;atilde;o era real, come&amp;ccedil;a a chorar, baixinho. O que faz seu chefe se compadecer dele, pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, rapaz, n&amp;atilde;o fique assim! Por que est&amp;aacute; chorando? Seja homem!!! Est&amp;aacute; tudo bem com voc&amp;ecirc;, eu sei. N&amp;atilde;o est&amp;aacute;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Est&amp;aacute; - respondeu, em meio a uma crise de solu&amp;ccedil;os - est&amp;aacute; tudo absolutamente certo. Certo, como sempre esteve...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-108908385348067373?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/108908385348067373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=108908385348067373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108908385348067373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108908385348067373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2004/07/tudo-certo-n-tudo-absolutamente-certo.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-108722703007553689</id><published>2004-06-14T12:30:00.000-03:00</published><updated>2004-06-14T12:30:30.076-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Cinza&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;para &lt;a href="http://useless.surtohype.com" target="_blank"&gt;Ginger&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O c&amp;eacute;u carregado que cobria sua cabe&amp;ccedil;a e da sua atual namorada o faziam lembrar dela. Ela gostava do cinza, dos dias nublados. Para ela, eram um convite a reflex&amp;atilde;o.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Mentira! Voc&amp;ecirc; gosta por causa daquela m&amp;uacute;sica!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Falou para irrit&amp;aacute;-la, dizendo que era por causa de "&lt;i&gt;Happy When it Rains&lt;/i&gt;", do Jesus &amp; Mary Chain. Ele gostava de implicar com a import&amp;acirc;ncia que ela dava ao rock. Ela n&amp;atilde;o admitia, mas tinha a no&amp;ccedil;&amp;atilde;o exata do quanto seu humor dependia de ouvir a can&amp;ccedil;&amp;atilde;o certa pela manh&amp;atilde; ou passar pela sua cabe&amp;ccedil;a um refr&amp;atilde;o que a alegrasse.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas agora, esse c&amp;eacute;u acinzentado - que nem era o mesmo para ele e para ela - s&amp;oacute; prenunciava a chuva e outra s&amp;eacute;rie de mem&amp;oacute;rias. Ele seguia calado, a cabe&amp;ccedil;a realmente nas nuvens e o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o longe daquela que agora levava pela m&amp;atilde;o.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Era o come&amp;ccedil;o de mais um domingo, sem que o s&amp;aacute;bado ainda tivesse realmente terminado. S&amp;oacute; depois de ir para casa e fazer um sexo mais por reflexo que por vontade, entupidos de &amp;aacute;lcool e "&lt;i&gt;outras cositas m&amp;aacute;s&lt;/i&gt;" que ambos estavam. A&amp;iacute; poderiam considerar o dia oficialmente terminado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;N&amp;atilde;o que com ela fosse diferente, mas &lt;b&gt;era&lt;/b&gt; diferente. Era com ela. Iam para o clube, bebiam, dan&amp;ccedil;avam, encontravam os amigos, ficavam loucos e, as vezes, davam vexame. N&amp;atilde;o brigavam, pelo contr&amp;aacute;rio: s&amp;oacute; depois de virarem amigos dos seguran&amp;ccedil;as acabou-se a amea&amp;ccedil;a constante de serem expulsos por &lt;i&gt;excessos de intimidade&lt;/i&gt; no meio da pista de dan&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Pega leve, menina...a gente faz em casa, aqui &amp;eacute; bandeira!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E como n&amp;atilde;o seria, entre 30, 40 pessoas espremidas na pequena pista? Mas estavam loucos de amor e &amp;aacute;cido e n&amp;atilde;o conseguiam se controlar. Sempre eram cutucados pelos seguran&amp;ccedil;as, que amigos, s&amp;oacute; pediam para maneirarem. Hoje, os clubes s&amp;atilde;o outros, como outra &amp;eacute; sua mulher. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais excessos. S&amp;oacute; h&amp;aacute; a lembran&amp;ccedil;a, toda vez que tocava alguma m&amp;uacute;sica que ela gostava.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele se divertia com sua atual namorada, mas depois de algumas doses e principalmente de algumas m&amp;uacute;sicas, costumava ficar quieto. A atual namorada notava que algo n&amp;atilde;o estava bem, via-o pensando, coisa anormal de se fazer no meio de tanto barulho e movimento. Repentinamente, falava que queria ir. A atual namorada perguntava se ele estava se sentindo mal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o &amp;eacute; nada. N&amp;atilde;o suporto Mazzy Star, s&amp;oacute; isso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No fim das contas, foi melhor sair daquele ambiente infestado de fuma&amp;ccedil;a e recorda&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Queria ar puro. Estava meio alto e se a garota que ele estava namorando agora come&amp;ccedil;asse a fazer perguntas, ia se irritar. Esperava que o nascer do sol, que devia estar pr&amp;oacute;ximo, iluminasse seu racioc&amp;iacute;nio. Ele s&amp;oacute; n&amp;atilde;o contava com o c&amp;eacute;u totalmente nublado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;-"&lt;I&gt;You were my sunny day rain/ You were the clouds in the sky/ You were the darkest sky/ But your lips spoke gold and honey&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;N&amp;atilde;o pode evitar o tom r&amp;iacute;spido quando sua atual namorada perguntou o que ele balbuciava. Tentou consertar a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, explicando com a voz mais delicada que podia fazer que era uma m&amp;uacute;sica sobre a chuva, condizente com o tempo que inesperadamente pegaram na sa&amp;iacute;da do clube. A atual namorada o abra&amp;ccedil;ou e ele retribuiu, mas, olhando para o c&amp;eacute;u, percebeu que esse abra&amp;ccedil;o foi mesmo para ela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Chegaram em casa antes da chuva. Falou com a atual namorada que estava cansado demais para tomar banho, que desmaiaria imediatamente. A namorada respondeu que ela n&amp;atilde;o deixaria que isso acontecesse, que iria tomar um banho e j&amp;aacute;, j&amp;aacute; estaria na cama com ele. Deu um beijo nele e saiu, sem imaginar que o gosto ruim na boca do namorado n&amp;atilde;o tinha nada a ver com as v&amp;aacute;rias bebidas que ele havia tomado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tirou os sapatos, a camisa e se jogou na cama. Era inevit&amp;aacute;vel, ainda pensava nela. Tentou imaginar - e conseguiu facilmente - como seria se ela estivesse aqui, no lugar da atual namorada: ele falaria que estava cansado, ela o beijaria, levaria ele pela m&amp;atilde;o at&amp;eacute; a cama, deitaria ele, colocaria uma m&amp;uacute;sica - dependendo do clima, poderia ser "&lt;i&gt;Just Like Honey&lt;/i&gt;" do Jesus ou alguma mais eletr&amp;ocirc;nica, como a banda Air - e ent&amp;atilde;o transariam, de v&amp;aacute;rias maneiras, tamb&amp;eacute;m dependendo do clima, mas esses eram muitos, e mudavam in&amp;uacute;meras vezes. Nessas situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, s&amp;oacute; uma coisa era rotina: era ela quem sempre dominava.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sua atual namorada apareceu de repente, sa&amp;iacute;da do banho, nua, secando os cabelos. Ele estava excitado, mas apesar da bela vis&amp;atilde;o &amp;agrave; sua frente, n&amp;atilde;o era por isso. Era por ela. Ela ainda o deixava de pau duro, e n&amp;atilde;o precisava estar presente para isso. Mesmo em outra cidade, outro estado, bastava que ela surgisse em sua mente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A vis&amp;atilde;o dele excitado fez sua atual namorada abrir um sorriso. N&amp;atilde;o foi direto para cama. Foi at&amp;eacute; o som e colocou um cd. Veio andando at&amp;eacute; a cama, com o controle remoto do som na m&amp;atilde;o. Deitou-se em cima dele e lhe deu um beijo. Sem parar de beija-lo, virou o controle em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao play. A m&amp;uacute;sica demorou uns segundos para come&amp;ccedil;ar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Era o disco da Maria Rita.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele se levantou e ficou sentado na cama. A atual namorada perguntou o que houve. Enquanto acendia o cigarro, respondeu que n&amp;atilde;o era nada, j&amp;aacute; tinha dito que estava cansado. A namorada abra&amp;ccedil;ou-o e beijou-lhe o pesco&amp;ccedil;o, falando que estava tudo bem, que se ele estava cansado, era s&amp;oacute; se deitarem. Ele saiu da cama, colocou a camisa e os sapatos novamente, e disse que precisava dar uma volta. A atual namorada protestou. Al&amp;eacute;m dele n&amp;atilde;o ter descansado nada, estava amea&amp;ccedil;ando um temporal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Eu gosto de chuva - foi o que disse, saindo do quarto e fechando a porta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na rua o vento era forte, mas eram tantas nuvens, em milhares de camadas sobrepostas, que n&amp;atilde;o espantava a chuva iminente. Ele estava com frio. Cruzou os bra&amp;ccedil;os, cigarro entre os dedos, e seguiu em frente, enquanto as primeiras gotas come&amp;ccedil;avam a cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha vontade de chorar. Sabia que n&amp;atilde;o era por causa da MPB na hora do sexo que ele tinha fugido do quarto daquela maneira. Gostava da sua atual namorada, mesmo sabendo que nunca deixaria de am&amp;aacute;-la. Ela estava entranhada em sua vida, como o cheiro de nicotina estava na camisa que usara no clube esta noite.&lt;br /&gt;A chuva agora era realmente chuva, apagou o cigarro dele e encharcou sua camisa. No meio da j&amp;aacute; quase tempestade, ele lembrou das raz&amp;otilde;es que ela deu para ir embora, da sua casa, da sua cidade, da sua vida. Ela disse que n&amp;atilde;o gostava muito de finais felizes, que n&amp;atilde;o tinham gra&amp;ccedil;a. Foi uma conversa dif&amp;iacute;cil que virou briga depois dela dizer que ainda o amava e que iria am&amp;aacute;-lo sempre. Isso ele n&amp;atilde;o podia ag&amp;uuml;entar. Se ela o amava ainda, n&amp;atilde;o aceitava que ela fosse. N&amp;atilde;o entendia o porque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque assim que &amp;eacute; a vida, porque &amp;eacute; melhor assim e principalmente porque eu quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da chuva, repetiu as &amp;uacute;ltimas palavras que ouviu dela. Aceitou a tormenta como um batizado para sua nova vida, sem ela e sem ilus&amp;otilde;es sobre ela. Assim &amp;eacute; a vida e ele aprendeu de uma forma dolorosa. E n&amp;atilde;o havia nada que ele pudesse fazer quanto a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele olhou o c&amp;eacute;u acinzentado com a certeza que nunca mais o veria com os mesmos olhos, com a mesa esperan&amp;ccedil;a amarga. Depois virou-se e fez o caminho de volta para casa, para aquela que seria sua atual realidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-108722703007553689?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/108722703007553689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=108722703007553689&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108722703007553689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108722703007553689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2004/06/cinza-para-ginger-o-ca-amarga.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-108672539425408209</id><published>2004-06-08T17:09:00.000-03:00</published><updated>2004-06-08T17:09:54.253-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h3&gt;O Ralo&lt;/h3&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Come&amp;ccedil;ou com uma lacraia, ainda filhote, saindo pelo ralo. Jorgina quase teve um ataque ao ver o sinuoso artr&amp;oacute;pode. Al&amp;eacute;m de detestar insetos, sempre tivera pavor de veneno de lacraia. Todo mundo sabe que uma picada do bicho traria no m&amp;aacute;ximo uma dor de cabe&amp;ccedil;a a mo&amp;ccedil;a, mas ela n&amp;atilde;o ligava para os argumentos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; - E se eu tiver uma alergia ao veneno e morrer? - perguntava, irritada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Jorgina matou a lacraia com o rodo que estava ao seu lado, escorado na parede. Foi mais por sorte, j&amp;aacute; que ela batia com os olhos fechados, sem a menor preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a mira. As pancadas do rodo foram acompanhadas por gritos estridentes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- &amp;Ocirc;, Jorgina!!! Vamos parar com essa gritaria, merda! &lt;br /&gt;- Tem uma lacraia no banheiro, pai!&lt;br /&gt;- E voc&amp;ecirc; t&amp;aacute; gritando por que? Quer deixar a bicha surda?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois de uma sess&amp;atilde;o de berros e rodadas no ch&amp;atilde;o, Jorgina abriu os olhos, devagar. Viu o cad&amp;aacute;ver da lacraria no ch&amp;atilde;o, estra&amp;ccedil;alhado. Pode ent&amp;atilde;o terminar seu banho. Mas n&amp;atilde;o conseguia tirar os olhos do corpo esmagado. A cara de nojo s&amp;oacute; foi desfeita depois de sair do banheiro. Foi direto &amp;agrave; cozinha reclamar com a m&amp;atilde;e.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- M&amp;atilde;e, algu&amp;eacute;m tem que dar um jeito naquele ralo!&lt;br /&gt;- Jorgina, n&amp;atilde;o me atormente, minha filha! Fala isso com teu pai.&lt;br /&gt;- Taca &amp;aacute;gua sanit&amp;aacute;ria naquele buraco maldito que resolve! - gritou o pai, da sala.&lt;br /&gt;- Isso resolve, m&amp;atilde;e?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o sei...Sei que se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o ficasse horas penteando esse cabelo no chuveiro, o ralo entupiria menos e as lacraias n&amp;atilde;o iriam precisar fugir do afogamento.&lt;br /&gt;- Tava demorando! A culpa &amp;eacute; sempre minha!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tendo sido responsabilizada pelo incidente, Jorgina resolveu parar de discutir. Foi at&amp;eacute; a &amp;aacute;rea pegar a &amp;aacute;gua sanit&amp;aacute;ria. Faria algo pr&amp;aacute;tico, ao inv&amp;eacute;s de ficar s&amp;oacute; reclamando com os pais. Parou diante do ralo, garrafa de &amp;aacute;gua sanit&amp;aacute;ria aberta, e foi derramando com cuidado e aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Se alguma coisa viva sa&amp;iacute;sse do buraco, incomodada com a &amp;aacute;gua diferente, ela estaria pronta para sair correndo. Sorte dela, nada aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte, "Seu" Manoel, pai de Jorgina, acorda as cinco da manh&amp;atilde; para o trabalho. Tem sua rotina programada h&amp;aacute; d&amp;eacute;cadas e detesta qualquer tipo de altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o nela. Todo dia &amp;eacute; assim: sai da cama, escova os dentes, faz a barba enquanto se banha, olhando-se no espelhinho pendurado na torneira do chuveiro, bebe uma x&amp;iacute;cara de caf&amp;eacute; com um peda&amp;ccedil;o de bolo de fub&amp;aacute;. Sai de casa para abrir sua venda levando a p&amp;aacute;gina de esportes debaixo do bra&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Seu" Manoel j&amp;aacute; tinha aberto chuveiro e provado a temperatura da &amp;aacute;gua com a m&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o estava ocupada com a toalha e o aparelho de barbear. P&amp;ocirc;s o aparelho no porta-sabonete e come&amp;ccedil;ou seu banho. Antes de sair debaixo da &amp;aacute;gua, come&amp;ccedil;ou a se barbear. Fez uma espessa espuma esfregando o sabonete nas m&amp;atilde;os e passou-a pelo rosto e pesco&amp;ccedil;o. Barbeava-se com esmero, n&amp;atilde;o queria que seus fregueses achassem que o dono da venda onde compravam comida n&amp;atilde;o tinha cuidado com a pr&amp;oacute;pria apar&amp;ecirc;ncia. &lt;br /&gt;Quando estava concentrado em seu reflexo no espelho, passando a l&amp;acirc;mina pela segunda pelo rosto, Manoel sentiu algo viscoso tocar seu p&amp;eacute;. Sua rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi imediata, misto de instinto e o reflexo. No pulo que deu, acabou cortando-se com a l&amp;acirc;mina. Mas n&amp;atilde;o reparou no corte ou no sangue que corria com a &amp;aacute;gua do chuveiro. A cobra que estava rastejando no box era dona total da sua aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- &amp;Ocirc; Matilde! Matilde!!!! Corre aqui, acuda! - gritou "seu" Manoel, se esgueirando pelas paredes do box, fugindo do r&amp;eacute;ptil. &lt;br /&gt;- Mas o que foi, homem de Deus! Que desespero &amp;eacute;....&lt;br /&gt;- Uma cobra saiu do ralo, mulher!!!&lt;br /&gt;- Uma o que?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dona Matilde correu para o banheiro. Vinha do interior e conhecia muito mais de cobras que seu marido, filho de imigrantes que sempre morou na cidade. Entendia o pavor do esposo. Mas chegando ao banheiro, viu que nada podia fazer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Manel, meu filho! A porta do banheiro t&amp;aacute; trancada! N&amp;atilde;o d&amp;aacute; pra eu entrar!&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus!!! Mas voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o consegue fazer nada sozinha, mulher!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dona Matilde n&amp;atilde;o respondeu. Ficou aflita com a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o onde n&amp;atilde;o podia fazer nada de imediato. Colou o ouvido na porta e ouviu os barulhos que o marido fazia. De repente, um estrondo: ao que parecia, Manuel tinha sa&amp;iacute;do do box. Ou melhor, pelo box.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas o barulho do vidro quebrado n&amp;atilde;o foi nada, se comparado com a cena a seguir. "Seu" Manuel abriu a porta do banheiro e se jogou por ela. Ele n&amp;atilde;o contava com a Dona Matilde colada com a cabe&amp;ccedil;a na porta. O esbarr&amp;atilde;o foi inevit&amp;aacute;vel. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi por pouco que dona Matilde n&amp;atilde;o teve um ataque card&amp;iacute;aco. N&amp;atilde;o sabendo ainda o que tinha havido dentro do banheiro, se v&amp;ecirc; jogada ao ch&amp;atilde;o, com o marido nu, com sangue e sab&amp;atilde;o no rosto todo. S&amp;oacute; o fato de ver o marido seu roupas - fazia tempo - assim, de repente, j&amp;aacute; seria algo totalmente inesperado. Mas o sangue realmente a assustou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Manel - gritou dona Matilde - fala comigo, homem! Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; bem?&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; louca? Eu estou do seu lado! N&amp;atilde;o precisa gritar no meu ouvido!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A grosseria t&amp;iacute;pica. Ele devia estar bem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Vai se vestir, Manoel - disse firme Matilde, se dirigindo ao banheiro.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute;...mas cuidado, mulher! Tem uma cobra enorme a&amp;iacute;...- respondeu seu esposo, com uma voz bem mais contida, quase envergonhada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dona Matilde entrou devagar no banheiro. Olhou para cada canto do banheiro e dentro da arma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do box semidestru&amp;iacute;do. "Seu" Manoel ia atr&amp;aacute;s, como um garotinho assustado, vendo a inspe&amp;ccedil;&amp;atilde;o da mulher por cima dos seus ombros. Ela entra no Box, se agacha, pega alguma coisa no ch&amp;atilde;o e se levanta, rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas era disso que voc&amp;ecirc; estava com medo, homem? N&amp;atilde;o tem vergonha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matilde segurava uma cobra cega, a maior que j&amp;aacute; tinha visto, mas inofensiva. "Seu" Manoel se encolheu quando a esposa aproximou o animal dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sai pra l&amp;aacute; com isso, Matilde! Pra voc&amp;ecirc; que &amp;eacute; do mato, &amp;eacute; f&amp;aacute;cil! Nunca uma cobra tinha se esfregado em  mim. E se ela me morde? Como eu ia saber se tinha veneno ou n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- Nem boca esse bicho tem, Manuel! N&amp;atilde;o seja frouxo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante desse argumento, Manuel se calou. N&amp;atilde;o tinha cara sequer para pedir para esposa parar de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que seja, que seja - falou "seu" Manoel - de qualquer forma, tenho mesmo que dar um jeito nesse ralo. Uma lacraia &amp;eacute; aceit&amp;aacute;vel que saia. Uma cobra j&amp;aacute; &amp;eacute; um exagero. No s&amp;aacute;bado eu vou dar uma olhada nesses canos.&lt;br /&gt;- S&amp;oacute; no s&amp;aacute;bado? E se sair outro bicho quando EU tomar meu banho, Manel?&lt;br /&gt;- U&amp;eacute;? Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; a senhora que entende tudo de bicho selvagem? Se vire com suas cobras e lagartos at&amp;eacute; eu consertar isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel se virou sem dar maiores satisfa&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;agrave; dona Matilde. Com o marido de costas, ela n&amp;atilde;o pode ver o sorrisinho de triunfo que ele ostentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;Jorgina chegou da rua &amp;agrave; tarde. Foi recebida pela m&amp;atilde;e, esbaforida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde voc&amp;ecirc; andou, menina! S&amp;atilde;o quatro da tarde!&lt;br /&gt;- U&amp;eacute;, m&amp;atilde;e! Eu sempre chego &amp;agrave;s 3:30...o &amp;ocirc;nibus s&amp;oacute; demorou um pouco. Que foi que aconteceu?&lt;br /&gt;- Eu precisando tomar um banho e nada de voc&amp;ecirc; chegar!&lt;br /&gt;- E eu com seu banho?&lt;br /&gt;- Olha a boca, menina!&lt;br /&gt;- Desculpe, m&amp;atilde;e...n&amp;atilde;o quis ser grossa. S&amp;oacute; quero saber porque voc&amp;ecirc; teve que me esperar para ir pro chuveiro.&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; que eu n&amp;atilde;o estou confiando nesse ralo do banheiro. Hoje seu pai destruiu o box porque saiu uma cobra dele.&lt;br /&gt;- Uma cobra?!? Meu Deus!&lt;br /&gt;- Uma cobrinha &amp;agrave; toa, n&amp;atilde;o precisa entrar em choque, Jorgina. &lt;br /&gt;- M&amp;atilde;e, eu tenho medo de lacraia...Imagina o que aconteceria comigo se eu visse uma cobra no banheiro.&lt;br /&gt;- Deixa de frescura, garota. Estava esperando voc&amp;ecirc; chegar porque vou tomar banho com a porta aberta. Se eu te chamar, j&amp;aacute; entra levando um peda&amp;ccedil;o de madeira para qualquer eventualidade.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom m&amp;atilde;e....Eu levo uma madeira para VOC&amp;Ecirc; resolver qualquer eventualidade. Eu n&amp;atilde;o vou esmagar uma cobra com um pau...&lt;br /&gt;- Mas &amp;eacute; t&amp;atilde;o cagona quanto o pai! T&amp;aacute; bom, garota. S&amp;oacute; presta aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o se eu te chamar, t&amp;aacute;?&lt;br /&gt;- T&amp;aacute;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Matilde entrou no banheiro, toalha no ombro. Colocou-a sobre a arma&amp;ccedil;&amp;atilde;o agora desvidra&amp;ccedil;ada do box e abriu o chuveiro. Mantinha o olhar fixo no ralo. N&amp;atilde;o tinha medo do que quer que pudesse sair de l&amp;aacute;, s&amp;oacute; n&amp;atilde;o queria ser pega de surpresa. Estava quase terminando sua limpeza, s&amp;oacute; faltava enxaguar os cabelos, que estavam cheios de xampu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espuma caiu-lhe sobre os olhos. A ard&amp;ecirc;ncia fez dona Matilde fechar os olhos com for&amp;ccedil;a. Estava esfregando o rosto quando sentiu um vento passando pelas suas pernas, seguido de um ru&amp;iacute;do de...seriam asas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse uma lacraia ou uma cobra, Matilde saberia como reagir. Mas quando ela, ao abrir os olhos, se deparou com uma d&amp;uacute;zia de morcegos voando &amp;agrave; sua volta, n&amp;atilde;o soube o que fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- AAAAAAHHHHHH!&lt;br /&gt;- M&amp;atilde;e??? O que foi?!?! - gritou Jorgina.&lt;br /&gt;- Venha c&amp;aacute;! DEPRESSA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorgina voou pelos c&amp;ocirc;modos da casa at&amp;eacute; chegar ao banheiro. Como a porta n&amp;atilde;o estava trancada, foi entrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jorgina? &amp;Eacute; voc&amp;ecirc; - falou a m&amp;atilde;e, sem poder v&amp;ecirc;-la, com a cabe&amp;ccedil;a coberta com os bra&amp;ccedil;os.&lt;br /&gt;- AAAAAHHHHH!&lt;br /&gt;- JORGINA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Matilde ouviu os passos acelerados da filha se afastando. Pensou na hora o que seria dela se dependesse da filha para estar viva. Criou coragem, tateou as paredes atr&amp;aacute;s do rodo, at&amp;eacute; encontr&amp;aacute;-lo. Saiu do banheiro nua e encharcada, distribu&amp;iacute;do pauladas no ar com o cabo do rodo. Caiu no ch&amp;atilde;o da cozinha, esbaforida. Tinha acabado de se enrolar com a toalha que cobria a mesa quando surge a filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jorgina, sua retardada! Onde voc&amp;ecirc; se meteu quando eu precisei da sua ajuda no banheiro!!!&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o viu o bando de morcegos que tinha l&amp;aacute;?&lt;br /&gt;- CLARO QUE EU VI, sua burra!!! E pra que voc&amp;ecirc; acha que te chamei, mula?????&lt;br /&gt;- Pra que?&lt;br /&gt;- PRA VOC&amp;Ecirc; ME AJUDAR A TIR&amp;Aacute;-LOS DE L&amp;Aacute;. CARAMBA!&lt;br /&gt;- Mas m&amp;atilde;e....Se eu tenho medo de lacraia, imagina o que eu senti quando vi aquele monte de rato voador no banheiro!&lt;br /&gt;- Mas &amp;eacute; uma imprest&amp;aacute;vel mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discuss&amp;atilde;o terminou com o segundo barulho de vidros se quebrando no banheiro. M&amp;atilde;e e filha correram at&amp;eacute; o banheiro para ver o que tinha acontecido. Os morcegos tinham sumido, junto com o vidro que vedava o basculante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primeiro eles saem por um buraco de onde mal sai uma cobra. Depois quebram um vidro que se eu socasse, s&amp;oacute; machucaria minha m&amp;atilde;o. Essa hist&amp;oacute;ria est&amp;aacute; ficando muito estranha, minha filha. - disse dona Matilde, preocupada.&lt;br /&gt;- Ser&amp;aacute; que se a gente tacar a tal da &amp;aacute;gua sanit&amp;aacute;ria que papai falou, da jeito? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Matilde olhou para Jorgina com pena. "Como &amp;eacute; burra!", pensou sobre a filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;- Manel, voc&amp;ecirc; TEM que dar um jeito nesse ralo agora! N&amp;atilde;o me interessa que sejam 7 da noite ou 4 da madrugada. Eu n&amp;atilde;o vou mais me arriscar a entrar nesse banheiro e ser atacada por um bicho selvagem.&lt;br /&gt;- Mas Matilde..eu acabei de chegar do trabalho, estou cansado e voc&amp;ecirc; nem vai mais tomar banho hoje, vai?&lt;br /&gt;- Manel, eu n&amp;atilde;o quero saber! D&amp;ecirc; um jeito nisso, agora! N&amp;atilde;o quero ter que colocar um fiscal do IBAMA de plant&amp;atilde;o aqui em casa.&lt;br /&gt;- Mas, Matilde, meu amor...veja bem...&lt;br /&gt;- Eu estou vendo bem, Manel. Estou vendo que na hora que voc&amp;ecirc; for ler seu livro enquanto caga depois da janta, uma cobra vai subir pela privada e...&lt;br /&gt;- T&amp;aacute;, t&amp;aacute;, t&amp;aacute; bom! N&amp;atilde;o precisa ser grosseira nem imaginar uma desgra&amp;ccedil;a dessas! Eu vou dar uma olhada nesse cano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorgina percebeu o sorriso vitorioso no rosto da m&amp;atilde;e. Viu tamb&amp;eacute;m a cara de descontente do pai, por isso nem perguntou se ele ira querer a garrafa de &amp;aacute;gua sanit&amp;aacute;ria. "Seu" Manoel voltou visivelmente irritado do quintal, trazendo a caixa de ferramentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu s&amp;oacute; n&amp;atilde;o quero nenhuma reclama&amp;ccedil;&amp;atilde;o se eu tiver que quebrar o ch&amp;atilde;o do banheiro todo. E se o barulho que eu fizer incomodar a novelinha de voc&amp;ecirc;s, azar. Ouviram?&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom, Manel. Resolve logo esse tro&amp;ccedil;o e depois vem comer que o jantar t&amp;aacute; quase pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seu" Manoel entrou bufando no banheiro, batendo a porta. Ao contr&amp;aacute;rio das amea&amp;ccedil;as feitas por ele, o banheiro manteve-se silencioso por uns bons 15 minutos. Jorgina via a novela sem interrup&amp;ccedil;&amp;otilde;es e dona Matilde fritava um peixe para o jantar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a quietude foi subitamente substitu&amp;iacute;da por um rugido e um grito horr&amp;iacute;vel. A voz era do "seu" Manoel, mas o rugido foi inidentific&amp;aacute;vel pelas mulheres. Correram at&amp;eacute; o banheiro, mas n&amp;atilde;o conseguiram abrir a porta: por algum motivo inexplic&amp;aacute;vel, Manoel havia trancado a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gritos continuavam e eram cada vez mais horr&amp;iacute;veis. Jorgina e dona Matilde jogavam o corpo contra a porta, usando toda a for&amp;ccedil;a que tinham. O desespero de ambas ia aumentando, conforme os gritos iam se tornando menos intensos. Antes de ambas darem o golpe definitivo na porta, elas ouviram o ru&amp;iacute;do de algo se quebrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presenciaram um cena surreal, assim que arrombaram a porta e entraram. Manoel estava estendido no ch&amp;atilde;o, esquartejado, com partes de sua anatomia mastigadas e espalhadas por todo ch&amp;atilde;o. Sua caixa de ferramentas estava jogada ao seu lado, completamente vazia. Onde deveria estar o ralo, um buraco com quase meio metro de di&amp;acirc;metro. O que os morcegos havia deixado do basculante n&amp;atilde;o existia mais, tinha sido destru&amp;iacute;do por o que quer que tenha passado por ali. Pelas pegadas nos azulejos e pelo estrago feito na parede, era um bicho bem forte. Um tigre, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas mulheres se abaixaram diante do cad&amp;aacute;ver estra&amp;ccedil;alhado do pai/marido. Estavam ainda chorando, em choque, sem saber o que fazer quando, sorrateiramente, surge um par de m&amp;atilde;os vindas da cratera onde ficava o ralo. Uma das m&amp;atilde;os segurava uma chave inglesa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-108672539425408209?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/108672539425408209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=108672539425408209&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108672539425408209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108672539425408209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2004/06/o-ralo-comeos-segurava-uma-chave.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-108514610516913045</id><published>2004-05-21T10:28:00.000-03:00</published><updated>2004-05-21T10:28:25.170-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;O Escritor Arrependido&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;O velho homem lava suas cal&amp;ccedil;as em plena Presidente Vargas, de manh&amp;atilde;. Com esmero, passa o sab&amp;atilde;o pelo quase farrapo, dando especial aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos fundilhos da pe&amp;ccedil;a. Est&amp;aacute; sol, e apesar de ser inusitado varal, a cal&amp;ccedil;ada da movimenta avenida &amp;eacute; perfeita para que sua roupa seque&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o ag&amp;uuml;ento mais, Andr&amp;eacute;. Nunca fui um sujeito obsessivo. Acho rid&amp;iacute;culo isso, at&amp;eacute; esteticamente falando.&lt;br /&gt;- Chico, voc&amp;ecirc; tem que relaxar. Tente olhar as coisas sem esse tipo de obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Isso passa! Interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; um exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro de Andr&amp;eacute; passa sem pressa pela Av. Presidente Vargas, em parte por conta do tr&amp;acirc;nsito, em parte porque ele precisa prestar aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o s&amp;oacute; ao tr&amp;acirc;nsito, mas ao que diz Francisco. Depois do seu amigo ter conseguido se tornar o que sempre quis - um escritor respeitado - ele resolveu aparecer com manias estranhas. Segundo o Chic&amp;atilde;o, como era conhecido desde a inf&amp;acirc;ncia por Andr&amp;eacute;, ele n&amp;atilde;o conseguia mais pensar de forma normal. Tudo o que ele presenciava se tornava cena liter&amp;aacute;ria. Era como se a realidade &amp;agrave; sua volta n&amp;atilde;o passasse de uma obra, escrita por algum ser superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, pra alguns religiosos mais po&amp;eacute;ticos, &amp;eacute; isso mesmo. Deus escreve certo...&lt;br /&gt;- Porra, Andr&amp;eacute;, n&amp;atilde;o brinca com isso! Estou ficando maluco com essa hist&amp;oacute;ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Os garotos correm pela avenida, com suas caixas de engraxate. A depor contra eles, sua cor e o preconceito j&amp;aacute; estabelecido e velado: '&lt;/i&gt;preto correndo? Devem ter aprontado alguma!&lt;i&gt;'. O erro das crian&amp;ccedil;as foi ter passado na frente de um guarda&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foi agora, Chic&amp;atilde;o? - pergunta Andr&amp;eacute;, vendo o amigo abaixar a cabe&amp;ccedil;a e fechar os olhos com for&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o paro de pensar desse jeito! Tudo que eu vejo vira livro!&lt;br /&gt;- Porra, Chico, e n&amp;atilde;o foi sempre assim? N&amp;atilde;o &amp;eacute; isso que te distingue dos n&amp;atilde;o escritores? N&amp;atilde;o &amp;eacute; esse o seu dom?&lt;br /&gt;- Claro que n&amp;atilde;o! Voc&amp;ecirc; acha que Machado de Assis pensava em prosa? Ou que E&amp;ccedil;a de Queiroz n&amp;atilde;o pensava coisas corriqueiras de vez em quando? At&amp;eacute; essa nossa conversa j&amp;aacute; virou palavra escrita, Andr&amp;eacute;.&lt;br /&gt;- Jura? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;O que o amigo n&amp;atilde;o entendia &amp;eacute; que isso era um comportamento obsessivo, o que n&amp;atilde;o condizia com sua mente anal&amp;iacute;tica. Ele sempre trouxe seus pensamentos em r&amp;eacute;dea curta e agora parecia que ele estava precisando doma-los.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; engra&amp;ccedil;ado, Andr&amp;eacute;.&lt;br /&gt;- Para de dramatizar, Chic&amp;atilde;o! &amp;Eacute; por isso que viviam te chamando de viado quando era moleque.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o era por isso. Era porque eu n&amp;atilde;o participava das brincadeiras est&amp;uacute;pidas da turma.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andr&amp;eacute; entra na Rio Branco e repara que o problema do Chico &amp;eacute; mais grave do que ele imaginava. Pelo menos para seu amigo, que parece estar levando essa quest&amp;atilde;o muito a s&amp;eacute;rio. Ele percebe a cara triste do Chic&amp;atilde;o olhando pela janela, as vezes mantendo o olhar em alguma pessoa em particular, virando o pesco&amp;ccedil;o para ver a cena at&amp;eacute; onde o andar do carro permitisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;A velhinha subiu com dificuldade no &amp;ocirc;nibus, apesar da ajuda do menino que pode ser seu neto, talvez bisneto. A caixa na m&amp;atilde;o do moleque denuncia: s&amp;atilde;o pedintes e v&amp;atilde;o explicar para as pessoas de classe m&amp;eacute;dia que se dirigem para suas casas confort&amp;aacute;veis na Zona Sul que &amp;eacute; melhor pedir do que roubar&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me fala Chic&amp;atilde;o, s&amp;eacute;rio dessa vez. E n&amp;atilde;o foi sempre assim? Voc&amp;ecirc; desde crian&amp;ccedil;a tem essas...vis&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;- Mas n&amp;atilde;o eram t&amp;atilde;o recorrentes. Eu tamb&amp;eacute;m acredito que isso possa ser uma das coisas que me fazem um escritor. N&amp;atilde;o chegaria a chamar de dom, mas apenas uma forma diferente de ver o mundo. Acontece que agora eu s&amp;oacute; tenho esse ponto de vista. Pra mim, uma banca de jornais n&amp;atilde;o &amp;eacute; apenas uma banca de jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt; S&amp;oacute; Deus sabe o quanto Batista lutou para conseguir comprar sua banca. Anos e anos acordando &amp;agrave;s tr&amp;ecirc;s da manh&amp;atilde; para organizar os cadernos dos jornais, aprendendo a rotina da profiss&amp;atilde;o...&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acorda, Chico! - gritou Andr&amp;eacute;, balan&amp;ccedil;ando o amigo - Sem devaneios, porra!&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; esse o problema, Andr&amp;eacute;!!! Eu tenho vivido em devaneio! Eu n&amp;atilde;o raciocino mais, eu crio met&amp;aacute;foras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andr&amp;eacute; ficou quieto um momento, pensando no que Chico tinha acabado de dizer. Se estava nesse p&amp;eacute;, a coisa toda realmente n&amp;atilde;o era t&amp;atilde;o simples como ele imaginava. Ser&amp;aacute; que o amigo precisava de algum tipo de tratamento? Seria isso uma doen&amp;ccedil;a? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o quero mais isso, Andr&amp;eacute;. N&amp;atilde;o quero mais olhar a vida e pensar em escrev&amp;ecirc;-la. Ia dar um livro muito extenso, e eu n&amp;atilde;o gosto de escrever muito, voc&amp;ecirc; sabe. - disse Chic&amp;atilde;o, com um sorriso triste.&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; bom te ver sorrindo.&lt;br /&gt;- V&amp;aacute; se desacostumando com isso, Andr&amp;eacute;. N&amp;atilde;o que eu v&amp;aacute; parar de sorrir. Eu n&amp;atilde;o quero mais ser o relator das pequenas mis&amp;eacute;rias cotidianas. N&amp;atilde;o quero mais ser o escriba que tira algo bonito desse cotidiano decr&amp;eacute;pito...&lt;br /&gt;- Chic&amp;atilde;o, voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; me assustando. E usando adjetivos incomuns para as palavras...N&amp;atilde;o gosto disso.&lt;br /&gt;- Calma, Andr&amp;eacute; - falou Chico, rindo - No m&amp;iacute;nimo voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; pensando que vou me matar.&lt;br /&gt;- Claro! Voc&amp;ecirc; tem essa mania de ser dram&amp;aacute;tico. Sempre te chamaram de viadinho por causa disso.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o era por isso, caralho...mas isso n&amp;atilde;o importa. Eu n&amp;atilde;o vou me matar, seu idiota. Eu tenho cara de quem se mata?&lt;br /&gt;- Tem raz&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o tem mesmo. &amp;Eacute; muito gay pra isso - respondeu Andr&amp;eacute;, rindo.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom, humorista. A&amp;iacute;, chegamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andr&amp;eacute; para o carro em frente ao pr&amp;eacute;dio do Chico, na Gl&amp;oacute;ria. Chico desce e da a volta no carro, para falar com o amigo. Estende a m&amp;atilde;o para o aperto.&lt;br /&gt;- Se cuide Andr&amp;eacute;.&lt;br /&gt;- Ih....Para com isso, Chico. Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; me deixando preocupado. N&amp;atilde;o v&amp;aacute; fazer nenhuma loucura, porra.&lt;br /&gt;- Claro que n&amp;atilde;o Andr&amp;eacute;, n&amp;atilde;o seja est&amp;uacute;pido.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute;. Bom...deixe de ser viadinho. Depois a gente se v&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute;. At&amp;eacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;O carro parte com uma das poucas coisas que o escritor arrependido vai sentir falta, que s&amp;atilde;o suas amizades. O escritor pega as chaves de casa no bolso, abre a portaria do modesto pr&amp;eacute;dio, sem porteiro. Pega o elevador, sobe at&amp;eacute; o s&amp;eacute;timo, sai do elevador e entra no 701. "&lt;/i&gt;Reclus&amp;atilde;o!&lt;i&gt;" pensa o escritor, antes de fechar a porta atr&amp;aacute;s de si e tentar imaginar essa nova fase como um recome&amp;ccedil;o.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-108514610516913045?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/108514610516913045/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=108514610516913045&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108514610516913045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108514610516913045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2004/05/o-escritor-arrependido-o-velho-homem.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-108301029964577468</id><published>2004-04-26T17:11:00.000-03:00</published><updated>2004-05-01T21:37:19.546-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;A Amarelinha&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Amarelinha?!? Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; falando s&amp;eacute;rio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior &amp;eacute; que Mateus falava. E ao reparar nisso, Fernanda n&amp;atilde;o conseguia esbo&amp;ccedil;ar uma palavra. S&amp;oacute; conseguia manter, sem o menor esfor&amp;ccedil;o, sua cara incr&amp;eacute;dula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso mesmo. Vamos decidir nosso futuro brincando de amarelinha. Nossos desentendimentos s&amp;atilde;o t&amp;atilde;o surreais que s&amp;oacute; uma solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o s&amp;oacute; pode surgir de uma decis&amp;atilde;o louca. Ou n&amp;oacute;s chegamos no c&amp;eacute;u e ficamos juntos ou seguimos caminhos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda continuou muda, olhando estupefata para Mateus. Esses acessos de infantilidade que beiravam a insanidade eram um dos motivos das suas constantes rusgas. Segurou o acesso de raiva que estava prestes a ter e resolveu ver at&amp;eacute; onde ia mais essa demonstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de irracionalidade do marido. Ou ela fazia isso ou partiria para agress&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como vamos fazer isso? - falou Fernanda, com a voz mais calma que pode.&lt;br /&gt;- F&amp;aacute;cil. N&amp;oacute;s dois vamos jogar. Se algum dos dois conseguir chegar at&amp;eacute; o c&amp;eacute;u, esqueceremos nossos desentendimentos e viveremos felizes para sempre. Com n&amp;oacute;s dois jogando, teremos o dobro de chances de continuarmos juntos.&lt;br /&gt;- E se n&amp;oacute;s dois perdermos?&lt;br /&gt;- A&amp;iacute; &amp;eacute; o destino: nos separamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o caso de se pensar se, depois de uma id&amp;eacute;ia esdr&amp;uacute;xula dessas, valia a pena continuar com Mateus. Colocar tr&amp;ecirc;s anos de casamento em jogo dessa forma s&amp;oacute; podia significar duas coisas: um descaso total com o relacionamento ou uma doen&amp;ccedil;a cerebral cr&amp;ocirc;nica. Fernanda observava o marido fazendo a amarelinha no ch&amp;atilde;o de barro irregular e n&amp;atilde;o sabia se chorava ou se gargalhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja, Nanda. Estou fazendo um c&amp;eacute;u beeeeem grande pra gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu ver at&amp;eacute; onde ia a loucura de Mateus. Vendo-o agachado no ch&amp;atilde;o, riscando o ch&amp;atilde;o com um caco de telha, chegou a achar a hist&amp;oacute;ria &lt;i&gt;bonitinha&lt;/i&gt;. Esse pensamento n&amp;atilde;o durou mais que dez segundos. Terminado o desenho, Mateus se levanta e oferece uma pedra para Fernanda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer come&amp;ccedil;ar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda toma a pedra das m&amp;atilde;os do marido e, sem olhar para Mateus, se posiciona na frente do desenho da amarelinha. Ela quase n&amp;atilde;o acredita que est&amp;aacute; tomando parte dessa hist&amp;oacute;ria. Se pergunta o que diriam sua m&amp;atilde;e e suas amigas se visse a cena. Ela fecha o olho e joga a pedra. Ela quica no ch&amp;atilde;o e quase sai do primeiro quadrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cuidado! Jogando assim parece que voc&amp;ecirc; quer que terminemos mesmo. - falou Mateus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda olhou para tr&amp;aacute;s, com &amp;oacute;dio indisfar&amp;ccedil;ado. Sem responder ao coment&amp;aacute;rio do esposo, ela pula o quadrado onde est&amp;aacute; sua pedra e segue numa perna s&amp;oacute;, como mandam as regras do jogo. Completa a volta e apanha a pedra do ch&amp;atilde;o, sem falhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus bate palmas, que s&amp;atilde;o retribu&amp;iacute;das pela Fernanda com um sorriso sarc&amp;aacute;stico. Ela s&amp;oacute; ficava imaginando at&amp;eacute; onde iria isso tudo. Ser&amp;aacute; que Mateus achava que, finda a brincadeira sem falhas, os problemas deles desapareceriam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogou a pedra no segundo quadrado e fez o percurso sem problemas. Achou que teria mais dificuldades. H&amp;aacute; quanto tempo n&amp;atilde;o brincava de amarelinha? 15, 20 anos? Quando tirou a pedra do terceiro quadrado, viu que ainda estava afiada. Jogou a pedra no primeiro dos quadrados duplos e foi a sua busca. Estava chegando nela quando Mateus grita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Epa! Errou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela n&amp;atilde;o entendeu. Permaneceu parada, olhando para o marido, esperando explica&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Onde errara? E quem era ele para achar uma falha dela em um jogo que ela jogou muito mais vezes? Ela era uma menina, diabos! Nenhum menino pode corrigir uma menina num jogo de amarelinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando voc&amp;ecirc; pegou a pedra, era pra continuar num p&amp;eacute; s&amp;oacute;! Voc&amp;ecirc; abaixou o p&amp;eacute; na casa do lado! Voc&amp;ecirc; errou Nanda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha raz&amp;atilde;o. Na hora, Fernanda n&amp;atilde;o sabia se estava mais irritada com o erro numa brincadeira que ela estava cansada de saber ou se pela felicidade de Mateus denunciando seu erro, mesmo que isso tenha reduzido &amp;agrave; metade a chance deles permanecerem juntos. E a metade que ficou era a mais fraca, com certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu de cima da amarelinha mais irritada do que entrou. Chegou a pensar que perder o marido n&amp;atilde;o era nada, comparado a perder o amor pr&amp;oacute;prio, por ter sido corrigida no seu jogo. Antes disso tudo, perdeu a paci&amp;ecirc;ncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chega, Mateus. Vamos como adultos, uma vez na vida.&lt;br /&gt;- Calma, Nanda. &amp;Eacute; a minha vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus foi para frente do desenho no ch&amp;atilde;o e jogou a pedra. Sem problemas. Ele fez o percurso sob o olhar de reprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da mulher, visivelmente fula da vida, por&amp;eacute;m calada. No segundo e no terceiro quadrados, a mesma efici&amp;ecirc;ncia. Vendo o marido jogar, a raiva pela futilidade da disputa virou despeito, por v&amp;ecirc;-lo sair-se melhor que ela. Quando Mateus passou inc&amp;oacute;lume pelo peda&amp;ccedil;o onde ela humilhantemente tinha falhado, j&amp;aacute; n&amp;atilde;o havia mais o ci&amp;uacute;me pelo seu desempenho: ela estava torcendo por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Mateus seguia, firme em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao c&amp;eacute;u da amarelinha, que na sua mente distorcida, significava uma nova fase no relacionamento dele com Fernanda. Quando jogou a pedra na casa mais distante do desenho, o pr&amp;oacute;prio c&amp;eacute;u, ela ricocheteou e quase saiu do desenho. Mateus ouviu claramente o suspiro de al&amp;iacute;vio de Fernanda, mas n&amp;atilde;o deixou que ela notasse. Seguiu em frente. Foi numa perna s&amp;oacute; para o primeiro, segundo e terceiro quadrados. Fincou decidido os dois p&amp;eacute;s nas casas juntas e seguiu, corretamente, num p&amp;eacute; s&amp;oacute;, para a pr&amp;oacute;xima casa. Mais duas casas juntas, feitas perfeitamente. Faltava agora um quadrado antes do c&amp;eacute;u.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus parou um momento, respirou fundo e olhou para Fernanda, que n&amp;atilde;o conseguia mais disfar&amp;ccedil;ar a torcida. Pulou, num p&amp;eacute; s&amp;oacute; a casa que faltava. Perdeu o equil&amp;iacute;brio por um momento. Com o susto, Fernanda soltou um grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cuidado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda bambeou mais um pouco, mas conseguiu se fixar. Deu um salto para cair com os dois p&amp;eacute;s no c&amp;eacute;u e, pelo menos para ele, numa nova fase do casamento. Ele deu um pulo de felicidade e correu ao encontro da Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu? Eu consegui!&lt;br /&gt;- Retardado... - falou Fernanda, abra&amp;ccedil;ando-o e dando-lhe um beijo.&lt;br /&gt;- Agora vai dar tudo certo entre n&amp;oacute;s! E nem vem que eu vi voc&amp;ecirc; torcendo por mim...&lt;br /&gt;- Pois &amp;eacute;. Acho que sua doen&amp;ccedil;a mental &amp;eacute; contagiosa.- Fernanda respondeu, rindo.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o reclama. Essa sua torcida n&amp;atilde;o era pelo meu sucesso no jogo, e sim pelo nosso sucesso.&lt;br /&gt;- Isso mesmo...&lt;br /&gt;- Ent&amp;atilde;o, por uns momentos, voc&amp;ecirc; acreditou na minha solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mesmo ela sendo meio louca.&lt;br /&gt;- Meio &amp;eacute; pouco...&lt;br /&gt;- Ent&amp;atilde;o. Essa foi a prova! Ainda acreditamos em n&amp;oacute;s juntos. N&amp;atilde;o interessa que o meio tenha sido um jogo de amarelinha.&lt;br /&gt;- Hmmm... Pode ser. Quem sabe se nessa sua mente alucinada n&amp;atilde;o existe uma l&amp;oacute;gica, ainda que distorcida?&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; o que dizem: &lt;i&gt;o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem raz&amp;otilde;es...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- Olha: me chame prum jogo da velha pra resolver nossas diferen&amp;ccedil;as, mas n&amp;atilde;o me venha com um chav&amp;atilde;o desses. - disse Fernanda, cortando a frase dele.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom, t&amp;aacute; bom...Eu fa&amp;ccedil;o o que voc&amp;ecirc; quiser agora. Acha que eu sou louco de te contrariar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-108301029964577468?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/108301029964577468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=108301029964577468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108301029964577468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/108301029964577468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2004/04/amarelinha-amarelinha-voc-quiser-agora.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107929775720209025</id><published>2004-03-14T17:55:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.764-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= &amp;#8220;justify&amp;#8221;&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;O vestido azul&lt;/h4&gt; &amp;#8211;&lt;i&gt; para &lt;a href="http://useless.surtohype.com/" target="_blank"&gt;Ginger&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei Martin, depois de semanas sem que desse as caras, apenas quando fui ao seu apartamento. Ele demorou v&amp;aacute;rios minutos para abrir a porta, mesmo eu tendo tocado a campainha in&amp;uacute;meras vezes, S&amp;oacute; insisti porque conseguia ouvir a m&amp;uacute;sica que vinha, alta, do seu aparelho de som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao abrir a porta, vi que Martin tinha uma apar&amp;ecirc;ncia p&amp;eacute;ssima. Entrei em seu pequeno quarto e sala sem que troc&amp;aacute;ssemos uma palavra. Notei que n&amp;atilde;o s&amp;oacute; ele, como sua casa estavam em completo abandono. Devia fazer v&amp;aacute;rios dias que ele n&amp;atilde;o se preocupava com a higiene pessoal ou com uma arruma&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Vestia umas roupas sujas, tinha a barba por fazer e eu ainda n&amp;atilde;o sabia se o cheiro ruim que estava sentindo vinha dele ou do verdadeiro caos de embalagens de comida, pratos e talheres abandonados pelos m&amp;oacute;veis e pe&amp;ccedil;as de roupas pelo ch&amp;atilde;o. Tive que praticamente gritar pra me fazer ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; O que houve, Martin?&lt;br /&gt;&amp;#8211; Sobre o que especificamente voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; falando? &amp;#8211;respondeu ele, tamb&amp;eacute;m em altos brados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como n&amp;atilde;o pretendia ficar rouco, desliguei o som. Martin foi at&amp;eacute; o aparelho e o ligou novamente, colocando a mesma m&amp;uacute;sica que tocava antes, j&amp;aacute; pela terceira vez desde que toquei a campainha. Parecia obcecado por &lt;b&gt;&lt;i&gt;Blue Dress&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, do Depeche Mode. Ele teve pelo menos o bom senso de diminuir o volume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; N&amp;atilde;o tire a m&amp;uacute;sica, por favor.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Afinal de contas o que houve, Martin? Voc&amp;ecirc; desaparece por semanas e ainda te encontro desse jeito, largado e vivendo nesse chiqueiro.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Largado? Chiqueiro? N&amp;atilde;o sei porque diz isso. Eu estou bem. Ou quase.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Acho que &amp;#8220;&lt;i&gt;quase&lt;/i&gt;&amp;#8221; n&amp;atilde;o define sua situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Olhe pra voc&amp;ecirc;: est&amp;aacute; imundo. Olhe &amp;agrave; sua volta: sua casa est&amp;aacute; um pardieiro e eu espero sinceramente que esse fedor n&amp;atilde;o esteja vindo de voc&amp;ecirc;. H&amp;aacute; quanto tempo voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o se lava? Por que seu apartamento est&amp;aacute; nesse estado? E por que essas calcinhas est&amp;atilde;o espalhadas pelo ch&amp;atilde;o? O que diabos aconteceu por aqui, Martin? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martin se abaixa e pega uma das lingeries do ch&amp;atilde;o, delicadamente. Tem os olhos tristes agora, parece at&amp;eacute; mesmo que vai chorar. Uma cena que eu nunca imaginaria ver: Martin era uma rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; O que te incomoda s&amp;atilde;o as calcinhas &amp;#8211; disse Martin, levando ela at&amp;eacute; o nariz e aspirando profundamente &amp;#8211; ou &amp;eacute; o cheiro delas?&lt;br /&gt;&amp;#8211; N&amp;atilde;o. O que me incomoda mesmo &amp;eacute; ver voc&amp;ecirc; desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; &amp;#8220;&lt;i&gt;Desse jeito&lt;/i&gt;&amp;#8221;? N&amp;atilde;o se preocupe, eu melhoro. Voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m estaria assim, ou at&amp;eacute; pior, se tivesse conhecido a Clarice. &lt;br /&gt;&amp;#8211; E foi essa tal de Clarice que te deixou assim? O que ela pode ter feito pra deixar o cara mais firme que eu&lt;br /&gt;conhe&amp;ccedil;o assim, sem o m&amp;iacute;nimo cuidado com sua casa ou consigo mesmo, vivendo no meio do lixo, convivendo feliz com comida estragada e o cheiro de calcinhas sujas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Martin me surpreendeu. Ele avan&amp;ccedil;ou na minha dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o, agarrando meu colarinho, disposto  a me esmurrar a cara. Vendo o espanto nos meus olhos e que estava prestes a bater no seu melhor amigo, Martin me soltou e desabou sobre uma cadeira, com a cabe&amp;ccedil;a entre as m&amp;atilde;os, chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o entende. Ela n&amp;atilde;o era virgem. N&amp;atilde;o era...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era realmente inacredit&amp;aacute;vel v&amp;ecirc;-lo assim, ainda mais por causa de uma mulher. Martin sempre se dera bem no terreno das conquistas amorosas. Seu sucesso com as garotas era not&amp;oacute;rio, como sua avers&amp;atilde;o total aos compromissos. Ele conseguia todas as mulheres que lhe interessavam, mas assim que elas se mostravam apaixonadas ou muito grudentas, Martin as dispensava sem o menor remorso. N&amp;atilde;o chegava a ser m&amp;aacute; pessoa por conta disso. Simplesmente tinha tal repulsa a se sentir preso que n&amp;atilde;o conseguia ter um relacionamento duradouro. Fez muitas das suas conquistas sofrerem, claro, mas nunca chegou a brigar com nenhuma delas. O normal era, depois de um tempo natural de raiva por terem sido dispensadas sem um motivo justo, era ficarem amigas do Martin. E no fundo, a maioria delas preferia assim. Essas esperavam que um dia ele se ajeitasse e n&amp;atilde;o perdiam as esperan&amp;ccedil;as de conseguir agarr&amp;aacute;-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei ao seu lado e perguntei novamente o que tinha ocorrido. Ele me levantou seus olhos desesperados e come&amp;ccedil;ou a me contar sua hist&amp;oacute;ria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martin conheceu Clarice num caf&amp;eacute;, depois de ter ido sozinho ao cinema. Ela estava numa mesa, lendo um livro, tamb&amp;eacute;m s&amp;oacute;. Ele a achou interessante: devia ter pouco mais de 18 anos, tinha cabelos de um loiro resplandecente e uma pele que s&amp;oacute; quem freq&amp;uuml;enta a praia com certa assiduidade pode ter. Usava um vestido azul que real&amp;ccedil;ava seu belo colo, um casaco de l&amp;atilde; por cima e &amp;#8211; uma das fraquezas do Martin &amp;#8211; &amp;oacute;culos, com uma arma&amp;ccedil;&amp;atilde;o fina e delicada. Ele n&amp;atilde;o pensou duas vezes antes de abord&amp;aacute;-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Este lugar est&amp;aacute; vago? &amp;#8211; perguntou fazendo sua t&amp;iacute;pica cara de &amp;#8220;&lt;i&gt;Don Juan&lt;/i&gt;&amp;#8221; da Zona Sul.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Parece estar ocupado? &amp;#8211; respondeu com outra pergunta, sem mover o rosto, apenas levantando os olhos por cima das lentes.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Gosto das garotas mordazes. Principalmente quando s&amp;atilde;o assim para responder minhas perguntas est&amp;uacute;pidas. Meu nome &amp;eacute; Martin &amp;#8211; disse, j&amp;aacute; se sentando.&lt;br /&gt;&amp;#8211; J&amp;aacute; eu n&amp;atilde;o gosto muito dos abusados, que v&amp;atilde;o se sentando sem receber permiss&amp;atilde;o &amp;#8211; antes que Martin pensasse que tinha tomado um fora, a mo&amp;ccedil;a abriu o mais belo sorriso que ele j&amp;aacute; tinha visto &amp;#8211; Prazer, Clarice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se deram bem logo de cara. Tinham muitos interesses em comum, do livro que ela estava lendo &amp;#8211; um dos preferidos dele &amp;#8211; passando pelo filme que tinham acabado de ver, gostos musicais, opini&amp;otilde;es pol&amp;iacute;ticas e outros assuntos v&amp;aacute;rios. Ficaram encantados um pelo outro, e conversaram, sem notar o tempo, at&amp;eacute; acabarem as duas sess&amp;otilde;es seguintes no cinema. O caf&amp;eacute; iria fechar, e como Martin n&amp;atilde;o queria precipitar as coisas &amp;#8211; n&amp;atilde;o com algu&amp;eacute;m como Clarice &amp;#8211; resolveu s&amp;oacute; trocar telefones. Combinaram tomar outro caf&amp;eacute; qualquer dia desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendia seguir sua cartilha. N&amp;atilde;o iria ligar no dia seguinte, para n&amp;atilde;o demonstrar um interesse demasiado. Mas as horas foram passando, garotas que Matin n&amp;atilde;o tinha a menor inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ver novamente ligavam, chamando-o para programas que tinha inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o menor ainda de fazer e a vontade de telefonar para Clarice aumentava. Quando estava a ponto de quebrar com um dos dogmas do seu manual de conquistas, o telefone toca. Era Clarice.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Sabe o que &amp;eacute;? Eu tenho uma festa para ir hoje e queria pedir emprestado o seu &lt;i&gt;Violator&lt;/i&gt; do Depeche Mode. Me pediram pra levar uns cds. &lt;br /&gt;&amp;#8211; Melhor: eu copio o cd e dou pra voc&amp;ecirc;. Fa&amp;ccedil;o agora mesmo. Onde nos encontramos?&lt;br /&gt;&amp;#8211; N&amp;atilde;o quero te dar mais trabalho. Posso passar na sua casa? Fica melhor pra voc&amp;ecirc;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martin ficou surpreso e, obviamente, excitado com a inusitada proposta. Aceitou na hora, claro. Combinaram o hor&amp;aacute;rio e foi copiar o cd, arrumar a casa e a si pr&amp;oacute;prio. Tomou um banho demorado, colocou perfume, coisa que n&amp;atilde;o estava acostumado, e vestiu uma roupa bonita, mas casual o bastante para n&amp;atilde;o parecer que estava se convidando para a festa que Clarice iria. Na hora marcada, o interfone toca. Martin a espera na porta, cumprimenta com dois beijos no rosto e a convida para entrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; A n&amp;atilde;o ser que voc&amp;ecirc; esteja com pressa. Que horas &amp;eacute; a festa?&lt;br /&gt;&amp;#8211; N&amp;atilde;o se preocupe. Faltam umas duas horas pro pessoal chegar l&amp;aacute;. Marquei cedo com voc&amp;ecirc; por isso.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Por isso o que? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice respondeu abra&amp;ccedil;ando Martin e dando um beijo em sua boca. Surpreendeu-se novamente, mas por pouco tempo. Acostumado com sua sorte com as mulheres, achou normal a atitude dela. Calrice estava muito sexy, apesar do visual quase inocente. Usava um vestido de al&amp;ccedil;as com flores azuis, um pouco acima dos joelhos e um t&amp;ecirc;nis. Martin agradeceu a Deus pelo calor que fazia, o que devia ser o motivo dela usar uma roupa t&amp;atilde;o leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofereceu uma bebida para Clarice, que entre as v&amp;aacute;rias op&amp;ccedil;&amp;otilde;es, escolheu uma cerveja. Martin adorava mulheres que n&amp;atilde;o tinham a t&amp;atilde;o em moda preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a &amp;#8220;&lt;i&gt;barriguinha&lt;/i&gt;&amp;#8221; e bebiam com prazer uma cerva gelada. N&amp;atilde;o que Clarice precisasse se preocupar com isso. Com o corpo que tinha, Martin n&amp;atilde;o conseguia imagin&amp;aacute;-la barriguda nem com muito esfor&amp;ccedil;o.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beberam, ouviram m&amp;uacute;sica e ficaram juntos por um tempo. Naturalmente as coisas foram esquentando, apesar de Martin n&amp;atilde;o querer apressar as coisas com Clarice. N&amp;atilde;o com ela. Estavam deitados no sof&amp;aacute; quando ele come&amp;ccedil;ou a desabotoar a cal&amp;ccedil;a. Vendo isso, ela se levantou e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Calma, Martin. N&amp;atilde;o precisamos nos afobar. Ainda temos uma festa para ir.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Claro, amor...desculpe &amp;#8211; respondeu, aliviado. Era a rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o que Martin esperava dela, a prova de que Clarice era diferente das outras e merecia um tratamento especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se recomporam e foram para festa. N&amp;atilde;o se largaram durante toda noite, Martin vendo que seu interesse por Clarice era o maior que j&amp;aacute; tivera por uma mulher. Quando Clarice j&amp;aacute; estava meio alta, pegou Martin pela m&amp;atilde;o e o levou at&amp;eacute; a &amp;aacute;rea de servi&amp;ccedil;o, o &amp;uacute;nico lugar da casa em que a festa n&amp;atilde;o tomava conta. A mistura do pileque com o tes&amp;atilde;o que sentia pela Clarice fizeram Martin propor que fossem para um lugar &amp;#8220;&lt;i&gt;mais calmo&lt;/i&gt;&amp;#8221;. Ela aceitou na hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iam para casa dela. Antes de descer do carro, em frente ao pr&amp;eacute;dio em que ela morava, come&amp;ccedil;aram os beijos e amassos, sem se preocuparem com quem passasse pela rua. Martin abaixou os bancos e quando estava quase chegando &amp;agrave;s vias de fato, Clarice pediu que ele parasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; T&amp;aacute;, t&amp;aacute;...Vamos subir ent&amp;atilde;o? &amp;#8211; ele quase suplicava.&lt;br /&gt;&amp;#8211; T&amp;aacute; louco, Martin? Eu moro com meus pais &amp;#8211; disse Clarice sorrindo&lt;br /&gt;&amp;#8211; Ent&amp;atilde;o vamos l&amp;aacute; pra casa. Em cinco minutos estamos l&amp;aacute;.&lt;br /&gt;&amp;#8211; O problema n&amp;atilde;o &amp;eacute; esse Martin.&lt;br /&gt;&amp;#8211; E qual &amp;eacute; o problema, amor? &amp;#8211; foram conversando sem que Martin parasse de beij&amp;aacute;-la.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Eu sou virgem. Esse &amp;eacute; o problema. &lt;br /&gt;&amp;#8211; Ahn? O que?&lt;br /&gt;&amp;#8211; Isso mesmo. Sou virgem. Isso te incomoda? &amp;#8211; Clarice parecia ofendida com a express&amp;atilde;o incr&amp;eacute;dula de Martin. &lt;br /&gt;&amp;#8211; N&amp;atilde;o, claro que n&amp;atilde;o...Mas...N&amp;atilde;o vejo porque isso seria impedimento para...&lt;br /&gt;&amp;#8211; Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; burro, Martin. Claro que voc&amp;ecirc; sabe que isso &amp;eacute; um impedimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martin se recriminou pela grosseria cometida. A bebedeira embotou seu racioc&amp;iacute;nio, e para quem n&amp;atilde;o queria apressar as coisas, querer transar no primeiro encontro com uma garota que acabara de se revelar virgem era o c&amp;uacute;mulo da afoba&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Temeu ter posto tudo a perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Voc&amp;ecirc; tem raz&amp;atilde;o &amp;#8211; ele falou, mais decepcionado com sua gafe que com a foda n&amp;atilde;o dada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ela saiu do carro sem se despedir. Martin j&amp;aacute; come&amp;ccedil;ava a esmurrar o volante quando Clarice colocou a cabe&amp;ccedil;a pela janela e lhe deu um longo beijo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Amanh&amp;atilde; eu te ligo, t&amp;aacute;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de subir, Clarice fez algo que o deixou at&amp;ocirc;nito. Ela levantou o vestido no meio da rua, tirou a calcinha, sem pressa, como se estivesse no lugar mais discreto do mundo e a entregou para um estupefato Martin.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Sonha comigo &amp;#8211; ela disse antes de subir correndo as escadas da portaria do pr&amp;eacute;dio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martin seguiu para casa s&amp;oacute;brio. N&amp;atilde;o haveria porre no mundo que resistisse ao que Clarice fez. E ela era virgem! Mesmo para ele, que tivera uma boa quantidade de mulheres na cama, a virgindade era quase uma abstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E encontrar uma como Clarice, linda, gostosa, inteligente, com 20 anos e morando no Rio ainda intacta era praticamente uma impossibilidade. Ainda mais com a experi&amp;ecirc;ncia &amp;#8211; ele s&amp;oacute; podia definir assim &amp;#8211; para deixar um sujeito mais velho como ele completamente louco de tes&amp;atilde;o. Tirar a calcinha daquele jeito, como uma menina fazendo uma travessura, tinha sido o golpe final. Martin estava apaixonado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Come&amp;ccedil;aram um romance t&amp;oacute;rrido, apesar de nunca realizarem a apoteose mais &amp;oacute;bvia. Apesar de virgem, Clarice nunca poderia ser taxada como inexperiente. Gostava de fazer sua peraltices com Martin nos lugares mais extravagantes. Cinemas, boates, festas, nenhum lugar era perigoso ou indiscreto demais para ela. Martin enlouquecia, mas raramente pedia para que consumassem a transa. Quando ela dizia que seria no tempo certo, ele respeitava e aguardava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava imaginando com seria a primeira vez com ela. Sentia seu fogo e sabia que Clarice era a mulher da vida dele. Depois de deix&amp;aacute;-la em casa, era inevit&amp;aacute;vel que se masturbasse com alguma das calcinhas que ela lhe dava, que j&amp;aacute; estavam em um n&amp;uacute;mero consider&amp;aacute;vel. J&amp;aacute; era um h&amp;aacute;bito Clarice lhe presentear com suas lingeries, sempre que tinha quase chegado a foder. N&amp;atilde;o achava que fosse provoca&amp;ccedil;&amp;atilde;o dela. Via mais como uma compensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dela, por n&amp;atilde;o ceder todo seu corpo para ele. Estava acostumado, e as vezes at&amp;eacute; as pedia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia Clarice chegou de surpresa &amp;agrave; casa de Martin, tarde da noite. Tinha dito que viajaria com os pais e s&amp;oacute; voltaria no dia seguinte. Queria fazer uma surpresa para o namorado e o levou direto para o quarto. Ele estava acostumado com esses arroubos de paix&amp;atilde;o de Clarice, mas nunca acontecera na sua casa. Era um pedido dele: era um territ&amp;oacute;rio perigoso demais para que ele se controlasse. Clarice o jogou na cama e se despiu sem dizer uma palavra, diante de um aparvalhado Martin. A primeira vis&amp;atilde;o por inteiro do corpo perfeito de Clarice foi o bastante para que Martin tivesse a maior ere&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sua vida. Ele estava at&amp;eacute; com medo de gozar sem que ela sequer o tocasse. Clarice se deitou ao lado dele e tirou ela mesmo a roupa de Martin, que preferiu deix&amp;aacute;-la comandar o espet&amp;aacute;culo. Ela subiu nele, ambos nus, e se beijaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que depois de terem transado, Martin percebeu algo estranho. Ficou mudo ap&amp;oacute;s a r&amp;aacute;pida trepada, deitado ao lado de Clarice, pensativo. Ela notou que algo tinha acontecido e perguntou o que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Acho que voc&amp;ecirc; sabe o que &amp;eacute;, Clarice. Se voc&amp;ecirc; me falasse seria melhor. N&amp;atilde;o me fa&amp;ccedil;a perguntar.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Do que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; falando? N&amp;atilde;o achou bom?&lt;br /&gt;&amp;#8211; Eu n&amp;atilde;o sou crian&amp;ccedil;a, Clarice. N&amp;atilde;o me trate como uma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice se calou por uns instantes, preocupada. Depois olhou para Martin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Eu prefiro que voc&amp;ecirc; me diga, Martin. O que houve?&lt;br /&gt;&amp;#8211; Se voc&amp;ecirc; quer assim &amp;#8211; respondeu, sentando na cama &amp;#8211; Clarice, voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o era virgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela n&amp;atilde;o respondeu. Pegou o len&amp;ccedil;ol e cobriu o corpo, sem dizer palavra. Nem precisaria. A acusa&amp;ccedil;&amp;atilde;o estava&lt;br /&gt;confirmada pelo olhar perdido de Clarice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; Por que, Clarice? &amp;#8211; perguntou, sem olhar para namorada.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Martin, olha...&lt;br /&gt;&amp;#8211; Clarice, a verdade, por favor. Eu n&amp;atilde;o quero mais ouvir mentiras. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o precisava ter inventado isso.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Eu queria que fosse diferente com voc&amp;ecirc;. Eu estava virgem, queria ser, pra voc&amp;ecirc;. O que eu tinha vivido antes n&amp;atilde;o tinha import&amp;acirc;ncia. Voc&amp;ecirc; foi meu primeiro homem, o primeiro a realmente valer a pena.&lt;br /&gt;&amp;#8211; E voc&amp;ecirc; acha que um caba&amp;ccedil;o ia fazer alguma diferen&amp;ccedil;a, porra! &amp;#8211; disse Martin, exaltado &amp;#8211; Se voc&amp;ecirc; me pedisse um tempo antes de transar comigo, eu entenderia e te respeitaria da mesma forma.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Ent&amp;atilde;o &amp;eacute; isso? Por causa do tempo que demoramos para transar?&lt;br /&gt;&amp;#8211; Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o entende, n&amp;atilde;o &amp;eacute;? N&amp;atilde;o &amp;eacute; pela merda do tempo, nem mesmo pela mentira em si. &amp;Eacute; pela falta de necessidade da mentira.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Meu amor, me per...&lt;br /&gt;&amp;#8211; Nem termine a frase, Clarice. Vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar de contar sua hist&amp;oacute;ria, eu tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o entendi o porque da explos&amp;atilde;o do meu amigo. Martin parecia realmente apaixonado por Clarice, como eu nunca tinha visto antes. Se n&amp;atilde;o era pelo tempo, nem pela mentira, o que o teria levado a ser t&amp;atilde;o irredut&amp;iacute;vel em n&amp;atilde;o perdo&amp;aacute;-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;#8211; A ilus&amp;atilde;o que ela criou da virgindade &amp;#8211; me explicou, chorando &amp;#8211; seria minha reden&amp;ccedil;&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m. Eu n&amp;atilde;o estava com ela apenas por sexo, como era com as outras. Eu esperaria por ela, pelo resto da vida. Era o que eu achava.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Ent&amp;atilde;o foi pela mentira. &lt;br /&gt;&amp;#8211; Mas n&amp;atilde;o pela mentira dela, e sim por me fazer ver a mentira em que eu vivia. Quando percebi a farsa, me&lt;br /&gt;enraiveceu n&amp;atilde;o a falta de honestidade, mas o fato dela n&amp;atilde;o ser virgem. No fundo estava me enganando, queria mesmo era sua virgindade, como um trof&amp;eacute;u especial. Sem isso, ela n&amp;atilde;o era diferente das outras. Pensei que a amava e estava amando um h&amp;iacute;men.&lt;br /&gt;&amp;#8211; T&amp;aacute;. Mas ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o vejo raz&amp;atilde;o pro seu estado lastim&amp;aacute;vel. Autocr&amp;iacute;tica por ser um idiota f&amp;uacute;til e&lt;br /&gt;sexista &amp;#8211; coisa que s&amp;oacute; voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o sabia &amp;#8211; n&amp;atilde;o justifica voc&amp;ecirc; se afundar em calcinhas e autopiedade. Se voc&amp;ecirc; entendeu que n&amp;atilde;o era da Clarice que gostava, por que chora por ela?&lt;br /&gt;&amp;#8211; N&amp;atilde;o &amp;eacute; por ela, mas pela d&amp;uacute;vida. Se ela fosse realmente virgem, pode ser que eu tivesse mesmo mudado. Se no dia em que a vi naquele vestido azul maravilhoso, ela tivesse me dito que n&amp;atilde;o era virgem, eu provavelmente a teria tratado como tratei todas as outras, e n&amp;atilde;o teria tido ilus&amp;otilde;es sobre uma poss&amp;iacute;vel&lt;br /&gt;mudan&amp;ccedil;a no meu comportamento. Estou assim por ela ter me dado uma ilus&amp;atilde;o que eu n&amp;atilde;o precisava, de ter me tornado uma pessoa melhor. Estou chorando pelo o que eu poderia ter sido.&lt;br /&gt;&amp;#8211; Martin...se &amp;eacute; por isso, v&amp;aacute; tomar um banho e chame uma diarista. Voc&amp;ecirc; acabou de falar a maior quantidade de asneiras sem sentido que eu j&amp;aacute; ouvi na vida.&lt;br /&gt;&amp;#8211; N&amp;atilde;o te recrimino por n&amp;atilde;o entender. Nem eu mesmo estou plenamente convicto se o que falei &amp;eacute; certo. Mas&lt;br /&gt;voc&amp;ecirc; tem raz&amp;atilde;o. As vezes, o amor &amp;eacute; mesmo um monte de asneiras sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107929775720209025?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107929775720209025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=107929775720209025&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107929775720209025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107929775720209025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2004/03/o-vestido-azul-para-ginger-encontrei.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107719358736172830</id><published>2004-02-19T09:26:00.000-03:00</published><updated>2004-02-19T09:28:23.140-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;In&amp;uacute;til&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Come&amp;ccedil;ou com um simples frasco de catchup. Ele tentou abri-lo de todas as formas e nada. For&amp;ccedil;ou com as m&amp;atilde;os, usou toalhas, molhou a embalagem com &amp;aacute;gua quente, tudo in&amp;uacute;til.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desiste, Gilberto...depois eu abro isso! - falou a esposa, vendo seu desespero&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, Marisa. Agora &amp;eacute; quest&amp;atilde;o de honra! - respondeu, nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia at&amp;eacute; ser quest&amp;atilde;o de vida ou morte: ele n&amp;atilde;o conseguiu abrir o catchup. Desistiu, irritado, largando o condimento em cima da mesa bruscamente. Marisa largou o que estava fazendo na pia e tamb&amp;eacute;m resolveu tentar abrir a embalagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; melhor nem tentar, Ma....Acho que n&amp;atilde;o &amp;eacute; pra girar a tampa, &amp;eacute; pra furar.&lt;br /&gt;- Deixa eu dar uma tentadinha. N&amp;atilde;o custa nada.&lt;br /&gt;- Se voc&amp;ecirc; acha que vai conseguir, boa sorte. - havia desd&amp;eacute;m na voz dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa pegou o catchup e com uma simples girada em sua tampa, abriu o frasco. A cara aparvalhada do Gilberto j&amp;aacute; era divers&amp;atilde;o bastante. Por isso o coment&amp;aacute;rio feito por ela incomodou tanto o marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o serve mais nem pra abrir as coisas, pra que voc&amp;ecirc; presta, Gil? &lt;br /&gt;- Depois de eu ter afrouxado bem a tampa foi f&amp;aacute;cil, n&amp;eacute;? - respondeu irritado, j&amp;aacute; dando as costas para cozinha. Marisa viu gargalhando sua retirada cheia de dignidade ferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Marisa, quando voc&amp;ecirc; vier da cozinha, me traz uma cerveja!&lt;br /&gt;- T&amp;aacute;...mas espera um pouco que estou ocupada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa notou pelo tom meio irritado da voz do marido que a hist&amp;oacute;ria da tampa ainda o apoquentava. Por isso nem fez caso do abuso dele, de pedir uma cerveja enquanto ela se matava de trabalhar. Se ele ainda estivesse fazendo algo &amp;uacute;til, mas nem isso. Estava prostrado diante da tv assistindo o VT de algum jogo de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &amp;Ocirc;, Ma! Traz logo!!! Eu n&amp;atilde;o posso sair agora! O Zico t&amp;aacute; quase fazendo aquele gola&amp;ccedil;o em cima da Esc&amp;oacute;cia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o fim! Ela ali, cara fervendo diante das panelas, e Gilberto e o filho vendo um jogo de mais de 20 anos de idade. "Quero mostrar pro Maur&amp;iacute;cio o que era um time de futebol!", era a justificativa para ver os tapes da Copa de 82 com o filho, e de tabela ter uma tarde de mordomias sem mexer uma palha. Se n&amp;atilde;o fosse pelo catchup n&amp;atilde;o aberto, Gilberto ouviria umas verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou a cerveja pro marido e um suco pro filho. Ia chegando na cozinha quando ouviu o marido berrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- MERDA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa voltou pra sala. N&amp;atilde;o entendia como uma pessoa podia reclamar com tanta veem&amp;ecirc;ncia de um lance de futebol que aconteceu h&amp;aacute; duas d&amp;eacute;cadas. E o pior &amp;eacute; que ele sabia de cor que a jogada n&amp;atilde;o daria certo. Ele j&amp;aacute; tinha decorado todo os jogos daquela mal fadada Copa do Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gil, voc&amp;ecirc; sabe que eu n&amp;atilde;o gosto que voc&amp;ecirc; fique gritando palavr&amp;otilde;es na frente do menino. Ainda mais por causa de um jogo que voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; est&amp;aacute; cansado de saber o final.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o foi por isso, porra! - Gilberto estava descontrolado, para assombro da Marisa - Eu n&amp;atilde;o consigo abrir a merda da lata de cerveja!!!&lt;br /&gt;- O que? - perguntou Marisa, perplexa. N&amp;atilde;o porque isso tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o era motivo pra apresentar tal vocabul&amp;aacute;rio para o filho de 8 anos, mas porque ver seu marido for&amp;ccedil;ando a argola da lata inutilmente era uma cena pra l&amp;aacute; de inusitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria pat&amp;eacute;tico, se n&amp;atilde;o fosse preocupante. Pra piorar de vez a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, vendo o desespero do pai com a lata, Maur&amp;iacute;cio pega a lata da sua m&amp;atilde;o e a abre, sem o menor esfor&amp;ccedil;o. A express&amp;atilde;o do Gilberto era um misto de incredulidade e &amp;oacute;dio absolutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toma pai! - disse o garoto, estendendo a cerveja para Gilberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira atitude do Gilberto foi olhar para a cara da Marisa. Ela estava compenetrada, e intimamente, rezando para n&amp;atilde;o deixar escapar a gargalhada j&amp;aacute; entalada na garganta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o adianta fazer essa cara, viu? Sei o que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; pensando e o que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; se controlando pra n&amp;atilde;o rir - vociferou Gilberto.&lt;br /&gt;- Eu?? Imagina! - respondeu Marisa, deixando seus dentes a mostra pela fra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de segundo necess&amp;aacute;ria pra o marido perceber que ela ria.&lt;br /&gt;- V&amp;aacute; para o inferno, Marisa! - berrou Gilberto, antes de sair bufando da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem a presen&amp;ccedil;a do marido, Marisa gargalhou diante do espanto do filho, que n&amp;atilde;o entendeu nada do ocorrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, meu filho, nem fique assustado. Seu pai est&amp;aacute; um pouco nervoso, s&amp;oacute; isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abra&amp;ccedil;ou Maur&amp;iacute;cio, ainda sorrindo, mas no fundo um pouco preocupada. O que teria acontecido com Gilberto? E ele devia estar muito estressado mesmo, pra abandonar o VT da sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o canarinho. Pensava nisso enquanto na tv, Zico passava por tr&amp;ecirc;s zagueiros escoceses e marcava um gol para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto entrou como um vendaval pelo seu quarto. Bateu a porta e deitou na cama, tentando compreender o que se passava. Nunca tinha ouvido falar de nada parecido. Estava doente, s&amp;oacute; n&amp;atilde;o sabia como explicar isso para qualquer m&amp;eacute;dico. O que diria ele? Que estava com "&lt;i&gt;s&amp;iacute;ndrome da inefic&amp;aacute;cia em abrir embalagens&lt;/i&gt;"? N&amp;atilde;o tinha o menor sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu dormir um pouco. Pensou na piada feminista de que homem s&amp;oacute; serve para abrir lata de conserva. Percebeu que, no fundo, ele estava mais irritado com a brincadeira da mulher que preocupado com a "&lt;i&gt;doen&amp;ccedil;a&lt;/i&gt;". Era algo inexplic&amp;aacute;vel, &amp;eacute; certo, mas ser sacaneado pela Marisa era pior. "&lt;i&gt;Talvez seja tudo um trote dela&lt;/i&gt;", deduziu. Marisa deu um jeito de travar a tampa do catchup e a lata de cerveja s&amp;oacute; para se vingar dos anos de brincadeiras dele. E para cham&amp;aacute;-lo de in&amp;uacute;til, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de dormir, iria trocar a bermuda jeans meio apertada e ficaria de cueca. Mas no que Gilberto tentou abrir o bot&amp;atilde;o da roupa, nada. Lembrou daquele regime que se prometia fazer h&amp;aacute; tempos. Se estivesse menos barrigudo, j&amp;aacute; teria tirado a bermuda. Prendeu a respira&amp;ccedil;&amp;atilde;o, encolheu a pan&amp;ccedil;a e nada. O bot&amp;atilde;o n&amp;atilde;o saia da casa. Tentou o z&amp;iacute;per. Teve o mesmo resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come&amp;ccedil;ou a ficar desesperado. A Marisa n&amp;atilde;o faria uma brincadeira dessas. Estava quase rasgando a bermuda quando come&amp;ccedil;ou a gritar pela mulher. Com a porta fechada e ela na cozinha, ela n&amp;atilde;o ouviria. Tentou sair do quarto, mas n&amp;atilde;o conseguiu abrir a porta que ele mesmo havia batido h&amp;aacute; alguns minutos. A mistura de raiva e frustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o fizeram-no esmurrar a porta e gritar o nome da esposa com toda for&amp;ccedil;a. Marisa chegou e abriu a porta com a facilidade que ele deveria ter tido para fazer o mesmo. Ela encontrou Gilberto no ch&amp;atilde;o, pronto para dar mais um murro na porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gilberto?!?! O que houve??? - Marisa estava mais alarmada pela express&amp;atilde;o do marido que pela barulheira provocada por ele.&lt;br /&gt;- Ma...temos que ir a um m&amp;eacute;dico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de contar a Marisa o que tinha ocorrido no quarto e tirado a d&amp;uacute;vida se ela era ou n&amp;atilde;o a respons&amp;aacute;vel pela brincadeira que j&amp;aacute; havia h&amp;aacute; muito passado dos limites, Gilberto foi com a mulher ao consult&amp;oacute;rio de um m&amp;eacute;dico, amigo do casal. Ele relutara muito em ir no "&lt;i&gt;doutor&lt;/i&gt;" Caio. Al&amp;eacute;m de ter que depender da Marisa para abrir todas as portas - o que era uma punhalada no seu machismo enrustido - ir ao consult&amp;oacute;rio de um dos seus amigos mais piadistas era o fim para ele. Sabia que sofreria na m&amp;atilde;o do Caio, mesmo que o caso dele fosse grav&amp;iacute;ssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Desde moleque que falo que voc&amp;ecirc; &amp;eacute; um imprest&amp;aacute;vel!&lt;/i&gt;", foi o primeiro coment&amp;aacute;rio feito pelo amigo m&amp;eacute;dico ao saber de toda a hist&amp;oacute;ria. Gilberto aturou a piada com estoicismo. Fosse nos tempos de crian&amp;ccedil;a, j&amp;aacute; estariam trocando socos. Caio n&amp;atilde;o parecia muito convencido sobre a estranha enfermidade, at&amp;eacute; que fez alguns testes com Gilberto. Deu tudo na mesma: gavetas, portas, roupas, bolsas, nem a carteira dele, daqueles modelos cl&amp;aacute;ssicos, sem fechos, ele conseguiu abrir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que voc&amp;ecirc; tem &amp;eacute; realmente muito estranho, Gil - come&amp;ccedil;ou Caio - Nunca vi nada parecido. Nem nos comp&amp;ecirc;ndios de medicina. Isso s&amp;oacute; pode ser coisa da sua cabe&amp;ccedil;a. N&amp;atilde;o sei o que te recomendar.Talvez um psic&amp;oacute;logo te ajude.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; falando s&amp;eacute;rio, Caio? Eu, deitado num div&amp;acirc;, porque n&amp;atilde;o consigo abrir as coisas? V&amp;atilde;o me mandar prum psiquiatra na mesma hora.&lt;br /&gt;- Tamb&amp;eacute;m acho. Mas voc&amp;ecirc; tem a op&amp;ccedil;&amp;atilde;o de deixar tudo como est&amp;aacute;. E tem um lado bom: se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o consegue nem abrir sua carteira, a Marisa n&amp;atilde;o vai mais gastar tanto....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal n&amp;atilde;o conseguiu achar gra&amp;ccedil;a da piada. N&amp;atilde;o tendo agradado, Caio voltou a um tom s&amp;eacute;rio que raramente costumava usar. Estava mesmo preocupado, mas n&amp;atilde;o com a sa&amp;uacute;de f&amp;iacute;sica do amigo, mas com a sanidade do Gilberto. Anotou o endere&amp;ccedil;o de um psic&amp;oacute;logo conhecido dele e entregou a Marisa, e por via das d&amp;uacute;vidas receitou uns calmantes para o Gilberto. Caio sabia como o amigo de inf&amp;acirc;ncia poderia ficar nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Gilberto foi ao psic&amp;oacute;logo, sempre acompanhado da Marisa para abrir as portas para ele. As sess&amp;otilde;es n&amp;atilde;o foram de muita ajuda. De todos os rem&amp;eacute;dios que indicaram, apenas os calmantes surtiram algum efeito, e mesmo assim, durante pouco tempo. A raiva do Gilberto se transformou em frustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e depois em impot&amp;ecirc;ncia. Estava entregue. Largou o trabalho depois de uma semana de brincadeiras dos amigos. N&amp;atilde;o ag&amp;uuml;entava mais as piadinhas sobre sua "&lt;i&gt;inutilidade&lt;/i&gt;" ou as goza&amp;ccedil;&amp;otilde;es pela esposa lev&amp;aacute;-lo e busc&amp;aacute;-lo, como uma crian&amp;ccedil;a. N&amp;atilde;o tinha mais paci&amp;ecirc;ncia para aturar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do psic&amp;oacute;logo foi ao psiquiatra e depois a cientistas. Chegou a adquirir uma certa - e indesejada - celebridade. N&amp;atilde;o gostava nem um pouco de servir como objeto de estudo. Passou a n&amp;atilde;o sair de casa, depois do quarto. Somente Marisa e o filho o viam. N&amp;atilde;o queria visitas, recusava rem&amp;eacute;dios e qualquer outro tipo de tratamento. A &amp;uacute;nica terapia que Gilberto aceitava tinha sido criada por ele mesmo. Sempre que Marisa acordava e se levantava da cama para cuidar das coisas da casa, Gil pedia que fechasse a porta. Ele ent&amp;atilde;o levantava, metia a m&amp;atilde;o na ma&amp;ccedil;aneta e tentava, em v&amp;atilde;o, abrir a porta. As vezes Marisa ficava atr&amp;aacute;s da porta e ouvia o choro abafado do marido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas n&amp;atilde;o melhoraram nada para Gilberto com o passar do tempo. As vezes, sentia o bra&amp;ccedil;o meio preso, sem conseguir moviment&amp;aacute;-lo. No come&amp;ccedil;o, ele e Marisa pensaram que era estresse ou algo do g&amp;ecirc;nero. Foi quando ele n&amp;atilde;o conseguiu abrir os olhos ao acordar que Gilberto entendeu tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Marisa, disse ele, balan&amp;ccedil;ando a mulher, ainda dormindo, n&amp;atilde;o consigo abrir os olhos.&lt;br /&gt;- Ahn...o que foi? - disse Marisa nervosa...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o estou conseguindo abrir os olhos! &amp;Eacute; isso...ABRIR...N&amp;atilde;o posso mais abrir os olhos! Por isso meus bra&amp;ccedil;os n&amp;atilde;o se mexiam tamb&amp;eacute;m! N&amp;atilde;o posso mais abrir os olhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa pegou nas p&amp;aacute;lpebras do marido e seus olhos ficaram despertos. Ela pode ver a express&amp;atilde;o de horror do marido diante das sinistras possibilidades do acontecido. Gilberto co&amp;ccedil;ou os olhos e novamente foi incapaz de mover as p&amp;aacute;lpebras. Marisa correu ao telefone e ligou para Caio, contando as da doen&amp;ccedil;a do Gilberto. Combinaram uma visita, para ver o que o amigo m&amp;eacute;dico poderia fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exame n&amp;atilde;o revelou nada, como todos infelizmente esperavam. Era a mesma estranha enfermidade, mostrando outro sintoma. Cada vez que Gilberto piscava, Caio precisava abrir-lhe os olhos. Toda vez que encostava os bra&amp;ccedil;os no corpo, eles precisavam ser deslocados pelo amigo. Caio disse que ele precisava voltar aos laborat&amp;oacute;rios, precisava de outro tipo de ajuda que ele n&amp;atilde;o podia prestar. Perguntou ao Gilberto se ele concordava com uma nova bateria de testes. Gilberto pensou um pouco e n&amp;atilde;o respondeu nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fale Gilberto! Voc&amp;ecirc; precisa muito fazer novos exames, mas essa &amp;eacute; uma decis&amp;atilde;o sua. &lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;- Gilberto?&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio n&amp;atilde;o entendia o sil&amp;ecirc;ncio do amigo, at&amp;eacute; que Marisa, olhando para seus olhos, viu seu desespero estampado. Ele n&amp;atilde;o estava conseguindo abrir a boca. Caio entendeu e puxou sua mand&amp;iacute;bula para baixo. Gilberto apenas falou sim aos exames e ao fechar a boca, ela permaneceu fechada. O sil&amp;ecirc;ncio era quase total. Apenas se ouviam os solu&amp;ccedil;os de Gilberto, saindo de sua boca encerrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto foi examinado por uma grande quantidade de m&amp;eacute;dicos e cientistas, sem que se chegasse a uma conclus&amp;atilde;o sobre sua doen&amp;ccedil;a. Eminentes doutores, vindos do exterior, tentaram drogas, ministraram choques, sugeriram opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Sem efeito. Gilberto, que precisava de ajuda para andar, falar, ver e comer, estava cansado. Depois de meses nessa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, desistiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitado em casa, com o corpo completamente saud&amp;aacute;vel mas im&amp;oacute;vel, com os bra&amp;ccedil;os abertos para poder moviment&amp;aacute;-los, prendedores nas p&amp;aacute;lpebras, uma caneta amarrada entre os dedos para poder escrever o que queria, cutuca Marisa, que cochilava ao seu lado na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse para ela esperar enquanto ele escrevia uma nota para ela. Depois de alguns minutos, entregou a folha do bloco a esposa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Marisa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; triste, mas n&amp;atilde;o ag&amp;uuml;ento mais ver nesse estado. N&amp;atilde;o ag&amp;uuml;ento mais os exames, os m&amp;eacute;dicos, as entrevistas para revistas cient&amp;iacute;ficas, as drogas, a depend&amp;ecirc;ncia de tudo e de todos. N&amp;atilde;o posso mais ser um fardo para voc&amp;ecirc;. Eu desisto. N&amp;atilde;o quero mais isso. Quero que voc&amp;ecirc; me interne num hospital e que l&amp;aacute; cuidem de mim. N&amp;atilde;o quero ser um fardo, um entrave na sua vida. N&amp;atilde;o quero mais que voc&amp;ecirc; seja minhas p&amp;aacute;lpebras, minha boca, meus bra&amp;ccedil;os&lt;/i&gt;."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa leu a mensagem, com l&amp;aacute;grimas nos olhos e tentou convenc&amp;ecirc;-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;a isso, Gil. N&amp;oacute;s vamos encontrar um cura. E pode ser que isso passe, assim como surgiu do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto levou sua m&amp;atilde;o &amp;agrave; boca da mulher, pedindo que ela se calasse. Voltou a escrever no bloco enquanto Marisa chorava. Tirou a folha do bloco e entregou a esposa. Depois tirou os prendedores dos olhos e fechou-os, assim como os bra&amp;ccedil;os. Parecia um aut&amp;ocirc;mato, se desligando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marisa leu a nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;N&amp;atilde;o Marisa. &amp;Eacute; in&amp;uacute;til tentar. Como todos os exames foram in&amp;uacute;teis, como todos os rem&amp;eacute;dios e tratamentos. O que resta de mim &amp;eacute; um corpo, que sem ajuda, &amp;eacute; como o de um defunto. N&amp;atilde;o quero isso pra mim, nem pra voc&amp;ecirc;. Acabemos logo com isso. Sou sem serventia agora. A brincadeira acabou virando realidade. N&amp;atilde;o sirvo para nada.&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais doloroso que fosse, Marisa respeitou a decis&amp;atilde;o do marido. Ele ficou em um hospital, em estado vegetativo, apesar de consciente durante boa parte do tempo. Vivo e raciocinando, mas numa esp&amp;eacute;cie de coma. In&amp;uacute;til.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107719358736172830?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107719358736172830/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107719358736172830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107719358736172830'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107591075348951228</id><published>2004-02-04T13:05:00.000-03:00</published><updated>2004-02-04T13:07:34.653-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;A m&amp;aacute;scara&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Foi algo que eu n&amp;atilde;o entendi direito. S&amp;oacute; sei que quando ela apareceu, parecia usar uma m&amp;aacute;scara. N&amp;atilde;o era ela. Definitivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que houve? Que cara &amp;eacute; essa? , ela perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o sabia o que responder. As vezes tenho esses surtos paran&amp;oacute;icos, mas nunca foram t&amp;atilde;o reais. Era ela, mas n&amp;atilde;o era, ao mesmo tempo. Comentei que ela parecia diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve ser meu novo corte de cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o era. E ela sabia disso. Ela sabia que a menos que ela passasse a m&amp;aacute;quina no couro cabeludo, eu n&amp;atilde;o repararia. Tentava desconversar, isso sim. Ela, mais que eu, sabia que algo havia mudado. Falei que ela sabia mais sobre sua mudan&amp;ccedil;a que eu. Apesar de ser um dos mais inexplic&amp;aacute;veis chav&amp;otilde;es liter&amp;aacute;rios, tenho que dizer: assim que terminei o coment&amp;aacute;rio, uma sombra passou pelo seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Doideira sua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria? Duvidava disso. O problema &amp;eacute; que eu n&amp;atilde;o conseguia traduzir em palavras o havia de diferente nela. O olhar talvez? N&amp;atilde;o, era algo mais sutil, subcut&amp;acirc;neo quase. And&amp;aacute;vamos pela rua e convers&amp;aacute;vamos. As mesmas palavras e trejeitos. Era ela. E n&amp;atilde;o era. Definitivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que ela notou meu estranhamento. Tocou no assunto da mudan&amp;ccedil;a, exigindo que eu me explicasse. Disse que era melhor resolver esse problema, era prefer&amp;iacute;vel a me ver agindo estranho com ela. N&amp;atilde;o entendi. Ent&amp;atilde;o ela falou que eu estava, como ela disse mesmo? A perscrutando com os olhos. Era ela. S&amp;oacute; ela falaria perscrutando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse que n&amp;atilde;o saberia explicar o que era, que a melhor defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o para minha sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a ela &amp;eacute; de que ela parecia estar usando uma m&amp;aacute;scara. Ela ficou me olhando, com aquela cara n&amp;atilde;o-ela. Ela deu um sorriso e me pegou pela nuca, me dando um beijo. N&amp;atilde;o esperava por isso. N&amp;atilde;o era ela. N&amp;atilde;o a minha amiga de s&amp;eacute;culos. Ela nunca me daria um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do beijo - que foi muito bom, ali&amp;aacute;s - ela se afastou e pegou no meu rosto. Deu um pux&amp;atilde;o forte e veio na m&amp;atilde;o dela um objeto estranho, algo com uma textura de resina emborrachada e cor de pele. Ela esticou a resina com as duas m&amp;atilde;os e me mostrou. Era o meu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem estava mascarado era voc&amp;ecirc;. E essa m&amp;aacute;scara caiu agora, quando voc&amp;ecirc; finalmente me viu de verdade. Pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choque. Ela era ela, como sempre fora. Eu que havia mudado, a via como sempre deveria ter visto, com olhos livres. Antes era eu, mas n&amp;atilde;o era; agora, n&amp;oacute;s dois somos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107591075348951228?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107591075348951228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107591075348951228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107591075348951228'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107582712466977150</id><published>2004-02-03T13:52:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.771-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Pontualidade&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Estava ansiosa e por isso n&amp;atilde;o parava de olhar o rel&amp;oacute;gio. Da &amp;uacute;ltima vez que conferira a hora, faltavam exatamente 101 minutos para o encontro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J&amp;aacute; tinha tomado banho e acabava de se arrumar. Enquanto penteava os longos cabelos escuros, j&amp;aacute; faltavam apenas 87 minutos. Achou melhor se aprontar mais rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediu ao porteiro para abrir o port&amp;atilde;o da garagem, recebendo seu cumprimento, "bom dia, dona Regina" e n&amp;atilde;o teve tempo, ou melhor, cabe&amp;ccedil;a, para responder. Faltavam 70 minutos. N&amp;atilde;o chegou a ver o port&amp;atilde;o se fechando. Saindo em disparada, o carro j&amp;aacute; tinha virado a esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada sinal fechado, uma olhada no rel&amp;oacute;gio que usava. Depois, desistiu: o timer do r&amp;aacute;dio estava a seu favor: 61 no display contra 58 no pulso. Come&amp;ccedil;ou a confiar mais no r&amp;aacute;dio. A situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o se complicou quando viu o rel&amp;oacute;gio enorme na rua. Nem tanto ao c&amp;eacute;u, nem tanto &amp;agrave; terra, na rua faltavam apenas 59 minutos. Estava ficando nervosa. Queria entender a estranha l&amp;oacute;gica desses tr&amp;ecirc;s microfusos hor&amp;aacute;rios. "&lt;i&gt;Se ele n&amp;atilde;o fosse t&amp;atilde;o r&amp;iacute;gido que esse lance de pontualidade&lt;/i&gt;", pensava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Quem tem um rel&amp;oacute;gio sempre sabe a hora; quem tem dois nunca tem certeza&lt;/i&gt;", foi o ditado que Regina lembrou nessa hora. Estava decidida a ignorar a hora. Mas n&amp;atilde;o conseguia. Qualquer ponteiro, qualquer n&amp;uacute;mero digital era um tormento. Pisava no acelerador, fugindo dos sinais amarelos. 44 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltavam 22 minutos quando chegou &amp;agrave; rua marcada. Agora, encontrar uma vaga era um empecilho que ela j&amp;aacute; imaginava que teria, mas que n&amp;atilde;o tinha como evitar. N&amp;atilde;o tinha muito tempo a perder. Assim que viu um espa&amp;ccedil;o entre dois carros, tentou encaixar o seu no meio. Nunca tinha sido especialista em baliza, mas a necessidade &amp;agrave;s vezes &amp;eacute; a m&amp;atilde;e da habilidade. Quando conseguiu estacionar o autom&amp;oacute;vel na mais improv&amp;aacute;vel das vagas e saiu do carro, viu que o flanelinha aplaudia. Ela ainda tinha 17 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito bem, dona! Pensei que n&amp;atilde;o ia conseguir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do guardador terminar a frase, Regina j&amp;aacute; estava longe. Corria, mas n&amp;atilde;o a ponto de suar e borrar a maquiagem, na qual havia consumido preciosos 8 minutos. Pela primeira vez se sentiu aliviada. Com os 12 minutos que sobravam, tinha tempo de sobra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou ao restaurante e pediu a mesa reservada. As cadeiras vazias j&amp;aacute; eram seu trof&amp;eacute;u: ele n&amp;atilde;o havia chegado. Estava 5 minutos adiantada, a primeira vez que o precedia em meses de relacionamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele estava 2 minutos atrasado, Regina come&amp;ccedil;ou a se deliciar. Se vingaria de todas as broncas e goza&amp;ccedil;&amp;otilde;es que sofreu por conta dos seus deslizes com as horas marcadas entre os dois. 10 minutos depois, ela - que n&amp;atilde;o ligava tanto assim para atrasos - j&amp;aacute; estava rindo sozinha da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Era o dia da forra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 minutos e nada. Tentou o celular dele, fora de &amp;aacute;rea. N&amp;atilde;o queria dar o bra&amp;ccedil;o a torcer e mostrar que estava irritada com o atraso dele. Estava era preocupada. Onde ele poderia estar? Ele prezava tanto a pontualidade que Regina nunca imaginou v&amp;ecirc;-lo t&amp;atilde;o fora da hora acertada. Teria acontecido algo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia hora. Ela j&amp;aacute; batia o p&amp;eacute; no ch&amp;atilde;o, sem perceber. J&amp;aacute; tinha desistido do celular. J&amp;aacute; tinha bebido dois aperitivos. Algum tempo depois, toca o telefone dela. Era ele. Estava atendendo um cliente, fora da cidade. N&amp;atilde;o conseguiu falar com ela antes. Que ela fosse comendo, porque ele, infelizmente, n&amp;atilde;o poderia ir. Ela estava t&amp;atilde;o irritada com - ela j&amp;aacute; confessava para si mesma - o atraso dele que nem conseguiu falar nada. Ficou at&amp;eacute; feliz dele n&amp;atilde;o ter aparecido. Teriam um arranca-rabo ali mesmo no restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele desligou, Regina viu a hora no visor do telefone. Ele demorou 47 minutos para avisar que n&amp;atilde;o iria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107582712466977150?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107582712466977150/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=107582712466977150&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107582712466977150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107582712466977150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2004/02/pontualidade-estava-ansiosa-e-por-isso.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107460198797722230</id><published>2004-01-20T09:33:00.000-03:00</published><updated>2004-01-20T15:25:12.450-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Antes s&amp;oacute;...&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Acordou e encontrou a casa vazia. Pensou consigo mesmo "&lt;i&gt;bom dia, sil&amp;ecirc;ncio&lt;/i&gt;" e foi ao banheiro. Enquanto lavava o rosto, notou como os vest&amp;iacute;gios dela j&amp;aacute; estavam desaparecendo.Desenvolveu uma teoria: nenhum lugar da casa se transforma tanto ap&amp;oacute;s a sa&amp;iacute;da de uma mulher como o banheiro. Os v&amp;aacute;rios frascos de cosm&amp;eacute;ticos que ele n&amp;atilde;o fazia id&amp;eacute;ia da serventia, as toalhas sempre arrumadas, a indefect&amp;iacute;vel calcinha pendurada em algum lugar vis&amp;iacute;vel, a tampa do vaso sempre abaixada. Nada era como antes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou sua higiene matinal pela metade. N&amp;atilde;o fez a barba. N&amp;atilde;o havia ningu&amp;eacute;m para reclamar que ela arranhava. Fez quest&amp;atilde;o de pensar que n&amp;atilde;o era pela falta de reclama&amp;ccedil;&amp;atilde;o que ele n&amp;atilde;o estava escanhoado. At&amp;eacute; que achava que aquele visual "&lt;i&gt;universit&amp;aacute;rio-engajado-na-luta-armada-em-68&lt;/i&gt;" ca&amp;iacute;a bem. Era bom variar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caf&amp;eacute; da manh&amp;atilde; era em p&amp;eacute;, na pia da cozinha. Nada parecido com os "&lt;i&gt;breakfast&lt;/i&gt;" de outrora. Suquinhos, bolos, p&amp;atilde;es e frios eram frescuras. Era tempo de uma reciclada. Nada de exageros gastron&amp;ocirc;micos pela manh&amp;atilde;. Sejamos frugais e pr&amp;aacute;ticos! pensava. Comeu fria mesmo a pizza de ontem. Na falta de uma faca limpa - 'preciso chamar uma diarista" - cortou sua fatia com uma tesoura. Pra acompanhar, uma das maiores maravilhas da moderna tecnologia aliment&amp;iacute;cia: o caf&amp;eacute; instant&amp;acirc;neo. Ficou meio fraco, mas um dia, pensou, eu acerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua indument&amp;aacute;ria tamb&amp;eacute;m seria imposs&amp;iacute;vel nos tempos de casado. P&amp;eacute;s cal&amp;ccedil;ados com meias de pares diferentes, chinelos mal colocados e uma cueca. S&amp;oacute; de imaginar essa cena (imposs&amp;iacute;vel de acontecer) h&amp;aacute; cerca de duas semanas, j&amp;aacute; imaginava a gritaria. "&lt;i&gt;V&amp;aacute; j&amp;aacute; colocar um short! N&amp;atilde;o quero que seus pelos fiquem jogados onde n&amp;oacute;s comemos!&lt;/i&gt;". Ah! Liberdade &amp;eacute; poder co&amp;ccedil;ar o saco em qualquer lugar da nossa casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabado o caf&amp;eacute;, foi se trocar, tinha que trabalhar. Agora tinha tempo pra escolher a roupa com calma, j&amp;aacute; que tomava banho sem ter que esperar por s&amp;eacute;culos que o banheiro desocupasse. Seria &amp;oacute;timo, claro, se ele tivesse uma grande variedade de pe&amp;ccedil;as limpas, o que n&amp;atilde;o era o caso. Ainda n&amp;atilde;o dominava aquele trambolho na &amp;aacute;rea. A &amp;uacute;ltima vez que tentou usar a m&amp;aacute;quina de lavar, conseguiu manchar uma camisa que ele adorava - que por acaso ela tinha dado. Pra isso, e pra escolher homens, tinha bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparou que o arm&amp;aacute;rio tamb&amp;eacute;m ressentia a falta de uma presen&amp;ccedil;a feminina. N&amp;atilde;o tinha muita intimidade com cabides. N&amp;atilde;o que isso fizesse muita diferen&amp;ccedil;a. N&amp;atilde;o sabendo passar uma camisa sequer, daria no mesmo deixar suas poucas roupas emboladas ou amarrotadas nos cabides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso tudo era futilidade. O que interessa &amp;eacute; a pessoa, e n&amp;atilde;o sua vestimenta. Vestiu-se e se olhou no espelho. A barba por fazer, as roupas amarfanhadas e o aspecto abandonado do quarto por tr&amp;aacute;s do seu reflexo foi o bastante para faz&amp;ecirc;-lo desabar na cama. Precisava de ajuda. Precisava dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ainda sentado, segurando a cabe&amp;ccedil;a com as m&amp;atilde;os quando toca a campainha. Ele se levanta em um salto, pensando, exultante, "&lt;i&gt;&amp;eacute; ela&lt;/i&gt;". Corre at&amp;eacute; a porta e a abre, antes que seja necess&amp;aacute;rio um segundo toque. Ela est&amp;aacute; em frente a ele, com duas malas no ch&amp;atilde;o e uma cara de quem espera desculpas. Ent&amp;atilde;o ele fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amor! Ainda bem que voc&amp;ecirc; apareceu! Preciso muito de voc&amp;ecirc;. Voc&amp;ecirc; pode me indicar uma boa empregada? &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107460198797722230?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107460198797722230/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107460198797722230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107460198797722230'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107453542970456171</id><published>2004-01-19T15:03:00.000-03:00</published><updated>2004-01-19T15:10:29.280-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Veio de fora e n&amp;atilde;o dominava nossa l&amp;iacute;ngua. As vezes, soltava uma frase surreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seria legal se voc&amp;ecirc; fosse pa&amp;ccedil;oca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dificilmente eu seria um derivado do amendoim legal. Perguntei o que ela queria dizer com aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahn...N&amp;atilde;o sei certo! Voc&amp;ecirc; podia ser menos certinho...anh... "&lt;i&gt;nastyer&lt;/i&gt;". Como diz?&lt;br /&gt;- Sapeca, talvez?&lt;br /&gt;- Isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expliquei que mesmo em portugu&amp;ecirc;s essa express&amp;atilde;o era de um arca&amp;iacute;smo gritante. Ela ficou sem gra&amp;ccedil;a - e linda, toda enrubescida - e perguntou qual seria a melhor palavra para se aplicar nesse caso, no seu ingl&amp;ecirc;s tamb&amp;eacute;m carregado de sotaque e meio capenga pela falta de uso (parece incr&amp;iacute;vel, mas ser norueguesa tem suas desvantagens).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hmmm...Voc&amp;ecirc; pode me pedir pra ser mais sodomita - provoquei.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o &amp;eacute; isso! Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; me escaneando!&lt;br /&gt;- Sacaneando...&lt;br /&gt;- Isso! - ela assentiu, feliz por se fazer entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A id&amp;eacute;ia de ser um scanner para ela n&amp;atilde;o me desagradou de todo. Fazer a leitura de cada poro daquela pele alva seria no m&amp;iacute;nimo um &amp;oacute;timo passatempo. Falei isso com ela em ingl&amp;ecirc;s, pra ela n&amp;atilde;o se confundir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em portugu&amp;ecirc;s! Fala em portugu&amp;ecirc;s...por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o mais frio escandinavo bebedor de vodca resistiria a esse pedido. N&amp;atilde;o com a carinha que ela fez. E o sotaque...Ah, aquele sotaque! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite foi pequena pra tudo o que fizemos. Durante a transa, ela pouco falou em portugu&amp;ecirc;s. E eu ainda estou na d&amp;uacute;vida se os sons que ela produziu faziam parte de alguma linguagem. Linguagem com gram&amp;aacute;tica, l&amp;eacute;xico e regras normativas, entendam. O que ela disse era inintelig&amp;iacute;vel, mas fazia todo sentido do mundo naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As poucas palavras que eu entendi foram algumas palavras em noruegu&amp;ecirc;s que ela disse, em meio  ao &amp;ecirc;xtase. E todas deixavam a express&amp;atilde;o "&lt;i&gt;sapeca&lt;/i&gt;" em seu devido - e comportado - lugar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107453542970456171?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107453542970456171/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107453542970456171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107453542970456171'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107409048989486256</id><published>2004-01-14T11:28:00.000-03:00</published><updated>2004-01-16T09:11:54.466-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Almas G&amp;ecirc;meas&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Fiz acidentalmente um furo no meu cigarro, e para que todas suas toxinas invadissem meu pulm&amp;atilde;o a contento, sem que eu perdesse sequer um sopro da sua fuma&amp;ccedil;a, estava fumando como quem segura uma flauta: polegar e indicador no filtro, dedo m&amp;eacute;dio no buraco que extraviava a fuma&amp;ccedil;a. Foi essa mera casualidade, esse &amp;iacute;nfimo infort&amp;uacute;nio que chamou a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esper&amp;aacute;vamos nossos respectivos &amp;ocirc;nibus, em um ponto cheio de gente com cara de enfado, por conta de horas seguidas de um trabalho entediante. Notei que ela reparou no meu modo pouco ortodoxo de tragar o cigarro. Olhava insistentemente, o que chegou a me incomodar. Talvez por perceber meu inc&amp;ocirc;modo, ela veio falar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe a intromiss&amp;atilde;o, mas notei que voc&amp;ecirc; segura o cigarro de forma meio estranha.&lt;br /&gt;- Ah, &amp;eacute; isso? Bem, quando eu peguei...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o fale. Voc&amp;ecirc; pegou o cigarro, apesar de estar pensando em parar de fumar. Para compensar, resolveu fazer um buraco nele, pra engolir menos fuma&amp;ccedil;a e assim, sentir que est&amp;aacute; parando aos poucos com o p&amp;eacute;ssimo h&amp;aacute;bito. Depois, vendo que essa atitude &amp;eacute; rid&amp;iacute;cula, se arrependeu e decidiu tapar o buraco com o dedo. Acertei?&lt;br /&gt;- Nunca vi uma dedu&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;atilde;o errada em toda minha vida. Como detetive, voc&amp;ecirc; morreria de fome. - respondi, rindo. Voc&amp;ecirc; acha mesmo fumar um p&amp;eacute;ssimo h&amp;aacute;bito?&lt;br /&gt;- Desculpe. Acho que li muito Conan Doyle quando era pequena. N&amp;atilde;o acho n&amp;atilde;o. Eu at&amp;eacute; ia te pedir um cigarro. Acho que tem at&amp;eacute; um certo charme subversivo ser fumante em tempos t&amp;atilde;o antitabagistas. E eu n&amp;atilde;o confio em pessoas que n&amp;atilde;o tenham nenhum v&amp;iacute;cio - respondeu, sorrindo.&lt;br /&gt;- Gostei da sua forma de pensar, menina. Davi, prazer - falei, passando um dos meus Marlboros.&lt;br /&gt;- Rita, igualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos conversando sobre assuntos aleat&amp;oacute;rios e sem import&amp;acirc;ncia. Era inteligente e - isso &amp;eacute; importante, e todos deveriam saber a diferen&amp;ccedil;a entre um e outro - esperta. O papo ia muito bem, at&amp;eacute; que ela se concentrou por uns instantes no tr&amp;aacute;fego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Putz, &amp;eacute; uma pena. Mas meu &amp;ocirc;nibus chegou. Tenho que ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;For&amp;ccedil;ando a vista - eu estava sem meus &amp;oacute;culos - pude ver para onde ia &amp;ocirc;nibus que ela pegava. Era o mesmo que eu esperava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pena, mesmo. E pra voc&amp;ecirc;: vou pegar o mesmo. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o vai se livrar t&amp;atilde;o f&amp;aacute;cil de mim.&lt;br /&gt;- Hmmm... O acaso n&amp;atilde;o existe - ela disse rindo.&lt;br /&gt;- Kardec? Prefiro algo mais cient&amp;iacute;fico. "Deus n&amp;atilde;o joga dados com o Universo", Einstein.&lt;br /&gt;- Tenho minhas d&amp;uacute;vidas se essa sua cita&amp;ccedil;&amp;atilde;o se aplica ao caso - falou Rita, enquanto subia no &amp;ocirc;nibus.&lt;br /&gt;- Talvez n&amp;atilde;o. Mas citar Einstein costuma impressionar as pessoas.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o precisa disso.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tudo perfeito demais. Al&amp;eacute;m de inteligente e esperta, Rita era muito bonita. Isso n&amp;atilde;o podia estar acontecendo, n&amp;atilde;o comigo. N&amp;atilde;o sou o tipo de cara que tem esse tipo de sorte. Alguma coisa deveria estar errada. Ou ela tinha uma doen&amp;ccedil;a altamente contagiosa ou era um travesti, n&amp;atilde;o sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; pensando?&lt;br /&gt;- Ahn? Ah, nada....&lt;br /&gt;- J&amp;aacute; sei. Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; pensando que essa nossa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o pode estar acontecendo, que uma garota bonita e inteligente como eu n&amp;atilde;o poderia estar aqui te dando trela, que eu devo ter algo de errado, alguma doen&amp;ccedil;a ou...&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; um travesti, n&amp;eacute;?&lt;br /&gt;- Ah - ela gargalhava - n&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o sou. Mas isso eu n&amp;atilde;o posso te provar num coletivo. Isso quer dizer que eu adivinhei seus pensamentos?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o - desconversei - n&amp;atilde;o acertou. Como eu disse, sua voca&amp;ccedil;&amp;atilde;o para detetive &amp;eacute; nula. &lt;br /&gt;- Sei. N&amp;atilde;o teria dinheiro nem pra comprar cigarros. Mas isso eu pego com voc&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei outro cigarro pra ela, espantado. Se o acaso n&amp;atilde;o existe, como Rita mesmo havia falado h&amp;aacute; pouco, seria ela a mulher da minha vida? Sempre fui c&amp;eacute;tico demais pra acreditar em "amores &amp;agrave; primeira vista" e que tais. Mas era incr&amp;iacute;vel nossa afinidade. Continuamos conversando durante todo trajeto e - outro acaso? - o lugar onde descer&amp;iacute;amos n&amp;atilde;o chegava. S&amp;oacute; faltava mesmo sermos vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; vai descer onde, Davi? - ela pergunta de repente.&lt;br /&gt;- Perto da pra&amp;ccedil;a General Os&amp;oacute;rio. E voc&amp;ecirc;?&lt;br /&gt;- Nossa! Eu tamb&amp;eacute;m vou! O mundo &amp;eacute; mesmo pequeno....&lt;br /&gt;- S&amp;eacute;rio? Pois &amp;eacute;. O mundo &amp;eacute; pequeno, e o Rio...&lt;br /&gt;- ...&amp;Eacute; menor ainda! Era justamente isso que eu ia dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atordoados por essa sucess&amp;atilde;o de coincid&amp;ecirc;ncias, descemos no mesmo ponto. Trocamos telefone, claro. E obviamente nos encontramos uma, duas, v&amp;aacute;rias vezes depois. Come&amp;ccedil;amos um namoro, &amp;agrave; primeira vista, perfeito. &amp;Eacute;ramos almas g&amp;ecirc;meas, se &amp;eacute; que essas esoterices sentimental&amp;oacute;ides existem. N&amp;atilde;o precis&amp;aacute;vamos nem olhar os jornais para procurar programas. Instintivamente, quer&amp;iacute;amos sempre fazer as mesmas coisas. Sempre. Ela adorava meus amigos e eu os dela. At&amp;eacute; t&amp;iacute;nhamos alguns em comum. Gost&amp;aacute;vamos dos mesmos filmes, dos mesmos livros, dos mesmos discos. N&amp;atilde;o havia nada que pud&amp;eacute;ssemos mostrar um para o outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando n&amp;oacute;s percebemos isso, foi o fim. "Almas g&amp;ecirc;meas", se existem mesmo, s&amp;atilde;o fadadas ao fracasso. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; o mist&amp;eacute;rio, n&amp;atilde;o h&amp;aacute; a descoberta, n&amp;atilde;o se cresce com o conv&amp;iacute;vio, exatamente porque elas s&amp;atilde;o iguais em tudo. Nunca chegamos a brigar. Somos amigos at&amp;eacute; hoje, n&amp;atilde;o havia como fugir disso. Eu a amo e o sentimento &amp;eacute; rec&amp;iacute;proco. Mas nunca poderemos ter um relacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim veio r&amp;aacute;pido e indolor. Nem precisamos nos falar. Ela olhou nos meus olhos e ambos vimos a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107409048989486256?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107409048989486256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107409048989486256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107409048989486256'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107210696258771811</id><published>2003-12-22T12:29:00.000-03:00</published><updated>2003-12-23T10:53:08.606-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Conto de Natal&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- J&amp;aacute; t&amp;aacute; na &amp;eacute;poca, n&amp;eacute;?&lt;br /&gt;- J&amp;aacute;, j&amp;aacute;...Pode pegar o bicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tempo de pegar o velho Papai Noel infl&amp;aacute;vel e colocar na frente da loja. Pelo estado do grande boneco, n&amp;atilde;o se poderia cham&amp;aacute;-lo de decora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Natal: ele estava imundo. N&amp;atilde;o era uma coisa que gostassem de fazer. Pegar o infl&amp;aacute;vel no por&amp;atilde;o, passar uma &amp;aacute;gua nele - com uma mangueira, sem muito esmero - ench&amp;ecirc;-lo na boca - a bomba estava quebrada desde o final do ano de 92 - e pendur&amp;aacute;-lo na frente da velha loja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mais porque a cidade ficava toda emperiquitada. O tal do "esp&amp;iacute;rito natalino" n&amp;atilde;o impregnava os dois como acontecia com todos. N&amp;atilde;o queriam parecer insens&amp;iacute;veis perante sua pouca clientela. Mas o aquele Papai Noel desproporcional &amp;agrave; fachada da sua loja era t&amp;atilde;o pouco sincero quanto os "boas festas!" que desejavam aos seus clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram s&amp;oacute;cios no armarinho. Eram s&amp;oacute;cios desde nascen&amp;ccedil;a, para deixar a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais clara. Eram g&amp;ecirc;meos. Passavam dos sessenta e s&amp;oacute; tinham um ao outro. E o seu "com&amp;eacute;rcio", como gostavam de falar. Nunca tiveram muitos amigos, por falta de vontade e de oportunidade. Nem entre si tinham esse afeto todo. Eram irm&amp;atilde;os, estavam atados por la&amp;ccedil;os mais fortes que uma mera amizade. Chamavam-se Am&amp;acirc;ncio e Emanuel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ano, era a vez do Emanuel pegar e "limpar" o infl&amp;aacute;vel. Caberia a Am&amp;acirc;ncio pendur&amp;aacute;-lo junto ao letreiro da loja. O enchimento ficava por conta de ambos, decidindo quando ele estava meio cheio quem tivera o trabalho da limpeza. Fazia 20 anos que era assim, cada um tinha a sua parte e nenhum pedia ajuda ao outro. Evitavam brigas desse jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emanuel encontrou o Papai Noel dobrado, amarrado com uma corda de sisal, acumulando poeira no fundo do estoque. Pegou-o de onde estava, entre resmungos. Cortou a corda com o canivete que sempre trazia no bolso e estendeu o infl&amp;aacute;vel no ch&amp;atilde;o, no fundo da loja. Estava imundo. Parece que no ano anterior, a polui&amp;ccedil;&amp;atilde;o fizera mais estragos ao boneco. A tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o mandava que Emanuel pegasse a mangueira, borrifasse alguns jatos d?&amp;aacute;gua para tirar o excesso de p&amp;oacute; e pronto. Mas esse ano, n&amp;atilde;o se sabe porque, Emanuel achou melhor jogar um sab&amp;atilde;o e passar ao menos uma vassoura no Papai Noel. Fez isso, apesar de ter mais trabalho do que gostaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Am&amp;acirc;ncio foi ao procurar o irm&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o entendia o porque da demora do Emanuel, seu vizinho - e concorrente - Petruquio j&amp;aacute; estava pendurando as guirlandas na frente do seu armarinho. Am&amp;acirc;ncio encontrou Emanuel soprando o infl&amp;aacute;vel. Os bra&amp;ccedil;os e a barba do Bom Velhinho j&amp;aacute; estavam inflados, como que ganhando vida. Am&amp;acirc;ncio reparou na dificuldade que o irm&amp;atilde;o tinha para recuperar o f&amp;ocirc;lego, a cada bufada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que a demora, Emanuel? Aquele Petruquio j&amp;aacute; est&amp;aacute; com a frente da birosca dele toda enfeitada.&lt;br /&gt;- Resolvi limpar melhor o bicho esse ano. Eles estava muito sujo. Passei sab&amp;atilde;o e vassoura nele.&lt;br /&gt;- S&amp;eacute;rio? - respondeu surpreso Am&amp;acirc;ncio - Cuidando bem do bicho? Posso saber por que?&lt;br /&gt;- Ah...- disse Emanuel, pensando na resposta - Ele estava sujo demais. E eu sou higi&amp;ecirc;nico. Se eu vou ter que meter a boca nele, melhor que ele esteja limpo.&lt;br /&gt;- N&amp;oacute;s vamos botar a boca nele, n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Am&amp;acirc;ncio ficou vendo o irm&amp;atilde;o encher o boneco, a muito custo. Quando Emanuel deu mais uma tossida ap&amp;oacute;s outra curta soprada, resolveu ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me d&amp;aacute; esse boneco aqui, Emanuel. Deixa que eu sopro pra voc&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;- Ainda n&amp;atilde;o cheguei na metade.&lt;br /&gt;- Eu sei. Mas eu vou te ajudar.&lt;br /&gt;- Me ajudar? - disse um surpreso Emanuel - Posso saber por que?&lt;br /&gt;- Bom...- pensou Am&amp;acirc;ncio para responder - se continuar nesse ritmo, eu s&amp;oacute; coloco esse bicho l&amp;aacute; na frente no ano que vem.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; que sabe.&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Am&amp;acirc;ncio come&amp;ccedil;ou a encher o Papai Noel muito mais r&amp;aacute;pido. Tinha mais f&amp;ocirc;lego que o irm&amp;atilde;o. "Se esse idiota n&amp;atilde;o fumasse, teria mais sa&amp;uacute;de", sempre falava sobre Emanuel. Acabou de encher e ia levando o infl&amp;aacute;vel para frente do armarinho. Era um boneco grande, e sempre dava trabalho para tir&amp;aacute;-lo dos fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa eu te ajudar - falou Emanuel, vendo a dificuldade das pernas do boneco para passar pela porta.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom. Empurra a&amp;iacute; que vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escada j&amp;aacute; tinha sido colocada junto &amp;agrave; entrada da porta. Os dois irm&amp;atilde;os, sem falarem sobre o assunto, levaram o Papai Noel at&amp;eacute; a marquise da loja, onde seria amarrado. Am&amp;acirc;ncio passava os fios pelo corpo do boneco sob o olhar atento do Emanuel. Cada agachada que o primeiro dava para fazer os n&amp;oacute;s em volta do boneco eram acompanhados por gemidos de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que voc&amp;ecirc; tem, Am&amp;acirc;ncio?&lt;br /&gt;- Minhas costas...Elas doem quando me abaixo.&lt;br /&gt;- Se voc&amp;ecirc; fosse menos pregui&amp;ccedil;oso e fizesse pelo menos uma caminhada di&amp;aacute;ria, n&amp;atilde;o teria essas dores de velho.&lt;br /&gt;- Emanuel, n&amp;oacute;s somos velhos.&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emanuel se abaixou e come&amp;ccedil;ou a dar os la&amp;ccedil;os na outra perna do Papai Noel. Am&amp;acirc;ncio ficou olhando para ele, at&amp;ocirc;nito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; fazendo?&lt;br /&gt;- O que parece que eu estou fazendo? Estou te ajudando, oras.&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- Porque...Se voc&amp;ecirc; demorar mais um pouco com isso, o Petruquio vai decorar a rua toda antes de voc&amp;ecirc; acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emanuel terminou a amarra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Papai Noel e ambos desceram a escada, um ajudando o outro. Estacaram diante da loja e olharam para o boneco, em sil&amp;ecirc;ncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ficou bonito.&lt;br /&gt;- Pois &amp;eacute;. Mais bonito que nos outros anos.&lt;br /&gt;- Est&amp;aacute; mais limpo, tamb&amp;eacute;m.&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhares de frases poderiam ser ditas por ambos, mas eles preferiram ficar calados, olhando a loja, sua loja, h&amp;aacute; anos o &amp;uacute;nico elo de liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre duas pessoas que dividiram at&amp;eacute; o &amp;uacute;tero materno. Depois de mais alguns minutos olhando o grande infl&amp;aacute;vel, se olharam notaram que n&amp;atilde;o precisavam falar nada. Tudo j&amp;aacute; havia sido dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olharam para loja do Petruquio, deram uma risada e entraram no armarinho, abra&amp;ccedil;ados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107210696258771811?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107210696258771811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107210696258771811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107210696258771811'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107185683524279304</id><published>2003-12-19T15:00:00.000-03:00</published><updated>2003-12-19T15:01:29.950-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;A m&amp;uacute;sica da cidade&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Por entre as esquinas da grande cidade, por entre os v&amp;atilde;os dos seus pr&amp;eacute;dios e os penhascos de arranha-c&amp;eacute;us, sua m&amp;uacute;sica silenciosa ecoa. As buzinas do seu ca&amp;oacute;tico tr&amp;acirc;nsito, o preg&amp;atilde;o dos seus ambulantes, as sirenes, alarmes e britadeiras n&amp;atilde;o fazem parte da sua melodia. Seu som &amp;eacute; mais sutil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vem no vento que rasga suas veias-avenidas. Ela est&amp;aacute; no rosto das pessoas, cansadas da m&amp;aacute;quina de triturar humanidades. Nos v&amp;eacute;rtices dos pr&amp;eacute;dios, nas sarjetas imundas, nos letreiros das casas noturnas. Ela est&amp;aacute; no murm&amp;uacute;rio impercept&amp;iacute;vel por baixo da balb&amp;uacute;rdia das feiras, na discreta resson&amp;acirc;ncia das portas das lojas sendo abertas no Centro. Ela est&amp;aacute; onde n&amp;atilde;o se nota, cifrada onde n&amp;atilde;o se espera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sento na cal&amp;ccedil;ada e vejo os carros passarem. Eu ando em coletivos, eu caminho em alamedas, toco suas m&amp;aacute;quinas registradoras, fa&amp;ccedil;o parte do seu recheio de coletividades. Eu for&amp;ccedil;o meus ouvidos para escut&amp;aacute;-la, entre inc&amp;ecirc;ndios e brigas, entre lagos e botequins. Sou franco com a cidade e como resposta tenho sua indiferen&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E n&amp;atilde;o ou&amp;ccedil;o sua m&amp;uacute;sica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107185683524279304?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107185683524279304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107185683524279304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107185683524279304'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107160276759771326</id><published>2003-12-16T16:26:00.000-03:00</published><updated>2003-12-16T16:26:59.000-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;A carne da palavra&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A carne da palavra viceja, forte, no terreno da ang&amp;uacute;stia. &amp;Eacute; quando ela adquire seu melhor aspecto, quando seu preparo traz melhor sabor e sucul&amp;ecirc;ncia. Seu gosto, nessas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, &amp;eacute; acre-doce e permanece por mais tempo em nossas l&amp;iacute;nguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solos tristes alimentam a carne da palavra. S&amp;atilde;o a seara perfeita para suas v&amp;aacute;rias formas florescerem. Suas fibras se tonificam na confus&amp;atilde;o e na desordem. Esses s&amp;atilde;o seus melhores adubos, seus melhores nutrientes, componentes vitais para a seiva da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o esperem que na felicidade e no bem estar a carne da palavra se desenvolva a contento; diante de tais distra&amp;ccedil;&amp;otilde;es, onde a suas postas ficam acondicionadas, sem respirar, dentro de bolsas de conforto, elas apodrecem. N&amp;atilde;o que n&amp;atilde;o possam ser usadas em tal situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o: a carne da palavra apenas fica mais rija, sem textura, sem sabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carne da palavra se alimenta da fome do homem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107160276759771326?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107160276759771326/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107160276759771326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107160276759771326'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107151077283496215</id><published>2003-12-15T14:52:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.779-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;O ar&amp;iacute;ete&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Era mais um daqueles processos em que uma pessoa vai morrendo, lentamente, dentro da gente. Nem era coisa pra se deixar de gostar dela. Definitivamente n&amp;atilde;o era o caso. Eu ainda gosto dela e muito. Mas que decep&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer o que? As vezes agimos de forma estranha. Ela saiu da minha vida pela porta da frente, com a sutileza de uma invas&amp;atilde;o policial. S&amp;oacute; me faltava conhecer quem tinha dado o chute na ma&amp;ccedil;aneta. N&amp;atilde;o buscaria repara&amp;ccedil;&amp;atilde;o, nem satisfa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de quem nada me devia. Eu s&amp;oacute; estava curioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, ele foi s&amp;oacute; um p&amp;eacute; em uma porta, que por sinal, tinha uma fechadura muito da vagabunda. N&amp;atilde;o fosse ele, outro viria e arrebentaria com tudo. Como veio outro e arrebentou outra porta, dessa vez a deles dois. A porta deles era mais fr&amp;aacute;gil do que tinha sido nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou. Troca-se a porta ou decide-se morar ao relento. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais o que arrombar. Mas eu ainda tinha curiosidade. Queria entender o porque. Na pior das hip&amp;oacute;teses, seria divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o foi. Encontrei com ele por acaso. Balc&amp;atilde;o de bar. Eu com uma cerveja e um conhaque. Ele, com uma garrafa de &amp;aacute;gua. Me pediu o isqueiro. Tossiu na primeira tragada e jogou o cigarro fora. Comentou comigo que estava tentando parar com os v&amp;iacute;cios, assim mesmo, no plural. Fazia bem. Ele parecia estar &amp;agrave;s portas de um enfarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele queria papo. Logo comigo, que detesto estranhos muito amig&amp;aacute;veis. Contou um pouco da sua vida. N&amp;atilde;o precisaria nem come&amp;ccedil;ar para ver que seu melhor momento tinha sido h&amp;aacute; muito tempo. O que me deixou intrigado era que sua hist&amp;oacute;ria n&amp;atilde;o me era estranha. Perguntei seu nome. Era ele. O ar&amp;iacute;ete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive vontade de rir, mas s&amp;oacute; no come&amp;ccedil;o. Ele era engra&amp;ccedil;ado, mas n&amp;atilde;o de uma maneira lisonjeira. N&amp;atilde;o se demorou muito ali. Pendurou sua &amp;aacute;gua com o dono do boteco e saiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;At&amp;eacute; mais&lt;/i&gt; - foi o que disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei eu l&amp;aacute;, meu cigarro, meu Domec e minha cerveja no fim. E meus pensamentos, claro. Era incr&amp;iacute;vel ela ter visto algo em algu&amp;eacute;m como ele. N&amp;atilde;o era sua apar&amp;ecirc;ncia (ele poderia estar em melhor estado &amp;agrave; &amp;eacute;poca) nem o que ele me contou (sabe-se l&amp;aacute; se eram verdadeiras suas hist&amp;oacute;rias). Eu s&amp;oacute; n&amp;atilde;o conseguia entender como pode ter acontecido com ele, t&amp;atilde;o diferente de mim. Pior: t&amp;atilde;o diferente dela. Se o que eu sentia era pena, ainda n&amp;atilde;o sei. Podia ser pena pelo que poder&amp;iacute;amos ter sido, pena dela por se envolver por tal buf&amp;atilde;o, pena dele por...v&amp;aacute; l&amp;aacute;, talvez por despeito. E tirando o que pode ter sido pena, restou tamb&amp;eacute;m o desapontamento. Com ela, por ter ficado deslumbrada pelo charme decadente dele e comigo por ter perdido a disputa. Com ele n&amp;atilde;o. Ele apenas cumpre o papel que destinou para si de melhor forma que pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paguei minha conta e sa&amp;iacute;, pensando nesse encontro casual e em tudo que havia acontecido antes. N&amp;atilde;o estava triste, nem alegre. Agora, o que se podia fazer? As pessoas agem de forma estranha. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107151077283496215?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107151077283496215/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=107151077283496215&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107151077283496215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107151077283496215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2003/12/o-ar-era-mais-um-daqueles-processos-em.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-107097518144246419</id><published>2003-12-09T10:06:00.000-03:00</published><updated>2003-12-09T10:07:05.950-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Sangue e amor&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o considerava o amor que tinha um sentimento. Era mais que isso, era f&amp;iacute;sico, sentia seu amor no pr&amp;oacute;prio sangue, fluindo por todo seu corpo e inundando seu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Nem gostava muito dessa imagem: ele era meio dram&amp;aacute;tico, mas n&amp;atilde;o kitsch. N&amp;atilde;o era um cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o "&lt;i&gt;rom&amp;acirc;ntico&lt;/i&gt;" e sim o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o m&amp;uacute;sculo. A cada batida do &amp;oacute;rg&amp;atilde;o, ele sentia que n&amp;atilde;o s&amp;oacute; ele vivia, mas tamb&amp;eacute;m seu pr&amp;oacute;prio amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&amp;oacute; que - assim &amp;eacute; a vida - o amor n&amp;atilde;o depende apenas de uma pessoa. E parece que o alvo do amor dele n&amp;atilde;o estava muito satisfeito com aquele vai-e-vem por veias e art&amp;eacute;rias. Deixou-o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seria dele? Ficaria an&amp;ecirc;mico? Leucemia? Nada disso. A dor da desilus&amp;atilde;o &amp;eacute; afiada. Ele preferiu deixar seu amor - que j&amp;aacute; n&amp;atilde;o tinha serventia - fluir. Morreu venal-arterialmente. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-107097518144246419?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/107097518144246419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107097518144246419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/107097518144246419'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106984566681285049</id><published>2003-11-26T08:21:00.000-03:00</published><updated>2003-11-26T08:21:38.186-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Esquinas&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdida entre os abismos das esquinas, cai assim, a menina. Ela queda e sua queda n&amp;atilde;o &amp;eacute; f&amp;iacute;sica. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais o que esperar, logo para ela que tanto esperou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corte das ruas e pr&amp;eacute;dios e asfalto e carros ela segue adiante. Cada aceno, cada dedo, cada beijo mandado &amp;eacute; uma navalha. N&amp;atilde;o, ela n&amp;atilde;o tem op&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Quisera tivesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nudez mais vestida e as roupas quase n&amp;atilde;o-vestes &amp;eacute; o que tem que usar. Expor a mercadoria e atrair poss&amp;iacute;veis compradores. As ruas, &amp;agrave; noite, s&amp;atilde;o quase um a&amp;ccedil;ougue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beija homens e mulheres. Beija o pai, o filho, a esposa. Beija o patr&amp;atilde;o, o empregado, o rico, o pobre. Beija o asfalto, as vezes. Esse &amp;eacute; o beijo menos &amp;aacute;spero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela procura n&amp;atilde;o pensar na injusti&amp;ccedil;a do mundo, onde poderia estar se tivesse outra vida. De que adianta? Ela s&amp;oacute; se preocupa em oferecer o melhor simulacro de sentimento poss&amp;iacute;vel. Ela odeia cada um dos seus clientes, com todas as suas for&amp;ccedil;as; ela ama todos os seus clientes, como se eles fossem os &amp;uacute;nicos homens da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela &amp;eacute; apenas uma crian&amp;ccedil;a. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106984566681285049?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106984566681285049/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106984566681285049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106984566681285049'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106934420094097931</id><published>2003-11-20T13:03:00.000-03:00</published><updated>2003-11-20T13:24:08.110-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Rock´n´Roll&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o tenho dormido muito por causa do trabalho est&amp;uacute;pido que fa&amp;ccedil;o, trabalho est&amp;uacute;pido esse que s&amp;oacute; consegui por ter estudado estupidamente por 5 (seriam 6?) anos numa faculdade cheia de gente t&amp;atilde;o est&amp;uacute;pida quanto eu. Talvez n&amp;atilde;o t&amp;atilde;o est&amp;uacute;pidos: eu sabia o que era ruim e n&amp;atilde;o quis mudar. Segui a trilha da estupidez por escolha pr&amp;oacute;pria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior est&amp;uacute;pido &amp;eacute; aquele que v&amp;ecirc; e mesmo assim n&amp;atilde;o quer ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas diante de um monitor, fone de ouvido gritando um rock antigo e a insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o gritando mais alto nos meus ouvidos que as guitarras. Relat&amp;oacute;rios, memorandos e o saco cheio. O velho discurso de sempre. Os velhos dias de sempre. Minha vida fede a bolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu chuto tudo isso. "&lt;i&gt;Kick out the Jams!!!&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ha! Eis me aqui sa&amp;iacute;do da minha jaula acolchoada, da minha auto-c&amp;acirc;mara de g&amp;aacute;s. Sem walkman, sem pilhas. O sol mata. At&amp;eacute; que ela aparece. Ela &amp;eacute; o pr&amp;oacute;prio sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Oacute;culos escuros e a pele alva. Ela n&amp;atilde;o sua. Ela nunca suaria. Camiseta e jeans surrado. Ouve algo no seu walkman - ela tem pilhas - que a faz balan&amp;ccedil;ar a cabe&amp;ccedil;a. Vejo seus l&amp;aacute;bios cantando a m&amp;uacute;sica, sem som. L&amp;aacute;bios mudos que rasgaram meu dia ao meio. Se ela quisesse, rasgariam a mim mesmo ao meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando ao seu lado, ela me ignora. N&amp;atilde;o sou nada. Ela ouve seu som como eu ouviria, no talo. Consigo escutar a m&amp;uacute;sica: "&lt;i&gt;Gigantic/Gigantic/A big big love&lt;/i&gt;!". Eu estou apaixonado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu toco seu ombro e ela se vira. Sem falar nada, a pego pela nuca e a beijo, sob os olhares dos curiosos. &amp;Eacute; um beijo intenso e longo. Ela retribui o beijo. Ela tamb&amp;eacute;m est&amp;aacute; apaixonada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;T&amp;aacute; bom. Nem em sonho. Ela continua andando e eu, nada, continuo seguindo. Ela acende um cigarro, para num ponto de &amp;ocirc;nibus. Eu paro. O simples ato de guardar um ma&amp;ccedil;o de Marlboro Lights - ela deve estar tentando parar com o v&amp;iacute;cio, pra fumar filtro branco - &amp;eacute; maravilhoso. Eu vou...eu TENHO que falar com ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olha o fluxo do tr&amp;acirc;nsito. D&amp;aacute; uma tragada forte no cigarro, ainda dan&amp;ccedil;ando com a cabe&amp;ccedil;a. Joga o cigarro pela metade no ch&amp;atilde;o e pisa, girando seu p&amp;eacute; em cima da brasa. Eu nunca amei tanto uma mulher como a amo. Ela faz o sinal, o &amp;ocirc;nibus para e ela joga o resto de fuma&amp;ccedil;a que ainda tinha nos pulm&amp;otilde;es subindo no coletivo. Ela teve que virar a cabe&amp;ccedil;a para que a nuvem de nicotina e alcatr&amp;atilde;o n&amp;atilde;o entrasse no &amp;ocirc;nibus. Essa imagem dela, um p&amp;eacute; no degrau, outro na rua, m&amp;atilde;os no corrim&amp;atilde;o, cabe&amp;ccedil;a voltada para tr&amp;aacute;s, foi a coisa mais bonita que eu j&amp;aacute; vi em toda minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se foi. Eu n&amp;atilde;o fiz nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto estupidamente para o trabalho, pros memorandos, pros relat&amp;oacute;rios, pro meu rock &amp; roll alto dentro dos t&amp;iacute;mpanos, me sentindo mais est&amp;uacute;pido que nunca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106934420094097931?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106934420094097931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106934420094097931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106934420094097931'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106916955250174391</id><published>2003-11-18T12:32:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.784-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Folk song&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sigo pelas ruas em passo lento. Vejo tudo e todos me v&amp;ecirc;m, mas n&amp;atilde;o entendem. Caminho com vagar, como o andamento de uma m&amp;uacute;sica do Dylan. Revisito minha estrada sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam as pessoas. N&amp;atilde;o temos nada em comum. E quem tem algo em comum com o outro? Os outros, s&amp;atilde;o os outros. Pego meu ma&amp;ccedil;o de cigarros amassado no bolso, acendo um dos &amp;uacute;ltimos e solto a baforada. A fuma&amp;ccedil;a tem mais em comum comigo que essas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tempo est&amp;aacute; prestes a mudar. A saudade de casa vai passar, em alguma rua dessas. Em alguma rua dessas as feridas fechar&amp;atilde;o. Como deve ser, como sempre deve ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se me perguntarem - sobre a vida que criei para mim mesmo - "&lt;i&gt;foi bom pra voc&amp;ecirc;&lt;/i&gt;", vou responder com um beijo, um acorde da can&amp;ccedil;&amp;atilde;o que vive na minha mente e seguirei com meus passos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106916955250174391?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106916955250174391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=106916955250174391&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106916955250174391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106916955250174391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2003/11/folk-song-sigo-pelas-ruas-em-passo.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106911011806365797</id><published>2003-11-17T20:01:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.788-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Tem vaga&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Tem vaga para vivo, mas acabou. Tem vaga para pensante, mas acabou. Tem  vaga para pessoas que fazem coisas relevantes. Mas essa acabou faz tempo! Quando voc&amp;ecirc; pensa que vai ter vaga para uma coisa que nem seja t&amp;atilde;o legal assim, como pra suicida em potencial depois de d&amp;eacute;cadas de uma vida med&amp;iacute;ocre, voc&amp;ecirc; se ferra: at&amp;eacute; para isso, tem vaga, mas acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vagas para idiotas que n&amp;atilde;o se importam com nada tamb&amp;eacute;m tinham, mas acabaram. Para idiotas que se importariam com tudo, se entendessem tudo, tamb&amp;eacute;m. Esque&amp;ccedil;a as de revoltado impotente. Essas s&amp;atilde;o das primeiras a acabar. Tem vaga para falso niilista. Mas acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ent&amp;atilde;o s&amp;oacute; te sobra aquele lugar apertado no fundo do &amp;ocirc;nibus. L&amp;aacute; tem vaga. Voc&amp;ecirc; passa pelo coletivo lotado, trombando em outras pessoas que, como voc&amp;ecirc;, n&amp;atilde;o acharam vaga para nada. Misteriosamente, ningu&amp;eacute;m ocupou aquela vaga. Voc&amp;ecirc; se senta. Arranjou uma vaga. A vaga de in&amp;uacute;til que faz concess&amp;otilde;es para tudo. N&amp;atilde;o &amp;eacute; das melhores, mas &amp;eacute; uma vaga. Essa tem. E n&amp;atilde;o acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem nem come&amp;ccedil;a e aparece uma gr&amp;aacute;vida ao seu lado, cheia de sacolas. Voc&amp;ecirc; tem que ceder seu lugar para ela. Ela se senta e tira uma sacola de dentro da camisa. A barriga era falsa e ela ri. Todos riem. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o faz nada. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106911011806365797?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106911011806365797/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=106911011806365797&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106911011806365797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106911011806365797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2003/11/tem-vaga-tem-vaga-para-vivo-mas-acabou.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106908264010432615</id><published>2003-11-17T12:24:00.000-03:00</published><updated>2003-11-17T12:24:22.686-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Boas not&amp;iacute;cias&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Chegou dizendo que trazia boas not&amp;iacute;cias. Nada. N&amp;atilde;o existem boas not&amp;iacute;cias. Tudo continua igual nesse mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;-&lt;b&gt;&lt;i&gt;Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; muito deprimido&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;- ela falou, sorridente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o sei se ela realmente achou gra&amp;ccedil;a nesse meu jeito triste ou se riu apenas pra me alegrar. N&amp;atilde;o adiantaria, era bom ela saber. Certas pessoas nascem assim, sem raz&amp;otilde;es para sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;b&gt;&lt;i&gt;Isso &amp;eacute; cena, eu sei. Vem c&amp;aacute;.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transamos e foi bom, claro. At&amp;eacute; me senti feliz por alguns momentos. Certas pessoas nascem assim, fazem qualquer um sorrir, at&amp;eacute; os mais tristes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi embora logo depois. Tinha que trabalhar. No fim das contas, ela nem me falou qual era a boa not&amp;iacute;cia. N&amp;atilde;o precisava. Ela era a melhor not&amp;iacute;cia que poderia haver. Sorri ao pensar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas pessoas nascem assim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106908264010432615?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106908264010432615/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106908264010432615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106908264010432615'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106851501146964910</id><published>2003-11-10T22:43:00.000-03:00</published><updated>2003-11-13T18:57:41.653-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Ex&amp;iacute;lio&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;As vezes vem no vento&lt;br /&gt;Que refresca como o de l&amp;aacute;&lt;br /&gt;Outras, uma m&amp;uacute;sica&lt;br /&gt;Vinda de um r&amp;aacute;dio qualquer&lt;br /&gt;Difundido cart&amp;atilde;o postal&lt;br /&gt;Que independe de venda&lt;br /&gt;Recebo seu toque assim&lt;br /&gt;Sem procurar&lt;br /&gt;Como se eu, filho n&amp;atilde;o pr&amp;oacute;digo&lt;br /&gt;Merecesse tal regalia&lt;br /&gt;Ex&amp;iacute;lio &amp;eacute; dor aguda&lt;br /&gt;&amp;Eacute; agulha que penetra a pele&lt;br /&gt;Sem clem&amp;ecirc;ncia&lt;br /&gt;Toda vez que minha terra me beija&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106851501146964910?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106851501146964910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106851501146964910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106851501146964910'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106734746238194341</id><published>2003-10-28T10:24:00.000-03:00</published><updated>2003-10-28T10:24:21.610-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Um, dois, tr&amp;ecirc;s e...&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o faz isso, rapaz!!!&lt;br /&gt;- Por que n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- Preciso mesmo falar? Olha a altura da queda!!!&lt;br /&gt;- Quando pensamos em nos matar, quanto mais alto estamos, melhor o resultado, n&amp;atilde;o acha?&lt;br /&gt;- E quem disse que ele quer se matar?&lt;br /&gt;- Agora eu que te pergunto: precisa mesmo falar? O que diabos ele estaria fazendo de p&amp;eacute; no parapeito de uma janela no vig&amp;eacute;simo andar de um pr&amp;eacute;dio? Observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de p&amp;aacute;ssaros?&lt;br /&gt;- Ele N&amp;Atilde;O quer se matar. Ele s&amp;oacute; est&amp;aacute; confuso.&lt;br /&gt;- Hmmm...Ele me parece bem decidido, para ter chegado at&amp;eacute; aqui.&lt;br /&gt;- Mas n&amp;atilde;o est&amp;aacute;. Volta j&amp;aacute; pra dentro, rapaz! Olha que voc&amp;ecirc; cai da&amp;iacute;!&lt;br /&gt;- Ele n&amp;atilde;o vai cair. Ele vai pular.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o vai, n&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- Vai.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o vai.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom, t&amp;aacute; bom...essa discuss&amp;atilde;o n&amp;atilde;o leva a nada. Porque n&amp;atilde;o perguntamos pra ele?&lt;br /&gt;- Ah, n&amp;atilde;o, nada disso. Ele n&amp;atilde;o est&amp;aacute; no seu estado normal.&lt;br /&gt;- Ah, &amp;eacute;? E agora voc&amp;ecirc; julga "estados"?&lt;br /&gt;- Algu&amp;eacute;m que est&amp;aacute; de p&amp;eacute; em um parapeito no vig&amp;eacute;simo andar de um pr&amp;eacute;dio te parece estar no seu estado normal?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, parece estar afim de se matar. E &amp;eacute; justamente isso que ele vai fazer.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o vai.&lt;br /&gt;- Vai.&lt;br /&gt;- Olha... Pensa bem. Ele vai se esborrachar l&amp;aacute; embaixo, vai fazer a maior sujeira...&lt;br /&gt;- E da&amp;iacute;? Ele n&amp;atilde;o vai precisar limpar nada...&lt;br /&gt;- Muito engra&amp;ccedil;ado...Pensa na dor. Deve ser horr&amp;iacute;vel se esfacelar todo...&lt;br /&gt;- Nada, s&amp;oacute; vai durar um segundo. Isso se ele n&amp;atilde;o sofrer um ataque card&amp;iacute;aco antes. Acontece muito.&lt;br /&gt;- Ent&amp;atilde;o!!! Ataques card&amp;iacute;acos doem pra burro!&lt;br /&gt;- Pode ser, mas vai ser rapidinho tamb&amp;eacute;m...depois do "plaft" no ch&amp;atilde;o, ele nunca mais vai sentir dor...&lt;br /&gt;- &lt;b&gt;D&amp;Aacute; PROS DOIS CALAREM A BOCA??!?!?!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Ahn? Quem falou isso?&lt;br /&gt;- Ih...olha o suicida dando ataque!!!&lt;br /&gt;- &lt;b&gt;Porra!!! Me deixem em paz, merda!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Nossa...que mo&amp;ccedil;a nervosa!!!!&lt;br /&gt;- Hahahaha...vai ver &amp;eacute; por isso que a bichona quer se matar.&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; por isso, mocinha? Se for, ent&amp;atilde;o pula!!!&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; isso mesmo!!! Pu-la, pu-la, pu-la!&lt;br /&gt;- &lt;b&gt;Vou pular mesmo!!! E a culpa &amp;eacute; de voc&amp;ecirc;s!!!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Era o que faltava! A mocinha agora coloca a culpa dos problemas dele em cima de gente!&lt;br /&gt;- Onde j&amp;aacute; se viu!!! Assuma seus defeitos, amigo...&lt;br /&gt;- &lt;b&gt;Eu estou assumindo! E a culpa &amp;eacute; de voc&amp;ecirc;s mesmo! N&amp;atilde;o posso mais viver com voc&amp;ecirc;s dois falando na minha cabe&amp;ccedil;a o tempo todo! Para mim, n&amp;atilde;o bastava ter esquizofrenia; eu tinha que ter o azar de pegar duas vozes chatas para falar na minha mente!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Mas voc&amp;ecirc; &amp;eacute; uma besta mesmo, n&amp;atilde;o? E isso &amp;eacute; motivo pra se matar?&lt;br /&gt;- &amp;Eacute;! Carinha mais fraco! Deixa de ser covarde!&lt;br /&gt;- &lt;b&gt;&amp;Eacute; isso mesmo....vou deixar de ser covarde...um, dois, tr&amp;ecirc;s e....&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Caralho! A bichona pulou mesmo!!!&lt;br /&gt;- Pois &amp;eacute;, que retarda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PLAFT&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106734746238194341?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106734746238194341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106734746238194341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106734746238194341'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106734060908503387</id><published>2003-10-28T08:30:00.000-03:00</published><updated>2003-10-28T08:30:27.480-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Era uma festa no teatro. O elenco comemorava junto com a equipe t&amp;eacute;cnica o sucesso da estr&amp;eacute;ia e as cr&amp;iacute;ticas excelentes que sa&amp;iacute;ram no dia seguinte. Cumpriram o ritual de esperar sair o jornal e compr&amp;aacute;-lo ainda fresquinho, l&amp;aacute; pelas 4 da manh&amp;atilde;. Beberam, obviamente, durante toda a espera. Os elogios dos cr&amp;iacute;ticos s&amp;oacute; confirmaram o que os v&amp;aacute;rios minutos de aplausos de p&amp;eacute; os fez pensar: o &amp;ecirc;xito da montagem foi total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, algo inusitado acontecia. No meio dos festejos e da gritaria causados pelo &amp;aacute;lcool e pelo retumbante sucesso da pe&amp;ccedil;a, uma pessoa estava quieta, taciturna, desde a leitura das cr&amp;iacute;ticas. E justamente aquela que deveria estar mais exultante. Saulo Rebeskini, autor e diretor da pe&amp;ccedil;a, parecia muito aborrecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&amp;oacute; notaram sua atitude na hora do brinde com toda a equipe, quando terminaram de ler o &amp;uacute;ltimo caderno cultural. Saulo n&amp;atilde;o estava entre eles. Depois de um breve corre-corre, encontram-no afundado em uma poltrona, as m&amp;atilde;os no queixo e uma cara decepcionada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, Saulo!!! O que voc&amp;ecirc; t&amp;aacute; fazendo a&amp;iacute;, rapaz? Vem brindar com a gente! - chamou Raul, o assistente de dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o estou no clima... - respondeu.&lt;br /&gt;- Que cara &amp;eacute; Saulo? Parece que t&amp;aacute; num enterro!!! - perguntou Franklin, o protagonista da pe&amp;ccedil;a, visivelmente b&amp;ecirc;bado.&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; como se fosse... - disse Saulo, sem o menor jeito de quem queria conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo a cena inesperada de ter que consolar o respons&amp;aacute;vel pela bem sucedida pe&amp;ccedil;a, o restante dos presentes rodeou a poltrona onde sentava Saulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que voc&amp;ecirc; tem?!?! A pe&amp;ccedil;a foi muito bem! Todos os jornais elogiaram! Deram nota m&amp;aacute;xima para dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o e pro seu texto! - disse algu&amp;eacute;m do grupo&lt;br /&gt;- Eu sei...e esse &amp;eacute; o problema!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raul sentou num dos bra&amp;ccedil;os da poltrona e segurou Saulo pelos ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ent&amp;atilde;o qual &amp;eacute; o problema, Saulo? Voc&amp;ecirc; queria que a pe&amp;ccedil;a fracassasse?&lt;br /&gt;- Acho que..sim. N&amp;atilde;o queria que minha primeira encena&amp;ccedil;&amp;atilde;o fosse um sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se olharam, boquiabertos. Ningu&amp;eacute;m sabia o que dizer. Depois das palavras do Saulo, copos foram deixados nas mesas, garrafas foram abandonadas e as risadas foram substitu&amp;iacute;das por express&amp;otilde;es interrogativas. O sil&amp;ecirc;ncio foi quebrado pelo pr&amp;oacute;prio int&amp;eacute;rprete da cena, que notou que sua rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi completamente inesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que vou fazer agora? Eu n&amp;atilde;o tenho mais como escrever ou dirigir nada! Se eu fosse mal em alguma coisa, texto ou dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o, tudo bem...Mas ir bem nos dois? Estou num beco sem sa&amp;iacute;da!&lt;br /&gt;- O que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; falando, homem!!! Agora todas as portas estar&amp;atilde;o abertas pra voc&amp;ecirc;! - falou o tr&amp;ocirc;pego Franklin.&lt;br /&gt;- A&amp;iacute; &amp;eacute; que est&amp;aacute;! Eu se eu n&amp;atilde;o corresponder? N&amp;atilde;o quero ser decadente logo no meu segundo trabalho! E como eu vou conseguir superar essa estr&amp;eacute;ia!&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; vai conseguir, Saulo! Que paran&amp;oacute;ia &amp;eacute; essa, justo nessa hora? Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; o cara mais talentoso...&lt;br /&gt;- ...que voc&amp;ecirc; conhece. Sei, sei, j&amp;aacute; ouvi essa hist&amp;oacute;ria e concordo com ela. Tenho a no&amp;ccedil;&amp;atilde;o exata do meu talento. Essa pe&amp;ccedil;a &amp;eacute; excelente porque ela foi o meu sonho realizado. Ela saiu justamente como eu imaginava que sairia. Ela j&amp;aacute; estava montada na minha cabe&amp;ccedil;a, e foi assim encenada. Eu sei que ela vai ser o ponto m&amp;aacute;ximo da minha carreira. S&amp;oacute; que o in&amp;iacute;cio de carreira n&amp;atilde;o pode ser seu ponto m&amp;aacute;ximo ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;- Mas..- exitou Raul antes de continuar - quem disse que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o vai conseguir fazer nada melhor? De onde voc&amp;ecirc; tirou essa id&amp;eacute;ia?&lt;br /&gt;- Eu sei, Raul. Eu sei que nunca vou superar esse come&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;- Ah... Nesse jornal disseram que voc&amp;ecirc; poderia ter feito uma pe&amp;ccedil;a maior...isso &amp;eacute; um defeito! - falou Regina, uma coadjuvante n&amp;atilde;o muito brilhante.&lt;br /&gt;- Queriam uma pe&amp;ccedil;a maior para que ela desse maior prazer pra plat&amp;eacute;ia, Regina. &amp;Eacute; isso que est&amp;aacute; escrito na mat&amp;eacute;ria. Isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; bem um defeito.&lt;br /&gt;- Isso tudo &amp;eacute; viadagem de autor angustiado! Bebe logo um u&amp;iacute;sque e para de babaquice, Raul! - gritou Giovanni, o produtor do espet&amp;aacute;culo.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o &amp;eacute; viadagem, Giovanni. Eu n&amp;atilde;o estou feliz com o come&amp;ccedil;o da minha derrocada. Apenas isso.&lt;br /&gt;- T&amp;oacute;...pega esse copo e bebe, porra! - Giovanni entregou para Saulo um copo cheio de bebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saulo pegou o copo contrariado e o virou em uma talagada, sob o olhar de todos a sua volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora Saulo? - perguntou Giovanni - T&amp;aacute; vendo as coisas mais claramente agora?&lt;br /&gt;- T&amp;ocirc;. E agora mesmo que eu vi que estou encurralado na minha carreira de dramaturgo.&lt;br /&gt;- Ai, caralho! Desisto! Raul, d&amp;aacute; um jeito nesse cara que ele &amp;eacute; amigo seu...- disse Giovanni se retirando.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc;s n&amp;atilde;o entendem! O fracasso &amp;eacute; experi&amp;ecirc;ncia vital para qualquer um. Eu tinha planejado toda minha carreira e seria no seu in&amp;iacute;cio que eu iria falhar. Eu contava com o aprendizado que s&amp;oacute; um projeto mal sucedido pode oferecer.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; exagerando Saulo. Deixa de drama, homem de Deus!&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o estou exagerando, Raul. &amp;Eacute; assim que &amp;eacute;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confraterniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o estava arruinada. N&amp;atilde;o havia mais clima para nada, muito menos para comemorar. O primeiro a ir foi Giovanni, que acabou levou consigo v&amp;aacute;rios dos integrantes da equipe. Em pouco tempo s&amp;oacute; restava Saulo e Raul nos bastidores do teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos embora, Saulo. Todo mundo j&amp;aacute; foi, voc&amp;ecirc; conseguiu acabar com a festa.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o entende, n&amp;atilde;o &amp;eacute; Raul? &lt;br /&gt;- O que h&amp;aacute; para entender, Saulo? Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; triste porque sua pe&amp;ccedil;a n&amp;atilde;o foi um fracasso. Como algu&amp;eacute;m em s&amp;atilde; consci&amp;ecirc;ncia pode entender isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raul olha para Saulo e nota que ele est&amp;aacute; completamente alheio &amp;agrave; sua presen&amp;ccedil;a. Quando ele come&amp;ccedil;a a falar, n&amp;atilde;o &amp;eacute; com Raul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fiz o melhor que pude. Calculei tudo, reescrevi passagens inteiras do texto. Eu mesmo supervisionei a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos cen&amp;aacute;rios, da ilumina&amp;ccedil;&amp;atilde;o, das roupas. Ensaiei com os atores exaustivamente, tirando o m&amp;aacute;ximo at&amp;eacute; dos mais fracos. Depois de tudo pronto, revi cada parte da pe&amp;ccedil;a, a procura de defeitos e os que havia, eu os acertei. Era para tudo, tudo, tudo sair perfeito.&lt;br /&gt;- Mas saiu, Saulo!!!&lt;br /&gt;- E esse &amp;eacute; o problema. N&amp;atilde;o era poss&amp;iacute;vel que sa&amp;iacute;sse. N&amp;atilde;o nessa pe&amp;ccedil;a. Algu&amp;eacute;m tinha que encontrar algum defeito nela. Eu pensei at&amp;eacute; em sabot&amp;aacute;-la em alguns momentos, mas n&amp;atilde;o fiz. Eu queria que sa&amp;iacute;sse tudo perfeito, tudo, mesmo sabendo que isso era improv&amp;aacute;vel. Mas aconteceu...&lt;br /&gt;- T&amp;aacute;, Saulo. As cr&amp;iacute;ticas sa&amp;iacute;ram, seu trabalho foi exaltado e voc&amp;ecirc; - sabe-se l&amp;aacute; porque diabos - n&amp;atilde;o ficou muito satisfeito. Queria falhar, mas acontece que n&amp;atilde;o falhou em nada. Foi perfeito. E agora? Vai fazer o que? O que voc&amp;ecirc; quer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saulo n&amp;atilde;o responde. Pensativo por alguns minutos, responde em seguida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o sei...N&amp;atilde;o sei o que eu quero ou o que eu vou fazer daqui pra frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raul levou Saulo para casa depois da conversa que tiveram. Saulo estava meio alto e quando chegou em casa foi direto para cama. Precisava por as id&amp;eacute;ias em ordem. Nem ele mesmo sabia ao certo o porque de tamanha frustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o sucesso. Queria ter falhado em algo, isso ele j&amp;aacute; tinha assimilado. Mas sua obsess&amp;atilde;o pelas cr&amp;iacute;ticas negativas que n&amp;atilde;o vieram ainda n&amp;atilde;o era totalmente  entendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, a primeira coisa que Raul fez foi ir at&amp;eacute; a casa do Saulo. Estava preocupado com o amigo. Uma pessoa que ficasse t&amp;atilde;o infeliz com a boa sorte de um projeto pessoal seria capaz de qualquer coisa. Tocou o interfone no pr&amp;eacute;dio do Saulo, que demorou pouco para atender. "&lt;i&gt;Deve ter acordado cedo&lt;/i&gt;", imaginou Raul. Subiu com o elevador e encontrou a porta de Saulo aberta, a sua espera. De dentro do apartamento, o som de Bach sa&amp;iacute;a num volume desproporcional para a hora do dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m ficou surdo? - entrou falando Raul, momentos antes de se emudecer por completo. A casa do Saulo estava numa completa balb&amp;uacute;rdia. Dezenas de livros estavam espalhadas pelo ch&amp;atilde;o, abertos. Discos, revistas, reprodu&amp;ccedil;&amp;otilde;es de obras de arte, tudo numa anarquia completa. Saulo estava sentado no meio dessa loucura toda, com a barba por fazer e com a mesma roupa da noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Raul, eu descobri. &lt;br /&gt;- O que &amp;eacute; isso, Saulo??? Que bagun&amp;ccedil;a &amp;eacute; essa?!?!&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o dormi muito hoje, Raul. Tive uma vis&amp;atilde;o, um insight, n&amp;atilde;o sei como explicar...mas eu descobri a raz&amp;atilde;o da minha insatisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- "&lt;i&gt;Insight&lt;/i&gt;"? Saulo, voc&amp;ecirc; ainda est&amp;aacute; b&amp;ecirc;bado?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o...Estou s&amp;oacute;brio, como nunca estive antes. &lt;br /&gt;- O que diabos aconteceu, Saulo?&lt;br /&gt;- Ontem &amp;agrave; noite, depois que voc&amp;ecirc; me trouxe para casa, eu fui direto para cama. Mas n&amp;atilde;o dormi muito. Acordei com algu&amp;eacute;m me chamando, aqui dentro de casa.&lt;br /&gt;- Como assim, "&lt;i&gt;algu&amp;eacute;m me chamando&lt;/i&gt;"? Algu&amp;eacute;m estava aqui?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o. Quer dizer, sim. Bom, pra falar a verdade, n&amp;atilde;o sei explicar direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raul tentou evitar a cara de estranhamento que tinha acabado de fazer, mas foi imposs&amp;iacute;vel. Ele n&amp;atilde;o precisou fazer a pergunta que Saulo respondeu em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, Raul, eu n&amp;atilde;o estou louco. Levantei e encontrei um sujeito sentado diante da minha cama. Levei um baita susto. Perguntei quem ele era e como tinha entrado na minha casa. Ele disse que n&amp;atilde;o veio fazer nada de mal para mim, que n&amp;atilde;o era um ladr&amp;atilde;o. S&amp;oacute; queria conversar um pouco comigo.&lt;br /&gt;- Ahn? Saulo, que hist&amp;oacute;ria &amp;eacute; essa? Como o cara entrou? Quem era esse sujeito?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o me interrompa, Raul. Era um cara de meia idade, grisalho, sem tra&amp;ccedil;os caracter&amp;iacute;sticos. Era t&amp;atilde;o comum que posso dizer que era imposs&amp;iacute;vel de ser descrito. Aparentava tanta calma que nem pensei em fazer nada. Assim que ele falou que n&amp;atilde;o ia fazer nada de mal, me tranq&amp;uuml;ilizei na hora. N&amp;atilde;o me pergunte porque.&lt;br /&gt;- Claro que n&amp;atilde;o vou perguntar! Ao que parece, voc&amp;ecirc; ficou completamente louco!&lt;br /&gt;- Espera Raul! Ele come&amp;ccedil;ou a falar. Disse que sabia pelo que eu estava passando e veio me ajudar. Queria conversar comigo sobre o conceito de  perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- O que? Saulo, essa &amp;eacute; hist&amp;oacute;ria mais louca que eu j&amp;aacute; ouvi. &lt;br /&gt;- Pra mim tamb&amp;eacute;m &amp;eacute;, amigo. Mas me deixe continuar. Ele come&amp;ccedil;ou dizendo que muita gente j&amp;aacute; passou pela afli&amp;ccedil;&amp;atilde;o que eu passei. Que a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de "dever cumprido", de n&amp;atilde;o ter mais o que fazer depois de realizar algo incapaz de ser superado por si mesmo, era comum em artistas e que os verdadeiros artistas sempre sabem a hora de parar. Quando n&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais nada de relevante a ser criado, esses artistas de verdade penduram as chuteiras. E que o meu problema &amp;eacute; que eu havia pulado todas as etapas de um progresso art&amp;iacute;stico e realizei minha obra-prima prematuramente. &lt;br /&gt;- Bom...isso foi mais ou menos a raz&amp;atilde;o do seu choror&amp;ocirc; ontem.&lt;br /&gt;- Eu sei. Entendi de primeira que esse era um dos motivos pelos quais deveria me preocupar no futuro. Como poderia superar esse meu primeiro trabalho? Essa era uma quest&amp;atilde;o. Mas eu ainda n&amp;atilde;o sabia porque isso me incomodava tanto. Eu poderia...sei l&amp;aacute;, abandonar o teatro.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o seja rid&amp;iacute;culo, Saulo!&lt;br /&gt;- Calma, Raul. Depois da conversa com o estranho, eu descobri o que me incomodava: minha pe&amp;ccedil;a, apesar de todas as an&amp;aacute;lises dizerem o contr&amp;aacute;rio, n&amp;atilde;o &amp;eacute; perfeita.&lt;br /&gt;- Claro que &amp;eacute;, Saulo! Ningu&amp;eacute;m p&amp;ocirc;de encontrar um sen&amp;atilde;o nela! Ningu&amp;eacute;m conseguiu encontrar um defeito sequer em todo espet&amp;aacute;culo!&lt;br /&gt;- E &amp;eacute; esse justamente o seu &amp;uacute;nico defeito! Ela n&amp;atilde;o tem defeitos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente Raul n&amp;atilde;o conseguiu evitar a express&amp;atilde;o de preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que parece contradit&amp;oacute;rio, Raul, mas o estranho me explicou tudo. Ele me falou que  "&lt;i&gt;&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;" perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; uma meta que apenas serve como objetivo. Alcan&amp;ccedil;ar a perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; um ideal, um sonho. NADA pode ser perfeito. Ele me deu v&amp;aacute;rios exemplos e eu procurei outros aqui em casa, por isso todos esses livros e discos espalhados. A perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o existe. Os defeitos fazem parte de qualquer processo criativo e ele me mostrou as falhas das maiores obras de arte dos maiores nomes da cultura de todos os tempos. Dante, Shakespeare, Rafael, Michelangelo, Da Vinci, Bach, Picasso, Cervantes. Mesmo em seus principais trabalhos, podemos encontrar algo falho neles. Mesmo que impercept&amp;iacute;vel, eles existem. N&amp;atilde;o haver falhas no meu trabalho, &amp;eacute; uma falha.&lt;br /&gt;- Saulo...Voc&amp;ecirc; definitivamente est&amp;aacute; b&amp;ecirc;bado.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o estou Raul! - falou agarrando o amigo pelos bra&amp;ccedil;os - Os defeitos fazem parte da vida, assim como da arte. Eu falhei justamente por n&amp;atilde;o ter falhado. A perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o existe e mesmo que existisse, n&amp;atilde;o seria perfeita. Entendeu?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o. E me admira muito um sujeito culto como voc&amp;ecirc; cair numa esparrela de um desconhecido que invadiu sua casa no meio da madrugada para falar esse tipo de besteira. E quem era o sujeito afinal?&lt;br /&gt;- Ele n&amp;atilde;o me disse seu nome. Mas depois do &amp;uacute;ltimo exemplo que ele me deu de "obra-prima com defeitos", tenho uma desconfian&amp;ccedil;a de que eu saiba quem &amp;eacute; o sujeito. Sabe quando falamos do que n&amp;oacute;s mesmos fizemos e n&amp;atilde;o conseguimos evitar aquela pontinha de orgulho?&lt;br /&gt;- Ah, &amp;eacute;? E qual foi o exemplo?&lt;br /&gt;- Ele come&amp;ccedil;ou falando que minha busca pela "pe&amp;ccedil;a perfeita" era justificada. J&amp;aacute; realiz&amp;aacute;-la era imposs&amp;iacute;vel e eu ter notado isso, a despeito do que todos disseram, foi o que me salvou da soberba, do orgulho. Foi a&amp;iacute; que ele me disse que buscar a perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; uma obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o do artista, mas quando ele pensa que a alcan&amp;ccedil;ou, prova que &amp;eacute; um insano; &amp;eacute; cometer uma afronta ao maior criador de todos, j&amp;aacute; que at&amp;eacute; sua obra m&amp;aacute;xima &amp;eacute; a maior cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o j&amp;aacute; feita e ainda assim &amp;eacute; falha. &lt;br /&gt;- De quem ele estava falando, afinal?&lt;br /&gt;- Dele mesmo. E a obra m&amp;aacute;xima que ele falou era a pr&amp;oacute;pria vida.&lt;br /&gt;- A pr&amp;oacute;pria vida? E isso quer dizer que...&lt;br /&gt;- Deus, Raul, Deus...Foi o risinho dele de falsa mod&amp;eacute;stia depois de falar da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da vida que o entregou. Ele, DEUS, em pessoa - se &amp;eacute; que eu posso falar assim sem ser herege - me visitou.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; chama DEUS de orgulhoso, fala que ele veio at&amp;eacute; aqui s&amp;oacute; pra apaziguar suas neuroses de artista atormentado e est&amp;aacute; se preocupando com heresias? Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o &amp;eacute; herege, Saulo, voc&amp;ecirc; &amp;eacute; louco!&lt;br /&gt;- Raul...n&amp;atilde;o sei se foi Ele que esteve aqui, pode ter sido uma alucina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mas, n&amp;atilde;o vejo problemas dele vir aqui...Ele n&amp;atilde;o &amp;eacute; onipresente? E se Deus n&amp;atilde;o pode ter orgulho da sua cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o, quem mais pode ter?&lt;br /&gt;- Saulo, vai tomar um banho...voc&amp;ecirc; deve estar cansado. Isso s&amp;oacute; pode ser um esgotamento nervoso.&lt;br /&gt;- At&amp;eacute; vou tomar um banho, mas eu nunca estive t&amp;atilde;o bem em toda minha vida.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom, t&amp;aacute; bom. N&amp;atilde;o vou discutir isso com voc&amp;ecirc;. Se voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; feliz, &amp;eacute; isso que importa. S&amp;oacute; me faz um favor: n&amp;atilde;o comenta isso com ningu&amp;eacute;m, certo? N&amp;atilde;o quero ver voc&amp;ecirc; internado num sanat&amp;oacute;rio.&lt;br /&gt;- Combinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Saulo tomava seu banho, Raul foi arrumando a bagun&amp;ccedil;a feita pelo amigo. Estava realmente preocupado com ele. De todas as loucuras, at&amp;eacute; habituais, do seu amigo, essa havia batido todos os recordes. Estaria Saulo ficando maluco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que fosse isso, a vida de ambos seguiu sem que ocorresse problemas ou novas visitas divinas. Saulo continuou sua carreira, com muito sucesso, mas sem repetir as cr&amp;iacute;ticas impec&amp;aacute;veis da sua primeira pe&amp;ccedil;a. Os analistas do seu trabalho sempre encontravam algum defeito nos seus espet&amp;aacute;culos posteriores, seja uma hesita&amp;ccedil;&amp;atilde;o no texto ou uma certa frouxid&amp;atilde;o na dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Apesar disso, todos eram muito elogiados, &amp;agrave;s vezes at&amp;eacute; mais que seu primeiro &amp;ecirc;xito. Saulo nunca esteve t&amp;atilde;o feliz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106734060908503387?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106734060908503387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106734060908503387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106734060908503387'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106630795381762048</id><published>2003-10-16T09:39:00.000-03:00</published><updated>2003-10-16T09:39:13.440-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Feliz Anivers&amp;aacute;rio, Doris&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;   &lt;br /&gt;Seu nome era Doris Deyse. Era loira, olhos azuis e m&amp;atilde;e de fam&amp;iacute;lia. Era seu auto-retrato. Gostava de se descrever assim. Seu maior orgulho era poder responder em todos os question&amp;aacute;rios das revistas sobre comportamento que era "&lt;i&gt;do lar&lt;/i&gt;". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E das melhores! - sempre dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia que n&amp;atilde;o trabalhava porque n&amp;atilde;o queria. Ficou noiva do primeiro namorado aos 17, quando tinha acabado de se formar normalista. N&amp;atilde;o chegou a dar aula para as crian&amp;ccedil;as (que ela adorava!), casou com 18 e foi realizar seu sonho de dona de casa. O marido sa&amp;iacute;a para o trabalho, terno e pasta na m&amp;atilde;o e ela ficava em casa, sem trabalhar: arrumar os quartos, varrer a casa, fazer o almo&amp;ccedil;o, ver algum programa de audit&amp;oacute;rio vespertino - &lt;i&gt;eu me divirto muito com a tv!&lt;/i&gt; - e uma cochilada &amp;agrave; tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era feliz. Os filhos vieram pouco tempo depois. Um menino e uma menina, um atr&amp;aacute;s do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora tudo est&amp;aacute; perfeito! Um menino mais velho, para proteger a irm&amp;atilde; ca&amp;ccedil;ula! - falava orgulhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rotina a deixava feliz. Acordar cedo, aprontava o caf&amp;eacute; da manh&amp;atilde; para fam&amp;iacute;lia, arrumava a casa, via Tv e dormia. Estava realizada e se achava a melhor mulher do mundo. Cumpria suas obriga&amp;ccedil;&amp;otilde;es, fazia valer o sal&amp;aacute;rio que o marido trazia para casa e criava bem os filhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o gostava muito de pensar. N&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o era uma alienada (&lt;i&gt;Esse governo...Sei n&amp;atilde;o, viu?&lt;/i&gt; - fazia essa an&amp;aacute;lise mandato ap&amp;oacute;s mandato). S&amp;oacute; n&amp;atilde;o pensava muito na sua vida. Para ela, isso s&amp;oacute; servia para criar problemas e desestruturar seu lar perfeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como toda mulher, tinha "aqueles dias". Nessa &amp;eacute;poca, ficava mais quieta, &amp;agrave;s vezes dormia mais a tarde. Se dava esse luxo. A vontade de bater nos filhos - que estavam na idade em que come&amp;ccedil;avam a criar problemas - ela controlava. "&lt;i&gt;Surras n&amp;atilde;o levam a nada! Temos que ser compreensivos!&lt;/i&gt;" - era seu lema. Ela ficava mais irritada "nesses dias", mas nem os anos sem uma das suas paix&amp;otilde;es, o cinema (&lt;i&gt;ADORO fitas rom&amp;acirc;nticas!&lt;/i&gt;), por falta de tempo do marido para lev&amp;aacute;-la a incomodavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele trabalha muito, coitado! Sempre faz ser&amp;atilde;o at&amp;eacute; de madrugada duas vezes por semana! Tenho que dar minha cota de sacrif&amp;iacute;cio. Afinal de contas, eu n&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;o nada e ele sustenta a casa! - refletia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia em que estava mais nervosa, n&amp;atilde;o sabia porque, bebeu um pouco do u&amp;iacute;sque do marido. Relaxou, apesar do gosto amargo. "&lt;i&gt;Prefiro laranjada! &amp;Eacute; mais docinho!&lt;/i&gt;". Gostou tanto da sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que isso se tornou um h&amp;aacute;bito. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; "naqueles dias", mas toda vez que se sentia cansada ou incomodada por algo que n&amp;atilde;o sabia explicar. Ficava feliz quando bebia. As vezes, alegre, at&amp;eacute; colocava suas roupas antigas, de quando era normalista. Elas quase n&amp;atilde;o cabiam mais - "&lt;i&gt;Ser do lar engorda!&lt;/i&gt;" falava, divertida. Al&amp;eacute;m do mais, fazia tempo j&amp;aacute; que n&amp;atilde;o era uma adolescente. Era uma senhora j&amp;aacute;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mantinha-se feliz, depois de todos os anos, todas as arruma&amp;ccedil;&amp;otilde;es de casa, todos os problemas cada vez maiores dos filhos e dos ser&amp;otilde;es mais longos e repetidos do marido. Tinha sua garrafa &amp;agrave; tarde - come&amp;ccedil;ou a comprar uma s&amp;oacute; para ela, economizando nas compras de m&amp;ecirc;s - e isso bastava. N&amp;atilde;o ligava para os namorados esquisitos da filha e nem para o fato do filho mais velho, que devia proteger a ca&amp;ccedil;ula, estar sempre a&amp;eacute;reo e com uns amigos estranhos, que fediam a uma fuma&amp;ccedil;a com cheiro estranho. Do marido, n&amp;atilde;o podia reclamar. Ele era o arrimo da fam&amp;iacute;lia. E a explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dele para aquelas manchas vermelhas na camisa foram muito plaus&amp;iacute;veis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que completaria 45 anos, n&amp;atilde;o mudou sua rotina. Esperava algum gesto do marido, mas ele havia ido dormir tarde e acordou atrasado para o trabalho. J&amp;aacute; n&amp;atilde;o esperava o beijo de bom dia dele, h&amp;aacute;bito abolido j&amp;aacute; h&amp;aacute; anos. Ele engoliu o caf&amp;eacute; e saiu, sem se despedir ou felicit&amp;aacute;-la. Foi acordar a filha, para o desejum. Ela n&amp;atilde;o estava no seu quarto e sua cama, ainda estava arrumada. Ficou preocupada. Foi at&amp;eacute; o quarto do filho, perguntar se ele sabia da irm&amp;atilde; menor. O quarto tinha o mesmo que os amigos do filho tinham. Ele estava estirado na cama e n&amp;atilde;o acordou nem com os chamados, nem com as sacudidelas. Resolveu deix&amp;aacute;-lo dormir mais um pouco. Saiu com cuidado, para n&amp;atilde;o pisar nas seringas jogadas no ch&amp;atilde;o. Ele podia querer us&amp;aacute;-las depois e se ela quebrasse alguma delas, ela ia ouvir muito, e com raz&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou ao quarto da filha, ainda sem parab&amp;eacute;ns pelo dia. Foi at&amp;eacute; ao banheiro da filha, tinha que lav&amp;aacute;-lo. Encontrou na pia um papel dobrado e o examinou. Era algum tipo de exame. Sem se preocupar com o que era, viu um positivo no final. N&amp;atilde;o sabia que a filha tinha ido ao m&amp;eacute;dico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preciso conversar mais com minha filhota! N&amp;atilde;o sei quase nada dessa menina! - pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu acordar o filho. Ele deve saber de algo sobre esse exame. O cheiro no quarto dele era horr&amp;iacute;vel, mas n&amp;atilde;o era mais o mesmo. O filho, por algum motivo, tinha vomitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus!!! Esse garoto anda bebendo! Vou ter que conversar com ele tamb&amp;eacute;m.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou o quarto e saiu para pegar o material de limpeza. Deixaria o filho curando a ressaca mais um tempo, sem acord&amp;aacute;-lo. N&amp;atilde;o estava muito contente. A filha sumida e talvez doente, o filho de ressaca e o marido sem cumpriment&amp;aacute;-la no dia do seu anivers&amp;aacute;rio. Isso n&amp;atilde;o era bom. A rotina que ela tanto gostava estava muito alterada nesse dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limpou o quarto do filho e vendo que ele estava p&amp;aacute;lido e tremia, puxou suas cobertas, para que ele melhorasse do frio. "&lt;i&gt;S&amp;oacute; esse menino pra sentir frio com um ver&amp;atilde;o desses!&lt;/i&gt;" - pensou, rindo. Passou a m&amp;atilde;o em sua testa suada e fria e saiu do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala, viu que todo o servi&amp;ccedil;o estava atrasado. Assim, o jantar ia acabar atrasando, ainda mais hoje em que faria uma surpresa para fam&amp;iacute;lia e prepararia um bolo, em sua homenagem. Queria cometer essa extravag&amp;acirc;ncia. Mas antes, para se animar um pouco, foi at&amp;eacute; sua garrafa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma dosezinha seria &amp;oacute;timo agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava no meio do copo quando o telefone tocou. Atendeu e uma voz feminina, desconhecida - n&amp;atilde;o era sua m&amp;atilde;e ou alguma amiga dos seus filhos - come&amp;ccedil;ou a falar uma hist&amp;oacute;ria absurda sobre o marido dela a abandonar, que ele preferia uma mulher de verdade e n&amp;atilde;o uma velha gorda como ela. Que hoje o marido dela n&amp;atilde;o voltaria pra casa e talvez nunca mais voltasse. Onde j&amp;aacute; se viu? Depois de mais algumas ofensas, Doris se cansou e resolveu desligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, minha filha...Voc&amp;ecirc; discou errado. Deve ter sido engano - e bateu o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou para sua garrafa e encheu seu copo. Pensou em como o mundo estava mudado. Uma pessoa passando um trote desse, logo pela manh&amp;atilde;. O estranho foi a garota acertar o nome dela. Doris n&amp;atilde;o &amp;eacute; um nome t&amp;atilde;o comum assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muita coincid&amp;ecirc;ncia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou a garrafa para cozinha, para fazer o almo&amp;ccedil;o bebendo mais um pouco. Era seu anivers&amp;aacute;rio, ela merecia, depois de um dia t&amp;atilde;o diferente. Terminou de fazer tudo junto com a garrafa. Estava feliz de novo. Estava meio alta, "&lt;i&gt;de pilequinho&lt;/i&gt;", como gostava de falar. Foi dormir um pouco. Passando em frente do quarto do filho, e ouviu ele ainda passando mal, tossindo. Deixou para cuidar dele depois que essa tontura passasse. Afinal de contas, era o anivers&amp;aacute;rio dela. Ela merecia um descanso.&lt;br /&gt;Dormiu demais. J&amp;aacute; eram sete da noite quando acordou. Desceu correndo as escadas, para arrumar a sala de jantar. O marido, se n&amp;atilde;o fosse fazer ser&amp;atilde;o, chegaria em meia hora. E ele detestava n&amp;atilde;o encontrar a mesa posta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pressa, esqueceu de ver o filho. Lembrou dele no meio da arruma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da mesa. A cozinha estava exatamente como ela havia deixado, de onde ela deduziu que o filho n&amp;atilde;o descera para almo&amp;ccedil;ar. Sua filha tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o tinha dado sinal de vida. Assim que acabasse com a mesa, iria acordar o filho e ligar para as amigas da menina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doris ainda estava meio tonta. Tinha exagerado na bebida. Colocou o bolo na mesa e sentou-se diante dele para descansar mais um pouco. Acabou cochilando. Acordou no escuro, duas horas depois, ainda sem sinal dos filhos ou do marido. Resolveu decorar o bolo antes de tomar qualquer provid&amp;ecirc;ncia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; meu anivers&amp;aacute;rio, caramba! Eu mere&amp;ccedil;o um bolo bonito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram quase dez da noite quando terminou de escrever "Feliz Anivers&amp;aacute;rio, M&amp;atilde;e!" no bolo, com o glac&amp;ecirc; que ela mesma fez. "&lt;i&gt;Receita da mam&amp;atilde;e!&lt;/i&gt;". Era estranho ningu&amp;eacute;m aparecer, mas resolveu esperar. Devia ser alguma surpresa da fam&amp;iacute;lia. Ela sentou novamente &amp;agrave; mesa e esperou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106630795381762048?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106630795381762048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106630795381762048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106630795381762048'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106504255822001023</id><published>2003-10-01T18:09:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.792-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Chaves&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;   &lt;br /&gt;Saí de casa e esqueci minha cópia das chaves. Foi de propósito. Não pretendo voltar, nunca mais. Deixo tudo lá, móveis, roupas e intenções não realizadas. É tempo de fazer algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corro o mundo à procura de outras chaves, que abram outras portas. Não tenho mais âncoras: deixei de ser o filho antes de ser pai e agora espero por outros filhos. O mundo é minha porta e ela ainda está trancada. Por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por enquanto vou vagar por aí, até arranjar uma chave mestra. Ou um pé de cabra. Até que o mundo esteja escancarado para mim, até que eu possa ir e vir para onde eu bem entender, até quando eu puder escolher fincar minhas raízes no ar ou simplesmente desaparecer, lentamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o momento das raízes. Esse é o momento de novos começos. Esse é o momento de, apesar de tudo, agarrar a esperança com as mãos até quebrar-lhe os pulsos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o momento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106504255822001023?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106504255822001023/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=106504255822001023&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106504255822001023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106504255822001023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2003/10/chaves-sai-de-casa-e-esqueci-minha.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106488949044473473</id><published>2003-09-29T23:38:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.797-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;&amp;Agrave; Mesa&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;Ela acreditava que o comportamento de um homem &amp;agrave; mesa indicava como era o seu comportamento na cama. Prestava aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o neles quando ia a restaurantes, tendo at&amp;eacute; sa&amp;iacute;do com alguns que julgava interessantes pelo modo como comiam. Era simples assim: se gostava de como o sujeito se portava &amp;agrave; mesa, ela pedia ao gar&amp;ccedil;om que entregasse um bilhete a ele. Foi assim, com esse inusitado processo de escolha e pelo prosaico m&amp;eacute;todo do "torpedo", que come&amp;ccedil;aram alguns dos seus romances.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela preferia os que comiam com vagar aos que comiam vorazmente. N&amp;atilde;o que as vezes n&amp;atilde;o sa&amp;iacute;sse com os que devoravam suas refei&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Apenas achava que da comida, assim como de uma mulher, deve-se sentir o paladar. Os vorazes eram, muitas das vezes, afoitos demais. Podiam at&amp;eacute; ser bons amantes, mas era muito raro. Os que aproveitavam o gosto dos pratos sentiam e tamb&amp;eacute;m davam mais prazer, invariavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At&amp;eacute; que num domingo &amp;agrave; noite, em um dos seus restaurantes preferidos, viu o homem perfeito. Ela estava numa mesa com quatro amigos e quando reparou nele entrou em transe. Suas companhias n&amp;atilde;o existiam mais. O homem - que parecia ser o ideal depois de tanta procura - tamb&amp;eacute;m estava acompanhado. Mas isso n&amp;atilde;o a impediria de fala com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele comia de forma delicada, devagar. Segurava os talheres de forma polida e os manuseava como quem tinha feito por anos algum curso de etiqueta. Mastigava por um tempo enorme, parecendo querer fazer com que a garfada se desintegrasse por completo na sua boca, sem sobrar nada para digest&amp;atilde;o. Limpava-se do molho nos cantos da boca com o pudor das virgens oitocentistas, segurando o guardanapo com a ponta dos dedos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas n&amp;atilde;o era s&amp;oacute; isso que a atraia irresistivelmente. Por tr&amp;aacute;s de toda a sutileza, o homem tinha uma virilidade disfar&amp;ccedil;ada, s&amp;oacute; percebida por uma expert como ela. Era preciso conhecer os detalhes, saber enxergar sua voracidade latente em pequenos gestos: a forma como olhava para seu Steak no prato, a forma firme como cortava a carne, as mastigadas lentas, mas firmes, como se aquele fosse o &amp;uacute;ltimo peda&amp;ccedil;o de bife que ele fosse engolir pelo resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a combina&amp;ccedil;&amp;atilde;o perfeita. Ela teria esse homem, n&amp;atilde;o importava o que tivesse que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o ia utilizar a maneira usual de contato. Um bilhete escrito em um guardanapo n&amp;atilde;o estava &amp;agrave; altura daquele homem. Esperou pacientemente, ignorando seus amigos, toda sua aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o concentrada no seu objetivo. Foi recompensada com a ida dele ao banheiro. Levantou-se e foi atr&amp;aacute;s dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou esperando &amp;agrave; porta. Ao v&amp;ecirc;-lo, foi para cima, com fome. N&amp;atilde;o deu muitas explica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, passou o telefone e falou que precisava desesperadamente se encontrar com ele. O susto que ele levou foi justificado. Mesmo sendo bem apessoado, n&amp;atilde;o estava acostumado a cantadas t&amp;atilde;o agressivas, ainda mais de uma mulher t&amp;atilde;o bonita. Ela n&amp;atilde;o perguntou pela mo&amp;ccedil;a que o acompanhava, e pelo visto, ela n&amp;atilde;o dava a m&amp;iacute;nima para isso. Fosse sua irm&amp;atilde; ou sua esposa, ela ainda assim iria querer encontr&amp;aacute;-lo. Isso despertou o apetite dele. E o beijo que ela deu em seu rosto como despedida, marcando-o com o batom carmim era apenas um aperitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele voltou ao banheiro e lavou o rosto. Recomp&amp;ocirc;s-se do susto e foi &amp;agrave; sua mesa. A procurou pelo sal&amp;atilde;o e n&amp;atilde;o a viu. Sentou-se, e sem que sua acompanhante visse, olhou para bilhete deixado por ela, escrito com o mesmo batom que havia acabado de limpar da face. Iria ligar assim que chegasse em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcaram um almo&amp;ccedil;o para o dia seguinte. Ela escolheu o restaurante, refinado e caro, na Zona Sul. Ambos chegaram pontualmente e foram direto para mesa. Durante a refei&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ela pouco falou. Ele comandava a conversa n&amp;atilde;o por ter muito assunto com uma mulher que praticamente n&amp;atilde;o conhecia. Ele reparou que ela se contentava em reparar em como ele comia. Isso o deixou um pouco nervoso, n&amp;atilde;o entendia o porque daquela atitude. Percebeu que durante o almo&amp;ccedil;o ela ia ficando mais excitada. No meio do almo&amp;ccedil;o, ela come&amp;ccedil;ou a brincar com a perna dele, passando seu p&amp;eacute; nela. Isso, claro, o ati&amp;ccedil;ou tamb&amp;eacute;m, a ponto dele desistir de falar e decidir ficar apenas encarando-a, sem desviar o olhar. Num dado momento ela resolveu falar. Contou, finalmente, a raz&amp;atilde;o dela procur&amp;aacute;-lo daquela forma na noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela percebeu que ele, apesar de achar ins&amp;oacute;lita, gostou da teoria. Nunca havia pensado nisso, ele disse. Ela deu exemplos, se esmerando nos detalhes, que o fizeram perder completamente o apetite pelo almo&amp;ccedil;o. Ele prop&amp;ocirc;s que sa&amp;iacute;ssem dali imediatamente, sem sobremesa. Foi o que fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiram para casa dela, que ficava perto e tiveram uma tarde intensa. O sexo, como ela esperava, era perfeito. Ela ficou extasiada com a maneira como ele conduziu tudo: n&amp;atilde;o sabia se ele  a fodia como um cavalheiro ou a amando como um gigol&amp;ocirc;. Era ex&amp;oacute;tico, como uma receita oriental, impregnada de temperos raros e especiarias desconhecidas. Ela se viu inebriada, dominada pelo seu toque, seu aroma. Ela finalmente havia encontrado o homem perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim da tarde, ele disse que tinha que ir. Ela, inesperadamente at&amp;eacute; para si mesma, pediu que ficasse, que precisava dele. Confessou que ele era tudo o que ela esperava. Ele disse que n&amp;atilde;o podia ficar. Mas poderia fazer um arranjo com ela: toda segunda feira, eles teriam um almo&amp;ccedil;o e a tarde juntos. Era o que poderia oferecer agora. E ela aceitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No come&amp;ccedil;o, o mist&amp;eacute;rio de apenas t&amp;ecirc;-lo em um dia da semana a deixava excitada. Como uma receita secreta, ele n&amp;atilde;o se mostrava no todo, apenas se revelando ao ser degustado. As d&amp;uacute;vidas que tal comportamento despertavam n&amp;atilde;o a incomodavam a ponto dela pensar em questionar o arranjo feito. Com ele, tinha cama, comida e sexo &amp;agrave;s segundas. E tudo ia bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela ignorou o perigo de unir dois pecados capitais. A lux&amp;uacute;ria e a gula, agindo juntas, a viciaram. Precisava dele mais que uma vez por semana. E as d&amp;uacute;vidas, que antes eram um tempero no seu relacionamento, agora azedavam a receita que parecia t&amp;atilde;o perfeita. Se perguntava porque s&amp;oacute; podia encontr&amp;aacute;-lo na segunda. Seria casado? Era o mais prov&amp;aacute;vel, apesar de n&amp;atilde;o achar que isso fosse motivo para v&amp;ecirc;-la apenas uma vez na semana. Se fosse isso, at&amp;eacute; achava aceit&amp;aacute;vel. N&amp;atilde;o perdoaria &amp;eacute; que ele estivesse vendo outras mulheres, que n&amp;atilde;o saberiam dar o valor que ele merece, n&amp;atilde;o saberiam explicar a raz&amp;atilde;o do seu poder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu que descobriria tudo sobre seu homem perfeito. No outra segunda, vasculhando sua carteira, descobriu onde ele trabalhava. Decidiu que o seguiria no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou cedo, pegou o carro e cruzou a cidade, at&amp;eacute; o trabalho dele. Para sua surpresa, ele trabalhava no sub&amp;uacute;rbio, em um lugar que ela nunca imaginaria encontrar algu&amp;eacute;m com a sua classe. Tinha essa vis&amp;atilde;o preconceituosa, t&amp;atilde;o natural nas pessoas bem nascidas. E bem ao estilo desse tipo de pessoa, a ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o humilde do seu homem perfeito a deixou mais apaixonada ainda por ele. Estacionou seu carro, ficando em um lugar escondido. N&amp;atilde;o ficou surpreendida com o local onde ele trabalhava: era um restaurante. Mas n&amp;atilde;o um dos que ela freq&amp;uuml;entaria, nem que fosse com ele. Era desses lugares meio sujos, com um buffet por quilo. "Nossa! Que pobreza!", pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou alguns minutos depois, numa roupa que ela nunca esperaria v&amp;ecirc;-lo vestindo. Era uma camisa social surrada, uma cal&amp;ccedil;a de tergal preta e um par de t&amp;ecirc;nis encardidos. O fato dele conseguir transparecer alguma eleg&amp;acirc;ncia na frente dela era surpreendente. Sabia que ele tinha algo de bronco por baixo das impec&amp;aacute;veis maneiras. Sabia disso pela forma como comia e como a fodia. Mas ele nunca poderia imaginar que aquela triste realidade fosse seu dia a dia. N&amp;atilde;o teve coragem de entrar no estabelecimento. Entrou no carro e foi para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou em casa e tomou um banho. Inconscientemente, procurava se limpar dele, como se isso fosse adiantar. Sentia uma camada de gordura na sua pele, como se sempre tivesse estado com ele na cozinha daquele lugar imundo, enquanto um cozinheiro sebento fazia uma dobradinha ou algo do g&amp;ecirc;nero. Ela estava muito excitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J&amp;aacute; era meio dia quando saiu do banho. Arrumou-se e resolveu sair para almo&amp;ccedil;ar. No restaurante, pediu um dos pratos refinados com os quais estava acostumada. No meio da refei&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sentiu a falta do seu homem perfeito como nunca havia sentido antes. A repulsa que sentiu dele se transformou numa paix&amp;atilde;o arrebatadora. Largou o prato no meio e voltou para o restaurante no sub&amp;uacute;rbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando ao local, n&amp;atilde;o teve d&amp;uacute;vidas dessa vez. Foi logo entrando no humilde restaurante sem dar aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos gar&amp;ccedil;ons que ofereciam a ela um lugar. Tinha que encontrar com ele imediatamente e se certificar que ele, apesar de pobre, tinha aquela classe inata que alguns pouco desafortunados t&amp;ecirc;m. Ela estava tensa e sentia que se ele pedisse, se entregaria a ele na mesma hora, dentro da dispensa do restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o encontrou almo&amp;ccedil;ando no fundo do sal&amp;atilde;o e foi esse seu azar. Ele estava com a camisa aberta, mostrando o dorso encharcado de suor. Estava sentado de pernas abertas e metade do seu corpo estava praticamente se jogando dentro do prato fundo. Segurava o talher de lado, como se tivesse aprendido a us&amp;aacute;-lo h&amp;aacute; pouqu&amp;iacute;ssimo tempo. No prato, alguma mistura indefinida contendo arroz, feij&amp;atilde;o, farofa e algum tipo de carne imposs&amp;iacute;vel de ser reconhecida. Ele n&amp;atilde;o tinha nem uma faca e foi justamente quando ele dava uma mordida no peda&amp;ccedil;o de carne preso pelo garfo. Seus olhares se cruzaram e a boca dele, besuntada de gordura e com restos de farofa em volta dos l&amp;aacute;bios n&amp;atilde;o ajudaram nada na situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; fazendo aqui?" disse ele, surpreso. Ela n&amp;atilde;o conseguiu responder verbalmente, mas seus olhos diziam tudo. Ele se levantou, e - piorando sua situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o - limpou a boca dos restos de comida na toalha de mesa. "Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o deveria estar aqui!" , disse, suplicante. Ele ia toc&amp;aacute;-la e ela fez um gesto para que n&amp;atilde;o se aproximasse. Ele entendeu tudo naquele momento. "Segunda feira &amp;eacute; a minha folga. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o deveria me ver hoje", ele disse, olhando para o ch&amp;atilde;o, com toda vergonha do mundo. Os gar&amp;ccedil;ons em volta da cena n&amp;atilde;o entendiam o que se passava, quando ela se virou, sem proferir uma palavra sequer, saindo do restaurante. "Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o podia me ver assim" ele ainda disse, para si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrou no carro e se foi, sem saber no que pensar. No caminho para casa, parou em um drive thru do Bob?s e pediu um Big Bob. Mordeu o sandu&amp;iacute;che ainda dirigindo, e sentiu o molho escorrendo pela sua boca abaixo. Olhou para baixo e viu que sua camisa estava respingada. Ela voltou sua aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o tr&amp;acirc;nsito. E n&amp;atilde;o usou guardanapo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106488949044473473?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106488949044473473/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=106488949044473473&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106488949044473473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106488949044473473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2003/09/mesa-ela-acreditava-que-o-comportamento.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106373386534967838</id><published>2003-09-16T14:37:00.000-03:00</published><updated>2003-09-16T14:37:45.036-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Montanha Russa&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;E da&amp;iacute; que essa vida tem altos e baixos? Assim que &amp;eacute;, para todos. Inevitavelmente, todos temos momentos bons e ruins e a &amp;uacute;nica coisa que nos resta &amp;eacute; aproveit&amp;aacute;-los da melhor maneira poss&amp;iacute;vel H&amp;aacute; de se agarrar os tempos felizes como se fossem os &amp;uacute;ltimos - at&amp;eacute; porque podem realmente ser - e aprender com os dias de tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que n&amp;atilde;o adianta &amp;eacute; urrarmos de medo ou fugirmos do passeio: temos que ir, mesmo que seja com os olhos fechados em alguns momentos, enjoados na maioria do percurso ou se prendendo desesperadamente ao assento, temendo a queda se supomos iminente. Devemos ir, sempre, pois essa &amp;eacute; nossa &amp;uacute;nica prerrogativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa montanha russa chamada exist&amp;ecirc;ncia, n&amp;atilde;o h&amp;aacute; devolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ingressos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106373386534967838?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106373386534967838/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106373386534967838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106373386534967838'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106312572980070305</id><published>2003-09-09T13:42:00.000-03:00</published><updated>2003-09-09T13:42:09.760-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Anivers&amp;aacute;rio&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;Augusto acordou com sete anos completos. Olhou-se do alto do seu pouco mais de metro e meio e pensou "&lt;i&gt;agora sim!&lt;/i&gt;", antevendo seu dia. Era taurino e, para azar dos seus pais, "hiperativo": esse novo sin&amp;ocirc;nimo para encapetado. Saiu da cama pulando e gritou com todo ar que seus pequenos pulm&amp;otilde;es comportavam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Feliz anivers&amp;aacute;rio pra mim!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eram quinze para seis da manh&amp;atilde; de uma quarta, pouco importava. Ele n&amp;atilde;o trabalhava e problema de quem rezava por mais uns minutinhos de sono. Correu pela casa de cuecas e se jogou em cima dos pais, que n&amp;atilde;o foram pegos de surpresa, j&amp;aacute; que estavam acordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, meu filho! Feliz anivers&amp;aacute;rio pra voc&amp;ecirc;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua m&amp;atilde;e o amava mais que tudo, como toda m&amp;atilde;e do mundo. Deu um abra&amp;ccedil;o demora na cria, at&amp;eacute; que a pr&amp;oacute;pria achou que a m&amp;atilde;e estava exagerando. Se jogou em cima do pai, que ainda se recusava a levantar. O pai deu um beijo na testa do filho e pediu delicadamente para que ele fosse brincar l&amp;aacute; fora, s&amp;oacute; uns 20 minutinhos. Nem precisava. Depois do beijo paterno, Guto j&amp;aacute; corria para fora do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era seu anivers&amp;aacute;rio. N&amp;atilde;o escovou os dentes como a m&amp;atilde;e mandava sempre, n&amp;atilde;o iria para escola como o pai obrigava. Hoje seria dia de ir pro quintal e se jogar, brincar com as folhas, se atracar com o cachorro, ficar no port&amp;atilde;o para sacanear os amiguinhos &amp;agrave; caminho da aula e depois ficar chateado porque seus amiguinhos n&amp;atilde;o iam poder brincar com ele. Ver TV e jogar v&amp;iacute;deo game at&amp;eacute; a hora do almo&amp;ccedil;o, que seria hamb&amp;uacute;rguer, arroz, feij&amp;atilde;o e batatas fritas sorriso. Como sobremesa, um sorvet&amp;atilde;o de morango, cheio de calda quente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde ia brincar com os amiguinho que j&amp;aacute; teriam voltado da escola. Jogaria bola, pique-t&amp;aacute; e  carni&amp;ccedil;a. Brigaria com todos e riria com todos. Voltaria para casa para o lanche e comeria misto quente com Coca ou iogurte. Levaria alguns amiguinhos, que deixariam sua m&amp;atilde;e louca e feliz, com aquele tipo de sentimento contradit&amp;oacute;rio que toda m&amp;atilde;e do mundo tem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Guto, desce j&amp;aacute; dessa cadeira, menino! Eu vou te matar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veria sua cria crescendo e teria vontade de chorar ao v&amp;ecirc;-lo, j&amp;aacute; &lt;i&gt;praticamente&lt;/i&gt; um homem. E a ida dele para brincar depois do lanche seria uma antecipa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do dia em que ela o entregaria para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois de um dia de correrias, artes e degusta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de insetos, Guto retornaria para casa, sujo, cansado e feliz. N&amp;atilde;o teria feito nada muito diferente do que sempre fazia, mas era seu anivers&amp;aacute;rio, seu dia, e ele era um rei - pensaria isso como se toda crian&amp;ccedil;a n&amp;atilde;o se achasse o centro do mundo todos os dias do ano. Dormiria sem pensar no amanh&amp;atilde;, sem imaginar como esse dia, repleto de alegria e sem preocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, iria se tornar raro num futuro n&amp;atilde;o muito distante. Quando se &amp;eacute; uma crian&amp;ccedil;a, n&amp;atilde;o se &amp;eacute; "&lt;i&gt;pequeno&lt;/i&gt;", temos sempre o tamanho certo para dominar o planeta sem sair do nosso jardim. Quando crescemos, podemos nos considerar afortunados se conseguimos dominar nossas parcas vidas, mesmo se nunca mais pudermos falar um outro "&lt;i&gt;agora sim!&lt;/i&gt;" com propriedade, como senhor das nossas vontades, de novo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106312572980070305?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106312572980070305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106312572980070305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106312572980070305'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106207528200947910</id><published>2003-08-28T09:54:00.000-03:00</published><updated>2003-08-28T09:54:41.886-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Sa&amp;iacute;da de emerg&amp;ecirc;ncia&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Saiu de casa t&amp;atilde;o atrasado que nem se preocupou em tomar o caf&amp;eacute;. Mal abriu a porta de casa e desatou uma carreira pela rua, querendo chegar o mais r&amp;aacute;pido poss&amp;iacute;vel &amp;agrave; esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do metr&amp;ocirc;. "Outro atraso no escrit&amp;oacute;rio e estou ferrado!" , era s&amp;oacute; o que conseguia pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cal&amp;ccedil;adas cheias foram seu primeiro obst&amp;aacute;culo. Praticava um inusitado bal&amp;eacute; urbano ao se desviar das pessoas, que pareciam n&amp;atilde;o entender sua pressa. Passava raspando por uma senhora ali, quase trombava em um estudante aqui, sem se preocupar com roupas ou fei&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Seu &amp;uacute;nico objetivo era chegar &amp;agrave; esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e quem estivesse na sua frente era apenas um impecilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At&amp;eacute; que ele, n&amp;atilde;o tendo agilidade para se desviar de duas pessoas ao mesmo tempo, esbarrou com for&amp;ccedil;a num sujeitinho franzino que vestia um terno surrado. A viol&amp;ecirc;ncia do encontr&amp;atilde;o levou os dois ao ch&amp;atilde;o, com maior preju&amp;iacute;zo para o rapaz fraco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei! Ficou louco?!?!&lt;br /&gt;- Desculpe! &amp;Eacute; que eu estou com...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o pode terminar a frase. Mais estranho que o terno velho do rapaz era a forma como ele se barbeou: apenas metade do rosto estava lisa, perfeitamente escanhoada; a outra metade ostentava um bela barba. A surpresa que a imagem lhe causou o deixou sem fala por uns momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi?!?! O que est&amp;aacute; encarando?&lt;br /&gt;- Nada, nada...desculpe...tenho que ir. Estou atrasado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia demorar muito para ele explicar a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Seu atraso n&amp;atilde;o permitia que ele ficasse tecendo teorias sobre todo sujeito com comportamento ex&amp;oacute;tico que trombasse pela rua. Continuou sua carreira rumo ao metr&amp;ocirc;, ignorando o resto dos transeuntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou &amp;agrave; esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o ticket j&amp;aacute; na m&amp;atilde;o, pronto para voar pela roleta. N&amp;atilde;o poderia perder sequer um trem. Olhando o rel&amp;oacute;gio viu que tinha que percorrer em 5 minutos um percurso que demoraria, se desse sorte, 25. &lt;br /&gt;Chegando a plataforma, viu que um trem estava prestes a sair, faltava apenas uma senhora entrar no vag&amp;atilde;o mais perto de onde ele estava. Correu e entrou no trem, com as portas praticamente se fechando. Sentou arfando, de olhos fechados para se recuperar do esfor&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estranho ter lugar no metr&amp;ocirc; essa hora", pensou, antes de abrir os olhos. Quando deu sua primeira olhada no vag&amp;atilde;o, viu uma cena que nunca esperaria: ele estava praticamente vazio, havendo apenas a senhora que entrou e ele. Esse fato era uma impossibilidade total &amp;agrave;s nove da manh&amp;atilde;. "Que dia mais maluco!", foi o que pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasculhou os bolsos para ver se n&amp;atilde;o tinha perdido nada na corrida. Enquanto verificava suas coisas, reparou que a senhora que o acompanhava na viagem estava olhando fixamente para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor est&amp;aacute; bem? Parece que lhe falta ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se virou para velha mulher e pela segunda vez no dia ficou sem palavras. O que o deixou chocado foi a maquiagem que ela usava. N&amp;atilde;o era daquelas maquiagens pesadas, at&amp;eacute; normais para senhoras daquela idade. Ela estava pintada, literalmente, de palha&amp;ccedil;a. Tinha, por baixo de uma espessa camada de tinta branca que lhe cobria todo o rosto, duas bolas vermelhas nas bochechas, havia coberto uma &amp;aacute;rea muito maior que os l&amp;aacute;bios com batom e duas cruzes pintadas sobre os olhos completavam a figura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E ent&amp;atilde;o? O senhor est&amp;aacute; melhor? - insistiu a senhora&lt;br /&gt;- Eu...eu estou bem. Ahn...a senhora...&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- Desculpe perguntar. Mas por que a senhora est&amp;aacute; assim?&lt;br /&gt;- "Assim", como?&lt;br /&gt;- Com essa pintura no rosto...Desculpe, n&amp;atilde;o quero parecer indiscreto ou muito curioso.&lt;br /&gt;- Que pintura?&lt;br /&gt;"Nossa! A v&amp;eacute;ia caducou!", imaginou. Vendo que para ela estar com aquela pintura no rosto era normal, ele n&amp;atilde;o quis mais tocar no assunto. Claro que n&amp;atilde;o conseguiu desviar os olhos da senhora, o que passou a incomod&amp;aacute;-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que o senhor est&amp;aacute; me olhando desse jeito? E de que pintura est&amp;aacute; falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele n&amp;atilde;o queria ser grosseiro com a senhora e, mesmo que fosse, tinha s&amp;eacute;rias d&amp;uacute;vidas se ela ia compreender o que ia falar. Aproveitou que o trem parou na esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o seguinte e desceu, apressado. "Chega de metr&amp;ocirc;! Vou pegar um t&amp;aacute;xi!" Era a solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o para chegar menos atrasado e evitar o contato com mais gente esquisita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu da esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o na mesma corrida que havia entrado. Saiu esbarrando nas pessoas, mas nem pensou em parar para desculpas. Praticamente se jogou na frente de um t&amp;aacute;xi que passava pela rua. Sem olhar para tr&amp;aacute;s, abriu a porta traseira do carro e antes do falar bom dia foi logo avisando ao motorista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toca pra Rio Branco, voando. Estou muito atrasado!&lt;br /&gt;- O senhor manda, chefia. - respondeu o taxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o se interessou em olhar para o motorista. Pegou a carteira e conferiu se tinha como pagar a corrida, e por sorte, tinha. O t&amp;aacute;xi seguiu pelo Aterro do Flamengo numa rapidez absurda, do jeito que ele pediu. A velocidade n&amp;atilde;o permitia que ele visse as pessoas nas cal&amp;ccedil;adas. Elas n&amp;atilde;o passavam de borr&amp;otilde;es dispersos, o que era bom, pensou. Se pudesse n&amp;atilde;o ver mais ningu&amp;eacute;m nesse dia turbulento, agradeceria a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito atrasado, chefia? Posso ir mais r&amp;aacute;pido se o senhor quiser - falou o motorista repentinamente.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o...est&amp;aacute; bom - respondeu olhando a paisagem.&lt;br /&gt;- O senhor n&amp;atilde;o &amp;eacute; muito de falar, n&amp;eacute;? Sabe...Todo mundo diz que taxista fala muito. E &amp;eacute; verdade! As pessoas podiam ser mais compreensivas...A conversa &amp;eacute; nossa &amp;uacute;nica distra&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- Pois &amp;eacute; - respondeu &amp;agrave; reclama&amp;ccedil;&amp;atilde;o do taxista com aquele tom de "&lt;i&gt;a-conversa-acaba-aqui&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;- Ah...O senhor n&amp;atilde;o quer mesmo conversar, n&amp;eacute;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele tirou os olhos da janela e foi responder ao taxista, n&amp;atilde;o acreditou no que viu: o motorista estava dirigindo com os p&amp;eacute;s, mesmo n&amp;atilde;o sendo deficiente. Ele guiava com destreza naquela posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o esdr&amp;uacute;xula, apertando com os dedos dos p&amp;eacute;s uns bot&amp;otilde;es no volante, que deveriam ter a fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos pedais e do c&amp;acirc;mbio. Os bra&amp;ccedil;os estavam por cima do banco, s&amp;atilde;os e fortes, como se ele estivesse dirigindo daquela forma para relaxar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que diabos voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; dirigindo assim?!?! Ficou louco?!?! - berrou, j&amp;aacute; longe do seu estado normal.&lt;br /&gt;- Mas....Foi o senhor que disse pra eu ir voando! - respondeu ofendido o taxista. &lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o &amp;eacute; disso que eu estou falando, seu maluco!!! Pegue no volante com as m&amp;atilde;os! &lt;br /&gt;- U&amp;eacute;?!? Por que?!?!&lt;br /&gt;- Como, "por que"?!?! Por que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; dirigindo com os p&amp;eacute;s???&lt;br /&gt;- Qual o problema? - a confus&amp;atilde;o do motorista parecia sincera - Como o senhor dirige??? Tira os p&amp;eacute;s para guiar? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao falar isso, o motorista deu uma gargalhada alt&amp;iacute;ssima, como se tivesse ouvido a piada mais engra&amp;ccedil;ada do mundo. Ele j&amp;aacute; estava pronto para agredir o taxista quando ele repara que j&amp;aacute; est&amp;aacute; no fim do Aterro. Antes que fizesse uma loucura, pediu para o carro parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora! Eu levo o senhor at&amp;eacute; a Rio Branco...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o precisa...&amp;Eacute; logo ali na esquina. - Olhou o tax&amp;iacute;metro e pegou uma quantia aproximada na carteira. Jogou por sobre o banco do t&amp;aacute;xi e saiu, sem se despedir ou esperar o troco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu e voltou a sua j&amp;aacute; rotineira corrida. Se perguntou se todas as esquisitices que haviam acontecido com ele at&amp;eacute; aquela hora - e ainda n&amp;atilde;o eram dez da manh&amp;atilde; - n&amp;atilde;o seriam uma praga do chefe dele, por seus constantes atrasos. Naquela parte do Centro, as ruas estavam vazias, at&amp;eacute; que ele alcan&amp;ccedil;ou a pra&amp;ccedil;a Mahatma Gahndi e a cruzou em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; Cinel&amp;acirc;ndia, repleta de gente. Chegou l&amp;aacute; correndo, mas dessa vez, prestou uma certa aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas dezenas de pessoas que andavam. Viu um senhor de idade, calvo e com cara de pol&amp;iacute;tico conservador, impecavelmente vestido, por&amp;eacute;m descal&amp;ccedil;o e com os p&amp;eacute;s imundos. Depois passou voando por uma senhora, que devia ter uns bons setenta anos, vestida como uma normalista, com sainha, meia &amp;frac34;  e lancheira, inclusive. Perto dela, um policial, paramentado com todos os equipamentos que um policial carrega, estava vestido de Pato Donald, e como o personagem, tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o usava nada da cintura para baixo. O que mais o assustava era a tranq&amp;uuml;ilidade das pessoas diante de t&amp;atilde;o absurdos comportamentos. O mundo inteiro parecia haver enlouquecido e ele, diferente do resto das pessoas &amp;agrave; sua volta, n&amp;atilde;o tinha a menor id&amp;eacute;ia de como agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no pr&amp;eacute;dio onde trabalhava e encontrou Agenor, o ascensorista, vestido de Super Homem. Nem comentou nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ol&amp;aacute;...O andar de sempre, senhor? - perguntou com um sorriso no rosto&lt;br /&gt;- Claro, Agenor.&lt;br /&gt;- Certo! Para o alto e avante! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no seu escrit&amp;oacute;rio e encontrou seu chefe sentado &amp;agrave; sua mesa. Tinha uma cara inexpressiva e para deix&amp;aacute;-lo mais apreensivo, n&amp;atilde;o aparentava ter nenhum comportamento estranho. O mesmo terno s&amp;oacute;brio, o mesmo penteado antiquado e a mesma pasta 007, essa ao lado da mesa, no ch&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ol&amp;aacute;...Atrasado de novo, n&amp;atilde;o? - Disse o chefe, mais jovialmente do que jamais vira&lt;br /&gt;- Chefe...Se eu contar o que passei hoje, o senhor n&amp;atilde;o vai acreditar...&lt;br /&gt;- Sei disso, sei disso. &amp;Eacute; por isso que agora tenho outras formas de impor a disciplina aqui na firma. Voc&amp;ecirc; ser&amp;aacute; o exemplo, por estar sempre atrasado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que terminou de falar, o chefe levanta da cadeira empunhando um machado, que estava escondido por baixo da sua mesa. Ele n&amp;atilde;o estava crendo no que via, mas diante das circunst&amp;acirc;ncias, achou melhor correr. O chefe deferiu um golpe e errou por muito pouco. Tinha dado muito azar: porque logo o chefe dele havia virado um louco perigoso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu at&amp;eacute; o corredor do pr&amp;eacute;dio e apertou o bot&amp;atilde;o do elevador. N&amp;atilde;o pode esperar por muito tempo. O chefe logo havia surgido na porta, com a mesma cara inofensiva e com o mesmo machado amea&amp;ccedil;ador. Ele desistiu da espera e voou em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; sa&amp;iacute;da de emerg&amp;ecirc;ncia. A porta, para sua sorte estava aberta. Ele entrou e rapidamente a trancou por dentro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a sorte dele durou muito pouco. Ao fechar a porta, ele tentou dar uns passos pelo escuro e notou, da pior maneira, que n&amp;atilde;o havia onde pisar. A sa&amp;iacute;da de emerg&amp;ecirc;ncia levava a um precip&amp;iacute;cio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106207528200947910?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106207528200947910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106207528200947910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106207528200947910'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106189966481106827</id><published>2003-08-26T09:07:00.000-03:00</published><updated>2003-08-26T09:07:44.846-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;O Banho&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;A &amp;aacute;gua quente do chuveiro ajudou Elaine a relaxar. Imediatamente ela lembrou do que o seu cabeleireiro falou sobre a temperatura da &amp;aacute;gua com a qual  ela costumava lavar os cabelos. Ele sempre reclamava que no inverno, banho escaldante &amp;eacute; um terror para o couro cabeludo, escamava a pele toda e pronto, eis a caspa. Elaine lembrou que tinha que colocar na lista de compras o shampu de lavagem profunda. E logo depois se recriminou desses pensamentos. Pensar em vaidade numa hora dessas era horr&amp;iacute;vel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o se apressou no banho. Sabia que todos a esperavam na sala, mas esse era seu primeiro momento consigo mesma desde...quando mesmo? Nem ela se lembrava. Desde que o estado do Rog&amp;eacute;rio se agravou, todos sempre estavam &amp;agrave; sua volta, se n&amp;atilde;o para confort&amp;aacute;-la, para estar pr&amp;oacute;ximo ao marido doente. Ela sabe que alguns eram sinceros no apoio que ofereciam, eram realmente seus amigos. Outros, infelizmente a maioria, eram aqueles que estavam por perto para, de alguma forma, se aproveitarem do espet&amp;aacute;culo que se tornou a doen&amp;ccedil;a do esposo. Era inevit&amp;aacute;vel. Ser casada com um homem famoso tinha suas desvantagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o dia em que descobriu que sua morte era quest&amp;atilde;o de tempo, Rog&amp;eacute;rio havia se decidido a n&amp;atilde;o ser um moribundo de hospital, n&amp;atilde;o queria ser uma dessas figuras esqu&amp;aacute;lidas, andando de bata, expondo de forma m&amp;oacute;rbida sua morte lenta. Ficaria em casa. Tinha dinheiro para transformar seu lar em uma UTI, se assim desejasse. E em casa, conseguiria tamb&amp;eacute;m manter a imprensa afastada por mais tempo. Os rep&amp;oacute;rteres at&amp;eacute; que demoraram a descobrir o que havia com Rog&amp;eacute;rio. Isso talvez tenha prolongado um pouco sua sa&amp;uacute;de.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaine se ensaboava com cuidado, aplicando delicadamente o sabonete l&amp;iacute;quido na esponja, sem pressa. Queria se limpar dos flashes dos paparazis que a perseguiram nos &amp;uacute;ltimos meses toda vez que ia ao supermercado, se livrar do cheiro dos falsos apertos de m&amp;atilde;o e dos abra&amp;ccedil;os dos amigos de ocasi&amp;atilde;o que lhe impregnava a pele. Ela sabia exatamente quem eram os - muitos - urubus de defunto e quem eram os - raros - amigos que estavam do outro lado da porta do banheiro. Nesse momento, ela n&amp;atilde;o queria ver nenhum deles. Nem os que vieram para aparecer nos jornais com seus Ray Bans pretos nem os que vieram confort&amp;aacute;-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do chuveiro e se secou com o mesmo cuidado com que tomou banho. Lembrou-se de como Rog&amp;eacute;rio, ainda s&amp;atilde;o e forte, a secava, tamb&amp;eacute;m lentamente, mas com for&amp;ccedil;a, quase arranhando sua pele. E gostava de ver a pele dela vermelha, dizia. Muitas vezes, terminavam fodendo ali mesmo, no banheiro, o que os obrigava a tomar outro banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era feliz. - Pensou Elaine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocou o roup&amp;atilde;o dado de presente pelo marido em um tempo em que ambos eram felizes. Se olhou no espelho defronte a pia e viu o quanto os &amp;uacute;ltimos acontecimentos haviam acabado com ela. Estava sem cor, com olheiras. Amarrou os cabelos num coque, do jeito que Rog&amp;eacute;rio adorava, deixando a mostra seu longo pesco&amp;ccedil;o. Pegou o perfume que ela adorava colocar porque ele adorava sentir seu cheiro nela. Desistiu. Pegou a lo&amp;ccedil;&amp;atilde;o p&amp;oacute;s-barba dele, que estava pela metade e agora dificilmente passaria dessa marca. Queria estar com o cheiro dele no corpo. Passou pelo corpo a lo&amp;ccedil;&amp;atilde;o e vestiu o vestido preto que ela nunca esperou usar. Se olhou no espelho, se viu pela primeira vez como vi&amp;uacute;va e chorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaine secou as l&amp;aacute;grimas, abriu a porta e saiu, pronta para sua nova realidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106189966481106827?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106189966481106827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106189966481106827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106189966481106827'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106130809189626248</id><published>2003-08-19T12:48:00.000-03:00</published><updated>2003-08-19T15:07:27.523-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Exemplo&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;Fa&amp;ccedil;a o que eu digo, n&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;a o que fa&amp;ccedil;o. Digo isso com propriedade. Sou dessas pessoas que recheiam o inferno, cheio de boas inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Mas n&amp;atilde;o me pe&amp;ccedil;a para realiz&amp;aacute;-las. Siga meus conselhos, &amp;eacute; o meu conselho, mas n&amp;atilde;o me tome nunca como exemplo. Sou fraco, completamente viciado em v&amp;iacute;cios. &lt;br /&gt;Ali&amp;aacute;s, n&amp;atilde;o gostaria de servir de exemplo nunca. Nem que eu fosse um po&amp;ccedil;o de virtudes. Vejo os exemplos de pessoas exemplares. A express&amp;atilde;o &lt;i&gt;servir de exemplo&lt;/i&gt; muito raramente &amp;eacute; ben&amp;eacute;fica para quem foi o alvo dela. Geralmente, os exemplos s&amp;atilde;o &lt;b&gt;realmente&lt;/b&gt; alvos: de tiros, vingan&amp;ccedil;as, puni&amp;ccedil;&amp;otilde;es. N&amp;atilde;o. Eu n&amp;atilde;o quero ser exemplo. N&amp;atilde;o quero a responsabilidade de guiar ningu&amp;eacute;m, nem pela trilha da vit&amp;oacute;ria nem pelos becos da derrota. Sigo assim, mestre dos meus defeitos, mas apenas meu mestre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o procuro seguidores. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106130809189626248?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106130809189626248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106130809189626248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106130809189626248'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106125013002387304</id><published>2003-08-18T20:42:00.000-03:00</published><updated>2003-08-18T20:42:09.963-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Desist&amp;ecirc;ncia&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, estou apenas ocupada&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, estou preso no engarrafamento&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, estou estudando pras provas&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, isso &amp;eacute; mostrar o meu valor&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, quero que sintam minha falta&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, estou sem inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, o governo &amp;eacute; que me atrapalha&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, apenas n&amp;atilde;o compactuo com isso&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o desisti, tenho a vida toda pela frente ainda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desistir n&amp;atilde;o &amp;eacute; coisa de macho&lt;br /&gt;Desistir &amp;eacute; pros covardes&lt;br /&gt;Desistir &amp;eacute; mostrar fraqueza&lt;br /&gt;Desistir &amp;eacute; trair meus ideais&lt;br /&gt;Desistir &amp;eacute; ir contra minha natureza&lt;br /&gt;Desistir &amp;eacute; uma merda&lt;br /&gt;Desistir n&amp;atilde;o est&amp;aacute; nos meus planos&lt;br /&gt;Desistir nunca; render-se jamais!&lt;br /&gt;Desistir &amp;eacute; morrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim&lt;br /&gt;Desisto quando assim me aprouver&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o sou afeito a pontas de facas&lt;br /&gt;Os socos que eu dou eu escolho onde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu n&amp;atilde;o desisto, &amp;eacute; o que dizem&lt;br /&gt;Quero ver o culh&amp;atilde;o pra aguentar&lt;br /&gt;Quero ver a coragem em suas caras&lt;br /&gt;Quero ver n&amp;atilde;o encherem o saco&lt;br /&gt;Quero ver sua teimosia&lt;br /&gt;Quero ver a falta de tino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, vai.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106125013002387304?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106125013002387304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106125013002387304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106125013002387304'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106088954368428278</id><published>2003-08-14T16:32:00.000-03:00</published><updated>2003-08-14T16:36:55.393-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Duas hist&amp;oacute;rias telef&amp;ocirc;nicas&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;- Hmmm...N&amp;atilde;o adianta ligar pra mim que eu n&amp;atilde;o estou em casa.&lt;br /&gt;- Nem em sonho eu ligaria para voc&amp;ecirc;.&lt;br /&gt;- Que isso! N&amp;atilde;o seja t&amp;atilde;o radical, amor. J&amp;aacute; que come&amp;ccedil;amos num papo telef&amp;ocirc;nico, que tal me dar o seu n&amp;uacute;mero?&lt;br /&gt;- Come&amp;ccedil;amos o que? Eu nem te conhe&amp;ccedil;o, amigo!&lt;br /&gt;- Hmmm... Amigo.  Como pode n&amp;atilde;o conhecer um amigo? N&amp;atilde;o &amp;eacute; bem o que eu queria, mas j&amp;aacute; &amp;eacute; um come&amp;ccedil;o...&lt;br /&gt;- Sai fora, cara...&lt;br /&gt;- Me d&amp;aacute; seu n&amp;uacute;mero que eu saio.&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o tenho telefone.&lt;br /&gt;- Serve o n&amp;uacute;mero do celular que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; usando agora.&lt;br /&gt;- Meu fone t&amp;aacute; cortado.&lt;br /&gt;- Eu pago a sua conta...&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o desiste?&lt;br /&gt;- Nunca.&lt;br /&gt;- Bom...Jura que voc&amp;ecirc; sai fora se eu te der meu n&amp;uacute;mero?&lt;br /&gt;- Se voc&amp;ecirc; prometer me atender, eu juro.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom. T&amp;aacute; aqui. &lt;br /&gt;- Hmmm...B&amp;aacute;rbara. Nunca vi um nome t&amp;atilde;o condizente com seu dono.&lt;br /&gt;- Olha. Voc&amp;ecirc; prometeu ir embora. Estou esperando um cara.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom, t&amp;aacute; bom, eu vou. Voc&amp;ecirc; vai me atende, n&amp;eacute;?&lt;br /&gt;- Vou, agora sai fora. Antes de ir, uma coisa. Melhore seu repert&amp;oacute;rio de cantadas. Ele &amp;eacute; horr&amp;iacute;vel.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; me ensina umas novas quando eu te ligar.&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Dia seguinte)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Al&amp;ocirc;?&lt;br /&gt;- Al&amp;ocirc;? B&amp;aacute;rbara?&lt;br /&gt;- Ahn...N&amp;atilde;o. Aqui &amp;eacute; a Judith.&lt;br /&gt;- Judith? N&amp;atilde;o &amp;eacute; a B&amp;aacute;rbara? &lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o tem nenhuma B&amp;aacute;rbara nesse telefone.&lt;br /&gt;- Jura? N&amp;atilde;o &amp;eacute; voc&amp;ecirc; B&amp;aacute;rbara??? Voc&amp;ecirc; prometeu falar comigo.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o...Aqui &amp;eacute; a Judith, j&amp;aacute; disse. Que n&amp;uacute;mero voc&amp;ecirc; ligou?&lt;br /&gt;- 9999-8877&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; esse mesmo. Mas eu n&amp;atilde;o conhe&amp;ccedil;o nenhuma B&amp;aacute;rbara...&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; deve ter me dado o nome errado e n&amp;atilde;o se lembra...eu sou aquele cara...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o. Eu nunca faria isso. Ali&amp;aacute;s, prum cara chato como voc&amp;ecirc;, eu daria um fora logo.&lt;br /&gt;- Que isso, Judith!!! Eu fiz algo pra te deixar t&amp;atilde;o chateada assim?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, mas voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; me incomodando. At&amp;eacute; mais...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o desliga, Ju...Vamos conversar...Esquece essa tal de B&amp;aacute;rbara e vamos falar de n&amp;oacute;s. Voc&amp;ecirc; mora onde, Ju?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o me chame de Ju! N&amp;atilde;o te dei essas intimidades! Eu nem te conhe&amp;ccedil;o, amigo...&lt;br /&gt;- Hmmmm...Amigo? Como pode n&amp;atilde;o conhecer um amigo? N&amp;atilde;o &amp;eacute; bem o que eu queria, mas j&amp;aacute; &amp;eacute; um come&amp;ccedil;o..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;(***)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim, "terminar"??? N&amp;oacute;s come&amp;ccedil;amos a namorar essa semana!&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o interessa. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o se preocupa o bastante comigo.&lt;br /&gt;- E em uma semana voc&amp;ecirc; descobriu isso? Olha, nem estou discordando...Mas queria saber que diabos eu fiz pra voc&amp;ecirc; pensar isso de mim.&lt;br /&gt;- Porra. A gente se conhece h&amp;aacute; um m&amp;ecirc;s e voc&amp;ecirc; repetiu cinco vezes uma coisa detest&amp;aacute;vel.&lt;br /&gt;- CINCO VEZES?!?! O que foi, afinal de contas?!?!?&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; a quinta vez que voc&amp;ecirc; perde meu telefone...&lt;br /&gt;- Ahn?&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; isso o que voc&amp;ecirc; ouviu. Voc&amp;ecirc; perdeu meu n&amp;uacute;mero 5 vezes em um m&amp;ecirc;s...&lt;br /&gt;- E n&amp;atilde;o sei o que &amp;eacute; mais rid&amp;iacute;culo. Voc&amp;ecirc; contar esse tipo de coisa ou achar isso relevante o bastante para terminar um namoro.&lt;br /&gt;- O fato em si n&amp;atilde;o &amp;eacute; relevante. Mas isso me d&amp;aacute; uma mostra do que voc&amp;ecirc; &amp;eacute;. Se voc&amp;ecirc; em um m&amp;ecirc;s n&amp;atilde;o conseguiu decorar o n&amp;uacute;mero da sua namorada....&lt;br /&gt;- Ah, deixa de ser boba! Se voc&amp;ecirc; me conhecesse melhor, saberia que eu tenho uma mem&amp;oacute;ria p&amp;eacute;ssima pra n&amp;uacute;meros.&lt;br /&gt;- Sei, sei...garanto que voc&amp;ecirc; sabe de cor quanto foi o &amp;uacute;ltimo Fla x Flu...&lt;br /&gt;- 5 x 2, num esculacho do meng&amp;atilde;o...Gols de...&lt;br /&gt;- T&amp;aacute; vendo, t&amp;aacute; vendo!!!&lt;br /&gt;- Merda! Futebol n&amp;atilde;o vale! Se voc&amp;ecirc; me conhecesse melhor, ia saber que a &amp;uacute;nica coisa que eu sempre decoro s&amp;atilde;o as estat&amp;iacute;sticas do meu time.&lt;br /&gt;- E da&amp;iacute; a gente percebe quais s&amp;atilde;o suas prioridades...&lt;br /&gt;- Que bobeira isso tudo! Quer dizer que, se ao inv&amp;eacute;s de te pedir o n&amp;uacute;mero eu ligasse pro 102, n&amp;oacute;s n&amp;atilde;o estar&amp;iacute;amos tendo essa conversa?&lt;br /&gt;- Provavelmente n&amp;atilde;o...&lt;br /&gt;- Tem certeza que quer terminar um namoro porque eu n&amp;atilde;o peguei a lista telef&amp;ocirc;nica?&lt;br /&gt;- Tenho...&lt;br /&gt;- Se &amp;eacute; nesses termos, beleza. Vou embora...&lt;br /&gt;- Pode ir, pode ir...E nem adianta me ligar depois!&lt;br /&gt;- Ah, pode deixar...Eu n&amp;atilde;o sei seu n&amp;uacute;mero mesmo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106088954368428278?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106088954368428278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106088954368428278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106088954368428278'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106069109510608452</id><published>2003-08-12T09:24:00.000-03:00</published><updated>2003-08-12T09:24:55.116-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;h4&gt;&lt;b&gt;Her&amp;oacute;i&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;O sujeito na frente do her&amp;oacute;i, sujo, gordo e mal vestido, quem diria, era seu carcereiro. Apesar da revolta, nosso her&amp;oacute;i n&amp;atilde;o se abateu. Sabia que no momento prop&amp;iacute;cio, fugiria da cadeia e esse seria o primeiro a morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tira a roupa. Inteira. At&amp;eacute; as meias e a cueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso her&amp;oacute;i tirou e teve que se sujeitar a um revista pra l&amp;aacute; de minuciosa. O her&amp;oacute;i queria esmurrar o carcereiro ali mesmo, naquele momento. N&amp;atilde;o seria uma atitude muito inteligente, havendo um guarda armado ali. E se tinha um defeito que nosso her&amp;oacute;i n&amp;atilde;o tinha, era estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; vai ser o primeiro a morrer - disse o her&amp;oacute;i&lt;br /&gt;- Vamos ver - respondeu o carcereiro, rindo e batendo na protuberante pan&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carcereiro conduziu o her&amp;oacute;i pelos corredores f&amp;eacute;tidos da cadeia, segurando-o pelo pesco&amp;ccedil;o, um guarda escoltando ambos. Enquanto o rotundo agente penitenci&amp;aacute;rio abria a cela, nosso her&amp;oacute;i observou o infecto cub&amp;iacute;culo: 3 x 3, escuro e repleto da esc&amp;oacute;ria da sociedade. Umas 20 pessoas se amontoavam num lugar que seria pequeno para 5. O her&amp;oacute;i foi jogado dentro da cela, com um safan&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se acomoda a&amp;iacute;, meliante. Vai pensando em como acabar comigo - o carcereiro riu novamente, mostrando os dentes falhos e amarelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso her&amp;oacute;i dirigiu-lhe o olhar mais mal&amp;eacute;volo que podia. Depois olhou do alto para seus "companheiros" de cela, demonstrando claramente que n&amp;atilde;o pertencia ao grupo formado. Ele logo sairia dali. E n&amp;atilde;o iria se misturar com tal gente. Encontrou uma brecha no mundo de gente que estava dentro da cela e sentou-se no ch&amp;atilde;o, sem abrir a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou um cigarro p&amp;ocirc;s na boca. N&amp;atilde;o tinha isqueiro, mas n&amp;atilde;o pediu fogo a ningu&amp;eacute;m. Um cara baixinho e desnutrido, visivelmente nordestino, ofereceu fogo ao nosso her&amp;oacute;i. Sem falar nada, o her&amp;oacute;i pega o cigarro acesso do magrelo e acendeu o seu, encostando a brasa no seu cigarro apagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a&amp;iacute;, cara? T&amp;aacute; na jaula por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso her&amp;oacute;i olhou com asco para o preso. Se dignou a responder pelo favor feito por ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por uma trai&amp;ccedil;&amp;atilde;o...que ser&amp;aacute; vingada em breve, assim que eu sair daqui.&lt;br /&gt;- E voc&amp;ecirc; acha que vai sair daqui em breve?&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o acho. Eu vou.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; muito marrento, sabia, merm&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem disse isso foi um negro forte, mais de dois metros de altura. Nosso her&amp;oacute;i olhou para ele como se ele n&amp;atilde;o passasse de um inseto. Acabara de encontrar um substituto pro carcereiro. Esse seria o primeiro a morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah...Sou?&lt;br /&gt;- &amp;Eacute; sim. &amp;Eacute; melhor tu abaixar a bola, amigo.&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o sou seu amigo, e muito menos seu irm&amp;atilde;o. E se eu fosse voc&amp;ecirc;, ficava quieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir isso, os presos em volta do nosso her&amp;oacute;i se afastaram dele, como um bando de ratos diante de um gato. O her&amp;oacute;i sentia o cheiro do medo deles, e sentiu ainda mais nojo daquelas pessoas, que al&amp;eacute;m de criminosas, eram covardes. O negro se aproximou do nosso her&amp;oacute;i, que se levantou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, antes de estar de p&amp;eacute;, nosso her&amp;oacute;i levou um murro no meio do rosto, que o jogou direto na parede. Ele ficou atordoado, e n&amp;atilde;o esperava por isso. Antes que conseguisse se aprumar, o negro acertou-lhe um soco no est&amp;ocirc;mago, que o jogou definitivamente no ch&amp;atilde;o. O her&amp;oacute;i estava tonto, a vis&amp;atilde;o estava turva e a gritaria dos outros presos n&amp;atilde;o o ajudava em nada para recuperar o equil&amp;iacute;brio. A joelhada no rosto, levada em seguida, foi o tiro de miseric&amp;oacute;rdia. Nosso her&amp;oacute;i, estava ao ch&amp;atilde;o, prestes a desmaiar. A &amp;uacute;ltima coisa que nosso her&amp;oacute;i sentiu foi a aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o do negro e seu p&amp;eacute;, esmagando sua traqu&amp;eacute;ia, como se fosse feita de papel&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo do nosso her&amp;oacute;i foi tirado da cela horas depois, quando j&amp;aacute; estava prestes a feder. O carcereiro, exibindo seus dentes podres, veio rindo. J&amp;aacute; sabia qual seria o destino do "corajoso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As vezes, confian&amp;ccedil;a demais faz mal - pensou, rindo, o carcereiro - As vezes, o "her&amp;oacute;i" morre no come&amp;ccedil;o da hist&amp;oacute;ria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106069109510608452?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106069109510608452/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106069109510608452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106069109510608452'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-106004076000641113</id><published>2003-08-04T20:46:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.812-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Beleza&lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu falei que ela retornaria aos 20 anos.&lt;br /&gt;- E o que ela disse?&lt;br /&gt;- Ora, minha filha....Ela disse am&amp;eacute;m! Que mais ela poderia falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era triste para um estrela do porte de Diana Serpa ter esse di&amp;aacute;logo numa cl&amp;iacute;nica vagabunda, se preparando para uma sess&amp;atilde;o da mais nova subst&amp;acirc;ncia rejuvenecedora do mercado. Para ela, que j&amp;aacute; havia sido a triz televisiva mais famosa do pa&amp;iacute;s, aquilo era o fundo do po&amp;ccedil;o: ter que se sujeitar a estampar com seu rosto um outdoor numa rua escondida de Botafogo em troca de um paliativo contra as marcas do tempo. Da&amp;iacute; para baixo, Diana n&amp;atilde;o sabia mais o que poderia acontecer. Pelo menos diziam que os efeitos da nova droga eram melhores que os do botox. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era de se esperar, Diana tinha aquela vaidade que s&amp;oacute; quem sofreu anos com o ass&amp;eacute;dio de f&amp;atilde;s e jornalistas pode ter. O estrelato tinha sido um fermento para seu ego, que n&amp;atilde;o era dos menores. Sua beleza cl&amp;aacute;ssica lhe rendeu fama e dinheiro. Se tinha talento? Bem, talento &amp;eacute; uma outra hist&amp;oacute;ria. Ela sabia que enquanto mantivesse a boa forma ainda estaria em voga. Se dissessem a ela que, apenas 6 anos depois de ser considerada a quarentona mais bonita do Brasil - ela j&amp;aacute; contava com 43 anos, mas isso era um segredo de estado - teria uma derrocada t&amp;atilde;o grande, Diana daria uma daquelas gargalhadas de novela na cara da pessoa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, os cinq&amp;uuml;enta....Que merda! - Pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou para casa, o rosto meio dormente pelas agulhadas. Sabia que a pequena recauchutada iria ajudar. J&amp;aacute; tinha at&amp;eacute; um plano. Depois de dois dias, iria visitar Carl&amp;atilde;o Moreno, velho diretor de TV e um dos manda-chuvas daquela grande emissora. Ele sempre tentou ter um casinho com ela. Infelizmente, para ele, quando ela n&amp;atilde;o precisava de ajuda e quando ele, mesmo que Diana precisasse, n&amp;atilde;o poderia fazer muito. Mas agora, os tempos eram outros. E se ela precisasse fazer uma segunda chamada no "teste do sof&amp;aacute;", melhor que fosse com algu&amp;eacute;m que tivesse algum real interesse nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o quis se olhar no espelho, n&amp;atilde;o naquela hora. J&amp;aacute; estava cansada de ver algo desagrad&amp;aacute;vel quando via seu pr&amp;oacute;prio reflexo. Agora, em pouco tempo, ela estaria bela de novo. Como diziam - no seu tempo? - em pleno vi&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou no dia seguinte e antes de abrir os olhos j&amp;aacute; estava se apalpando. Viu que n&amp;atilde;o estava inchada e foi logo colocando uns cremes recomendados pelo esteticista homossexual que a atendeu na cl&amp;iacute;nica. Tomou uma ducha, sem molhar o rosto, ainda empastelado pelos cremes. Saiu do banho feliz. Viu seu rosto no espelho, branco com as pastas, e escovou os dentes. Queria que o creme ficasse o m&amp;aacute;ximo de tempo poss&amp;iacute;vel agindo. Colocou um vestido sexy e se achando j&amp;aacute; preparada, resolveu visitar o Carl&amp;atilde;o nesse dia mesmo. Ligou para ele, marcando a visita. Ele j&amp;aacute; estava agindo como uma raposa velha da televis&amp;atilde;o, deixando Diana esperando uns cinco minutos no telefone e depois perguntando "quem era mesmo?" , como se tivesse se esquecido da mulher que faria de tudo para levar para cama a menos de 2 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha uma agenda muito cheia hoje - "sabe como &amp;eacute; vida de diretor!" disse ele, arrogante - ent&amp;atilde;o ela tinha cerca de uma hora para chegar no seu escrit&amp;oacute;rio. Tinha que correr, n&amp;atilde;o queria dar motivo para ver a porta fechada na sua cara por causa de alguns minutos atrasada. Pegou um kleenex e foi tirando a m&amp;aacute;scara facial no elevador mesmo, e foi correndo para o carro. Foi pelo espelho retrovisor que viu pela primeira vez os efeitos do nova subst&amp;acirc;ncia . N&amp;atilde;o estava como esperava, pelo menos no pequeno peda&amp;ccedil;o de rosto que via toda ver que olhava para o retrovisor. Talvez tivesse sido melhor esperar os dois dias mesmo. Mas agora n&amp;atilde;o tinha mais jeito. J&amp;aacute; tinha marcado com o Carl&amp;atilde;o e n&amp;atilde;o adiaria mais sua volta ao sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando nos est&amp;uacute;dios onde Carl&amp;atilde;o tinha seu escrit&amp;oacute;rio, se viu inteira pela primeira vez: o reflexo no espelho do elevador mostrava que ela estava, se n&amp;atilde;o com a mesma cara, podia estar at&amp;eacute; um pouco mais cansada, com mais rugas que antes. Se desesperou. Mas n&amp;atilde;o poderia fugir. Havia chegado &amp;agrave; sala do Carl&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A secret&amp;aacute;ria a anunciou e depois disse que esperasse um pouco. Ela sabia que Carl&amp;atilde;o faria isso, era o comportamento t&amp;iacute;pico de quem tem o poder de ajudar algu&amp;eacute;m como ela. Ficou l&amp;aacute;, pensando se deveria mesmo fazer isso com a cara que estava. N&amp;atilde;o tinha mais como recuar. Seria uma afronta para o "grande diretor" e essa porta estaria definitivamente fechada se ela fizesse essa desfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diana, minha querida! Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; linda!!! Entra, entra! Desculpa te fazer esperar...Vida de diretor, sabe como &amp;eacute;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chav&amp;atilde;o proferido como uma forma de auto-afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o irritava profundamente Diana. Carl&amp;atilde;o estava mudado. Mais calvo, mais gordo e muito mais repugnante do que era. Se soubesse que teria que passar por essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, teria tido o casinho com ele naquela &amp;eacute;poca. Pelo menos ele tinha cabelos, anos atr&amp;aacute;s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro tinha sido horr&amp;iacute;vel. Carl&amp;atilde;o parece que n&amp;atilde;o tinha perdido sequer uma fra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do interesse em Diana, apesar de ter &amp;agrave; sua disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o milhares de garotinha tenras e durinhas dispostas a tudo para ter uma chance na TV. Os dois sa&amp;iacute;ram para almo&amp;ccedil;ar e depois aconteceu o final mais previs&amp;iacute;vel para a trama: foram para um motel. Apesar dela se sentir lisonjeada pela vontade demonstrada por Carl&amp;atilde;o, bastava ela olhar para o espelho no teto para se ver feia e pior, se sujeitando a outra humilha&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ao transar com um homem que n&amp;atilde;o a interessava em absoluto. Conversaram sobre seu novo futuro televisivo depois da c&amp;oacute;pula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queria muito, muito mesmo, te ajudar, Di...E at&amp;eacute; posso. S&amp;oacute; n&amp;atilde;o sei se voc&amp;ecirc; vai querer essa ajuda.&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o me chame de Di, que eu detesto - "olha a intimidade desse porco" , pensou - Fala que ajuda &amp;eacute; essa, que eu te respondo se aceito ou n&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;- O elenco da pr&amp;oacute;xima novela j&amp;aacute; est&amp;aacute; fechado, meu bem. S&amp;oacute; sobrou um papel, a da vil&amp;atilde;...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o &amp;eacute; muito meu estilo, mas eu topo...&lt;br /&gt;- Calma, Di...Eu n&amp;atilde;o terminei. O papel sobrou porque a Zora Assump&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o aceitou. A personagem deve ter uns 40, 45 anos. E ela tem uma filha adolescente. N&amp;atilde;o sei se se encaixa com seu perfil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava aturdida. N&amp;atilde;o sabia se ele estava sendo ir&amp;ocirc;nico, ou se ele realmente achava que ela n&amp;atilde;o aparentava ser a m&amp;atilde;e de uma adolescente. No fundo, ela n&amp;atilde;o queria ser a vil&amp;atilde; da hist&amp;oacute;ria. N&amp;atilde;o sabia se seus f&amp;atilde;s, acostumados com seus pap&amp;eacute;is de hero&amp;iacute;na, gostariam de v&amp;ecirc;-la fazendo maldades na tela. Mas isso era at&amp;eacute; suport&amp;aacute;vel, e se atuasse bem, poderia ser uma volta por cima triunfal. Com certeza a mudan&amp;ccedil;a de perfil faria com que as capas de revistas voltassem a aparecer. Mas o lance da filha adolescente, realmente a preocupava. N&amp;atilde;o queria, de forma alguma, se associada a imagem de mulher de meia idade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o tem nenhum outro papel, Carl&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, Di. N&amp;atilde;o um que se encaixe com voc&amp;ecirc;. Se voc&amp;ecirc; topar fazer a vil&amp;atilde;, est&amp;aacute; tudo certo. Voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;a a ensaiar amanh&amp;atilde; mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um dilema. A necessidade de voltar &amp;agrave; TV era enorme. Mas se vendo deitada, ao lado de um cara que a enojava, vendo seu corpo lentamente se degradar, suas carnes ficarem fl&amp;aacute;cidas e as rugas que o tempo se encarregou de por em seu rosto a fizeram tomar a decis&amp;atilde;o. J&amp;aacute; que ela sabia que sua decad&amp;ecirc;ncia era uma realidade, n&amp;atilde;o deixaria que seus f&amp;atilde;s percebessem isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o, obrigado. Voc&amp;ecirc; s&amp;oacute; me ofereceu esse papel por despeito. Est&amp;aacute; me achando velha.&lt;br /&gt;- O que?!? Claro que n&amp;atilde;o, Di... Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; &amp;oacute;tima! N&amp;atilde;o aparenta a idade que tem. Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; com quanto? 45?&lt;br /&gt;- S&amp;oacute; um sujeito rid&amp;iacute;culo como voc&amp;ecirc; faria esse tipo de pergunta para mim. N&amp;atilde;o preciso da sua esmola nem da sua ir&amp;ocirc;nia. Sei que estou velha. Olhe para o teto. Pode tentar me enganar, mas o espelho n&amp;atilde;o mente. Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; conseguiu sua trepadinha com seu antigo fetiche. N&amp;atilde;o vai conseguir minha gratid&amp;atilde;o por causa desse papelzinho de merda. &lt;br /&gt;- Que isso, Di...Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; sendo grosseira. E eu realmente acho...&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o quero saber o que voc&amp;ecirc; realmente acha. E, pela &amp;uacute;ltima vez, nunca mais me chame de Di.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diana pegou suas roupas, se vestiu e saiu, ignorando os argumentos do Carl&amp;atilde;o. Ele jurou que era verdade que estava achando ela remo&amp;ccedil;ada, mas ela n&amp;atilde;o lhe deu ouvidos. Voltaria &amp;agrave; cl&amp;iacute;nica e veria o que ia fazer de efetivo para parecer mais nova. Seu rosto, retocado por programas de computador, j&amp;aacute; estava na outdoor da cl&amp;iacute;nica. Ela queria ter o mesmo rosto nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; &amp;oacute;tima, Diana.&lt;br /&gt;- Pare, Walter. Eu n&amp;atilde;o sou cega. Quero uma retocada total. A primeira sess&amp;atilde;o n&amp;atilde;o adiantou nada, estou me achando at&amp;eacute; mais velha.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; paran&amp;oacute;ica, honey... Voc&amp;ecirc; rejuvenesceu uns 15 anos!&lt;br /&gt;- Mentira! Quero mais uma sess&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;- Mas voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o precisa!&lt;br /&gt;- Walter... Eu quero outra... Agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter j&amp;aacute; tinha visto outras clientes reagirem assim, mas nunca t&amp;atilde;o r&amp;aacute;pido e nunca com tanta veem&amp;ecirc;ncia. Achava at&amp;eacute; arriscado ou nova sess&amp;atilde;o assim, t&amp;atilde;o em cima da outra. A beleza que Diana havia recuperado poderia se perder, se o efeito do subst&amp;acirc;ncia  ficasse muito artificial, pelo exagero. Mas ela estava irredut&amp;iacute;vel. Faria a aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, j&amp;aacute; que ela fazia tanta quest&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diana, eu acho que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; &amp;oacute;tima. Mas se voc&amp;ecirc; acha que precisa...&lt;br /&gt;- Eu n&amp;atilde;o acho. Eu preciso.&lt;br /&gt;- Tudo bem. Mas se ficar artificial, a culpa n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; minha. Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; &amp;eacute; uma mulher madura, e mesmo que esconda muito bem a sua idade, as pessoas t&amp;ecirc;m uma no&amp;ccedil;&amp;atilde;o de quantos anos voc&amp;ecirc; tem. N&amp;atilde;o adianta voc&amp;ecirc; ficar com a apar&amp;ecirc;ncia de uma menina de 20 anos.&lt;br /&gt;- Eu estou com cara de 60, e n&amp;atilde;o de 20. Chega de papo e pegue as agulhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter fez as aplica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, muito a contragosto. Disse para ela repousar e que dessa vez ela esperasse o efeito antes de tomar alguma atitude impensada. Recomendou que o chamasse para avaliar os efeitos da nova aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ele iria direto para casa dela, assim que ela ligasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, Diana acordou e seguiu o mesmo ritual dos cremes. Dessa vez, deixou que eles ficassem o tempo que Walter havia recomendado, deixando que eles tivessem o atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o necess&amp;aacute;ria. Ouviu os recados da sua secret&amp;aacute;ria eletr&amp;ocirc;nica e ouviu uma mensagem do Carl&amp;atilde;o. Queria falar com ela novamente, com calma. Pediu que ela entrasse em contato com ele. Ela voltou para cama, ignorando o recado. Dormir a deixaria mais calma e seria bom para sua pele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou algumas horas depois e foi direto ao espelho. Tirou o creme do rosto e teve um choque: estava encarquilhada, com os olhos rodeados por p&amp;eacute;s-de-galinha e com todas as marcas de express&amp;atilde;o impressas como navalhadas no rosto. A vis&amp;atilde;o aterradora quase a matou de desgosto. Resolveu que se tinha que matar algu&amp;eacute;m seria o Walter, que deve Ter feito algo de errado na aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Iria ligar para ele imediatamente, e se ele n&amp;atilde;o conseguisse dar um jeito naquilo, trucidaria "aquela bicha louca" com as pr&amp;oacute;prias m&amp;atilde;os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Walter!!! Venha imediatamente aqui pra casa. Algo deu errado. Traga as seringas.&lt;br /&gt;- Anh? Diana? O que houve, meu amor? Fala...&lt;br /&gt;- Cala a boca, Walter. Vem pra c&amp;aacute; AGORA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter sabia que essa rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o seria poss&amp;iacute;vel. Imaginou que ela devia estar se achando muito esticada, nova demais para sua idade. Levou as seringas s&amp;oacute; para deix&amp;aacute;-la menos nervosa e tamb&amp;eacute;m uma revista dos anos 70 com ela na capa. Compararia a foto com o reflexo no espelho e convenceria que era melhor ser uma mulher de meia idade com cara de adolescente que uma garota com cara de velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar no apartamento da Diana, se espantou com ela. Por baixo da cara enfurecida dela, via que ela estava maravilhosa, t&amp;atilde;o bonita quanto era h&amp;aacute; d&amp;eacute;cadas. Sentiu um orgulho imenso daquilo, que decididamente era sua melhor cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Com aquela exuber&amp;acirc;ncia, em breve ela estaria de volta &amp;agrave; TV e ele iria ficar rico com ela, seu melhor mostru&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Walter!!!! Olha o que voc&amp;ecirc; me fez!!! Eu estou horrenda!!!&lt;br /&gt;- Como assim horrenda? Nunca vi voc&amp;ecirc; t&amp;atilde;o bonita como hoje! Eu te transformei numa obra-prima!!!&lt;br /&gt;- Obra-prima?!?!?! Olha essas rugas, seu viado! Trate de dar um jeito nisso ou eu te mato!!! Eu juro!!!!&lt;br /&gt;Walter n&amp;atilde;o entendeu o porque da brincadeira. Ela estava linda como h&amp;aacute; muito e vinha com esse papo de que estava velha? N&amp;atilde;o se via sequer uma ruga em todo o seu rosto. Ficou assustado. Diana nunca primou pelo talento, mas aquela representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &amp;oacute;dio estava perfeita. Dava at&amp;eacute; medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trouxe as seringas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter queria ver at&amp;eacute; onde ia o del&amp;iacute;rio da Diana. Mexeu na maleta e inv&amp;eacute;s das seringas, pegou a revista que tinha guardado para esse momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha aqui, Diana. Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; mais bonita que nessa revista. E aqui voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o tinha nem 25 anos! Nunca vi um tratamento dar t&amp;atilde;o certo como o seu.&lt;br /&gt;- Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; cego ou est&amp;aacute; brincando comigo, sua bicha? - Diana estava completamente possessa, agarrando Walter pelo bra&amp;ccedil;o com muita for&amp;ccedil;a - Em que me pare&amp;ccedil;o com essa foto? Nem parece que sou eu, ou parece que tirei essa foto h&amp;aacute; 50 anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter se desvencilhou do aperto e levou Diana at&amp;eacute; o espelho que cobria uma das paredes da sua sala. Encostou a revista ao seu rosto e apontou no reflexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diana, voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; com algum problema. Olha a foto! Olha seu reflexo. Na foto voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; come&amp;ccedil;a a ver uma ou outra ruguinha aparecendo. Voc&amp;ecirc; agora est&amp;aacute; perfeita!&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o!!!! Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; cego!!! Voc&amp;ecirc; vai me aplicar outra sess&amp;atilde;o agora...&lt;br /&gt;- Nunca! Voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; louca! Tem que procurar um tratamento. Eu me recuso a estragar um rosto t&amp;atilde;o belo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diana n&amp;atilde;o conseguia ver o mesmo que Walter. Dando um empurr&amp;atilde;o no esteticista, correu at&amp;eacute; o quarto e voltou com uma arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Walter. Eu n&amp;atilde;o posso ficar com essa cara idosa. N&amp;atilde;o mesmo. Voc&amp;ecirc; vai aplicar outra sess&amp;atilde;o em mim, nem que eu tenha que te dar um tiro.&lt;br /&gt;- Diana... Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o est&amp;aacute; bem. Precisa de ajuda, urgente....&lt;br /&gt;- Sei que preciso. E &amp;eacute; voc&amp;ecirc; quem vai me ajudar. Coloca agora...Prepara as seringas. J&amp;aacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter n&amp;atilde;o sabia se Diana falava s&amp;eacute;rio ou n&amp;atilde;o, mas n&amp;atilde;o queria pagar pra ver. Se ela n&amp;atilde;o conseguia ver que estava na melhor das formas, azar o dela. Preparou as doses, a instalou numa poltrona confort&amp;aacute;vel e come&amp;ccedil;ou as aplica&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Se sentia como um estudante de pintura retocando a Mona Lisa. Era um pecado mexer em algo t&amp;atilde;o perfeito como o novo rosto da Diana. Sabia que corria o risco de ser morto por aquela maluca, se o resultado final n&amp;atilde;o a agradasse, mas mesmo assim, movido por uma curiosidade implac&amp;aacute;vel, decidiu que ficaria at&amp;eacute; ver o efeito final daquela dose extra. Para evitar que ela ficasse muito agitada com a expectativa dos resultados, ministrou em Diana um calmante, sem que ela percebesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que Diana adormeceu, Walter ficou um tempo olhando para ela, procurando entender o que se passava naquela cabe&amp;ccedil;a. Por que ser&amp;aacute; que ela n&amp;atilde;o conseguia ver sua pr&amp;oacute;pria beleza e por que a fixa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em dizer que estava velha, quando o oposto era evidente? Diana podia se considerar uma felizarda. Apesar de aparentar agora ter uns 20 anos a menos do deveria, ela n&amp;atilde;o estava nem um pouco rid&amp;iacute;cula, como aquelas peruas loucas por uma cirurgia pl&amp;aacute;stica que parecem uns Frankesteins, com corpo de 60 e carinha de adolescente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esteticista se perguntou se a tal nova subst&amp;acirc;ncia havia sido suficientemente testada antes de ir a p&amp;uacute;blico. Walter nunca soube de um caso de efeito colateral, e certamente o medicamento n&amp;atilde;o teria uma contra-indica&amp;ccedil;&amp;atilde;o como essa, de fundo psicol&amp;oacute;gico. Sim, de fundo psicol&amp;oacute;gico, porque o caso da Diana era de loucura. Walter pensou em pesquisar sobre isso no dia seguinte, antes de cair no sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter foi acordado abruptamente com um grito. De um pulo, levantou, temendo pela arma que deveria estar na m&amp;atilde;o da Diana essa hora. Correu at&amp;eacute; o quarto da atriz e a viu chorando, diante do espelho. Ela estava, inacreditavelmente, mais bonita que na noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora n&amp;atilde;o tem mais jeito, Walter. Voc&amp;ecirc; e essa merda que voc&amp;ecirc; colocou na minha cara acabaram com a minha beleza - falou Diana, entre um suspiro e outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walter n&amp;atilde;o conseguiu responder. N&amp;atilde;o por causa da loucura evidente da mulher, mas porque estava extasiado pela sua beleza. Nunca, em toda vida, havia visto uma mulher t&amp;atilde;o linda. Por um momento, ele se viu apaixonado por Diana, ignorando sua tend&amp;ecirc;ncia sexual, definida h&amp;aacute; tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diana...Voc&amp;ecirc;...- balbuciou&lt;br /&gt;- Eu o que, Walter? Eu estou acabada. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais nada a se fazer....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que Walter pudesse sair do seu transe, Diana apontou a arma que segurava na boca e disparou. Depois do estampido seco, imperou o sil&amp;ecirc;ncio no quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diana gostaria de ver seu pr&amp;oacute;prio vel&amp;oacute;rio. Milhares de f&amp;atilde; e alguns poucos amigos apareceram &amp;agrave; concorrida cerim&amp;ocirc;nia f&amp;uacute;nebre. A imprense marrom, sedenta por esc&amp;acirc;ndalos, cobriu o acontecido com alarde. Depois de tanto tempo, Diana Serpa voltava &amp;agrave;s primeiras p&amp;aacute;ginas. Infelizmente, n&amp;atilde;o da forma que ela desejava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos jornalistas presentes encontrou Carl&amp;atilde;o, o diretor de TV, que, de &amp;oacute;culos escuros, chorava discretamente em um canto da capela. Vendo que ele era a personalidade mais famosa do recinto, foi entrevist&amp;aacute;-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ent&amp;atilde;o, Sr. Carl&amp;atilde;o. Quando foi que o sr. viu Diana pela &amp;uacute;ltima vez?&lt;br /&gt;- Foi anteontem. Estou chocado. N&amp;atilde;o consigo acreditar no acontecido.&lt;br /&gt;- E sobre o que tratou o encontro? Um papel para a estrela na pr&amp;oacute;xima novela?&lt;br /&gt;- Isso, isso. Est&amp;aacute;vamos negociando. &lt;br /&gt;- Uma perda incr&amp;iacute;vel, n&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;- Com certeza. Diana tinha um talento incr&amp;iacute;vel. E estava bonita como nunca.&lt;br /&gt;Com certeza, com certeza. Bem...obrigado, Carl&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;Claro, claro...N&amp;atilde;o foi nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim da entrevista, os dois continuaram conversando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Realmente, fazia tempo que a Diana n&amp;atilde;o aparecia, n&amp;atilde;o tinha como sabermos como ela estava em forma.&lt;br /&gt;- &amp;Eacute;. Mas eu sou um diretor que sempre procura o melhor pra minha programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Sabia que Diana estava linda. Ia ser a volta por cima dela.&lt;br /&gt;- Muito azar. Mas por que diabos ser&amp;aacute; que ela, quando ia ter seu retorno triunfal, meteu uma bala na cabe&amp;ccedil;a?&lt;br /&gt;- N&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;o id&amp;eacute;ia...&lt;br /&gt;- Bom...Pelo menos o enterro est&amp;aacute; lotado. Ela teria gostado disso. E, apesar de ter estourado os miolos, manteve o rosto intacto...&lt;br /&gt;- Pois &amp;eacute;. Ela est&amp;aacute; linda. Mais linda do que nunca. N&amp;atilde;o parece ter mais que 20 anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-106004076000641113?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/106004076000641113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=106004076000641113&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106004076000641113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/106004076000641113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2003/08/beleza-eu-falei-que-ela-retornaria-aos.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-105898701550535192</id><published>2003-07-23T16:03:00.000-03:00</published><updated>2003-07-23T16:13:31.780-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= "justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;h4&gt;Auto-conhecimento&lt;/b&gt;&lt;/h4&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desaparecimento do Dino come&amp;ccedil;ou ser notado apenas depois da sua terceira semana. Todos o seus amigos sabiam que ultimamente ele era dado a esses sumi&amp;ccedil;os misteriosos, mas ele nunca tinha ficado tanto tempo sem dar not&amp;iacute;cias. Ele sempre fora o "&lt;i&gt;louco da turma&lt;/i&gt;", ent&amp;atilde;o suas atitudes estranhas eram esperadas por todos. Essa foi a raz&amp;atilde;o pela qual ningu&amp;eacute;m se preocupou tanto com sua aus&amp;ecirc;ncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que Dino come&amp;ccedil;ou a fazer an&amp;aacute;lise - para "&lt;i&gt;se conhecer melhor&lt;/i&gt;", dizia - seu comportamento exc&amp;ecirc;ntrico foi mudando gradativamente. Para melhor, todos achavam. Se antes eles era o doid&amp;atilde;o imprevis&amp;iacute;vel, que preocupava a todos, agora eles estava mais sereno. Suas loucuras, teoricamente, n&amp;atilde;o eram mais aquelas que poderiam feri-lo, como em outros tempos. Sua busca pelo auto-conhecimento fez com que ele abandonasse seus h&amp;aacute;bitos destrutivos, tornando-o mais contemplativo, recolhido. Os c&amp;eacute;ticos da turma apostavam que isso era uma fase, quem em breve ele voltaria a fazer as mesmas merdas que sempre fez. Mas, para surpresa e al&amp;iacute;vio de todos, Dino mantinha-se direito por um tempo maior do que todos julgavam. Ele trocou seus atos tresloucados por viagens que sempre fazia sozinho, justificando que precisava meditar. "&lt;i&gt;Meu terapeuta recomendou&lt;/i&gt;", era a desculpa. Essa era a explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o para seus sumi&amp;ccedil;os repentinos, que se tornaram uma constante. Nunca ia para lugares agitados ou para cidades &lt;i&gt; cart&amp;otilde;es postais&lt;/i&gt;. Preferia os lugarejos remotos, se poss&amp;iacute;vel que n&amp;atilde;o tivessem nem uma m&amp;iacute;sera pousada. Pegou gosto por acampamentos, onde era mais dif&amp;iacute;cil de encontrar pessoas que atrapalhassem seu retiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos seus amigos o achavam realmente mais centrado, pac&amp;iacute;fico. Isso era bom para ele, claro. Mas para dois ou tr&amp;ecirc;s de seus amigos mais &amp;iacute;ntimos, ainda havia "&lt;i&gt;aquele&lt;/i&gt;" brilho nos olhos do Dino, um brilho que apesar de esmaecido, indicava que nem tudo estava bem, que o velho Dino insano ainda estava l&amp;aacute;, apenas descansava, entediado, devido a falta de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o imposta pelo seu novo comportamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foram esses amigos &amp;iacute;ntimos que acharam muito estranho t&amp;atilde;o longo sumi&amp;ccedil;o. Suas viagens n&amp;atilde;o duravam nunca mais de uma semana, e na volta ele adorava encontrar toda a turma para mostrar seus avan&amp;ccedil;os em sua trilha de auto-conhecimento. Nem no curto per&amp;iacute;odo em que pensou em seguir sua carreira por forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a medicina, ele desapareceu por tanto tempo. Na segunda semana sem aparecer, Sandro, seu amigo mais &amp;iacute;ntimo, come&amp;ccedil;ou a procur&amp;aacute;-lo, ainda sem alarde. Ligou para seus familiares, para seus outros amigos e ningu&amp;eacute;m sabia o destino do Dino. E foi ent&amp;atilde;o que, na terceira semana desaparecido, Sandro resolveu ir at&amp;eacute; &amp;agrave; casa do amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campainha insistentemente tocada n&amp;atilde;o surtiu efeito. N&amp;atilde;o sabendo bem a raz&amp;atilde;o, Sandro sentiu que algo n&amp;atilde;o estava certo, que de alguma forma, Dino tinha aprontado uma das suas. Sandro encostou o ouvido na porta e n&amp;atilde;o ouviu nada, a principio. Manteve-se na posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais alguns segundos e distinguiu, quase impercept&amp;iacute;vel, um ru&amp;iacute;do conhecido, mas que ele n&amp;atilde;o conseguia identificar. Fechou o outro ouvido e prestou aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o por mais uns momentos. Para seu horror, depois de apenas um segundo ele reconheceu o barulho por tr&amp;aacute;s da porta trancada e n&amp;atilde;o teve d&amp;uacute;vidas: arrombou-a com um chute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As moscas que infestavam o apartamento zumbiam incessantemente, a origem do ru&amp;iacute;do. Andando at&amp;eacute; o quarto do Dino, Sandro sentiu o cheiro insuport&amp;aacute;vel de carne em decomposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Encontrou o corpo do amigo estirado na cama, parcialmente esquartejado, sem as duas pernas e sem um bra&amp;ccedil;o. A cena chocante foi demais para Sandro, que j&amp;aacute; nauseado pelo forte odor de morte, correu ao banheiro e vomitou.  &lt;br /&gt;Tentando se recompor, Sandro lavou o rosto, bebeu um pouco de &amp;aacute;gua e juntando o que lhe restava de coragem, voltou ao quarto. Com as id&amp;eacute;ias mais claras e ligeiramente mais calmo, Sandro pode notar o que havia de estranho na j&amp;aacute; surpreendente cena. Apesar de estar retalhado, o corpo de Dino n&amp;atilde;o tinha machas de sangue:  os cortes em seu corpo estavam enfaixados, o que levava a crer que o objetivo de quem quer que tenha retalhado seu amigo n&amp;atilde;o era mat&amp;aacute;-lo com isso. Ele estava vestido e n&amp;atilde;o havia sinal de luta ou dos seus membros decepados. Se aproximando da cama, Sandro pode ver que Dino tinha uma caneta nas m&amp;atilde;os e que um bloco repousava no ch&amp;atilde;o, ao lado da cama. Perto do bloco, tigelas com restos de algum tipo de sopa rala e mal cheirosa que as moscas tentavam acabar. Sandro pegou o bloco e reconheceu a letra do amigo, apesar da escrita t&amp;ecirc;nue e imprecisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandro guardou o bloco no bolso e resolveu de uma vez por todas chamar a pol&amp;iacute;cia. N&amp;atilde;o sabia mais o que fazer diante do corpo do amigo. Esperou os policiais chegarem, respondeu todas as perguntas feitas por eles e foi para casa, sem mencionar o bloco que havia guardado. Sabia que naquelas anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es poderiam estar pistas sobre quem fez aquilo ao Dino. Sabia tamb&amp;eacute;m que ele poderia se meter em problemas ao ocultar t&amp;atilde;o importante objeto, mas tinha que ler o que ele escreveu antes de qualquer pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou um banho gelado assim que chegou em casa. Tentou, inutilmente, tirar das narinas o nauseabundo odor que o impregnava. N&amp;atilde;o teve o resultado esperado, mesmo depois da longa ducha. Foi para cama e tirou o bloco de dentro da cal&amp;ccedil;a. Pela debilidade da letra do Dino, sabia que ele estava muito mal quando resolveu escrever aquelas anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es. N&amp;atilde;o era um relato muito grande, um pouco mais de uma p&amp;aacute;gina, como ele mesmo j&amp;aacute; imaginara. Dino devia estar &amp;agrave;s portas da morte quando pegou da caneta. Come&amp;ccedil;ou a ler as &amp;uacute;ltimas palavras do amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Eu sabia que devia levar at&amp;eacute; as &amp;uacute;ltimas conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncias minha busca pelo auto-conhecimento. Fui a muitos lugares, usei muitas subst&amp;acirc;ncias, naturais ou n&amp;atilde;o, e embora isso tenha me ajudado, n&amp;atilde;o me trazia as respostas que eu procurava. Falei com padres, pais-de-santo, gurus e isso ainda n&amp;atilde;o me havia sido suficiente. Busquei da ci&amp;ecirc;ncia ao misticismo e nada. Aprendi v&amp;aacute;rias verdades, sobre o mundo e sobre os homens, mas elas n&amp;atilde;o eram a minha verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um vislumbre do que poderia ser a resposta para o que eu procurava quando encontrei um documento escrito de uma tribo latina muito antiga. O documento trazia uma receita para uma po&amp;ccedil;&amp;atilde;o que, diziam os relatos, tinha poderes m&amp;aacute;gicos. Quando consegui traduzir todos os ingredientes dessa beberagem, resolvi fazer o que seria minha &amp;uacute;ltima viagem. Consegui cada erva, cada extrato vegetal, cada elemento da receita no meio da floresta equatorial, entre o Peru e a Bol&amp;iacute;via. A promessa para quem bebesse da po&amp;ccedil;&amp;atilde;o era a de que a verdade sobra a sua natureza passaria a estar em cada fibra do seu corpo, tornando a pessoa finalmente plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz a po&amp;ccedil;&amp;atilde;o e ela teve um efeito alucin&amp;oacute;geno sobre mim. O importante foi que finalmente eu descobri, no meio da minha viagem interior, o que fazer. Eu j&amp;aacute; sabia como absorver toda a "verdade sobre a minha natureza". Sabia exatamente como aproveitar esse conhecimento, que realmente inundava, fisicamente, todo meu corpo. E &amp;eacute; fisicamente que devo saborear essa verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo o que devia fazer, comecei a me preparar. Para evitar a dor que o processo causaria, bastou apenas preparar uma boa quantidade da po&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Al&amp;eacute;m de alucin&amp;oacute;gena, a infus&amp;atilde;o era um excelente analg&amp;eacute;sico. Os procedimentos para estancar uma hemorragia eu j&amp;aacute; conhecia desde a faculdade. Ali&amp;aacute;s, os anos na escola de medicina tamb&amp;eacute;m me foram &amp;uacute;teis para obter as ferramentas necess&amp;aacute;rias para o que eu pretendia. Para evitar que sujasse completamente minha casa, faria a opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o na banheira. Esse lugar seria ideal tamb&amp;eacute;m por ter facilmente, &amp;aacute;gua corrente...&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandro n&amp;atilde;o queria acreditar no que estava lendo. Seria loucura demais, at&amp;eacute; mesmo para um Dino sob efeito de drogas. Ele, que achava que nada poderia ser pior que a c&amp;acirc;mara mortu&amp;aacute;ria onde encontrou o amigo, via, horrorizado, que aquilo era apenas o fim de um ritual macabro. A vis&amp;atilde;o do Sandro come&amp;ccedil;ou a turvar, conforme ia avan&amp;ccedil;ando sua leitura. Ele n&amp;atilde;o conseguia mais ler coerentemente, e ia pulando algumas partes, contra sua vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;...depois de cortar minha perna na altura do joelho e de fazer a completa assepsia do corte, separei minuciosamente toda a carne dos ossos. Essa seria a melhor forma para...&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandro n&amp;atilde;o queria mais ler o relato, mas n&amp;atilde;o conseguia parar. O horror que se apossou dele era mais fraco que a m&amp;oacute;rbida curiosidade. Quase no fim da &amp;uacute;ltima p&amp;aacute;gina, quase n&amp;atilde;o se conseguia mais entender a letra do Dino, t&amp;atilde;o fraco era seu tra&amp;ccedil;o. Ao chegar no fim do escrito, que n&amp;atilde;o terminava com um ponto final, mas sim com a palavra "&lt;i&gt;fraco&lt;/i&gt;" sem a &amp;uacute;ltima s&amp;iacute;laba, Sandro jogou longe o bloco e deitou sua cabe&amp;ccedil;a no travesseiro, n&amp;atilde;o acreditando no que acabara de ler. Dormiu, mais pelo choque que pelo cansa&amp;ccedil;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficara desacordado quase um dia inteiro. Acordou com batidas na sua porta. Era Nicola, um amigo comum dele e do Dino. Ele entrou esbaforido pela sala, visivelmente tenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sandro...Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; soube? O Dino...&lt;br /&gt;- Sei...Eu encontrei o corpo - respondeu Sandro, ap&amp;aacute;tico.&lt;br /&gt;- Foi voc&amp;ecirc;? A pol&amp;iacute;cia n&amp;atilde;o informou isso pra gente. Isso tudo &amp;eacute; horr&amp;iacute;vel! Fizeram a aut&amp;oacute;psia no Dino. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o vai acreditar o que encontraram no seu est&amp;ocirc;mago...&lt;br /&gt;- Eu sei o que foi, Nicola...Eu sei....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-105898701550535192?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/105898701550535192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105898701550535192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105898701550535192'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-105680804342828444</id><published>2003-06-28T10:47:00.000-03:00</published><updated>2003-06-28T10:47:23.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= "justify"&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; Sobre o fogo extinto &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ter um amor calmo, sem as exig&amp;ecirc;ncias emocionais que as paix&amp;otilde;es t&amp;oacute;rridas trazem, sem os "direitos &amp; deveres" dos relacionamentos passionais, sem o desespero que a aus&amp;ecirc;ncia causa. Mas me foi imposs&amp;iacute;vel. Agora estou morto. Irremediavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voc&amp;ecirc; se foi. E nosso amor flamejante se extinguiu, para voc&amp;ecirc;. O amor &amp;eacute; m&amp;aacute;quina que precisa de combust&amp;iacute;vel para sua fornalha, ou ele se apaga. Em algum momento, voc&amp;ecirc; acordou e n&amp;atilde;o viu mais as achas de lenha que alimentavam nossa paix&amp;atilde;o. Assim que voc&amp;ecirc; partiu, me deixou aqui, mero amontoado de cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu vivo procurando pelos sinais impercept&amp;iacute;veis da nossa antiga fagulha, catando suas gimbas de cigarro em cinzeiros esquecidos, fazendo de tudo por uma s&amp;oacute; gota de saliva que tenha sa&amp;iacute;do dos seus l&amp;aacute;bios. Mas n&amp;atilde;o resta nada. Nem o p&amp;oacute; das coisas esturricadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o calor das brasas adormecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que o fogo se apagou, n&amp;atilde;o tive nem o privil&amp;eacute;gio da quietude dos cremados ou a tepidez da paz interior. Apenas troquei a fogueira da paix&amp;atilde;o pelo inferno da saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-105680804342828444?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/105680804342828444/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105680804342828444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105680804342828444'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-105664281213189942</id><published>2003-06-26T12:53:00.000-03:00</published><updated>2003-06-26T12:53:32.153-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= "justify"&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; O Chute &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Eu chutei essa cidade. Chutei-lhe a boca cheia de dentes perfeitos, chutei seus lábios famosos, deformando-os, imperceptivelmente é verdade, mas a deformidade que lhe deixo é perene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como sua marca, em mim, é eterna. A cidade me socou o estômago com toda sua força e vigor. Meu chute foi meramente uma reação à sua violência explícita, sua voracidade implacável. O vomito provocado por tão forte golpe deixou exposto o que havia de pior em mim; o que teve de revelador teve de purificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parto agora da cidade e saio agredindo-a. Não há ressentimentos, contudo. Aprendemos sempre, seja da forma mais sutil ou da mais contundente. O chute que desferi em sua face foi por gratidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-105664281213189942?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/105664281213189942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105664281213189942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105664281213189942'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-105647891684219666</id><published>2003-06-24T15:21:00.000-03:00</published><updated>2003-06-24T15:21:56.886-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= "justify"&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; O dia seguinte &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Acordei e o dia&lt;br /&gt;J&amp;aacute; era dia&lt;br /&gt;Como todos os dias&lt;br /&gt;Acordei e a vida&lt;br /&gt;J&amp;aacute; estava vivida&lt;br /&gt;&amp;Agrave; revelia&lt;br /&gt;Acordei e s&amp;oacute; havia&lt;br /&gt;Uma medida&lt;br /&gt;Sorri pro dia&lt;br /&gt;E cortei meus pulsos com doce&lt;br /&gt;ironia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-105647891684219666?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/105647891684219666/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105647891684219666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105647891684219666'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-105640372519979159</id><published>2003-06-23T18:28:00.000-03:00</published><updated>2004-01-14T13:35:02.043-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= “justify”&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; O Egoísta &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nicanor era o sujeito mais egoísta da turma. O caso dele nem era de sempre pensar primeiro nele. Ele só pensava nele. As outras pessoas não tinham a menor importância. Eram meros coadjuvantes, em um mundo em que a única coisa que tinha relevância era o seu próprio umbigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nicanor, Nicanor...Deixa de ser assim! Quase ninguém mais liga pra você, vai acabar ficando sem amigos – disse certo dia Deodato, um dos poucos que ainda gostavam dele.&lt;br /&gt;– Deodato, amigo meu é dinheiro no bolso! Tô nem aí. Não dependo deles pra nada.&lt;br /&gt;– Nicanor...Todo mundo precisa de amizades. Nenhum homem é uma ilha. Esse seu egoísmo ainda vai te trazer problemas.&lt;br /&gt;– Eu não sou egoísta, Deodato. Eu apenas tenho como prioridade tomar conta dos meus assuntos. E além do mais, por que eu tenho que me preocupar com os outros? Os outros não podem se preocupar com eles mesmos? Eu já tenho muito trabalho cuidando de mim.&lt;br /&gt;– Pô...aí você ainda tá parecendo preguiçoso, além de egoísta.&lt;br /&gt;– Deodato, não encha meu saco!&lt;br /&gt;– Tá bom, tá bom, sem estresse. Mas você não conhece aquela lenda oriental sobre o céu e o inferno? Segundo essa lenda, o céu e o inferno são lugares idênticos. As almas ficam todas em uma cela gigantesca, completamente gradeada. A única coisa que serve de alimento para essas almas é uma montanha de arroz que fica na frente da grande cela. Todo esse arroz fica fora do alcance das almas, mas o criador deu a todas elas palitos, desses de comida japonesa, com os quais eles conseguiam alcançar a comida. E é aí que vem a diferença entre o paraíso e a expiação eternos. No inferno, cada alma tenta pegar os grãos de arroz e colocá-los na própria boca. Mas como os palitos são muito longos, eles não conseguem chegar perto o bastante para comê-los. Essas almas viverão o resto da eternidade com fome. No céu, ao contrário, cada alma que pega seu grão de arroz dá sua porção de comida à alma do seu lado, e assim todos comem e vivem felizes.&lt;br /&gt;– Que merda de história! O que significa e em que se aplica à nossa conversa?&lt;br /&gt;– Não seja burro, Nicanor! Ajudar os outros é vital para uma vida melhor, para quem é ajudado e para quem ajuda. Sozinho, você é fraco. Num time, você é forte.&lt;br /&gt;– Pra começar, meu time sou eu e ponto. Além do mais, detesto arroz puro e preferiria ficar com fome pelo resto da eternidade a me ater a essa dieta ridícula. E outra coisa: se o céu é essa mixórdia de ficar preso passando comida pra boca dos outros pra todo o sempre, dispenso solenemente. Que paraíso mais sem graça!&lt;br /&gt;– Porra, Nicanor, você não entende nada mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi passando o tempo, Nicanor ficando cada vez mais isolado e o que é pior, mais feliz. Realmente não sentia falta de companhia. Ele se bastava. E com isso ele foi vendo seu já restrito círculo de amizades definhar até não sobrar mais ninguém. Nem mesmo o Deodato. Seu isolamento, com o passar dos anos, foi mudando seu comportamento, naturalmente. Como não havia pessoa que pudesse avisá-lo da sua alteração, a mudança era imperceptível para ele. Tinha adquirido ojeriza ao desprendimento humano. Qualquer demonstração da fraternidade entre as pessoas o encolerizava. Para ele, toda forma de boa ação tinha por traz alguma má intenção camuflada. Ele tinha se tornado um sociopata em potencial. E para ele, tudo estava normal, se achava até mais lúcido do que nunca. Ele nunca iria imaginar que espécie de problemas essa atitude lhe causaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhava Nicanor pela praia num dia chuvoso. Andava rápido, para evitar os pedintes, aos quais tinha particular aversão. Apesar de bonitas, o calçamento em pedras portuguesas das praias cariocas não são muito práticas, e úmidas, se tornam escorregadias. Ao avistar um grupo potencial de crianças que iriam lhe abordar pedindo esmolas, abaixou a cabeça e acelerou o passo. Foi seu erro. As pedras limosas o fizeram escorregar, deixando-o no chão. O que mais irritou Nicanor não foi a queda em si, nem o momento constrangedor por que passara – ele não dava a mínima para opinião alheia – mas sim a pronta ajuda que um rapaz que fazia seu cooper lhe ofereceu. Ao ver Nicanor no chão, a primeira ação do rapaz foi segurar-lhe o braço, ajudando-o a levantar-se. Isso enfureceu sobremaneira Nicanor, que com um safanão se livrou da mão amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Me largue, moleque! Não preciso da sua ajuda!&lt;br /&gt;– Calma, senhor...Eu só queria ajudá-lo...&lt;br /&gt;– Eu não pedi sua ajuda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao falar isso, Nicanor deu um safanão no rapaz, afastando-o. O garoto caiu, incrédulo, no meio da pequena aglomeração que já se formava. Essa atitude do Nicanor enfureceu os curiosos, que não entenderam sua reação desbaratada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ei!!! O menino só queria ajudar o senhor! Não precisava fazer isso com ele!!! – reclamou uma senhora que acompanhava a cena.&lt;br /&gt;– A senhora fique quieta, ninguém pediu sua opinião!&lt;br /&gt;– O senhor devia ter mais educação! Desrespeitar assim uma senhora pode ser prejudicial ao senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem havia dito isso era um homem forte, com quase dois metros de altura. Nicanor já estava completamente descontrolado e, como também era um sujeito com uma boa constituição atlética, não se amedrontou. Deu uma resposta atravessada ao homem forte, que de pronto partiu para um tipo de agressão menos verbal. Os curiosos se afastaram diante das cenas de pancadaria, mas, para surpresa de todos, Nicanor começava a levar a melhor na briga, causando graves lesões ao seu oponente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo seu defensor apanhando, a senhora que foi ofendida por Nicanor resolveu ajudar, acertando lhe uma bela guardachuvada na cabeça. Nicanor, colérico, acertou um murro no rosto da senhora, que caiu desmaiada no chão. Esse foi o sinal para que os outros curiosos também tomassem partido na confusão, e logicamente não do lado do contumaz egoísta. O rapaz que o ajudou a levantar lhe deu uma rasteira por trás, levando-o ao chão. Caindo de cabeça, Nicanor sentiu que tinha um talho na fronte, que pro seu azar, vertia sangue em abundância. Ele ainda tentou resistir, mas ao vê-lo no chão, o grupo de pessoas o atacou sem piedade, e em pouco tempo ele estava inconsciente, devido à violência dos golpes que sofrera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia da coisa é que, apesar de ser um ato de vandalismo e brutalidade, Nicanor acabou morrendo por linchamento, a forma menos egoísta de ferir uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-105640372519979159?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/105640372519979159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105640372519979159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105640372519979159'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-105578067100864816</id><published>2003-06-16T13:24:00.000-03:00</published><updated>2004-01-14T13:09:04.936-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= “justify”&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; Açúcar queimado &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Estava prestes a entrar naquela fase da saudade onde até os defeitos da pessoa distante fazem falta. Outro dia desses se pegou com o gosto da calda do pudim de leite que ela fazia. E olha que ela invariavelmente errava e o sabor de açúcar um pouco queimado sempre predominava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ela quem quis terminar, ele não iria correr mais atrás e estava tudo encerrado, ponto. Mas ali, ouvindo o cd do Sinatra que compraram juntos, era difícil não lembrar dela e de suas manias. Como querer dançar sempre que ele colocava o “old blue eyes” no cd player. E o jeito engraçado como ela conduzia a dança, porque ele sempre foi uma nulidade como pé-de-valsa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A saudade é uma merda!”, pensou nessa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nem sabia o que era pior: se era a saudade em si ou o fato de um cara racional como ele sentir falta de coisas que o incomodavam de forma absoluta. Seu ciúme exagerado, que passava em muito o limite em que ele ficaria lisonjeado ou a irritação provocado pela seu perfeccionismo patológico. Tiveram brigas homéricas por conta disso. E agora ele, um sujeito calmo, totalmente avesso às brigas e discussões inúteis, começava a sentir falta até dos arranca-rabos que tinha com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu que sua situação estava ficando insustentável quando mesmo as lembranças das diferenças de gênio entre os dois não eram o bastante para fazer ver que a separação era o melhor para ambos. Próximo do fim, eles já nem conversavam, viviam se falando aos berros. Seguirem caminhos diferentes era o mais correto, todos seriam mais felizes e ainda poderiam manter o pouco de respeito que um nutria pelo outro. Ele não era um desses caras guiados pela paixão. Não que fosse orgulhoso. Só achava que se anular como pessoa por causa de um relacionamento não era uma opção viável. Não acreditava que se podia renunciar a tudo pelo amor. Esse tipo de coisa só acontece em músicas bregas e filmes melados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então por que diabos ele não parava de pensar nela? Por que cogitava – loucura! – ligar para ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largou o Sinatra no meio de “Nevertheless” e foi até a cozinha comer algo, mais para espairecer que pela fome. Abriu a geladeira e viu lá, ainda intacto, o pudim de leite feito pela sua mãe, que por pena do filhinho voltou a cozinhar para ele. Ele resplandecia, tinha a textura e as cores exatas, como numa foto de mostruário. Tirou uma fatia e comeu um pedaço. Abandonou o pudim na primeira colherada. Estava perfeito. Perfeito demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-105578067100864816?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/105578067100864816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105578067100864816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105578067100864816'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-105547709113753545</id><published>2003-06-13T01:04:00.000-03:00</published><updated>2003-06-13T01:04:51.060-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= “justify”&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; Insepar&amp;aacute;veis &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Depois de que podia se lembrar, Esa&amp;uacute; sempre detestou seu irm&amp;#227o, Jac&amp;oacute;. Queria, se poss&amp;iacute;vel, ficar longe um bom tempo. Infelizmente para ambos – para ambos mesmo porque Esa&amp;uacute; fazia da vida de Jac&amp;oacute; um inferno – era imposs&amp;iacute;vel a separaç&amp;#227o definitiva: eles eram g&amp;ecirc;meos siameses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L&amp;oacute;gico que a raz&amp;#227o estava com Esa&amp;uacute;. Pelo menos ele pensava assim. Se achava desfavorecido em relaç&amp;#227o ao irm&amp;#227o. Era até engraçado pensar que seus pais, Esdras e Josefina, tivessem um preferido entre eles. Mesmo que isso fosse poss&amp;iacute;vel, como dar algo a um sem que outro soubesse e pedisse o mesmo? Para o azar de Jac&amp;oacute;, Esa&amp;uacute; nunca primou pelo bom senso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jac&amp;oacute; imaginava que tudo havia começado quando eles foram manchete no jornal da pequena cidade em que nasceram. Na foto, recém-nascidos ainda, Jac&amp;oacute; sa&amp;iacute ra em destaque, pois estava acordado. Esa&amp;uacute; estava dormindo e parcialmente coberto. Sempre perguntavam quem era o que estava acordado, diziam que parecia ser o mais esperto. A matéria, emoldurada e em lugar de destaque na parede da sala, era odienta para Esa&amp;uacute;. Se ele tivesse a chance, j&amp;aacute; teria estilhaçado o quadro h&amp;aacute; muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esa&amp;uacute; fazia de tudo para apoquentar Jac&amp;oacute;. Dormia depois dele, para esbofetear-lhe a cara, destratava as visitas que o elogiavam, começou a beber e fumar escondido s&amp;oacute; porque fazia mal ao irm&amp;#227o. Jac&amp;oacute; n&amp;#227o contava nada aos seus pais, apesar do tormento que sua vida se tornou. Na verdade, tinha medo do Esa&amp;uacute;. Achava-o louco, temia o que ele podia fazer com ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E parece que, algum tempo depois, Esa&amp;uacute; realmente enlouqueceu. Os tormentos que aplicava a Jac&amp;oacute; estavam recrudescendo, se tornando mais cruéis. Para afligir o irm&amp;#227o, Esa&amp;uacute; n&amp;#227o estava mais se preocupando mais nem com sua pr&amp;oacute;pria integridade f&amp;iacute;sica e moral. Tomava drogas que deixavam os dois alucinados, rasgava a parte das roupas que cabiam a Jac&amp;oacute;, deixando as suas intactas. E Jac&amp;oacute; persistia em seu sil&amp;ecirc;ncio. Era t&amp;#227o absurdo o estado em que andavam que seus pais começaram a pensar que os dois estavam enlouquecendo. Nunca imaginariam que Jac&amp;oacute; n&amp;#227o pudesse fazer parte das insanidades que faziam. Sempre acharam Jac&amp;oacute; ajuizado. Era imposs&amp;iacute;vel que ele se permitisse a tamanho descalabro sem sua coniv&amp;ecirc;ncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, Esdras e Josefina esperaram Esa&amp;uacute; dormir e foram conversar com Jac&amp;oacute;. Queriam saber o que estava acontecendo, se eles podiam ajudar de alguma forma, mesmo que fosse buscando um aux&amp;iacute;lio externo. Entendiam que a vida deles n&amp;#227o era normal, que com na sua condiç&amp;#227o aberrante, eles eram mais sujeitos a sofrer danos psicol&amp;oacute;gicos. Compreendiam o prov&amp;aacute;vel desespero que um rapaz da idade dele devia estar passando por n&amp;#227o ter uma vida normal. E se ele, Jac&amp;oacute;, que era o arrimo moral dos amalgamados irm&amp;#227os estava tendo problemas, isso era muito preocupante. Seus pais perguntaram se eles podiam fazer algo para acabar com a afliç&amp;#227o dos dois. Jac&amp;oacute; permaneceu em sil&amp;ecirc;ncio durante alguns momentos e depois perguntou fez apenas uma pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Existe a possibilidade de uma intervenç&amp;#227o cir&amp;uacute;rgica?&lt;br /&gt;– N&amp;#227o, filho...Infelizmente n&amp;#227o. Vocês dividem &amp;oacute;rg&amp;#227os vitais.&lt;br /&gt;– Entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, Jac&amp;oacute; virou o rosto e dormiu, a cabeça no ombro que dividia com seu irm&amp;#227o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias seguintes, Esa&amp;uacute; continuou com sua série de mart&amp;iacute;rios ao irm&amp;#227o. Mas ele notou uma diferença no comportamento de Jac&amp;oacute;. Agora ele nem reclamava. Estava alheio a tudo, n&amp;#227o se importava com nada que Esa&amp;uacute; fizesse. Inclusive n&amp;#227o disse palavra quando viu que o irm&amp;#227o estava pegando a seringa, se preparando para mais uma dose de hero&amp;iacute;na, seu mais novo v&amp;iacute;cio. Esa&amp;uacute; achou estranho. As recentes doses da droga os deixavam let&amp;aacute;rgicos, coisa que Jac&amp;oacute; detestava. O mais incr&amp;iacute;vel foi que ele até ajudou a amarrar a borracha que vedaria a corrente sangu&amp;iacute;nea de ambos. Esa&amp;uacute; pensou que finalmente havia conseguido deixar Jac&amp;oacute; viciado em algo, havia conspurcado seu virtuoso irm&amp;#227o, de forma indelével. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A onda dessa dose consentida foi a melhor que Esa&amp;uacute; j&amp;aacute; teve. Ironicamente, nunca se sentiu t&amp;#227o pr&amp;oacute;ximo do irm&amp;#227o, os dois mergulhados num mar de torpor calmo, repleto de sonhos de liberdade para ambos. A sensaç&amp;#227o  de que estava se separando do irm&amp;#227o–fardo era t&amp;#227o intensa que poderia se dizer que era real, f&amp;iacute;sica. Até a dor que de repente começou a fazer parte desse ritual lis&amp;eacute;rgico de libertaç&amp;#227o era bem vinda. Se fosse para ser uma pessoa s&amp;oacute;, valia o esforço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josefina acordou no dia seguinte e foi olhar os filhos. Deparou-se com uma cena dantesca. Seus dois filhos, dois como nunca foram antes, mergulhados numa poça de sangue, meio divididos, meio unidos. Um machado, fincado na altura da barriga de ambos, os havia quase separado por inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-105547709113753545?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/105547709113753545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105547709113753545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105547709113753545'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-105543528277143493</id><published>2003-06-12T13:28:00.000-03:00</published><updated>2003-06-12T13:33:48.620-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= “justify”&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; &lt;i&gt;Istas&lt;/i&gt; &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;– Bom dia.&lt;br /&gt;– Por que?&lt;br /&gt;– Ahn?&lt;br /&gt;– &amp;Eacute;...por que “&lt;i&gt;bom dia&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;– Como assim, “&lt;i&gt;por que bom dia&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;– Qual é o seu problema? Foi uma pergunta simples. Me dê uma raz&amp;#227o pra esse ser um bom dia.&lt;br /&gt;– Bom...O dia est&amp;aacute; bonito....&lt;br /&gt;– Fraca essa. Além de beleza ser um conceito subjetivo, a “&lt;i&gt;beleza&lt;/i&gt;” do dia n&amp;#227o altera em nada a situaç&amp;#227o do mundo. &amp;Eacute; por essas e outras que eu nunca digo “&lt;i&gt;bom dia&lt;/i&gt;”.&lt;br /&gt;– Ah, j&amp;aacute; sei. Você é existencialista.&lt;br /&gt;– N&amp;#227o. Sou realista.&lt;br /&gt;– Sei n&amp;#227o... T&amp;aacute; mais com cara de fatalista.&lt;br /&gt;– E n&amp;#227o é a melhor forma de ver a vida?&lt;br /&gt;– N&amp;#227o. Eu prefiro ser otimista....&lt;br /&gt;– Nos dias de hoje, ser um otimista é o mesmo que ser um entreguista. N&amp;#227o converso com ninguém que n&amp;#227o seja no m&amp;iacute;nimo um reformista.&lt;br /&gt;– Concordo que a situaç&amp;#227o mundial n&amp;#227o é das melhores. Mas n&amp;#227o adianta ter uma atitude derrotista.&lt;br /&gt;– Derrotista n&amp;#227o! Acredito numa melhora, mas é preciso fazer algo. L&amp;oacute;gico que para isso é necess&amp;aacute;rio que surja alguém que faça uma boa an&amp;aacute;lise da nossa realidade...&lt;br /&gt;– E quem seria esse analista?&lt;br /&gt;– N&amp;#227o sou futurista! Como vou saber quem vai ser esse cara?&lt;br /&gt;– Acho que as coisas est&amp;#227o melhorando, sinceramente. Confio no governo petista.&lt;br /&gt;– Mesmo? Pensei que, com esse papo de otimismo, você fosse mais um neo-liberal.&lt;br /&gt;– Nada...sou é socialista.&lt;br /&gt;– Pois n&amp;#227o parece...Hoje estou com tendências anarquistas, pra te ser sincero. J&amp;aacute; fui comunista leninista–trotkista, mas agora s&amp;#227o outros tempos.&lt;br /&gt;– Com certeza...e o comunismo mudou muito, n&amp;#227o? Desde o regime do Stalin n&amp;#227o d&amp;aacute; pra confiar nos vermelhinhos...Ele era um fascista.&lt;br /&gt;– Isso é. Pode se ser comunista, socialista ou mesmo anarquista....mas sempre mantendo o ideal democrata.&lt;br /&gt;– Democrata?&lt;br /&gt;– &amp;Eacute;.&lt;br /&gt;– Ah...pode ser...Mas acho esse conceito muito &lt;i&gt;grego&lt;/i&gt; demais. &amp;Eacute; t&amp;#227o clacissista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-105543528277143493?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/105543528277143493/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105543528277143493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/105543528277143493'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-95406339</id><published>2003-06-07T13:00:00.000-03:00</published><updated>2003-06-07T13:00:29.833-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= “justify”&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; Visita noturna &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Eiras despertou no meio da noite percebendo a inevitabilidade da sua morte e, pior, como era supérflua a sua vida. E como não tinha nem teria nada de muito mais interessante para fazer com ela, pensou, com seus botões ainda meio sonados, que a morte até que lhe cairia bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentos depois tocaram a campainha. Achou estranho, pensou que ainda estava sonhando ou algo do gênero. Não tinha amigos que chegassem à sua casa uma hora dessas. Aliás, nem tinha amigos que chegassem a lugar algum a qualquer hora. Não os tinha de todo, e mesmo que os tivesse, quem quer que batesse em sua porta às 3 da manhã seria sumariamente cortado do seu círculo de relações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu a porta e viu um sujeito pálido que lhe era totalmente estranho, impecavelmente vestido com um terno preto de fino corte. Tinha uma expressão mista de profundo tédio e cansaço. Foi logo estendendo a mão, se apresentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Olá. Você é o Eiras, não? Você me chamou, eu apareci – contrastando com a jovialidade das palavras ditas, foi o cumprimento menos entusiasmado que já tinha recebido. Mas isso não era o mais estranho. O que o intrigava era que nunca tinha visto um entregador de pizza tão bem vestido. Isso sem levar em consideração também o fato dele não estar trazendo a pizza que ele não havia pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como assim, “&lt;/i&gt;eu chamei&lt;/i&gt;”? O porteiro deixou você subir? Como você sabe meu nome? Você sabe que horas são, meu chapa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– São três horas, sete minutos e 45 segundos, levando-se em consideração o fuso horário da região, não precisei falar com o porteiro e você me chamou ainda há pouco, quando acordou – respondeu, ignorando o tom irritado do Eiras, o misterioso personagem – Eu sou a Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o bastante para a pouca paciência do Eiras. Bateu a porta na cara do desconhecido louco e voltou para continuar seu sono. Chegando ao quarto, para seu assombro, o maluco estava sentado em sua cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas como...?!?!?!&lt;br /&gt;– Não gosto de fazer esses truques. Acho de um exibicionismo estéril, incongruente com a formalidade do meu trabalho. Mas você não me deu opção. E você não foi muito gentil. Fui educado, atendi o &lt;b&gt;seu&lt;/b&gt; chamado numa hora indigna dessas e você me bate com a porta na cara.&lt;br /&gt;– Como você entrou aqui?!?!?!&lt;br /&gt;– Isso é fácil, mas não vem ao caso. Você me chamou, estou aqui. Vim te buscar.&lt;br /&gt;– Buscar?!?!? Quem diabos é você, afinal?&lt;br /&gt;– Sorte sua eu não ser o diabo. Quando um dos emissários dele se dispõe a buscar alguém sem intermediários, pode ter certeza que a situação dela não é das melhores. Digamos que ele passará por uns tempos infernais – ao falar isso, deu uma risada – Desculpe a piada nesse momento impróprio. Eiras, eu sou a Morte, já disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A Morte?!?!?!&lt;br /&gt;– Isso. Por que? Não acredita? Esperava um monte de ossos cobertos com uma túnica ridícula e uma foice? Eiras, Eiras, Eiras...essa visão de mim é muito antiquada. Foi criada pra assustar os servos na idade média. Estamos no século XXI...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eiras estava aturdido. Não sabia se ainda estava sonhando ou se tinha enlouquecido de vez. Sentou a lado do sujeito de preto e resolveu ver até onde iria esse jogo estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá bom. Digamos que você seja realmente “&lt;b&gt;A&lt;/b&gt;” Morte. Por que eu? Quando foi que eu te chamei, afinal?&lt;br /&gt;– Você acabou de me invocar – é um termo meio rebuscado, mas é o correto – quando acordou percebendo a inevitabilidade da sua morte e como era supérflua a sua vida. &lt;br /&gt;– Porra!!! E você aparece assim, só porque eu pensei essa merda? Você leva tudo sempre tão ao pé da letra?!?!&lt;br /&gt;– Depende...De qualquer forma &lt;br /&gt;– E se você tivesse que aparecer toda vez que alguém falar “&lt;i&gt;se inveja matasse, eu cairia durinho agora!&lt;/i&gt;”, por exemplo? Ou quando um cara fala teve vontade de morrer quando viu seu time perder o campeonato? Você não ia parar em casa nunca! Aliás, você tem uma casa?&lt;br /&gt;– Tenho, mas você está saindo do foco da nossa conversa. A questão é a vontade da pessoa. Eu apareço quando há convicção no seu desejo de morrer. Você estava convicto quando pensou em passar dessa pra melhor. &lt;br /&gt;– Hmmm....e é uma melhor mesmo?&lt;br /&gt;– Pode ser que sim, pode ser que não. Mas você está pulando as etapas do processo. Quando você acordou no meio da madrugada, achando sua vida uma porcaria, você teve o que chamamos de ....&lt;br /&gt;– Quem “&lt;i&gt;chamamos”&lt;/i&gt;???&lt;br /&gt;– Você está novamente fugindo do assunto, Eiras. Você teve o que chamamos de clarificação da condição de vida (CCV). Costumamos levar em consideração todo pedido – invocação – decorrente de um CCV.&lt;br /&gt;– Mas foi sem querer!!! Eu não quero morrer, catzo!!!&lt;br /&gt;– Tem certeza? Um CCV não falha... &lt;br /&gt;– Eu estava dormindo! Eu não estava pensando direito!!! Eu, eu....&lt;br /&gt;– Olha, Eiras. Eu gostei de você. Vou te dar uma chance pra pensar melhor. Não devia, mas vou te dar essa chance. Vai mesmo renunciar ao seu CCV? Eles são raríssimos. E só pessoas muito lúcidas conseguem tê-los...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa surreal com a figura mitológica sentada ao seu lado ainda não parecia totalmente real para Eiras. Na manhã seguinte ninguém acreditaria, quando ele contasse a história para....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eiras era um solitário. Trabalhava em casa – um emprego desestimulante e mal remunerado –, mal saía para comprar seus víveres. Não tinha ninguém. Deu uma olhada no seu exíguo apartamento (sua “&lt;i&gt;piquenete&lt;/i&gt;”, segundo o próprio, pois era menor que um quitinete), nos seus míseros pertences, na sua falta de perspectivas. Aquela que morre por último, a tal de esperança, para ele era uma natimorta. E o pior é que ele nunca sentiu falta dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vida, no fim das contas, não era nada. Viver ou morrer realmente não faria a menor diferença. Eiras sempre imaginou o momento em que morreria. Seria como aquelas mortes de cinema, quando o futuro defunto se lembra de todos os momentos da sua vida em uma fração de segundos. E agora, ali com a Morte em pessoa do seu lado, ele não conseguia lembrar de nada que importasse. Se ele tivesse que usar a tal “&lt;i&gt;fração de segundos&lt;/i&gt;” pra ver novamente o que tinha vivido, ele não precisaria da metade desse tempo. Sua vida foi muito breve, não pelos anos vividos, mas pelo que ele deixou de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E então Eiras?&lt;br /&gt;– Vamos....– anuiu Eiras, menos triste do que ele imaginava que deveria ficar.&lt;br /&gt;– É a decisão certa.&lt;br /&gt;– É...Eu sei. Ahn, só uma coisa. Como vai ser?&lt;br /&gt;– Basta me acompanhar. Vai ser rápido.&lt;br /&gt;– Isso. Seja breve. Estou acostumado com isso....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-95406339?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/95406339/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/95406339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/95406339'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-95123848</id><published>2003-05-31T13:29:00.000-03:00</published><updated>2003-05-31T13:29:58.073-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= “justify”&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; Pelica &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sou mulher e você se aproveita da minha pressuposta fragilidade.&lt;br /&gt;Você me agride.&lt;br /&gt;Você me fere a cada conquista efêmera sua, tão elaboradas, que só servem para alardear sua colossal empáfia diante dos amigos do seu clã masculino. Você não imagina o quanto isso me mina, como vejo minha vida minguar a cada aventura sua. &lt;br /&gt;Mas você é o homem.&lt;br /&gt;E por isso, você comanda, você manda e desmanda. Você é o senhor de um castelo que deveria ser partilhado e não dominado. Não esperava por esse amor vassalo.&lt;br /&gt;E nas noites em que você dorme em camas desconhecidas e baratas, eu não durmo. Eu não vivo, fico suspensa num labirinto de dúvidas. E mesmo assim, insisto em procurar a saída.&lt;br /&gt;Eu sou mulher.&lt;br /&gt;E tenho a pecha de fraca. Você ignora que fraqueza maior é a sua covardia. Covardia ao me machucar, até fisicamente. Mas eu quero a volta.&lt;br /&gt;Me bater é fácil. Você é o homem, o macho forte que tudo pode, que tudo faz. Mas não quero mais essas derrotas impostas. Quero a chance de lutar. E isso, só você pode me ceder.&lt;br /&gt;Me bata. Mas quero o desafio do revide. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me bata com luvas de pelica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-95123848?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/95123848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/95123848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/95123848'/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-95051891</id><published>2003-05-29T18:42:00.000-03:00</published><updated>2011-04-06T17:23:03.831-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= “justify”&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; A carta  de apresentação &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Jonas nunca foi brilhante. Era novo, e nos seus tenros e mal vividos 19 anos ainda era o que se podia chamar de “&lt;i&gt;marinheiro de primeira viagem&lt;/i&gt;” nessa coisa de viver. Não que isso o incomodasse. Com os pais que tinha – donos de uma conta bancária mais polpuda que a de alguns países africanos – não tinha mesmo com o que se preocupar. Um dia em que sua rebeldia sem causa estava mais atacada, pegou o dinheiro da sua mesada e comprou um apartamento. Decidiu começar vida nova, independente, sem depender dos seus pais para nada. Nada, além do sustento, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que ele precisava era, óbvio, alguém que o alimentasse, vestisse e mantivesse seu apartamento habitável.  O anúncio procurando uma diarista foi de uma eficiência absurda. Jonas não esperava que o retorno fosse tão imediato. No seu parco entender, ele não imaginava que domésticas lessem jornais. Para algumas das candidatas à vaga, ele até perguntou se tinham esse hábito. Algumas ficaram ofendidas com a dúvida. Ele não era das pessoas mais delicadas, e sutileza não era umas das suas qualidades mais evidentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então você lê jornais? Surpreendente! Mas só deve ler os classificados, não? – e fazia uma cara de pasmo, o que no final das contas era o que mais ofendia as candidatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quatro ou cinco respostas meio tortas, Jonas se mancou a parou com a pergunta. Nem entendia o porque da revolta das moças. “Pobres, e ainda por cima mulheres, por que diabos eu vou imaginar que elas lêem?”, pensava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Caras leitoras, não levem a mal nosso amigo. Ele é um idiota completo. Fazer o que? Culpa dos pais, dele é que não seria, lógico.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A demora na escolha – movida pela deturpada impressão do nosso amigo idiota de que ele arranjaria uma empregada jeitosinha, bem no estilo das que ele, e as vezes o pai, estupravam no quartinho da sua antiga casa – acabou assim que Jurema apareceu na sua porta, por volta das sete da noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jurema era uma mulata de meia idade, de seios e ancas fartas e de uma robustez de causar inveja a uma vaca holandesa (a analogia foi involuntária). Chegou já se aboletando, dizendo que não iria ser entrevistada: o cargo já era dela. Viera por recomendação de um amigo do pai do Jonas, e o garoto, que não estava acostumado a sofrer imposturas de serviçais, ficou chocado com a empáfia daquela mulher. Gostou dela na hora, e queria ver até onde ela levaria essa afronta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Toma minha carta de apresentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A estúpida criatura nem sabe o que são suas referências!”, pensou Jonas ao pegar o envelope jogado no seu colo. Abriu e viu onde ela havia trabalhado. Achou engraçado. Jurema havia trabalhado na casa de vários amigos dele, tão “&lt;i&gt;independentes&lt;/i&gt;” como ele. Ricardo Toledo, Paulo de Moura e Castro, Francisco Toledo e Toledo e vários outros da sua turminha de bon–vivants, que ele não via fazia tempo, não sabia bem porque. Mas o que o fez decidir pela contratação foi o último parágrafo da carta:&lt;br /&gt;“Ótima no recondicionamento de conduta interpessoal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fazia idéia do que significava isso. Mas Jurema era uma mulher, no mínimo, interessante, e deveria diverti-lo durante algumas semanas. E claro, ela também cozinharia para ele e lavaria suas cuecas, o que era mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jurema se acomodou no seu quarto de empregada e foi direto para cozinha, preparar o jantar. Jonas gostou da eficiência da mulher. Pensou que, apesar de não haver a menor possibilidade de sexo entre eles, poderia se acostumar com a criada. Para começar, ele pediu que a empregada lhe preparasse uma fritada de cogumelos com creme de espinafre e arroz colorido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você não se mete no meu trabalho, garoto. Vai comer o que eu preparar e lamber o beiços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cara de abobado de Jonas depois dessa descompostura já valeria um mês de ordenado para Jurema. Ele, como ela já imaginava, não reclamou. Quando Jonas conseguiu abandonar sua cara boquiaberta e ia falar algo, Jurema nem deu tempo para o rapaz reagir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E saia AGORA da minha cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele saiu. Jonas não sabia se despedia ela agora ou se esperava a comida. Estava com fome e cansado de comer em restaurantes. Decidiu demitir a negra assim que comesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes houvesse demitido na hora. Quando a negra o chamou para sala de jantar, Jonas encontrou seu prato já pronto, fumegando na mesa. O prato tinha uma aparência grotesca, molenga. Era uma carne com uma cor horrenda, coberta com uma repartições quadriculadas. Jonas não conseguia imaginar de que espécie de animal teria saído uma iguaria tão repugnante, isso se aquilo era mesmo animal. Ou se era mesmo do planeta Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Que diabos é isso, mulher?!?!?&lt;br /&gt;– Dobradinha. Bucho, para os íntimos. E meu nome é Jurema. Já tinha te dito isso, não?&lt;br /&gt;– Olha, pouco me importa o seu nome. E não existe a menor possibilidade de eu colocar essa coisa nojenta na minha boca.&lt;br /&gt;– Se você chamar novamente algo que eu tenha feito para você comer de nojenta, eu vou te dar um corretivo bem merecido.&lt;br /&gt;– Nem vou levar em consideração essa sua frase. E pode ir retirando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que Jonas terminasse a frase, levou um safanão no meio da cara. Ele não imaginava que a mão da Jurema pudesse ser tão pesada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu não vou sair de lugar nenhum e você vai comer sua comida toda. E se você limpar o prato, ganha uma sobremesa deliciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jonas nunca foi muito afeito a agressões físicas. O primeiro pensamento que teve foi o de ligar pro seu pai, reclamando. Mas não, ele agora era independente, tinha que cuidar de si mesmo, sem depender de favores paternos. Ele resolveria a situação: comeria o prato inteiro, com talheres, se fosse necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Muito bem, garoto. Vai pro seu quarto que já levo sua sobremesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jonas estava atordoado. O que fazer? Ligar para polícia e falar que estava em um cativeiro, que por um acaso era sua própria casa, pois foi seqüestrado pela sua empregada? Contratar uns capangas para tirar Jurema a força da sua casa? Ele duvidava que Jurema se intimidasse com qualquer tipo de capanga. Se aparecessem uns 15 caras lá para levá-la de lá, ela provavelmente empurraria dobradinha goela abaixo de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda estava pensando no que poderia fazer para se livrar da mulher quando Jurema abre sua porta. Usava um roupão esfarrapado e encardido, que aparentava anos continuados de uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Trouxe sua sobremesa.&lt;br /&gt;– E onde está?&lt;br /&gt;– Aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jurema abriu seu roupão, mostrando toda a pujança do seu enorme corpanzil. O choque da visão inusitada imobilizou Jonas pelos segundos que seriam os necessários para uma fuga desesperada. Foi o que Jurema precisou para se atirar em cima do pobre rapaz, com uma velocidade incompatível com sua massa corporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estado de torpor estupefato do Jonas continuou durante as horas em que Jurema desfrutou – essa é a melhor definição – dele. E o inesperado da coisa foi que, apesar de todo seu tamanho, muito diferente das modelos-atrizes esqueléticas que formavam o cardápio sexual do mimado garoto, Jurema agradou Jonas. As carnes abundantes e voluptuosas da empregada, o cheiro cru de gente do povo e carícias que ele nem imaginava que poderiam existir conquistaram o rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, Jonas acordou exausto e encontrou na mesa da cozinha um lauto café da manhã. Brevidades, Tapioca, cuzcuz de milho, bolo de fubá, suco de graviola. Ele não conhecia nada daquilo, mas com a fome que estava e com o incidente da dobradinha na noite anterior, preferiu comer tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá com fome, menino? O que você ontem fez para ter todo esse apetite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da inconveniente piadinha, Jurema soltou uma gargalhada à altura do seu enorme porte. Sua boca escancarada mostrava todos os seus dentes brancos, que pareciam maiores do que já eram no meio daquele sorriso descomunal. Jonas estava completamente sem graça, o que não impediu que tivesse uma ereção ao ver os grandes seios balançando no ritmo da gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No almoço, Jonas foi obrigado a comer frango com quiabo. Depois, como no jantar, a sobremesa. No jantar seguinte, o prato foi mocotó, seguido de mais sobremesa. E assim foi, por dias seguidos. Jonas comeu coisas que nunca comeria sem uma arma na cabeça e, mais intrigante, começava a gostar da exótica culinária. Angu com miúdos, rabada, jiló, pé de porco, caldo de inhame. Todas as refeições lhe davam direito a sobremesa, óbvio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jonas foi ficando mais forte, ganhando cores saudáveis. A convivência com Jurema mudou até seus hábitos. Era menos dependente – quando Jurema estava muito ocupada, ele era obrigado por ela a ajudá-la – vinha perdendo suas manias aos poucos. Até seu vocabulário mudou um pouco, perdendo toda a afetação que anos de educação esmerada haviam criado. Escutava os conselhos da Jurema e os seguia, na medida do possível. Ele chegou ao cumulo de , vejam vocês, procurar um emprego. E conseguiu, em pouco tempo. A influência da família ajudou, claro, mas Jonas também tinha méritos na conquista. Não era mais o adolescente retardado que era quando foi brincar de casinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia Jonas encontrou as malas da Jurema arrumadas, no corredor. Foi até a cozinha e encontrou seu desejum na mesa e a mulata lavando a louça, calmamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Por que as malas? Vai viajar sem me avisar, nega? – Já tinham intimidade bastante para trocarem apelidos.&lt;br /&gt;– Não, estou indo embora, moleque.&lt;br /&gt;– Como assim, embora?!?!? Aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;– Meu trabalho aqui acabou. Só isso. Você já sabe se virar sozinho. Virou um homenzinho já – respondeu e soltou sua famosa gargalhada.&lt;br /&gt;– E quem disse que eu quero me virar sozinho, mulher?!?! Quem vai cozinhar pra mim, lavar minhas roupas, fazer aquela broa de milho que eu adoro? É por causa de dinheiro? Recebeu uma proposta melhor?&lt;br /&gt;– Não é grana. E pra sua broa, você arranja alguém, moleque. Tenho que ajudar outras pessoas que precisam mais do que você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jonas não estava entendendo a decisão. Então Jurema explicou tudo. Ela foi mandada pelo pai dele para acabar com o jeito mimado e infantil dele e essa era a especialidade dela. Daí o  “Ótima no recondicionamento de conduta interpessoal” na carta de apresentação dela. Jurema já tinha feito o mesmo que fez por Jonas para várias pessoas, inclusive os amigos dele que estavam nas suas referências. Aí Jonas entendeu o sumiço da “&lt;i&gt;tchurma&lt;/i&gt;” de playboys que viviam aprontando pela cidade. Jurema os havia tornado homens. Não precisavam mais dos joguinhos infantis que os divertiam tanto antigamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade que Jonas teve foi de implorar para que Jurema ficasse. Mas compreendeu que ela não era mais necessária ali. E essa renúncia foi uma das provas que Jurema teve de que seu moleque realmente havia crescido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Posso te pedir só mais uma coisa, Nega?&lt;br /&gt;– Pode, moleque...O que você quer?&lt;br /&gt;– Me faz o almoço de hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3235424-95051891?l=caostrofobia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caostrofobia.blogspot.com/feeds/95051891/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3235424&amp;postID=95051891&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/95051891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3235424/posts/default/95051891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caostrofobia.blogspot.com/2003/05/carta-de-apresentacao-jonas-nunca-foi.html' title=''/><author><name>James Winscatchatchura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02500588829391507308</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3235424.post-94949781</id><published>2003-05-27T15:04:00.000-03:00</published><updated>2003-05-27T15:04:49.330-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align= “justify”&gt; &lt;h4&gt;&lt;b&gt; O banquete &lt;/h4&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Vem. Vem depressa, que o tempo urge. Vem, mas vem logo, que tenho fome. &lt;br /&gt;Sirva a mesa. Vamos nos servir, vamos nos alimentar um ao outro, um do outro. Vamos trocar o gastronômico pelo fisiológico. Nosso apetite é o mesmo. E não há melhor iguaria. &l
